Encerrados os mais recentes processos de demissões em Estadão e Brasil Econômico, Paulo Zochi, diretor Jurídico do Sindicato dos Jornalistas de São Paulo, entidade que conseguiu fechar na Justiça do Trabalho acordos entre os atingidos e Grupo Estado e Ejesa, consolidou para J&Cia o número de demitidos nos dois jornais: foram 70 no total, 24 no Brasil Econômico (dois deles PJs) e 46 no Estadão, sendo 39 em São Paulo (seis deles PJs), cinco em Brasília e dois no Rio. No Estadão, os cortes foram realizados entre 5 e 9/4, com a justificativa oficial da extinção e fusão de cadernos, da unificação de fechamentos e outras medidas para tornar o jornal “mais compacto”, que entraram em vigor no último domingo (22/4); no Brasil Econômico, concretizados na 2ª.feira (23/4), o motivo foi a transferência de sua sede do jornal para o Rio de Janeiro e a manutenção de apenas uma sucursal em São Paulo. O acordo com os demitidos do Estadão prevê o pagamento de dois salários nominais aos profissionais a título de rescisão e a extensão por mais seis meses do plano de saúde. Essas condições estarão garantidas adicionalmente para qualquer profissional que venha a ser cortado pela empresa nos próximos 60 dias. No acerto com o Brasil Econômico, firmado em 18/4, ficou estabelecido que a empresa poderá pagar as verbas rescisórias em até quatro parcelas, não inferiores a um salário de cada profissional, acrescidas de um salário a título de compensação pelo parcelamento e de outro por multa dissidial (pelo fato das demissões estarem ocorrendo no mês que antecede a data-base); findo esse parcelamento, a empresa pagará a cada demitido, a título de compensação, proporcionalmente ao tempo de casa, no mínimo dois e no máximo três pisos da categoria para sete horas, em duas parcelas; e concederá o plano de assistência médico-odontológica por sete meses – essas condições valem para os PJs e para eventuais demitidos no prazo de um ano. Alguns demitidos do Estadão… A divergência entre a quantidade de demitidos do Estadão em São Paulo, 31, e a consolidação de Paulo Zochi, 39, deve-se, segundo este, a não terem sido computados na conta original seis PJs e os editores-executivos Laura Greenhalgh e Luiz Américo Camargo, que deixaram suas funções no início do mês e passam a ser colunistas. Nos últimos dias tentamos obter informações e contatos dos que saíram, mas tivemos sucesso apenas parcial; eles são listados a seguir: Marcelo Rehder estava desde 2001 no Estadão como repórter de Economia. Antes ficou por dez anos na sucursal de O Globo, em São Paulo, também como repórter de Economia, e quase pelo mesmo tempo no DCI, onde foi repórter, repórter especial e chefe de Reportagem. Lílian Cunha, que estava havia quase dois anos como repórter de Negócios e antes passou pelo Valor Econômico. Cláudia Ribeiro, que foi editora do site de Economia e Negocios (2011 a 2013), editora na Veja online (2010 e 2011), editora de Economia do IG e do Estadão (2000 a 2009). José Eduardo Barella, que em 25 anos de carreira trabalhou no Jornal da Tarde, onde foi editor de Internacional e de Geral, teve duas passagens pela Veja, onde foi subeditor de Internacional, e desde 2006 estava no Estadão, primeiro como editor de Internacional, de 2006 a 2010, e depois passou a editar Vida. Também editava o caderno mensal Planeta e comandou a cobertura da Rio+20. Outros dois cadernos especiais que editou – Meninos do Contestado (2012) e Guerras Desconhecidas do Brasil (2010), reportagens investigativas do repórter Leonencio Nossa e do repórter fotográfico Celso Júnior – receberam vários prêmios e foram finalistas dos últimos dois Esso de Jornalismo. Décio Trujilo, editor-executivo a quem estava confiado o projeto do portal do Jornal do Carro. Foi editor-chefe do Jornal da Tarde de abril de 2011 até o fechamento do jornal, em outubro de 2012, depois de quatro anos como editor-executivo, mais focado no fechamento. Isabel Silva, que por 17 anos atuou como secretária de redação e assistente dos editores de Caderno 2, Sabático, Aliás, Projetos Especiais (crossmedia), Correspondentes de Nacional e Internacional, bem como nas editorias de Economia, Nacional, Esportes, Suplementos, Metrópole, Internacional e Portal. …e do Brasil Econômico No Brasil Econômico, J&Cia apurou que saíram: Fotografia – a editora Carla Romero (ex-Folha de S.Paulo) e o pesquisador Wellington Budin; Arte – os diagramadores Letícia Alves, Maicon Silva, Paulo Argento, Renata Rodrigues e Renato Gaspar; Infografia – o diretor Alex Silva, Mônica Sobral, Rubens Angulo e o tratador de foto Henrique Peixoto; Finanças – Flávia Furlan e Ana Paula Ribeiro; e Empresas – Carolina Marcelino, Cíntia Esteves e Rafael Palmeira. Alex, a propósito, fez um vídeo em homenagem aos colegas de trabalho, que pode ser conferido aqui. Seguem na redação paulista do jornal 23 profissionais, entre eles o diretor de Arte Beto Vaz, que está fechando em São Paulo praticamente metade do jornal. Beto e Evandro Moura, também da Arte, atualmente em férias, representaram a Redação nas negociações com o jornal.
Domingo e Caco Alzugaray recebem Personalidade da Comunicação
Eram pouco mais de 19h30 desta 3ª.feira (23/4) quando Domingo Alzugaray chegou ao Centro de Convenções Rebouças, acompanhado de seu filho Caco Alzugaray e de sua filha Paula Alzugaray, para receber a justa homenagem que lhe seria prestada pela Mega Brasil e pelos profissionais de comunicação corporativa, com o Prêmio Personalidade da Comunicação. De cadeira de rodas e rompendo um repouso a que tem se submetido por razões de saúde, ele foi interceptado no meio do caminho por vários amigos, que lhe queriam dar um abraço e o cumprimentar. Eram amigos ilustres como Lázaro de Mello Brandão, presidente do Conselho de Administração do Bradesco, Joseph Safra, presidente do Banco Safra, Mino Carta, ex-colaborador e sócio e que com ele fundou a revista IstoÉ, entre vários outros, que ali foram partilhar com ele e com Caco o reconhecimento pelo que ambos têm feito à frente da Editora Três e pelo jornalismo brasileiro. Eduardo Ribeiro, diretor deste Portal dos Jornalistas, que presidiu a solenidade, ressaltou, em seu pronunciamento: “Carismático, determinado e um empreendedor nato, não é exagero dizer que talvez o seu maior mérito, depois de construir uma empresa influente e respeitada em todo o Brasil, tenha sido o de montar, ao longo do tempo, boas, motivadas e longevas equipes, que o ajudaram na saga diária de disputar palmo a palmo um competitivo, complexo e agora também mutante mercado. Outro de seus méritos – e isso é inegável – foi ter feito de seu filho Caco um sucessor à altura, um sucessor que antes de assumir o comando pleno dos negócios, cinco anos atrás, ralou, para usar um termo popular, por vário anos, período em que atuou em várias áreas da empresa, para conhecê-la por dentro, em todas as suas principais particularidades”. Eduardo ressaltou ainda que “quem acompanhou mais de perto essa transição sabe que não foi um começo fácil. Jovem executivo, Caco, tendo diante de si imensas turbulências econômicas e uma indústria em acentuado processo de transformação, provocado pela revolução digital, encarou os desafios, chamou a si a responsabilidade e foi em frente, determinado como o pai, superando um a um os obstáculos. Soube unir o grupo de colaboradores em torno da causa, foi um hábil negociador com o mercado, mostrou-se um competente gestor e pouco a pouco se impôs também externamente como um dos líderes do segmento de revistas, retomando a saga de protagonismo que sempre caracterizou a Editora Três na imprensa brasileira”. Acostumado a homenagear e dessa vez na condição de homenageado, Caco agradeceu o carinho, mostrou-se tocado, reverenciou o pai, em quem disse inspirar-se permanentemente, e fez de público um agradecimento emocionado àqueles que estiveram juntos em outros tempos, como Mino Carta, Gilberto Mansur e Hélio Campos Mello, todos presentes à cerimônia, e aos atuais executivos, tanto da redação, como Carlos Marques, Luiz Fernando Sá e Milton Gamez, entre outros, quanto do comercial e demais áreas da empresa: “Sozinho ninguém consegue nada. Nossas conquistas são fruto de um trabalho de equipe e sou muito grato a todos pelo empenho e dedicação com nossa empresa”. Mino, que fundou e foi o primeiro diretor de Redação da IstoÉ, fez a entrega do prêmio e visivelmente comovido, dirigindo-se a Domingo Alzugaray, disse: “Esse prêmio é seu. Merecidíssimo. Parabéns”.
CartaCapital abre maio com novo projeto gráfico
No mercado há 19 anos, CartaCapital apresenta a partir de 3/5 novo projeto gráfico de sua edição impressa, assinado por Mariana Ochs. Além de mudanças em logo e leiaute, a revista estreará as seções QI, esta comanda por Nirlando Beirão, colunista da revista desde julho passado; e Economia, que será apresentada em um só bloco, e não mais dispersa pelo conteúdo da edição. QI abordará viagens, bem-estar, consumo, culinária e vida saudável, e já tem confirmados como colunistas os médicos Drauzio Varella, Riad Yunes e Rogério Tuma, com dicas de saúde; o ex-jogador de futebol Afonsinho, escrevendo sobre a modalidade; e Márcio Alemão, que discorrerá sobre gastronomia. O site da revista também estará de cara nova. Sob o comando de Lino Bocchini, terá uma área de vídeos, mais interatividade e informação e novos colunistas e blogueiros.
O ?Carandiru literário? de Mona Dorf
Profissional há mais de 30 anos, boa parte deles dedicados ao jornalismo sobre Literatura, Mona Dorf comanda, com a colaboração de Thiago Mioni, o projeto Encontro com Autores e Ideias. Patrocinados pelo Programa de Ação Cultural do Estado de São Paulo (Proac), os encontros vêm reunindo, ao longo deste ano, público e autores em bate-papos na Biblioteca de São Paulo, onde funcionava o presidio do Carandiru. Em entrevista ao Portal dos Jornalistas, ela – que recentemente se desligou da rádio Eldorado, onde desde 2007 apresentava as pílulas Letras&Leituras – conta mais sobre o projeto, a carreira e a dificuldade de manter no ar um programa sobre Literatura. Confira: Portal dos Jornalistas – Como nasceu o projeto Encontro com Autores e Ideias? Mona Dorf – Eu vinha sendo convidada para mediar debates e encontros [sobre Literatura], até que descobri que estava aberto um edital do Proac de incentivo à leitura, saraus literários e bibliotecas, e resolvi concorrer. Estava acostumada a fazer bate-papos com autores, mas decidi estruturar o projeto de forma diferente, ressaltando o gênero em que esse autor é mais forte. Por exemplo, o Carrascoza é mais contista do que romancista, então o convidamos para falar sobre conto. Já o Humberto Werneck é mais conhecido pelas crônicas do que pelos outros livros… Na verdade, o gênero é um pretexto para abordar a obra do autor e se aprofundar um pouco na literatura dele. Outra ideia que me agrada é a do formato interativo e participativo da plateia, que fica livre para perguntar a qualquer momento do bate-papo. Não é aquela coisa fechada, com um tempo determinado para perguntas e respostas no fim da exposição. Portal dos Jornalistas – Este é o primeiro ano do projeto, que segue até outubro. Há perspectivas de que seja continuado ano que vem? Mona Dorf – Claro que eu tenho interesse em levar o projeto para outros lugares, outras cidades, inclusive já houve contato para isso. Mas esse projeto é fechado em dez meses, até porque o dinheiro só dá pra isso! E já fizemos bastante coisa: além do encontro em si, tem o site no qual os vídeos dos eventos e de outros momentos importantes de minha carreira estão disponíveis. Eu resolvi fazê-lo como agregador de vários conteúdos literários meus. Fizemos um conteúdo a mais do que estava no edital, e é um arquivo perene. Se o projeto acabar, ele vai continuar na internet. É um ponto de encontro permanente. Portal dos Jornalistas – A escolha dos protagonistas foi sua mesmo? Como chegou a esses nomes? Mona Dorf – A curadoria foi minha. Desde 2007, quando iniciei o Letras & Leituras, tenho ido a feiras literárias, convivendo e ouvindo esses autores. O foco é sempre o estímulo à literatura brasileira. Eu tenho um livro chamada Autores e Ideias (lançado pela Benvirá), que também reproduziu minhas entrevistas antigas do Letras & Leituras. No programa, durante dois anos, fiz quase 500 entrevistas. Então, estou muito por dentro do assunto e, ao mesmo tempo, percebo que as pessoas desconhecem literatura brasileira. Portal dos Jornalistas – Qual é a principal contrapartida desse projeto para o público? Mona Dorf – O objetivo é justamente facilitar para que as pessoas se interessem mais por literatura brasileira. Quando se faz um encontro – numa biblioteca que fica na Zona Norte [de São Paulo], onde ficava o Carandiru –, ele é filmado, vai para a web e redes sociais, ajuda a difundir o tema. Os autores sempre me falam que a internet é uma ferramenta incrível para a divulgação da literatura brasileira. O projeto não é uma coisa restrita às pessoas que comparecem fisicamente. Portal dos Jornalistas – E como tem sido a receptividade do público que vai aos eventos? Mona Dorf – Muito boa! Temos lotado o auditório, embora seja em uma biblioteca que poucas pessoas conhecem e que é distante do centro. Mas o mais curioso é que as pessoas me pedem para incluir autores, dão sugestões de quem poderia estar lá para um bate-papo também, às vezes querem apresentar seus próprios livros. E eu explico que, por enquanto, é um projeto fechado, mas que estamos abertos a novas parcerias. A gente está dando o primeiro passinho para que a coisa aconteça. Portal dos Jornalistas – Sobre sua saída da rádio Eldorado, a que atribui essa dificuldade em encontrar patrocinadores para um programa de cunho literário em rádio, ainda que em formato reduzido? Mona Dorf – É difícil falar, até porque nem eu entendo direito. Lamento muito. Acho que há muita competição entre os meios, rádio, rádios em internet… O departamento comercial teve muita dificuldade em vender. Houve anos em que eu fiquei como parceira, sem ganhar nada, porque foi um projeto que levei e eles me aceitaram. Só posso atribuir à enorme quantidade de veículos, a uma crise na imprensa, porque é um produto que as pessoas adoram, comentam… As pílulas faziam tão ou mais sucesso do que o programa quando era em formato talk show literário. Mas acho que há outras possibilidades, como a de fazer o próprio Letras & Leituras via internet ou mesmo filmado. Eu sou produtora de conteúdo, tenho muitos projetos na cabeça. E se não rolou esse agora, daqui a pouco aparece outra coisa. Acho uma pena por acontecer em um período em que o Brasil é tão valorizado por sua literatura lá fora (em Bologna, Londres, Paris). SERVIÇO Encontro com Autores e Ideias, por Mona Dorf Próximo evento: 27/4 (sábado) Horário: 11 horas Local: Biblioteca de São Paulo (av. Cruzeiro do Sul, 2640) Convidado: João Anzanello Carrascoza, sobre Conto Mais informações em http://autoreseideias.wordpress.com
Catraca Livre vira case de estudo em Harvard
O site Catraca Livre, projeto idealizado por Gilberto Dimenstein, acaba de se tornar case de estudo da Harvard Business School pela sua contribuição social e educacional no Brasil, e por promover a cidadania e sustentabilidade na internet. Sob a coordenação da professora de Administração da universidade Rosabeth Moss Kanter, o case tem cerca de 15 páginas e conta com depoimentos de Raphael Vasconcellos, diretor de Soluções Criativas do facebook para América Latina e do renomado cientista Nicholas Negroponte, fundador do Massachusetts Institute of Technology. Segundo Negroponte, o valor da plataforma está no uso das redes para criação de comunidades de aprendizagem. “Propor a cidade como uma escola e a população como seus professores é a melhor forma de interação social. Essa é a beleza do Catraca Livre”. Desenvolvido em uma incubadora de projetos sociais da Universidade Harvard, o Catraca Livre ganhou em 2012 o prêmio de Melhor Projeto Digital de Cidadania em Língua Portuguesa, concedido na Alemanha, pela Deustche Welle.
Jornal Gente comemora 35 anos no ar
No ar desde 18 de abril de 1978, o programa comemorou na última 5ª.feira 35 anos no ar. A edição especial de aniversário relembrou Joelmir Beting, que fez parte do trio original de apresentadores, ao lado José Paulo de Andrade e Salomão Ésper, que estão presentes na bancada desde o início. Rafael Colombo, que há três anos divide a bancada com Zé Paulo e Ésper, diz que é um prazer dividir o programa com “dois mestres” e que ali aprende muito mais que em um longo curso de pós-graduação. Opinativo, Jornal Gente é um debate entre os apresentadores sobre os principais destaques do dia. A atração também conta com os correspondentes Luiz Megale, em Nova York, e Milton Blay, em Paris, e participação dos colunistas José Silvério, de Esportes, e do ex-ministro da Fazenda Delfim Netto. Jornal Gente vai ao ar de 2ª a sábado, das 8h às 10h, pela Rádio Bandeirantes.
Reportagem do Pioneiro (RS) resulta em seis adoções
Uma reportagem publicada no Natal do ano passado no jornal Pioneiro, de Caxias do Sul, viabilizou a adoção de seis adolescentes nos últimos quatro meses. Produzida pelo repórter Adriano Duarte, a reportagem trouxe as histórias de três menores que não encontravam famílias dispostas a adotá-los, por estarem fora da faixa etária de interesse de pais adotivos. Após sua veiculação, leitores procuraram a Casa Lar Padre Oscar Bertholdo, de Farroupilha, e que havia sido citada na matéria, dando início a processos de aproximação. Além dos três menores mostrados na edição de dezembro, outros três acabaram conquistando famílias gaúchas e catarinenses, e no último final de semana uma nova matéria foi publicada pelo jornal, mostrando como está um dos meninos adotados. Esta não é a primeira reportagem de Adriano sobre adoção. No ano passado o repórter já havia sido condecorado com prêmios de direitos humanos por abordar o mesmo tema em outras reportagens.
Auto Motor Vrum chega também ao Rio Grande do Norte
O programa Auto Motor Vrum, comandado há 13 anos por Jorge Morais e exibido nos estados de Pernambuco e Paraíba, passa a contar a partir do próximo domingo (28/4) também com uma edição exclusiva para o Rio Grande do Norte. Dentre as novidades da atração, que irá ao ar semanalmente a partir das 10h pela Band Natal, destaque para um quadro de entrevistas comandado por Fernando Siqueira, editor e colunista do caderno de Veículos da Tribuna do Norte, de Natal, e reportagens de Bruno Vasconcelos (81-2122-7501 e [email protected]), editor-assistente do caderno de automóveis do Diário de Pernambuco, ao lado de Jorge, também seu editor. Além de material exclusivo para o público potiguar, o programa contará com as reportagens especiais realizadas para as outras duas praças. Em sua estreia no RN, o público poderá acompanhar matéria produzida no Centro de Testes do Grupo Fiat, em Arjeplog, na Suécia, que levou um grupo de jornalistas brasileiros ao Círculo Polar Ártico no começo de março. “Os quadros já consagrados nos 13 anos de programa também estarão em Natal, como Meu carro, minha paixão, que conta a história de amor entre os carros antigos e os seus donos, e Planeta Carro, revelando os segredos das montadoras”, explica Morais.
Luiz Eduardo Rezende é o novo gerente de Jornalismo da Band-RS
A Band-RS anunciou na última semana o nome de Luiz Eduardo Rezende como novo gerente de Telejornalismo da emissora. Ele deixa o SBT, onde desde 2010 era editor executivo do SBT Rio Grande, e havia ajudado a implantar a versão matutina do jornalístico, e por lá também acumulou a função de chefe de redação. Esta será sua segunda passagem pelo grupo, onde em 1994 começou sua carreira como redator na Rádio Bandeirantes. Esteve por 12 anos no Grupo RBS, onde editou e dirigiu os programas Galpão Crioulo, Garota Verão, Anonymous Gourmet e Patrola, e durante três anos, atuou no Canal Rural. Antes de sua ida para o SBT, atuou em 2008 como editor do Balanço Geral, da TV Record. Em entrevista ao Coletiva.net, o Luiz Eduardo falou sobre esse novo desafio. “A Band respira Jornalismo e tem muita tradição no ramo, o que é inspirador e renovador para qualquer jornalista. O desafio, junto com meus novos colegas da emissora, é fazer o respeitado Jornalismo da Band chegar a novos lares, conquistando mais telespectadores, sem perder suas diretrizes”, explica.
Memórias da Redação – A morte misteriosa de Castelo Branco
A história desta semana é uma reprodução autorizada de um trecho do livro Eu vi, que Helle Alves lançou na última semana em São Paulo. A morte misteriosa de Castelo Branco Na tarde de 1° de abril de 1964, ao chegar ao jornal vi meus colegas alvoroçados, amontoados numa mesa com o rádio ligado. Eram notícias da Revolução de 64, só anunciada dia 1° de abril, mas com os fatos apontando a véspera, 31/3, dia por que ficou conhecida. O Brasil ingressava numa fase escura, que iria durar 21 anos. E apenas 19 anos depois da abertura de 1945. O primeiro presidente da República nomeado pelo Congresso Nacional, já “limpo” de seus representantes “nocivos”, foi Humberto de Alencar Castelo Branco, um cearense nascido em Fortaleza, no dia 20/9/1887. Homem duro, austero e de fisionomia trancada, foi muitas vezes a atos públicos em São Paulo e outras cidades. Todos diziam que ele era competente e honesto e não sei de nada que conteste essa opinião geral. Apenas uma vez ele me marcou como uma pessoa insensível. Foi em Campinas, na inauguração de um conjunto habitacional que o governo entregou aos operários e o fato não tem nada a ver com as palavras dos discursos, iguais a todas. Foi depois, quando ele já esperava o carro oficial, numa esquina. Havia escolas na rua, de duas delas vieram correndo até ele bandos de crianças, gritando a plenos pulmões: “presidente, presidente”. Acompanhei bem: ele não deu atenção, sequer viu ou ouviu as crianças que chegaram a encostar nele. O presidente simplesmente entrou no carro e partiu, inatingível. Quero contar como foi a minha cobertura sobre a misteriosa morte de Castelo Branco e do acidente aéreo que o matou, em Fortaleza, no dia 18 de julho de 1967, apenas quatro meses depois de ele passar a faixa ao marechal Costa e Silva, segundo presidente da Ditadura Militar. Cheguei na redação às 12h de um dia muito frio de inverno e recebi ordens de fazer o necrológio do ex-presidente, falecido havia poucas horas em Fortaleza, de desastre aéreo. Nem comecei a pesquisa e fui chamada às pressas com a ordem de estar no aeroporto de Congonhas para pegar um voo para Fortaleza às 13 horas. Também recebemos ordens, eu e meu fotógrafo, de pegar na TV Associada de Iá um vídeo gravado contendo a reportagem que eles fizeram no local do acidente. Lá fomos nós, eu vestida como um urso: uma saia e um grosso pulôver de Iã em cima do corpo, sem blusa por baixo, o que não era meu costume, botas longas e meias de Iã. Eis como fui parar no Ceará. Lá, diretamente para o velório do ex-presidente, trabalhei o dia todo. O VT do acidente aéreo foi trazido a São Paulo pelo governador Abreu Sodré, meu velho conhecido desde seus tempos de deputado estadual, e que estava presente ao velório. Nosso governador regressou a São Paulo em avião oficial no mesmo dia e nós ficamos em Fortaleza para cobrir o funeral e levantar os detalhes do acidente. Fizemos a cobertura do velório, com a presença de muitos governadores e ministros e no dia seguinte continuamos depois de comprar roupas de verão (que alívio!). Em nosso trabalho levantamos sérias suspeitas de que o acidente aéreo que matou Castelo Branco tinha sido tramado. Assistindo ao enterro do piloto do avião acidentado, encontramos a família muito revoltada. Ouvi da esposa, de familiares, amigos e colegas presentes a seguinte história: o ex-presidente havia regressado há pouco do exterior e fora visitar sua amiga, Raquel de Queiroz, em Quixadá, de trem. Mas o trem em que Castelo viajava havia sofrido um atentado. Por isso, ele não quis voltar de trem e pediu ao governador que mandasse o jato buscá-lo. O ex-presidente estava sendo perseguido pela ala chamada “linha dura” do presidente Costa e Silva, a quem não havia apoiado e foi voto vencido na cúpula militar. A família do piloto morto tinha a certeza de que o acidente não foi casual, mas provocado. Contaram-me como as coisas aconteceram e eu anotei com todos os nomes e os depoimentos entre aspas. Pediram-me inclusive que procurasse no hospital o copiloto, que sobreviveu ao acidente e estava internado. Procurei-o e ele me confirmou toda a história: o avião já estava entrando no campo de pouso do aeroporto de Fortaleza quando encontrou um treinamento da Aeronáutica constituído de cinco jatinhos voando em formato de estrela. Nesse tipo de voo, só o avião-madrinha controla o trajeto; os outros quatro jatinhos voam de olho na asa do madrinha. Naquele dia especificamente, o jatinho lateral que colidiu com o avião sinistrado era pilotado por um cadete filho de militar do grupo de Castelo (a ala chamada da Sorbonne), enquanto o piloto do avião madrinha pertencia à “linha dura”, ala de Costa e Silva. Com o acidente e morte do ex-presidente, quem iria responder pela colisão seria o cadete do jatinho lateral, cuja inocência seria facilmente comprovada e a colisão considerada acidente, e o complô ficaria impune. Além disso, aquele espaço aéreo era especifico da aviação comercial. Ninguém sabia explicar porque naquele dia estava sendo usado para manobras militares. Com esta explicação, colocando todos os respectivos nomes e entre aspas todas as conclusões, ilações e deduções, mandei a matéria para o meu jornal, em São Paulo. Por sorte, meus chefes barraram a publicação dessa reportagem. Caso contrário, eu teria sido presa e mandada para Fernando de Noronha, onde o colega Helio Fernandes, do jornal carioca Diário de Notícias, já estava cumprindo pena por artigo sobre o expresidente. Hoje escrevo o caso como me foi contado na época, mas sem dar nomes aos personagens.







