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sábado, junho 13, 2026

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Emissoras paulistas ganham linha de crédito para desenvolvimento

Por Álvaro Bufarah (*)

Em uma iniciativa voltada para fomentar a modernização do setor de radiodifusão em São Paulo, o governador Tarcísio de Freitas anunciou em 3/12 a criação da Desenvolve Radiodifusão. Essa linha de crédito especial, administrada pela Desenvolve SP, destina-se a incentivar a aquisição de equipamentos, investimentos em inovação e sustentabilidade nas emissoras de rádio e televisão. Com operações de crédito de até R$ 30 milhões por projeto, o programa dispõe de um aporte total de R$ 200 milhões.

O anúncio ocorreu durante a inauguração do Estúdio Aesp, promovido pela Associação das Emissoras de Rádio e Televisão do Estado de São Paulo. A cerimônia contou com a presença de diversas autoridades, como Jorge Lima, secretário de Desenvolvimento Econômico; Lais Vita, secretária de Comunicação; Ricardo Brito, presidente da Desenvolve SP; e Luiz Arthur Valverde Rodrigues Abi Chedid, presidente da Aesp.

Tarcísio de Freitas destacou a relevância do programa no contexto de transição tecnológica enfrentado pela radiodifusão: “As linhas da Desenvolve SP são cruciais para viabilizar o ingresso da TV digital 3.0, a conversão de rádios AM para FM e a sustentabilidade por meio da energia fotovoltaica. Queremos facilitar esse processo de modernização e inovação”.

A linha de crédito é direcionada a empresas com faturamento anual de até R$ 300 milhões, que estejam em dia com suas obrigações fiscais. Estima-se que cerca de 6.224 empresas de rádio e televisão no Brasil atendam a esses critérios, sendo São Paulo o maior mercado de radiodifusão do País, com um número significativo de emissoras elegíveis.

Para Ricardo Brito, presidente da Desenvolve SP, o programa é estratégico para o futuro do setor: “Radiodifusão é essencial: ela informa, democratiza e promove o desenvolvimento. Essa iniciativa reflete nosso compromisso em modernizar o setor no estado de São Paulo”.

O governador Tarcísio de Freitas anuncia a linha de crédito

A Desenvolve Radiodifusão oferece financiamento para uma ampla gama de projetos, incluindo:

  • Desenvolvimento da TV 3.0;
  • Conversão de rádios AM para FM;
  • Implantação de energia fotovoltaica;
  • Aquisição de máquinas e equipamentos novos;
  • Compra de software e serviços correlatos;
  • Equipamentos de informática;
  • Serviços técnicos especializados;
  • Obras civis associadas aos projetos.

O programa apresenta condições diferenciadas, com taxas de juros atrativas, a partir de 7,18% ao ano + IPCA para projetos de investimento e aquisição de equipamentos, ou 4,23% ao ano + TR para iniciativas de inovação. Os prazos de financiamento variam conforme o tipo de projeto:

  • Até 120 meses para investimentos;
  • Até 96 meses para inovação;
  • Até 60 meses para aquisição de máquinas e equipamentos.

As emissoras interessadas devem submeter seus projetos detalhados pelo site www.desenvolvesp.com.br. O processo é 100% online e requer informações financeiras e operacionais detalhadas para análise.

A Desenvolve Radiodifusão representa um marco para o setor de radiodifusão em São Paulo, possibilitando que emissoras ampliem sua competitividade por meio de avanços tecnológicos e sustentabilidade. A medida alinha-se à crescente demanda por inovação, ao mesmo tempo em que promove o fortalecimento do mercado de comunicação no estado.

Você pode ler e ouvir este e outros conteúdos na íntegra no RadioFrequencia, um blog que teve início como uma coluna semanal na newsletter Jornalistas&Cia para tratar sobre temas da rádio e mídia sonora. As entrevistas também podem ser ouvidas em formato de podcast neste link.

Álvaro Bufarah

(*) Jornalista e professor da Fundação Armando Álvares Penteado (Faap) e do Mackenzie, pesquisador do tema, integra um grupo criado pela Intercom com outros cem professores de várias universidades e regiões do País. Ao longo da carreira, dedicou quase duas décadas ao rádio, em emissoras como CBN, EBC e Globo.

Preciosidades do acervo Assis Ângelo: Licenciosidade na cultura popular (LXXXVIII)

Audálio Dantas

Por Assis Ângelo

O alagoano de Tanque D’Arca Audálio Dantas (1929-2018), que marcou época na Folha de S.Paulo e na extinta revista Realidade, escrevia e fotografava muito bem. Escreveu de tudo ou de um tudo como costumava dizer. Cobriu o lançamento do livro Grande Sertão: Veredas numa livraria do centro da Capital paulista, em 1956. Tentou entrevistar o autor, Guimarães Rosa, mas “ele estava mais interessado em paquerar uma jovem admiradora e não falar com repórter”, lembrou rindo.

Audálio Dantas

Escreveu e publicou vários livros. Também participou de coletâneas como Corpos: Contos Eróticos, 2001. Esse livro se inicia com um conto seu intitulado Sob o Sol da Manhã.

É a história de um homem e de uma mulher se masturbando, sem que ela o veja no seu ato de prazer solitário.

Ela, uma dondoca, tomando banho numa banheira de seu apartamento, e ele, um limpador de vidraças, pendurado num banquinho a muitos metros do chão.

Nesse livro também há textos de Fernando Bonassi, Mouzar Benedito, Moacyr Scliar e outros.

O autor de Grande Sertão: Veredas gostava muito de abordar essa temática. Exemplo disso são os personagens Riobaldo e Diadorim e raparigas que alegram os machos do romance.

A identidade feminina de Diadorim só é descoberta quando morre, com o corpo cheio de balas durante um tiroteio entre jagunços.

Bom de se ler e também cheio de erotismo é o livro Corpo de Baile, especialmente o último conto, intitulado Buriti.

E quem não leu ainda é tempo de ler A Hora e Vez de Augusto Matraga. O protagonista é do tipo pernóstico, prepotente e que judia de todo mundo. Provoca brigas e é chegado a tomar a mulher dos outros. Uma hora cai em desgraça, é quando a porca torce o rabo. A mulher dele vai-se embora com outro e a filha Mimita cai na vida. Virou filme com trilha sonora de Vandré.

A Hora e Vez de Augusto Matraga é o último dos nove contos que encerra o livro Sagarana, o primeiro de Rosa, publicado em 1946.

O penúltimo conto de Sagarana é Conversa de Bois.

Conversa de Bois foi originalmente escrito em 1937 e incluído num livro de contos apresentado no concurso literário Humberto de Campos, em 1938. Ficou em segundo lugar, perdendo apenas por um voto para Luís Jardim.

O conto Conversa de Bois é uma história do tempo em que bichos falavam.

O carreiro da história, Agenor Soronho, é um cara chato, brabo, metido a besta e amante da mulher de um amigo seu, que morre lascado e cego. O corpo é transportado num carro de boi carregado de rapadura. O guia do carro é um menino, um pedacinho de gente como diz o autor, chamado Tiãozinho. Tinha ali uns 9 ou 10 anos. Estava triste, pois sobre o carregamento de rapadura achava-se o corpo de seu pai, Jenuário.

Os bois à frente do carro, Buscapé e Namorado, captam a tristeza de Tiãozinho, que consigo mesmo matuta: se eu fosse grande, eu vingaria meu pai…

Era comum antigamente dar-se nome aos bois. No caso aqui, os bois tocados por Agenor tinham por nome Capitão e Brabagato, Dançador e Brilhante, Realejo e Canindé, além dos dois primeiros já citados.

E desse conto não vou dizer o final. Nem amarrado!

O que posso dizer, e que pouca gente sabe, é que Guimarães Rosa chegou a escrever e a publicar histórias com contexto policial. Mais: também chegou a escrever e a publicar em jornais poemas com rima e tudo mais. Aliás, o compositor Téo Azevedo chegou até a musicar alguns poemas de Rosa espalhados na sua rica bibliografia.

Poderíamos até dizer que a prosa de Rosa é pura poesia, certo?

Bom, não custa lembrar que Audálio foi conterrâneo do escritor Graciliano Ramos e sobre ele publicou dois livros: A Infância de Graciliano Ramos (2011) e O Chão de Graciliano (2007), feito em parceria com o fotógrafo Tiago Santana.

Graciliano escreveu pouco sobre temas eróticos. Pouco, mas não tão pouco assim.

Os seus três primeiros romances foram Caetés (1933), São Bernardo (1934) e Angústia (1936).

No primeiro, um empregado se apaixona pela mulher do patrão. Termina em sangue.

No segundo, que também termina em sangue, o protagonista é um menino adotado por uma doceira. Cresce e conhece uma jovem com quem passa a ter relações. Surge na parada um Ricardão, que cai nas graças da moçoila. Nervoso, o protagonista comete o primeiro crime e vai parar na cadeia. Ao sair, vira uma espécie de “coroné” prepotente e coisa e tal. Ao casar-se, quer dominar a esposa, mas não consegue. O ciúme o corrói. Ao fim e ao cabo, a mulher se suicida.

No terceiro livro, Angústia, o personagem central, Luís da Silva, um pobre diabo, apaixona-se pela vizinha Marina. Chega a noivar, mas aí entra na história um bambambã bonitão e cheio de grana… Luís entra em desespero ao flagrar a sua amada com o rival. Num segundo, agiganta-se e devorado pelo ciúme dá fim ao adversário. E pronto.

Foto e ilustrações de Flor Maria e Anna da Hora

Contatos pelos [email protected], http://assisangelo.blogspot.com, 11-3661-4561 e 11-98549-0333

Jeduca abre inscrições para estudantes no 6º Edital de Jornalismo de Educação

Jeduca abre inscrições para estudantes no 6º Edital de Jornalismo de Educação
Crédito: Reprodução/Jeduca

Estão abertas até 31/1 de 2025 as inscrições para a Categoria Estudante do 6º Edital de Jornalismo de Educação. Promovido pela Associação de Jornalistas de Educação (Jeduca), o edital valoriza e reconhece Trabalhos de Conclusão de Curso (TCCs) de estudantes de Jornalismo com temáticas relacionadas à educação, realizados em 2024, 2023 e 2022.

Podem ser submetidos diferentes tipos de produtos, como reportagens, documentários, podcasts, monografias, entre outros, desde que respeitem o formato comunicacional. O primeiro lugar receberá R$ 3 mil, enquanto o segundo e o terceiro colocados receberão, respectivamente, R$ 2 mil e R$ 1 mil.

Os TCCs podem ser individuais, em dupla ou em grupo. Nos dois últimos casos, o valor do prêmio permanecerá o mesmo, e a inscrição do trabalho deve ser feita por um representante. O resultado será divulgado até 28 de março de 2025.

Inscreva-se aqui.

José Luiz Datena estreia no SBT em 9/12

José Luiz Datena estreia no SBT em 9/12
Crédito: Reprodução/Balanço Geral

O SBT confirmou nesta quarta-feira (4/12) a contratação de José Luiz Datena como novo apresentador da emissora. Na última semana, ele e a Bandeirantes decidiram não renovar o contrato, que se encerrou em 30 de novembro. A partir da próxima segunda-feira (9/12), Datena comandará o programa Tá na Hora no SBT, enquanto Marcão do Povo, atual apresentador, assumirá parte da apresentação do Primeiro Impacto.

Sobre o novo desafio, Datena expressou entusiasmo: “Vir para o SBT é cumprir o meu sonho de trabalhar na casa que foi montada pelo maior apresentador de todos os tempos. Silvio Santos foi e sempre será o meu ídolo e a minha referência”.

Natural de Ribeirão Preto, Datena começou sua carreira no rádio como locutor esportivo até migrar para a televisão, onde se destacou e conquistou prêmios como o Vladimir Herzog de Direitos Humanos. Em 1989 entrou na Rede Bandeirantes como repórter esportivo e, em 1996, ganhou fama na Record TV comandando programas policiais. Ao longo da carreira, também passou pela RedeTV! e retornou à Record e Band, onde permaneceu até junho de 2024.

RedeComCiência lança curso gratuito para jornalistas que cobrem ciência

RedeComCiência lança curso gratuito para jornalistas que cobrem ciência
Crédito: RedeComCiência

A Rede de Jornalistas e Comunicadores de Ciências (RedeComCiência) oferece o curso de imersão Popularização da Ciência: os múltiplos atores sociais da comunicação de ciências. Online e presencial, na próxima terça-feira (10/12), das 8h às 16 horas. Presencial será no auditório da CNEN (Comissão Nacional de Energia Nuclear), no Rio de Janeiro (rua General Severiano, 90, em Botafogo). Para as duas modalidades, inscrições aqui.

No encontro, especialistas discutirão a situação atual do jornalismo e da divulgação científica, e as perspectivas da área. Entre os palestrantes, estão Cristiane d’Avila e Elisa Andries. A RedeComCiência é uma comunidade de profissionais de jornalismo de ciência e divulgação científica no Brasil, e este ano celebra cinco anos de fundação

Conheça os vencedores do Prêmio IREE de Jornalismo 2024

Prêmio IREE de Jornalismo 2024 divulga vencedores
Crédito: Reprodução/Prêmio IREE

O Instituto para Reforma das Relações entre Estado e Empresa (IREE) divulgou os vencedores da quinta edição do Prêmio IREE de Jornalismo, que reconhece trabalhos jornalísticos sobre a importância e o fortalecimento da democracia.

São três categorias: Principal, que concederá R$ 50 mil para o vencedor; Política, e Economia e Negócios, que premiarão cada uma seus respectivos vencedores com R$ 30 mil.

Prêmio Principal foi concedido a Marcelo Godoy, Heitor Mazzoco e Rayanderson (O Estado de S. Paulo) pela série de reportagens sobre a infiltração de organizações criminosas em negócios públicos.

Na categoria Política, ganhou a série de reportagens de Thiago Bronzatto, Dimitrius Dantas e Patrik Camporez (O Globo), que mostra a espionagem da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) durante o governo de Bolsonaro, incluindo políticos, jornalistas e servidores públicos.

Já em Economia e Negócios o vencedor foi Luiz Vassallo (Metrópoles), por investigar o desconto indevido de R$ 2 bilhões de aposentados por entidades conveniadas ao INSS.

41º Troféu Aceesp divulga vencedores

41º Troféu Aceesp divulga vencedores
Crédito: Reprodução/Instagram

A Associação dos Cronistas Esportivos do Estado de São Paulo (Aceesp) anunciou os vencedores do 41º Troféu Aceesp, que reconhece o trabalho do jornalismo esportivo. A cerimônia de premiação foi realizada em 2/12, no Auditório Armando Nogueira, no Museu do Futebol.

Confira a lista dos vencedores:

TV (Aberta e fechada)

Narrador (a): Everaldo Marques (TV Globo/SporTV)

Comentarista: Alexandre Lozetti  (TV Globo/SporTV)

Repórter: Eduardo Affonso (Canais ESPN)

Apresentador (a): Renata Fan (TV Bandeirantes)

 

Rádio

Narrador (a): Oscar Ulisses (Rádio CBN)

ComentaristaRaphael Prates (Rádio CBN)

RepórterAlinne Fanelli (Rádio BandNews FM)

Apresentador (a): João Paulo Cappellanes (Rádio Bandeirantes)

 

Mídia Digital/Online

Melhor veículo: Portal UOL Esportes

Melhor profissional do anoAndré Hernan (Canal do André Hernan)

 

Opinião – Mídia Escrita (Impresa ou Digital)

Melhor colunistaPVC (Portal UOL Esporte)

 

Interior

Rádio: Rádio CBN (Ribeirão Preto)

TV: EPTV (Ribeirão Preto) e Thathi TV (Ribeirão Preto) – empate

Jornal/site: A Cidade ON (Ribeirão Preto)

 

Litoral

Rádio: Rádio Caraguá FM

TV: TV Tribuna (Santos)

Jornal/site: A Tribuna de Santos

 

Ex-atletas

Melhor profissional do anoNeto (TV Bandeirantes)

 

Assessoria de Imprensa

Melhor profissional do anoFelipe Espíndola (São Paulo Futebol Clube)

Personalidades do esporte no ano

FemininoRebeca Andrade (Ginástica Olímpica)

MasculinoEstêvão (atacante da SE Palmeiras)

Prêmios especiais indicados pela diretoria

Troféu Regiani Ritter – Marília Ruiz (Canais Band, Portal UOL e Paramount+)

Troféu Ely Coimbra – Pedro Bassan (TV Globo)

Honra ao Mérito – Waldo Braga e Júlio Deslbosque

 

Melhor matéria escrita (mídia impressa ou plataformas online) – Danilo Sardinha (Globo Esporte.Com), pela reportagem Conheça a bola criada por crianças que virou sinônimo de esperança em campo de refugiados na África

Melhor imagem do Esporte em 2022 – Mathilde Missioneiro (Folhapress), com foto de Rebeca Andrade comemorando a medalha de prata na final de salto, em Paris-24, com a bandeira do Brasil em formato de coração

Articulação pela Mídia Negra cobra transparência do Governo em ações de comunicação antirracista

Marcelle Chagas, fundadora da Rede JP e integrante da Articulação pela Mídia Negra

Nota Técnica: Apagamento da Articulação pela Mídia Negra no Grupo de Trabalho Interministerial de Comunicação Antirracista do Governo Federal

Esta nota técnica tem como objetivo destacar a falta de transparência na elaboração de ações do Grupo de Trabalho Interministerial (GTI) Comunicação Antirracista do Governo Federal, bem como o apagamento da incidência da Articulação pela Mídia Negra na construção e execução dessas ações, tais como o Plano de Comunicação pela Igualdade Racial, que será lançado em breve.

O GTI, que visa formular políticas públicas para promover a igualdade racial no campo da comunicação, falhou em não incluir de forma transparente e reconhecida as ações e contribuições da Articulação pela Mídia Negra, um grupo que desempenhou papel fundamental na sua concepção.

“Essa é uma ação de incidência estratégica, resultado de intensos tensionamentos e de muita pressão para que pudesse se concretizar”, explica Marcelle Chagas, CEO e fundadora da Rede JP – Rede de Jornalistas pela Diversidade na Comunicação. “O que mais preocupa, no entanto, é o constante apagamento de lideranças negras, que são fundamentais para promover mudanças reais. Que este marco seja um ponto de partida para avanços significativos e para a criação de legislações capazes de transformar os rumos do país rumo a uma democracia verdadeiramente inclusiva”.

Marcelle Chagas, fundadora da Rede JP e integrante da Articulação pela Mídia Negra

A Articulação pela Mídia Negra é composta por 55 organizações lideradas por jornalistas e comunicadores de grupos sub-representados de todo o Brasil, entre veículos, empresas de comunicação, entidades e coletivos de produção e difusão de notícias que dizem respeito à comunidade negra e à promoção da igualdade racial na mídia.

A Articulação nasceu em novembro de 2022 com missão específica: fomentar a elaboração de políticas públicas voltadas à igualdade racial na mídia.

A primeira campanha eleitoral de Donald Trump nos EUA, em 2016, evidenciou novamente o impacto devastador da desinformação e da polarização digital. Essa fórmula, já conhecida como um “modelo de sucesso” em campanhas políticas, precisa ser urgentemente enfrentada.

A comunicação antirracista é essencial para garantir a integridade da informação. De acordo com a UNESCO, é fundamental que os meios de comunicação combatam narrativas discriminatórias e amplifiquem as vozes de comunidades marginalizadas, promovendo representações diversas e equitativas. Esse compromisso fortalece a liberdade de expressão, combate a desinformação e contribui para sociedades mais justas, onde a diversidade cultural e racial é respeitada e valorizada como pilar da democracia.

Antes da posse do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, representantes da Articulação pela Mídia Negra já se reuniam com a equipe de transição do futuro governo, em dezembro de 2022, para falar da importância das políticas de comunicação pela igualdade racial e chamar a atenção do governo em relação à interferência das fake news na comunicação e no processo democrático do país.

Em 9 de março de 2023, a Articulação enviou um ofício ao gabinete da Secretaria de Comunicação Social (Secom) da Presidência da República solicitando uma reunião com o ministro-chefe Paulo Pimenta. O pedido foi feito reiteradamente mais de uma vez. Infelizmente, a solicitação nunca foi atendida.

Em 6 de abril de 2023, a Articulação se reuniu de forma online com a Ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco, e sua equipe, para discutir a implementação das demandas da Articulação.

Em 11 de julho de 2023, a Articulação pela Mídia Negra foi a Brasília e entregou à Secretaria de Comunicação da Presidência da República (Secom), em reunião ocorrida na sede do Ministério das Comunicações com a presença de representantes do Ministério da Igualdade Racial, Secretaria de Comunicação, Ministério das Comunicações, Ministério da Cultura, dos Direitos Humanos, Ministério da Educação, EBC e Sindicato dos Jornalistas do Estado do Rio de Janeiro, um documento com 59 reivindicações, formuladas após consultas  com jornalistas, comunicadores, pesquisadores e lideranças, para fomentar e incentivar a produção e difusão de notícias relevantes para comunidades negras, periféricas e indígenas. Na ocasião, a Articulação destacou a urgência em promover uma comunicação antirracista e combater a desinformação e o discurso de ódio na sociedade brasileira. No dia seguinte, em 12 de julho, a Articulação foi recebida pela Ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco, a quem entregou também as reivindicações.

Colaboramos estreitamente com o Governo Federal durante meses, com esforço custeado através dos nossos próprios recursos, para a construção de políticas públicas antirracistas. Com o apoio e a participação de organizações históricas e um esforço coordenado, reivindicamos a criação de um Grupo de Trabalho Interministerial com a participação da sociedade civil. Havíamos também ressaltado para o governo federal a importância da diversidade nas reuniões de imprensa no Governo Lula.

Como resultado de toda essa articulação com o Governo Federal, em 20 de novembro de 2023, Dia da Consciência Negra, o Presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva assinou o decreto nº 11.787, instituindo o Grupo de Trabalho Interministerial Comunicação Antirracista, com a finalidade de elaborar proposta do Plano Nacional de Comunicação Antirracista.

Neste dia, o Governo Federal, por meio da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República e do Ministério da Igualdade Racial, deu início à consulta pública para ouvir a sociedade civil para reunir subsídios para a elaboração do Plano Nacional de Comunicação Antirracista.

No dia 13 de setembro de 2024, a Articulação pela Mídia Negra lançou o Relatório de Impacto como um marco na luta pela democratização na comunicação e referência para o desenvolvimento de políticas públicas que fortalecem a democracia e criam um ecossistema informativo mais inclusivo e diverso no Brasil.

Falta de Transparência e Apagamento

Desde a criação do GTI, têm-se observado diversos problemas relacionados à transparência na tomada de decisões e na elaboração de ações. Entre os principais pontos de preocupação, destacam-se:

  • Falta de comunicação: o GTI tem falhado em fornecer informações claras e acessíveis sobre os processos de decisão e a implementação de ações, limitando a participação das organizações da sociedade civil;
  • Apagamento da Ação da Articulação pela Mídia Negra: a Articulação pela Mídia Negra foi uma das principais forças motrizes por trás da criação do GTI, lutando incansavelmente para garantir que as questões de desigualdade racial fossem adequadamente abordadas. No entanto, nota-se que desde as primeiras comunicações do GTI até seu estabelecimento formal, a contribuição da Articulação pela Mídia Negra tem sido sistematicamente apagada.

Os seguintes aspectos ilustram este apagamento:

  • Falta de reconhecimento: apesar do papel crucial desempenhado pela Articulação, não houve reconhecimento público ou formal de sua contribuição para a criação do GTI. Lembrando que a Articulação é formada por grupos históricos de diversas localidades do país reconhecidos na luta antirracista;
  • Marginalização em relatórios e documentos: a presença da Articulação nas discussões e formulações políticas do GTI não é adequadamente refletida em documentos oficiais e relatórios de progresso.

Impacto e Consequências

A falta de transparência e o apagamento da Articulação pela Mídia Negra têm sérias implicações para a eficácia e a legitimidade do GTI:

  • Perda de confiança: a falta de inclusão e transparência compromete a confiança entre o GTI e as organizações da sociedade civil, especialmente aquelas que representam comunidades marginalizadas;
  • Políticas desconectadas da realidade: sem a contribuição ativa de grupos como a Articulação pela Mídia Negra, as políticas formuladas pelo GTI correm o risco de não refletirem as necessidades e realidades das populações mais afetadas. A Articulação entregou um material rico que compôs iniciativas passadas, como a Conferência Nacional de Comunicação (Confecom);
  • Atraso no material: A exclusão de atores-chave envolvidos na concepção da ação prejudicou a capacidade do GTI de formular estratégias eficazes, colaborativas e inclusivas. Essa limitação foi agravada pela dificuldade do governo em articular um fluxo de trabalho capaz de integrar as demandas da sociedade civil, o que resultou no atraso na finalização do material do plano e comprometeu o alinhamento necessário para a execução plena da iniciativa.

Recomendações

Para restaurar a confiança e garantir a eficácia do GTI, recomenda-se:

  • Reintegração e reconhecimento da Articulação pela Mídia Negra: o GTI deve reconhecer publicamente o papel da Articulação e garantir sua inclusão nos processos decisórios, tendo em vista o processo sistemático e histórico de apagamento da população negra. Reconhecer os processos históricos é fundamental neste momento. Pela primeira vez na história, um grupo significativo de líderes e intelectuais negros alcançou uma expressiva incidência política e social, consolidando um marco na luta pela equidade e pela amplificação das vozes negras em espaços de decisão e poder. Apagar essa conquista é perpetuar erros historicamente cometidos, silenciando trajetórias de resistência e protagonismo. Mais do que um avanço, este momento representa o fortalecimento de uma luta coletiva por justiça, inclusão e transformação social, cujo impacto será decisivo para as próximas gerações;
  • Adoção de práticas transparentes: é fundamental que o GTI adote práticas de transparência, comunicando claramente suas decisões e ações às partes interessadas;
  • Criação de mecanismos de participação: estabelecer mecanismos formais de participação de organizações da sociedade civil, garantindo a democratização de acesso às representações de todas as populações, principalmente as sub-representadas.

Conclusão

A falta de transparência e o apagamento das contribuições da Articulação pela Mídia Negra na construção do GTI são questões que devem ser abordadas de forma urgente. Para que o GTI cumpra seu objetivo de promover a igualdade racial na comunicação é essencial que suas ações sejam inclusivas, transparentes e reconheçam devidamente as contribuições daqueles que têm lutado na linha de frente dessas questões.

O momento atual exige responsabilidade e compromisso. É essencial permanecermos vigilantes e empenhados na construção de um ambiente informativo mais justo, plural e transparente — pilares indispensáveis para a consolidação da democracia no Brasil. A luta por uma comunicação verdadeiramente antirracista e inclusiva é contínua e essencial para a preservação da democracia. E dela, não abriremos mão.

Rio de Janeiro, 02 de dezembro de 2024.

Articulação pela Mídia Negra

Prêmio Fundação FEAC divulga os finalistas de sua 24º edição

A Fundação FEAC anunciou os finalistas da 24ª edição do Prêmio Fundação FEAC de Jornalismo, iniciativa que tem como objetivo reconhecer reportagens sobre iniciativas sociais transformadoras na Região Metropolitana de Campinas. Para celebrar os 60 anos de atuação da entidade, o tema escolhido para esta edição foi Um legado perene de transformação. Os vencedores serão conhecidos durante cerimônia de premiação que será realizada em 13 de dezembro, em Campina.

Confira a relação completa de finalistas:

Fotojornalismo:

  • Praça revitaliza comunidade e leva esperança à região dos Amarais – Alberto Viana, de Gustavo Abdel Massih, para o Hora Campinas
  • Praça revitaliza comunidade e leva esperança à região dos Amarais – Maria do Socorro, de Gustavo Abdel Massih, para o Hora Campinas
  • Recomeçar aos 18: projeto guia jovens acolhidos ao deixar abrigos em Campinas, de Denny Cesare, do A Cidade ON Campinas

 

Impresso:

  • A polarização que divide e afasta, de Carolina Alvarez, para o Diário Campineiro
  • Horta comunitária alimenta corpo e alma no Jd. Florence, de Luiz Felipe Carneiro Lourenço Leite, do Correio Popular
  • Um impulso que transforma realidades, de Carolina Alvarez, para o Diário Campineiro

 

Online:

  • Da cabeça aos pés: mulheres deixam as ruas para construírem um novo caminho com as próprias mãos, de Vitória Silva, para A Cidade ON Campinas
  • Praça revitaliza comunidade e leva esperança à região dos Amarais, de Gustavo Abdel Massih, para o Hora Campinas
  • Sementes do Amanhã: a importância dos centros educacionais e projetos de desenvolvimento infantil no Jardim Monte Cristo, de Anthony Teixeira, para A Cidade ON Campinas

 

Rádio:

  • Como é bom estar em Casa!, de Kevin Accioly Kamada, para a Rádio Brasil Campinas
  • Famílias acolhedoras ativas, em Campinas, representam metade da capacidade do serviço, de Thalita Souza, para a CBN Campinas
  • Se Essa Rua Fosse Minha, de Kevin Accioly Kamada, para a Rádio Brasil Campinas

 

Televisão:

  • FEAC 60 Anos: Ressignificando Vidas – Parcerias ajudam pessoas em situação de rua a escrever nova história, de Wesley Tadeu, da EducaTV
  • ONG de Campinas muda a vida de crianças na periferia, de Lucimeire Ramalho, da Band Campinas
  • Projeto da FEAC capacita mães de crianças com deficiência, de Jair de Almeida Leite Junior, da Thati Record TV

E-book gratuito orienta jornalistas na cobertura de desastres climáticos

E-book gratuito orienta jornalistas na cobertura de desastres climáticos
Crédito: Capa do Manual para a Cobertura Jornalística dos Desastres Climáticos

As professoras Eloísa Beling Loose e Ilza Maria Tourinho Girardi, da UFRGS, e Márcia Franz Amaral, da UFSM, lançaram o Manual para a Cobertura Jornalística dos Desastres Climáticos (Facos UFSM). O e-book, gratuito, é fruto de anos de pesquisa do Grupo de Jornalismo Ambiental da UFRGS e do Grupo de Estudos em Jornalismo da UFSM, e tem a contribuição de alunos e ex-alunos.

O conteúdo é voltado a jornalistas e comunicadores que buscam aprimorar sua abordagem de questões como as concepções sobre desastres, suas causas, o sistema de gestão de riscos do Brasil e as práticas que podem qualificar a cobertura jornalística desses eventos. O prefácio é assinado por Daniela Arbex, autora, entre outros, de Arrastados (Intrínseca), sobre o rompimento da barragem de Brumadinho.

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