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terça-feira, abril 28, 2026

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Violência atinge mais de 1 bilhão de mulheres no mundo, mas ocupa apenas 1,3% do noticiário global, mostra estudo

Por Luciana Gurgel

Luciana Gurgel

O silêncio do noticiário contrasta com a escala da violência. Um novo relatório global mostra que, embora uma em cada três mulheres já tenha sofrido violência sexual ao longo da vida, temas como assédio, feminicídio, violência doméstica, abuso sexual, estupro, sexismo e misoginia seguem ocupando uma fatia mínima da cobertura jornalística.

O levantamento aparece no The Global Misogyny News Coverage Tracker, assinado pela pesquisadora Luba Kassova, uma das principais vozes no debate sobre mídia e gênero no mundo. O trabalho analisou 1,14 bilhão de notícias online, em 65 idiomas, publicadas entre 2017 e 2025.

Segundo o relatório, esses temas representaram apenas 1,3% do noticiário online global em 2025, o menor nível desde 2017. No pico do movimento #MeToo, em 2018, essa proporção havia chegado a 2,2%.

O estudo também aponta que a cobertura tende a tratar crimes como episódios isolados, sem conectá-los a desigualdades estruturais. Mesmo em reportagens sobre violência contra mulheres, homens continuam predominando entre as vozes citadas: entre 2017 e 2025, houve 1,5 homem citado para cada mulher. Em 2025, a proporção subiu para 1,6.

Outro dado chama atenção: enquanto a cobertura sobre misoginia e violência contra mulheres recua, as menções ao termo “ideologia de gênero”, expressão utilizada em narrativas contra a igualdade, cresceram 42 vezes no noticiário global entre 2020 e 2025. Na América do Sul, o aumento foi de seis vezes.

O relatório recomenda que redações adotem uma abordagem mais centrada nas sobreviventes, ampliem a presença de mulheres como fontes, evitem linguagem passiva e contextualizem crimes individuais dentro de sistemas mais amplos de desigualdade.

Leia mais sobre o relatório e acesse o documento em MediaTalks.


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Grupo Estado encerrará Rádio Eldorado em maio

O Grupo Estado vai encerrar em 15 de maio a Rádio Eldorado, após quase 70 anos no ar. Em comunicado publicado nesta quinta-feira (23/4), a empresa explicou que a decisão ocorre após percepções de “mudanças profundas nos hábitos de consumo de rádio” nos últimos anos. O Estadão encerrou a parceria com a Fundação Brasil 2000, detentora da frequência 107,3 FM, que era alugada pela Eldorado.

“Nos últimos anos, sobretudo após a pandemia, entretanto, observamos mudanças profundas nos hábitos de consumo de áudio. O crescimento acelerado das plataformas de streaming musical e a transformação no uso dos meios lineares têm impactado de forma estrutural o papel das rádios FM tradicionais”, escreveu o Grupo Estado, que destacou ainda que o encerramento da Eldorado faz parte de um reposicionamento estratégico da empresa com foco no aumento da presença no digital e em produções audiovisuais.

Ainda no texto, o Grupo explicou que, apesar do encerramento da operação de radiodifusão, a marca Eldorado seguirá existindo em projetos especiais e eventos. Alguns programas, como Som a Pino e Clube do Livro, serão redesenhados e adaptados para novos formatos, com foco em vídeo e digital. A empresa agradeceu aos profissionais que fizeram parte da rádio e destacou a importância da Eldorado na vida cultural de São Paulo.

Segundo apuração da Ilustrada (Folha de S.Paulo), com o fim da Eldorado, os funcionários da rádio devem ser demitidos e a frequência 107,3 FM deve ser ocupada pelo Grupo Bandeirantes, que negociou diretamente com a Fundação Brasil 2000. A reportagem da Folha ouviu de profissionais que diretores do Grupo Estado estavam acompanhando há meses as tratativas envolvendo a empresa. Ainda segundo a Folha, apesar de propostas de migração para outras frequências, o grupo optou por encerrar a rádio, sob a justificativa de que manter a emissora em outro dial elevaria os custos e não teria retorno compatível.

A Rádio Eldorado está no ar há 68 anos. Foi ao ar pela primeira vez em 4 de janeiro de 1958, com o Jornal da Eldorado. Ao longo de sua trajetória, teve outros programas marcantes em sua programação, como Um piano ao cair da tarde, Jornal de 30 Minutos, entre outros e participação de personalidades como Jô Soares, Rita Lobo e Fernanda Young

Prêmio Jatobá PR celebra 10 anos com apresentação especial no dia 27 de abril

Prêmio Jatobá PR 2024 bate recorde de inscrições e de participação

Está marcado para a próxima segunda-feira (27/4), no YouTube (canais da Mega Brasil e do Gecom), o evento de lançamento da edição 2026 do Prêmio Latino-americano de Excelência e Inovação em PR – Troféu Jatobá PR, que celebra uma década de história este ano.

Nele serão apresentadas as novidades da edição, o calendário da premiação e um histórico desses dez anos de interação direta com o mercado de PR no Brasil e na América Latina.

Iniciativa do Grupo Empresarial de Comunicação (Gecom), o Prêmio Jatobá PR foi criado em 2017 com o objetivo de valorizar a atividade de PR no Brasil e na América Latina, destacando de forma inédita tanto o mercado cliente quanto as agências de comunicação.

No caso destas, uma característica do Prêmio Jatobá PR revela o seu pioneirismo: é o único na América Latina que premia com o mesmo destaque, os mesmos certificados e os mesmos troféus as grandes agências e as agências-butique, isso porque, segundo destaca um de seus idealizadores, Eduardo Ribeiro, diretor do Gecom e deste J&Cia, “o objetivo é permitir que o enorme contingente de agências-butique existente em nosso continente tenha também a chance de ser valorizado com um prêmio de abrangência internacional. Por isso, no Jatobá, grande concorre com grande e butique com butique, e todas são premiadas em igualdade de condições”.

Quatro organizações ­– Business News, Boxnet, Jornalistas Editora e Mega Brasil Comunicação – uniram-se em 2017 para lançar e organizar o Prêmio Latino-americano de Excelência e Inovação em PR – Troféu Jatobá PR, todas elas com atuação marcante no segmento de relações públicas e comunicação corporativa.

“Ao longo dos últimos dez anos”, lembra Helio Garcia, diretor do Gecom e da Business News, “o Prêmio Jatobá PR consolidou-se como referência ao valorizar estratégias inovadoras, cases de impacto e profissionais que contribuem para a evolução da comunicação corporativa no País. A premiação tornou-se um importante termômetro das transformações do setor, acompanhando e disseminando tendências, tecnologias e novas formas de relacionamento entre marcas e públicos”.

A edição comemorativa de dez anos, conforme salienta Marco Rossi, diretor da Mega Brasil e do Gecom, “pretende reforçar esse legado, trazendo atualizações e iniciativas que ampliam ainda mais o alcance e a relevância do prêmio. Durante a transmissão, serão apresentados os detalhes da edição 2026, incluindo cronograma, critérios de participação e expectativas para o ciclo deste ano”.

“Ao completar dez anos, o Prêmio Jatobá PR reafirma seu compromisso com a valorização da comunicação estratégica e com o reconhecimento de profissionais e organizações que fazem a diferença no mercado”, destaca Thales Toffoli, que integra o board do Gecom e da Boxnet.

A cerimônia de premiação será novamente no Renaissance Hotel e está marcada para a noite de 7 de dezembro, lembra Célia Radzvilaviez, diretora da Mega Brasil e consultora do Gecom, responsável pela coordenação do evento. Ela adianta: “Será novamente uma noite com casa cheia, em especial por ser essa a 10ª edição. Quem esperar demais para reservar lugar corre o risco de ficar sem”.

Serviço

O prêmio reúne o apoio logístico de Boxnet, Business News, Jornalistas Editora e Mega Brasil Comunicação, com apoio institucional de Abracom e ABC Pública.

📅 Data: 27 de abril de 2026 (segunda-feira)
⏰ Horário: 11h
📍 Acompanhe em www.jatobapr.com.br e www.youtube.com/@MegaBrasilComunica

Diário do Comércio absorve parte da equipe da agência DC News

Associação Comercial de São Paulo lança agência de notícias DC News

A Associação Comercial de São Paulo está reaproveitando em outro veículo da casa, o site Diário do Comércio, parte da equipe da agência DC News, descontinuada no final de março.

Até o momento, dos dez profissionais que compunham o time fixo da publicação, ao menos três já foram mantidos: o editor de fotografia Andre Lessa, o videomaker Kaíque Guimarães Martins e a gerente de Comunidade Natália Dotti Forcellini, os dois últimos como freelancers. Também seguirão colaborando os colunistas Adalberto Leister FilhoAndré NavesMarcelo Candido de MeloRicardo Meirelles de FariaSandra Marchini Comodaro e Vitoria Saddi.

Dos demais membros da equipe, a repórter Anna Luiza Scudeller foi absorvida pela Tamer, agência de comunicação que era parceira do projeto, e passa a atuar como assessora de imprensa.

United Minds debate adoção de IA nas agências e lança ferramenta para gestão de mudanças

Rodolfo Araújo e Cristiane Fiorezzi

A United Minds, consultoria de transformação organizacional da Weber Shandwick, realizou em 15/4 um evento para apresentar um paper sobre os desafios, tensões e obstáculos da implementação da inteligência artificial nas agências. No encontro, que reuniu profissionais de comunicação, RH e outras áreas, a empresa discutiu temas como posicionamento, visão, horizonte, confiança e governança, que devem ser levados em consideração durante a adoção de tecnologias como a IA.

Durante o evento, Rodolfo Araújo, VP da United Minds e líder de Estratégia e Dados na Weber Shandwick, falou sobre os principais tópicos do paper, destacando a importância de se levar em conta a cultura e especificidades de cada organização na implementação desta tecnologia. O paper abordou cinco grandes tensões sobre a IA nas agências: pensar se é revolução ou evolução; se traz ganho rápido ou se será a longo prazo; substituição de profissionais por IA; governança top down ou bottom up; e o sentimento de medo x confiança em relação à tecnologia. Rodolfo conversou também com Cristiane Fiorezzi, diretora de RH para a América Latina da Otis.

Rodolfo Araújo e Cristiane Fiorezzi

Durante o evento, United Minds e Weber Shandwick apresentaram, em primeira mão, a ferramenta NAV, uma plataforma aberta que funciona como consultor de gestão de mudanças, para auxiliar na resolução de problemas dentro das organizações. Na prática, a ferramenta gera perguntas, provocações e recomendações para os usuários, com o objetivo de ajudar as empresas a resolverem questões. Ao final da interação, o NAV gera um relatório personalizado com dicas de soluções. Acesse a ferramenta aqui.

+Admirados da Imprensa do Agronegócio define finalistas de sua sexta edição

+Admirados da Imprensa do Agro 2025 anunciará vencedores em edição especial

Depois de um primeiro turno concorrido, foram definidos os jornalistas e publicações finalistas da sexta edição dos +Admirados da Imprensa do Agronegócio.

No total, 100 jornalistas seguem na disputa por um lugar entre os TOP 50 +Admirados do Ano, enquanto 82 publicações buscarão uma vaga entre os TOP 3 mais votados em oito categorias: Agência de Notícias, ÁudioCanal de VídeoPeriódico EspecializadoPrograma de TV Especializada, Programa de TV GeralSite/Portal e Veículo Geral.

Foi um primeiro turno marcado por um aumento na diversidade regional dos indicados. Classificaram-se profissionais de 10 estados, representando quatro regiões brasileiras – apenas a Região Norte não teve nenhum classificado. E mesmo o Estado de São Paulo, que teve o maior número de classificados, 70 no total, viu uma grande diversidade, com representantes de diversas cidades de seu interior.

Com 12 finalistas, o Rio Grande do Sul foi o segundo estado com mais classificados para a segunda fase, seguido por Distrito Federal, com seis indicações, Mato Grosso do Sul, com quatro, Mato Grosso, com três, Goiás, com duas, e Bahia, Espírito Santo, Minas Gerais e Santa Catarina, com uma indicação cada.

“Dentre os prêmios da série +Admirados, a eleição do Agro é sempre a que consegue quebrar com mais intensidade a barreira do eixo Rio-São Paulo-Distrito Federal, e contemplar jornalistas não apenas de outros estados, mas que não atuam apenas em suas respectivas capitais”, ressalta Vinicius Ribeiro, diretor de Projetos da Jornalistas Editora e responsável pela pesquisa. “Esse é um fenômeno bastante natural para esse setor, que até por suas características de cobertura chega em áreas do Brasil que poucos jornalistas conseguem ir”.

Outro destaque ficou para a participação feminina. Elas são maioria entre os finalistas, com 54 classificadas, perante 47 homens. Vale destacar que, nas cinco edições anteriores do prêmio, as mulheres venceram em quatro oportunidades. Apenas na primeira o título foi para um representante masculino: Sidnei Maschio. Nos anos seguintes ocuparam o primeiro lugar na categoria geral para jornalistas Beatriz Gunther (2022), Renata Maron (2023) e Kelly Godoy (2024 e 2025).

2º turno começa nesta segunda-feira (20/4)

Assim como nas edições anteriores, no segundo turno da eleição dos +Admirados da Imprensa do Agronegócio os eleitores poderão selecionar os jornalistas e publicações de sua preferência, classificando-os do 1º ao 5º lugar.

Cada posição renderá uma pontuação, sendo ela de 100 pontos para cada indicação em primeiro lugar; 80 pontos, para o segundo; 65 pontos, para o terceiro; 55, para o quarto; e 50 pontos para o quinto lugar. Ao final da votação, quem somar mais pontos será eleito entre os TOP 50 +Admirados Jornalistas do Ano, ou entre os TOP 3 +Admirados Veículos em suas respectivas categorias.

Para participar, basta acessar o link de votação, preencher um rápido cadastro e informar até cinco profissionais ou veículos por categoria.

Faesp e Corteva confirmam patrocínio ao evento

A Faesp – Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo e a Corteva Agriscience são as mais novas patrocinadoras da eleição dos +Admirados da Imprensa do Agronegócio 2026. A entidade que representa e defende o setor rural paulista volta a apoiar a iniciativa, assim como já havia feito em 2023 e 2024, somando-se à empresa que oferece soluções e suporte que ajudam a controlar ervas daninhas, pestes e doenças nas plantações.

Além delas, a iniciativa conta até o momento com os patrocínios de BHP, Copersucar e Syngenta, apoios de Bosch, Cargill, Elanco e Yara, colaboração de MBRF e Press iD, e apoio institucional da Rede Agrojor.

Fariello chega a São Paulo, com escritório no Allianz Parque

A Fariello Comunicação, que tem sede em Brasília e atuação no Rio de Janeiro, está celebrando seu quarto aniversário com a inauguração de filial em São Paulo, dentro do Allianz Parque. Dois novos clientes chegaram à carteira da agência recentemente, ambos da área de infraestrutura, uma de suas especialidades: ABCR (rodovias) e ABTP (terminais portuários), que se somam a marcas como MoveInfra (logística), Abcon (saneamento), ABAR (regulação), Vports, Loft, Phytorestore, Revize, Queiroz Maluf Reis e Associação Nacional dos Auditores do Banco Central (ANBCB).

Fundada por Danilo Fariello (ex-Estadão, Valor, O Globo, BNDES e Câmara dos Deputados), tem na equipe os diretores Ana Carolina Oliveira (ex-Gazeta Mercantil, Folha de S.Paulo, Ministério de Minas e Energia, e Ministério da Economia), Fábio Aucélio (ex-Caixa, Ministério da Cidadania e Ministério da Fazenda) e Rakel Garutti (ex-CDN, CDI, Máquina, 99 e XP). A equipe conta ainda com Daniela Barbará, coordenadora do GT de RH da Abracom.

100 anos de Rádio no Brasil: Áudio será a trilha do ano para Cultura, Esportes e Cultura Pop

(Crédito: Estechead.com)

Por Álvaro Bufarah (*)

A indústria de mídia sonora entra em 2026 não apenas como coadjuvante – mas como protagonista de um novo ciclo de conexão cultural. Em um ano marcado pela convergência de grandes eventos esportivos, disputas políticas relevantes e uma intensa agenda de lançamentos no entretenimento, o áudio consolida-se como o fio invisível que costura experiências, narrativas e relações entre público e marcas.

Mais do que uma tendência, trata-se de uma mudança estrutural. O áudio deixa de ser um canal complementar e passa a ocupar uma posição estratégica no ecossistema midiático contemporâneo. Em um ambiente saturado por telas, notificações e conteúdos visuais concorrentes, sua principal vantagem não é tecnológica – é comportamental. O áudio acompanha o indivíduo. Ele não exige exclusividade de atenção, mas constrói presença contínua.

Esse reposicionamento torna-se ainda mais evidente quando observamos o calendário global. Eventos como a Copa do Mundo, grandes ligas esportivas, ciclos eleitorais e marcos culturais não apenas mobilizam audiências massivas – eles geram camadas de interpretação, debate e engajamento que se estendem muito além do momento inicial. E é nesse intervalo – antes, durante e depois – que o áudio se insere com maior força.

No campo esportivo, por exemplo, a experiência do torcedor já não se limita à transmissão ao vivo. Ela se expande para análises, bastidores, narrativas biográficas e discussões em tempo real. Podcasts, transmissões de rádio e conteúdos sob demanda acompanham o público em deslocamentos, rotinas diárias e momentos de lazer, transformando o consumo esportivo em uma experiência contínua. O jogo deixa de ser um evento isolado e passa a ser um fluxo narrativo permanente.

(Crédito: A.I.C.E)

Essa lógica também se aplica à política. Em um ambiente de alta polarização e excesso informacional, cresce a demanda por interpretação qualificada e vozes confiáveis. O áudio – especialmente em formatos como entrevistas longas e debates aprofundados – oferece justamente o que falta em muitos ambientes digitais: tempo, contexto e continuidade. Não se trata apenas de informar, mas de organizar o sentido dos acontecimentos.

Dados recentes reforçam essa percepção. Relatórios internacionais indicam que o consumo global de podcasts ultrapassa a marca de centenas de milhões de ouvintes – com estimativas próximas a 584 milhões em 2025 – e segue em expansão, especialmente em conteúdos ligados a notícias, cultura e entretenimento. Ao mesmo tempo, estudos do Reuters Institute e do Pew Research Center apontam para uma queda na confiança em conteúdos digitais fragmentados, ampliando o valor de formatos que oferecem mediação editorial e continuidade narrativa.

Na cultura pop, o fenômeno se intensifica. Filmes, séries, jogos e lançamentos musicais já não se esgotam em seus momentos de estreia. Eles se desdobram em conversas, teorias, análises e comunidades. E, novamente, o áudio ocupa posição central nesse processo. Podcasts de recapitulação, entrevistas com criadores, conteúdos exclusivos e debates entre fãs transformam produtos culturais em ecossistemas vivos.

Esse movimento evidencia uma transformação relevante: o valor não está apenas no conteúdo original, mas na conversa que ele gera. E o áudio, por sua natureza conversacional, torna-se o ambiente ideal para sustentar essa dinâmica.

Do ponto de vista do mercado, essa centralidade tem implicações diretas. O áudio passa a atuar em todas as etapas do funil de comunicação – da construção de awareness à conversão. Sua capacidade de gerar proximidade, recorrência e confiança cria condições favoráveis para a construção de marca em um cenário onde a atenção é disputada de forma cada vez mais intensa.

Além disso, o áudio apresenta uma característica singular em relação a outros meios: ele não compete frontalmente com as telas – ele as complementa. Em um mundo multitarefa, onde o consumo de mídia ocorre de forma simultânea, o áudio integra-se à rotina sem exigir interrupção. Essa integração torna-o não apenas eficiente, mas estrutural.

Ao mesmo tempo, a ascensão da inteligência artificial e de conteúdos sintéticos adiciona uma camada adicional a essa discussão. Em um ambiente onde a produção de conteúdo torna-se abundante e automatizada, cresce a valorização de experiências percebidas como autênticas, humanas e confiáveis. O áudio, especialmente quando mediado por vozes reconhecíveis, beneficia-se diretamente dessa dinâmica.

(Crédito: Estechead.com)

O que se observa, portanto, é uma inversão silenciosa. Enquanto a mídia visual se fragmenta e se acelera, o áudio se aprofunda e se estabiliza. Ele não busca necessariamente ser o centro da atenção – mas se torna o centro da experiência.

Para as marcas, isso exige uma mudança de mentalidade. Não basta estar presente no áudio – é necessário compreender sua lógica, sua temporalidade e sua capacidade de construir vínculo. Em vez de campanhas pontuais, o áudio demanda continuidade. Em vez de mensagens isoladas, ele exige narrativa.

No fim das contas, 2026 tende a ser menos sobre o que será visto e mais sobre o que será ouvido, interpretado e compartilhado. O áudio não apenas acompanhará os grandes acontecimentos do ano. Ele ajudará a dar sentido a eles.

E, talvez por isso, mais do que um meio, ele se consolida como a trilha sonora de uma nova cultura midiática – uma cultura em que ouvir volta a ser, novamente, uma forma de compreender o mundo.

 

Fontes para pesquisa


Leia também: Fariello chega a São Paulo, com escritório no Allianz Parque

Preciosidades do acervo Assis Ângelo: O cego na História (52)

Por Assis Ângelo

Nos escritos sagrados que formam a Bíblia há mais de duas centenas de citações à velhíssima cidade de Jerusalém, por onde um dia passaria Jesus Cristo. Nessa sua passagem, chegou a curar um cego.

Muitos anos se passaram até que poderosos e miseráveis da Turquia se confrontaram pra matar e pra morrer. Isso ali já pelo século 19. Notícias a respeito desse desigual embate chegavam em pílulas às páginas dos periódicos da sede da Corte brasileira, Rio de Janeiro.

Em agosto de 1875, era fundado aquele que se transformaria num dos principais jornais do seu tempo: Gazeta de Notícias.

Em 1876, a Gazeta começava a pôr em discussão questões referentes ao cotidiano. Políticas, inclusive.

E assim foi, seguidamente.

Em 1878, o jornal passou a publicar um folhetim assinado por Araripe Júnior (1848-1911), sobre a crença de que o rei D. Sebastião de Portugal retornaria para salvar o mundo. Isso ficou conhecido como Sebastianismo, crença que chegou ao interior de Pernambuco, em 1836. Dois anos depois, tudo acabou em sangue de crianças, virgens e inocentes em geral.

O caso aqui lembrado tinha por líder um sujeito de nome João Antônio, em seguida substituído por João Ferreira. Essa história ficou conhecida como Pedra Bonita.

Pedra Bonita inspirou Araripe Júnior a escrever o romance O Reino Encantado (1878), livro lançado logo após a edição em folhetim no jornal Gazeta de Notícias.

Exatamente um século após essa tragédia, o paraibano José Lins do Rego entrou na história escrevendo Pedra Bonita (1938), livro que despertou a atenção literária do Brasil inteiro e, posteriormente, Cangaceiros (1953).

Na obra de José Lins do Rêgo, como na obra de Jorge Amado, há muito tocador de viola cego cantando causos e façanhas de cangaceiros.

Sinhá Josefina é mulher de um certo Bento, preguiçoso que nem o Bute. Vive se balançando na rede, pra lá e pra cá, e dando de comer na mão para um bode. Quando não fazia isso, estava no curral alisando vaca. Falava pouco, mas o que falava calava fundo na mulher. Era ordem. Ela fazia tudo e tremia de medo diante dele.

A história de Josefina com seu marido machão está completa no romance Cangaceiros, mas começa em Pedra Bonita.

Josefina e Bento têm quatro filhos: Aparício, Domício e Bentinho, o caçula. O quarto filho do casal, Deodato, desaparece de cena sumindo no oco do mundo. Houve quem dissesse que ele se embrenhara na mata amazônica.

Aparício torna-se cangaceiro famoso e temido depois de matar um soldado.

Domício, antes de juntar-se ao grupo cangaceiro do irmão, era admirado pela gente do lugar onde morava por seu belo canto e encantador toque de viola.

Bentinho, de batismo Antônio Bento, foi dado pela mãe a um padre, Amâncio, que o criou. Tinha 5 anos de idade. Aos 17, foi de passagem à casa dos pais. Lá demorou-se por três meses e dia nenhum desse tempo o pai sequer lhe dirigiu uma palavra. Era como se o filho o repugnasse.

O caso aqui contado lembra um pouco o caso do menino que tinha vergonha da mãe caolha, contado por Júlia Lopes de Almeida.

Os pais de Bentinho e os irmãos eram naturais da localidade denominada Pedra Bonita.

Pedra Bonita era o lugar mais azarento do mundo para os fazendeiros da região. Justificavam dizendo que nada de bom se colhia por lá.

Bom, fosse o que fosse, o fato é que o episódio aqui lembrado também inspirou Ariano Suassuna a escrever o caudaloso Romance d’A Pedra do Reino e o Príncipe do Sangue do Vai-e-Volta (1971). Virou minissérie da Globo em 2007. No elenco, grandes nomes. O personagem Pedro Cego toma conta do espaço.

Na obra de José Lins e Jorge Amado, a terra e a gente que dela depende aparecem em primeiro lugar. E como tal, aos dependentes da terra são dirigidos louvores que vêm da luta por justiça. É o forte contra o fraco ou o rico contra o pobre. Na pena desses escritores está a defesa de quem dela mais precisa. Sempre foi assim nos livros dos autores aqui citados.

Certa vez, o autor de Pedra Bonita disse: “Vim da terra, sou da terra e quero continuar na terra”.

Contatos pelo http://assisangelo.blogspot.com.

Globo reformula Bom Dia Brasil; Andréia Sadi será comentarista do telejornal

Ana Paula Araújo (Crédito: Instagram)

A Globo vai fazer uma reformulação do telejornal Bom Dia Brasil, que ganhará reforços na equipe, um formato mais informal e cenário integrado à redação de jornalismo da emissora no Rio de Janeiro, com o objetivo de aproveitar a luz natural. As mudanças passam a valer a partir da próxima segunda-feira (27/4).

O programa, apresentado por Ana Paula Araújo, ganhará recursos tecnológicos no uso do telão, além de ferramentas de realidade aumentada e inteligência artificial, com o objetivo de aumentar ainda mais a interação entre a apresentadora e os repórteres espalhados pelo País.

Em relação aos reforços, Andréia Sadi, apresentadora do Estudio i, da GloboNews, atuará como comentarista de política às quartas e sextas-feiras, em função semelhante à que ela exerceu no Jornal Hoje, em 2019 e 2020. Sadi continua paralelamente com o trabalho na GloboNews. E Priscilla Chagas será a âncora do tempo fixa do programa. Anteriormente, ela atuava na previsão do tempo em telejornais locais da Globo no Rio.

Sabina Simonato seguirá com entradas ao vivo diretamente de São Paulo. Já Heraldo Pereira, responsável pelo noticiário de Brasília, deixará o programa para assumir o comando do DF1, telejornal local da capital federal no horário do almoço.

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