Flávio Dino (Crédito: Antonio Cruz/Agência Brasil)
Flávio Dino, ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), anulou, no final da semana passada, uma decisão da Justiça do Espírito Santo (ES) que obrigava a Rede Gazeta a reescrever reportagens e deletar posts em redes sociais que abordavam o indiciamento de dois cirurgiões-dentistas.
O conteúdo jornalístico em questão destacava relatos de pacientes que realizaram procedimentos com os dentistas indiciados. Eles tiveram deformidades, infecções graves e complicações permanentes após os procedimentos. O inquérito revelou que os profissionais não atendiam aos requisitos técnicos básicos e não possuíam aptidão para a realização de procedimentos cirúrgicos invasivos de maior complexidade.
Os cirurgiões-dentistas em questão entraram na Justiça do Espírito Santo contra a Rede Gazeta. A juíza Telmelita Guimarães Alves determinou que os veículos do grupo reescrevessem títulos, subtítulos e corpo das reportagens, além de inserirem uma nota no começo dos textos, esclarecendo que a investigação sobre o caso ainda estava em estágios iniciais. A decisão exigia também a remoção de posts direcionando para as matérias nas redes sociais.
Na decisão do STF que anulou as exigências da Justiça do ES, Dino escreveu: “Considerando o teor das reportagens cuja alteração e retirada foi determinada pela autoridade reclamada, não vislumbro fundamento idôneo para a conclusão adotada no sentido de que as manifestações veiculadas pelo reclamante configurariam imputações aptas a extrapolar os limites do regular exercício da liberdade de imprensa”.
Bruno Dalvi, editor-chefe da TV Gazeta, declarou que as reportagens foram feitas “com o rigor da investigação jornalística e do compromisso com a verdade dos fatos, sempre com respeito aos investigados e fidelidade à ética profissional. Defender o direito de informar é defender o direito da sociedade de saber – e esse é um princípio do qual jamais abriremos mão”.
A inteligência artificial vem sendo apresentada como uma das grandes soluções para o futuro da gestão do espectro radioelétrico – um recurso invisível, mas absolutamente estratégico para o funcionamento da sociedade conectada contemporânea. Redes móveis, radiodifusão, sistemas de emergência, comunicações militares, internet sem fio e serviços via satélite disputam diariamente um espaço limitado no espectro. E, diante da explosão de dispositivos conectados, a capacidade de monitorar, organizar e detectar anomalias nesse ambiente tornou-se uma questão não apenas tecnológica, mas econômica e geopolítica
Mas existe um problema estrutural que há anos limita o avanço de soluções baseadas em inteligência artificial nesse setor: a ausência de grandes bases públicas de dados reais capazes de treinar sistemas automatizados de análise espectral.
É justamente essa lacuna que um novo estudo internacional tenta preencher.
Publicado na revista científica Data (MDPI), o trabalho liderado por pesquisadores húngaros apresenta um dos mais robustos conjuntos públicos de dados reais para análise automatizada do espectro de rádio já disponibilizados à comunidade científica internacional
O objetivo é ambicioso: criar uma infraestrutura de referência para que sistemas de IA consigam identificar automaticamente anomalias, interferências, transmissões ilegais e falhas operacionais em ambientes reais de radiodifusão.
Embora o tema pareça distante do cotidiano do público comum, ele está diretamente ligado ao funcionamento silencioso de praticamente toda a infraestrutura de comunicação moderna.
A pesquisa parte de uma constatação importante: a maioria dos modelos de inteligência artificial aplicados ao espectro radioelétrico ainda é treinada com dados simulados – ambientes artificiais que frequentemente não conseguem reproduzir a complexidade caótica das transmissões reais.
E o mundo real, como mostram os pesquisadores, é muito mais imprevisível.
Condições atmosféricas, interferências eletromagnéticas, falhas técnicas, propagação irregular de sinais e ruídos urbanos produzem padrões extremamente complexos de comportamento espectral. Isso significa que modelos treinados apenas em simulações tendem a falhar quando confrontados com situações concretas.
Interferências no espectro radioelétrico
Para enfrentar esse problema, os pesquisadores utilizaram a infraestrutura nacional de monitoramento de espectro da Hungria – composta por 66 estações fixas espalhadas pelo país – para gerar um enorme banco de dados baseado em medições reais da faixa FM entre 87,5 e 108 MHz
O sistema monitora continuamente sinais de rádio utilizando equipamentos especializados de Rohde & Schwarz, Narda e CRFS, produzindo representações espectrais detalhadas das transmissões em tempo real.
Visualmente, os dados são organizados em diagramas conhecidos como waterfall diagrams, imagens espectrais que representam frequência, intensidade e tempo simultaneamente. Nessas visualizações, transmissões de rádio aparecem como faixas luminosas contínuas, enquanto interferências e anomalias surgem como rupturas, ruídos ou padrões inesperados
É justamente aí que a inteligência artificial entra.
O estudo demonstra que modelos de aprendizado de máquina podem ser treinados para identificar automaticamente diferentes tipos de eventos anômalos, como interrupções de transmissão, falhas de modulação, transmissões não autorizadas e interferências causadas por equipamentos defeituosos
Na prática, trata-se de ensinar algoritmos a “enxergar” o espectro radioelétrico da mesma forma que sistemas de visão computacional aprendem a reconhecer objetos em fotografias.
Mas o processo está longe de ser simples. Os próprios pesquisadores destacam que, em muitos casos, até especialistas humanos têm dificuldade em classificar corretamente determinados eventos. Mudanças climáticas, fenômenos atmosféricos e variações naturais de propagação podem produzir padrões extremamente parecidos com falhas reais de transmissão
Essa ambiguidade ajuda a explicar um dos aspectos mais interessantes do estudo: a análise das divergências entre os próprios especialistas responsáveis pela anotação das anomalias.
Os pesquisadores descobriram que diferentes analistas frequentemente discordavam sobre a presença ou não de determinadas falhas no espectro. O índice Fleiss’ Kappa calculado no estudo apontou apenas “leve concordância” entre os avaliadores humanos – um dado particularmente relevante para o futuro da IA aplicada ao setor
Em outras palavras: se até especialistas humanos divergem sobre o que constitui uma anomalia, treinar sistemas automatizados torna-se um desafio ainda mais complexo.
Esse ponto revela uma mudança importante na relação entre inteligência artificial e supervisão humana. Em vez de substituir completamente operadores especializados, a IA tende a funcionar inicialmente como ferramenta de apoio – acelerando triagens, reduzindo sobrecarga operacional e destacando padrões suspeitos para análise posterior.
O cenário ganha relevância adicional diante da expansão global de redes 5G, internet das coisas (IoT), comunicações via satélite e sistemas autônomos. Quanto maior o número de dispositivos conectados, maior a pressão sobre o espectro radioelétrico – e mais necessária se torna sua gestão automatizada.
No Brasil, a discussão tem implicações diretas para órgãos reguladores como a Anatel, emissoras de rádio, operadoras móveis e sistemas de comunicação pública. O monitoramento automatizado do espectro pode ajudar tanto no combate a interferências ilegais quanto na otimização do uso de frequências em ambientes urbanos densos.
Fiscalização Anatel
Além disso, a própria radiodifusão sonora tende a ser impactada por esse tipo de tecnologia. Sistemas inteligentes poderão futuramente detectar falhas de transmissão em tempo real, prever degradações de sinal e automatizar parte do gerenciamento técnico das emissoras.
Ao mesmo tempo, a pesquisa evidencia um movimento mais amplo da inteligência artificial contemporânea: sua migração para camadas invisíveis da infraestrutura tecnológica.
Grande parte do debate público sobre IA ainda se concentra em chatbots, geração de imagem e automação de conteúdo. Mas estudos como este mostram que uma das aplicações mais transformadoras da inteligência artificial pode ocorrer longe dos olhos do usuário final – dentro da arquitetura silenciosa que sustenta redes de comunicação.
No fundo, o espectro radioelétrico funciona como uma espécie de “sistema nervoso invisível” da sociedade digital. E a IA começa a assumir o papel de mecanismo de vigilância contínua desse organismo.
A questão central, portanto, talvez não seja apenas como automatizar o monitoramento do espectro. O desafio mais profundo será construir sistemas capazes de interpretar ambientes complexos, ambíguos e dinâmicos sem perder a capacidade de distinguir ruído de comportamento legítimo.
Porque, em um mundo cada vez mais conectado, detectar uma anomalia no espectro pode significar muito mais do que identificar uma falha técnica.
Pode significar proteger toda a infraestrutura invisível sobre a qual a comunicação contemporânea passou a existir.
Nos livros dos nossos grandes escritores do século 19 já havia figuras parecidas com o seu Joãozinho Bem-Bem do mineiro Guimarães Rosa?
Claro, Flor Maria. Existiam, sim. O Zé de Alencar, por exemplo, nos apresenta figuras ingênuas e violentas como no romance Til (1871).
E cantadores, violeiros, também já apareciam nos livros como personagens reais ou fictícios?
A Serra do Teixeira é uma localidade paraibana que faz divisa com Pernambuco. Foi nessa região que surgiram os primeiros poetas improvisadores autoacompanhando-se de viola ou pandeiro.
Aliás, entrou para a história do repentismo a peleja de Romano de Mãe D’água e Inácio da Catingueira, que era um negro escravizado sem pai nem mãe. No improviso poético e no toque do pandeiro era tido como gênio. Essa peleja é citada em livros de Rodrigues de Carvalho, Câmara Cascudo, Leonardo Mota e tal. Mota chega a registrar no livro Cantadores (1921) um embate histórico de Zefinha do Chabocão e Jerônimo do Junqueiro. Esse encontro foi narrado a Mota pelo cego cearense Sinfrônio. Começa assim:
Leonardo Mota
Quando estralou a notiça
Que o fama tá na ribêra,
Era tanto do canto
Que enchia o quadro da fera:
Accudiu Antonio dc Salle
Mais o Gerome Morêra;
Accudiu Antonio Pendença,
Santiago de Otivera;
Accudiu o Virgolino
E o Romano do Teixêra;
Herculano de Messia
Cego Vicente Barréra,
E o Fausto Correia Lima
Das Lavra da Mangabêra.
Nenhum destes me passou
O pé adiante da mão;
Só achei duas mulhére;
Tinha a pintura do cão;
Naninha Gorda dos Brejo,
Zefinha do Chabocão.
Eu tava numa funcção
Na fazenda “Cacimbinha”,
Quando vejo um positivo
Pedindo notiça minha,
Dando um recado atrevido,
Que me mandava a Zefinha.
Nesse tempo eu era limpo,
Mettido um tanto a pimpão,
Vesti-me todo de preto,
Calcei um par de calção.
Botei chapéo na cabeça
E um chapéo de sol na mão;
Calcei os meus bruziguim,
Ageitei meu correntão,
Nos dedo da mão direita
Levava seis annelão,
Tres meu e tres emprestado:
Ia nestas condição…
Quando eu cheguei no terreiro
Um moço vêi me falá:
“Cidadão, se desapeie,
Venha logo se abancá,
Faz favo de entrá pra dentro,
Tome um copo de aluá”.
Me assentei perante o povo,
(Parecia uma sessão)
Quando me saiu Zefinha
Com grande preparação:
Era baixa, grossa e alva,
Bonita até de feição;
Cheia de laço de fita,
Trancellim, collá, cordão;
Nos dedo da mão direita
Não sei quantos annelão…
Vinha tão perfeitazinha,
Bonitinha como o cão!
Para confeito da obra:
Uma viola na mão…
No repentismo e na literatura de cordel existem muitos personagens criados pela imaginação vigorosa de poetas populares como Leandro Gomes de Barros (1865-1918). É dele, por exemplo, o vagabundo profissional Cancão de Fogo, criatura inspirada numa ave muito comum no Nordeste.
Leandro Gomes de Barros e seu cordel
O moleque Cancão, que na história era órfão de pai, especializou-se em fazer nada. Vivia de golpes que aplicava em pessoas abonadas. Justificava isso dizendo que nada mais estava fazendo do que apossar-se dos próprios bens. Quer dizer: não respeitava as regras do capitalismo.
Verônica Lima, coordenadora de Comunicação da Ajor
Um dado preocupante foi divulgado nesta sexta-feira (29/5), durante o primeiro dia de encontro do Festival de Jornalismo 3i, que acontece até domingo (31/5), no Rio de Janeiro. De acordo com o primeiro extrato de uma pesquisa que analisou o perfil das associadas da Associação de Jornalismo Digital (Ajor), organizadora do encontro, 80% das publicações afirmaram já terem sofrido algum tipo de ataque ou praticaram autocensura para evitar problemas judiciais ou ameaças.
Para Veronica Lima, coordenadora de Comunicação da Ajor e que participou da revisão e apresentação da pesquisa, o perfil das associadas, que na média possuem entre quatro e cinco funcionário em seus quadros, deixam essas organizações ainda mais vulneráveis a ataques e ameaças.
“É um fator natural do jornalismo. Quanto menor é a organização, menor é o seu faturamento e a sua estrutura de apoio, inclusive jurídica. Com isso, as prioridades acabam sendo outras e se torna mais difícil contar com um profissional dedicado para protegê-las desse tipo de assédio. Além disso, também temos um problema cultural onde no geral, não temos uma cultura de nos resguardarmos juridicamente, o que deixa o jornalismo independente ainda mais exposto”.
Verônica Lima, coordenadora de Comunicação da Ajor
Entre os casos mais comuns de ataques citados pelos associados estão campanhas de desinformação ou difamação, assédio judicial, intimidação e hostilidade durante as coberturas, sendo que mais da metade dos entrevistados sofreu ataques mais de uma vez.
Para combater esse problema, a entidade mantém desde o ano passado uma parceria com o Instituto Tornavoz, associação que se propõe a garantir defesa jurídica especializada àqueles que sofrem processos em razão do exercício da manifestação do pensamento e da expressão. Com o apoio da Media Defense, órgão britânico que também atua de maneira global na mesma linha do Tornavoz, essa parceria está sendo renovada. O anúncio será feito neste sábado (30/5) durante o segundo dia do Festival 3i.
Charlene Nagae
“A constituição brasileira garante à população o acesso facilitado e gratuito ao judiciário, o que é muito importante porque dá um poder às pessoas que são prejudicadas de alguma forma, mas por outro lado, quando trazemos para o contexto do jornalismo, esse acesso acaba sendo utilizado com frequência de uma maneira muito errada, como forma de intimidação, principalmente à veículos menores, que não contam com uma estrutura jurídica por trás”, destaca Charlene Nagae, diretora Executiva do Instituto Tornavoz. “Isso é ainda pior para publicações que fazem cobertura local, porque na maioria das vezes esses processos são movidos por figuras políticas ou pessoas com muito poder econômico, inclusive com influência sobre o judiciário naquele local. Os processos judiciais são uma forma de silenciar sem sujar as mãos”.
A pesquisa que analisou o perfil dos associados da Ajor foi realizada no segundo semestre do ano passado, contou com a participação de 90 das 150 associadas da entidade e teve como base para análise os doze meses anteriores ao levantamento. A coordenação foi de Marcelo Crispim da Fontoura (Famecos-PUCRS), que contou com apoio de Bruna Suptitz, revisão de Verônica Lima e design de Sariana Fernández Monsalve. Em julho a Ajor apresentará ao mercado um relatório completo do levantamento com dados e comentários qualitativos.
A Empresa Brasil de Comunicação (EBC) anunciou nesta sexta-feira (29/5) mudanças em seus cargos de diretoria: Thiago Regotto, que está há 23 anos na empresa, assumiu a diretoria-geral do veículo; e Maria Augusta Ramos passa a atuar como diretora de conteúdo e programação.
Thiago substitui a David Butter, que ocupava o cargo desde janeiro deste ano. Radialista desde 2003, Thiago é pesquisador do rádio e da comunicação pública. Iniciou a carreira como estagiário da Rádio MEC, antes mesmo do veículo ser incorporado à EBC. Posteriormente, assumiu cargos de gestão na rádio, chegando inclusive à gerência executiva da Rádio Nacional e Rádio MEC.
Em sua trajetória na EBC, Thiago foi um dos responsáveis pela expansão das Rádios Nacional e MEC, conduziu o processo de modernização da programação, reposicionamento editorial, integração multiplataforma das emissoras e fortalecimento da presença institucional das rádios públicas federais. Também foi responsável pela implementação da Rádio Nacional de São Paulo e por iniciativas que defendem a preservação e valorização da história da radiodifusão brasileira, como o Museu da Rádio Nacional.
Já a documentarista Maria Augusta Ramos, que atua na EBC desde 2023 como gerente executiva de conteúdo, assume agora o cargo de diretora de conteúdo e programação. Ela será responsável pela definição de estratégias e pela gestão dos conteúdos exibidos nos veículos da EBC.
Maria Augusta Ramos (Crédito: Tania Rego/Agência Brasil)
Maria Augusta construiu a carreira no cinema documental. Entre seus filmes estão O Processo, Justiça, Juízo, Morro dos Prazeres, Futuro Junho e Desi, que receberam prêmios em eventos como o Festival de Berlim, IDFA (Amsterdam), Visions du Réel (Suíça), DOK Leipzig (Alemanha) e Festival de Brasília. Em 2014, ela recebeu o Prêmio Marek Nowicki, concedido pela Helsinki Foundation for Human Rights, em reconhecimento à relevância de sua obra. Maria Augusta integra ainda a Academy of Motion Picture Arts and Sciences (AMPAS), entidade responsável pelo Oscar.
Estão abertas as inscrições para a 12ª edição do Prêmio ABP de Jornalismo, da Associação Brasileira de Psiquiatria, que reconhece e valoriza trabalhos jornalísticos sobre saúde mental. As inscrições vão até 15 de agosto.
Neste ano, a novidade é a criação de duas novas categorias: Estudante de Jornalismo e Voto Popular, que se unem às tradicionais Jornal/Revista, Mídia Online, TV, Rádio, Canal e Influencer. O vencedor de cada categoria receberá R$ 7 mil, com exceção do primeiro colocado em Voto Popular, que será premiado com um troféu. Podem ser inscritos trabalhos veiculados entre 15 de setembro de 2025 e 15 de agosto de 2026.
Os vencedores serão anunciados em 8 de setembro, e a cerimônia de premiação acontecerá durante a abertura do XLIII Congresso Brasileiro de Psiquiatria – CBP, em 28 de outubro, em São Paulo. Todas as despesas com passagem aérea e hospedagem serão custeadas pela organização do prêmio.
Confira o regulamento completo e inscreva-se aqui.
Flávio Moreira, jornalista e pesquisador com 18 anos de atuação no mercado da mídia, lançou recentemente os resultados de uma pesquisa conduzida por ele sobre salários e condições de trabalho de jornalistas, que ouviu cerca de 900 profissionais de imprensa espalhados pelo País.
Os dados da pesquisa evidenciaram a desigualdade de gênero no jornalismo brasileiro. Ao analisar cargos formais de liderança, mulher contratadas em formato CLT ocupam apenas 12,9%, em comparação aos homens CLT, que registraram o percentual de 25,9% de cargos formais de liderança, mais que o dobro das mulheres.
Em relação a cargos informais de liderança, a situação se inverte: 27% das mulheres dizem liderar informalmente, contra 19,1% dos homens. Isso significa que as profissionais do gênero feminino ocupam posições , na prática, são de liderança, nas quais orientam, coordenam, revisam, organizam fluxos ou influenciam colegas, mas sem necessariamente ter o cargo formal correspondente. E, segundo a pesquisa, essa situação é mais frequente com mulheres do que homens.
Isso gera um problema também no que se refere a salários: Na base CLT, profissionais que não lideram recebem entre R$ 4.001 e R$ 5.000. Quem lidera informalmente, o salário sobre para R$ 5.001 a R$ 6.500. Já entre líderes formais, o pagamento deve ser de R$ 8.001 a R$ 10.000 entre quem lidera até cinco pessoas, R$ 12.501 a R$ 15.000 para quem lidera de seis a 15 pessoas e R$ 10.001 a R$ 12.500 para líderes de mais de 15 pessoas.
“Se os homens estão mais presentes na liderança formal e as mulheres aparecem mais na liderança informal, a diferença não está apenas no título do cargo. Ela pode afetar salário, reconhecimento, autoridade, trajetória e acesso às posições mais bem remuneradas”, destacou a pesquisa.
O estudo traz ainda outros recortes por vínculo, região, cargo, área de atuação e condições de trabalho. Baixe a pesquisa na íntegra aqui.
Seguem abertas até 30 de junho as inscrições para a primeira edição do Prêmio Sicredi Comunicação em Rede, que reconhecerá conteúdos jornalísticos sobre o impacto do cooperativismo de crédito no Brasil. As categorias são Jornalistas Profissionais, para reportagens jornalísticas, e Comunicadores em Rede, para criadores de conteúdos digitais.
No total, serão reconhecidos 11 trabalhos com prêmios no valor de R$ 20 mil, sendo nove destinados para os trabalhos jornalísticos nas subcategorias Texto, Áudio e Audiovisual (Nacional, Regional e Local), um para a categoria Comunicadores em Rede e um prêmio para o trabalho eleito por votação popular. Podem ser inscritos trabalhos publicados entre 7 de outubro de 2025 e 30 de junho de 2026.
A cerimônia de premiação será realizada presencialmente em São Paulo, em novembro de 2026, com data e local a serem divulgados. Mais informações e inscrições aqui.
Ricardo Batista Amaral chegou esta semana ao Brasil 247 para assumir o cargo de editor especial em Brasília. Mineiro de Belo Horizonte, com trajetória de 25 anos como repórter político na Capital Federal, no período de 1982 a 2009 ele foi repórter, repórter especial, editor e colunista em O Globo, Jornal de Brasil, Veja, Folha de S.Paulo, Estadão, IstoÉ/Senhor, Valor Econômico, Reuters e Revista Época.
Atuou ainda em diversos órgãos em Brasília, como assessor de Comunicação e Imprensa no Ministério da Saúde, na gestão de José Serra; Secretaria Geral da Presidência da República, com Luiz Dulci; e Partido dos Trabalhadores e Secretaria de Relações Institucionais da Presidência da República, na gestão de Gleisi Hoffmann. Anteriormente, foi colaborador do Instituo Lula e assessor de comunicação nas campanhas presidenciais de Dilma Roussef, Fernando Haddad e do próprio presidente Lula. Lançou, em 2011, A vida quer é coragem – A trajetória da primeira presidenta do Brasil, pela Editora Sextante. Além dele, estão na equipe do 247 em Brasília Tereza Cruvinel, Joaquim de Carvalho, Leonardo Sobreira e Fernando Horta (historiador).
Estão abertas até 6 de julho as inscrições para o Prêmio Anamatra de Direitos Humanos 2026, que valoriza ações realizadas por pessoas físicas e jurídicas comprometidas com a promoção efetiva da defesa dos direitos humanos no mundo do trabalho. Podem ser inscritos trabalhos desenvolvidos entre 24 de maio de 2024 e 5 de julho de 2026.
A categoria Imprensa reconhece e valoriza trabalhos jornalísticos sobre o tema, em quatro subcategorias: Jornalismo escrito (impresso ou on-line), Jornalismo de vídeo (televisão ou plataformas de conteúdos audiovisuais – YouTube ou similares), Jornalismo de áudio (rádio ou plataformas de áudio – Spotify, SoundCloud, Deezer ou similares) e Fotojornalismo (foto ou série de fotos veiculadas em meio impresso ou on-line). Também será destacada a iniciativa que melhor representar o tema Gênero, raça e diversidade.
Os finalistas serão anunciados em 1º de setembro, e a revelação dos vencedores será em 30 de setembro. A cerimônia de premiação está marcada para 28 de outubro, em Brasília (DF). Confira mais informações e inscreva-se aqui.