Âncora do Jornal da Manhã, ao lado de Joseval Peixoto, desde julho passado, Adalberto Piotto deixou a Jovem Pan de São Paulo na última 6ª.feira (28/11). Em seu perfil no facebook, o apresentador confirmou a sua saída da rádio: “Por decisão minha, pessoal, me afasto hoje do Jornal da Manhã, da Jovem Pan. Foi um privilégio ter participado dessa equipe grandiosa no jornalismo. Volto temporariamente a me dedicar exclusivamente a investigar o pensamento brasileiro nos meus outros trabalhos e projetos, a maioria ligada a produções de web TV e cinema de documentários e à pesquisa para um livro do Orgulho de ser brasileiro, tema de meu primeiro filme”. “A parada será rápida desta vez. Pretendo voltar ao jornalismo logo no inicio do ano que vem. Agradeço aos colegas de Pan, aos amigos daqui e aos ouvintes que me acompanharam nesta volta ao rádio”, finalizou o jornalista no post.
Rodrigo Borges deixa a ESPN e segue para Nova York. Fabio Chiorino o substitui
Rodrigo Borges deixa após um ano e meio a ESPN, onde vinha exercendo a função de editor-chefe do site ESPN FC, portal de blogs feito por torcedores de times de futebol nacionais e internacionais. Com passagens por Lance, Destak e extinta revista ESPN, participou da implantação do projeto e está de mudança para Nova York, onde estudará e atuará como freelancer. Seu contato pessoal é [email protected]. Para assumir a vaga no ESPN FC chega Fabio Chiorino, que, assim como Borges, é um dos editores do Esporte Fino, blog na rede há seis anos e hoje parceiro de CartaCapital. Fabio vinha há nove anos atuando na área de comunicação corporativa na XComunicação. Na ESPN, tratará diretamente com Gian Oddi, editor-chefe do espn.com.br.
Isabel Clemente lança livro de crônicas sobre aflições de mãe
Colunista e editora de Época, Isabel Clemente mostra suas aflições de mãe em A pior mãe do mundo: uma biografia não autorizada de todos nós, livro que lança pela editora 5w. A obra, segundo a autora, “reúne minhas melhores crônicas publicadas no site da Época, do qual sou colunista, e outros muitos textos inéditos sobre essa aventura, repleta de desafios e emoção”. Formada em Jornalismo pela PUC do Rio, Isabel começou a carreira no DCI. Foi repórter da Folha de S.Paulo, além de repórter e editora-assistente do Jornal do Brasil antes de chegar à Época, em 2003, onde é editora especializada em Política, Economia e Social. Em Brasília, onde morou por cinco anos, quando correspondente de Época por lá, a noite de autógrafos será em 8/12, na Livraria Cultura do Casa Park (SGVC, 22 – Guará), às 19 horas. “Esse livro é meu lado divertido, que não pretende informar, mas fazer sentir. É minha porção ‘cronista’”, finaliza Isabel.
Meio&Mensagem muda estrutura editorial
Divisão da redação em dois núcleos, nova empresa do Grupo e cortes na equipe marcam a mudança O Grupo Meio&Mensagem reestrutura sua área editorial para “se tornar mais competitivo”. A redação é agora dividida em dois grandes pilares: Conteúdo e Estratégias Digitais. Sob comando de Alexandre Zaghi Lemos e Jonas Furtado, Conteúdo concentra a produção editorial para todas as plataformas e produtos: edição semanal impressa, site, tablet e edições especiais e regionais. Felipe Turlão, Igor Ribeiro e Sergio Damasceno foram promovidos a repórteres especiais, com o objetivo de de imprimir ainda mais análise e profundidade no conteúdo editorial. A divisão de Estratégias Digitais será comandada pela ex-editora executiva Lena Castellón, agora responsável pelo desenvolvimento de canais de audiência, ferramentas e produtos digitais. Ela contará para isso com um suporte tanto da parte de analytics quanto de profissionais de tecnologia. Estratégias de branded content e criação de formatos de native advertising também estarão sob a supervisão de Lena. Como desafio primeiro, deverá liderar o projeto de relançamento do site de Meio&Mensagem, previsto para o primeiro semestre de 2015. Lena, Alexandre e Jonas respondem à diretora editorial Regina Augusto. “Esse é um modelo novo de redação, que aponta para um futuro em que cada vez mais a produção de conteúdo tem que estar completamente atrelada às possibilidades de entrega e de segmentação de audiência trazidas pelas plataformas digitais”, disse em nota Marcelo Salles Gomes, vice-presidente executivo do Grupo. “Passamos os últimos meses desenhando esse novo formato da área que é o coração da nossa empresa e estamos confiantes de que tais mudanças nos preparam de maneira mais orgânica para as mudanças que já estão em curso no mundo da mídia”. Outra alteração é que a ProXXIma deixa de ser uma unidade independente de negócios. A edição semanal da revista em tablet será extinta a partir de janeiro e a edição impressa trimestral deixa de ter periodicidade regular e passa a compor o calendário de Especiais do portfólio de M&M. O evento ProXXIma permanece e tem sua edição de 2015 marcada para o mês de maio. Pyr Marcondes, que até então respondia pela direção geral da plataforma ProXXIma, assume o comando da nova empresa do Grupo, a M&M Consulting. A operação chega ao mercado para oferecer a agências, anunciantes e grupos de mídia soluções e gestão de implantação de projetos de modelagem digital, tecnologia e inovação. Por conta dessa reestruturação, deixam a casa as editoras Eliane Pereira e Andrea Martins, respectivamente, responsáveis por projetos especiais e mercados regionais; o editor executivo de ProXXima José Saad; o editor de fotografia Eugênio Goulart; a repórter Nathalie Ursini; e o designer Leandro Figueiredo.
Cerimônia de posse da nova diretoria da ABI acontece nesta 2ª.feira
A Associação Brasileira de Imprensa (ABI) realiza nesta 2ª.feira (1º/12) cerimônia de posse de sua nova mesa diretora, presidida por Domingos Meirelles. A solenidade será às 17h, no Teatro Ginástico (av. Graça Aranha, 187), no Rio de Janeiro. Também compõem a diretoria executiva Paulo Jerônimo de Sousa, o Pajê (vice-presidente), Orpheu Santos Salles (diretor Administrativo), Ana Maria Costábille (diretora Econômico-financeira), Jesus Chediak (diretor Cultural), Arcírio Gouvêa (diretor de Assistência Social) e Eduardo Ribeiro (diretor de Jornalismo).
Vaivém das Redações!
Veja o resumo das mudanças que movimentaram nos últimos dias redações de Distrito Federal, Minas Gerais e Ceará: Distrito Federal André Giusti ([email protected]) assumiu há pouco a Direção de Redação da Agência Brasileira do Rádio. Por lá também, Ivana Sant’Anna ([email protected]) atua como chefe de Redação e conta na reportagem com Alexandre Penido, Fábio Ruas, Karina Chagas, Storni Jr., e Thamyres Nicolau, além do estagiário Victor Alves. O atendimento aos radialistas é feito por Lilian Queiroz ([email protected]). Minas Gerais Luiz Henrique Yagelovic aposentou-se na CBN FM e deixou a Gerência de Jornalismo da emissora, onde estava há 17 anos. Antes, passou pelas tevês Manchete e Globo. Juliana Alvim ([email protected]), ex-TV Globo e CBN Brasília, assumiu o cargo. Amilcar Brumano desligou-se do Hoje em Dia depois de 14 anos de atuação. Desde 2011 editor do Horizontes, antigo Minas, foi substituído por Igor Guimarães Silva (31-3236-8079 e [email protected]). Embora analise propostas de trabalho, pretende descansar até janeiro. Seus contatos são [email protected], twiter amilcar_brumano e facebook Amilcar Brumano. Liliane Correa (31-3263-5103 e [email protected]), que vinha coordenando o Núcleo de Novas Mídias do Estado de Minas, volta para a edição do caderno de Economia do veículo. Junior Moreira (31-2122-2513 e [email protected]) que assumiu a produção do Alvorada Cultural na Alvorada 94,9 FM, entrou no lugar de Brenda Lara, agora na edição do jornal Primeira Edição e nas entrevistas culturais de fim de semana. O contato dela é [email protected]. Ceará Jamily Dantas deixou a TV União e está em busca de novas oportunidades. A TV O Povo estreou o programa Faixa Conexão com os jornalistas Ciro Câmara, Ana Flávia Gomes, Juliana Castanha, Joelma Leal, Roberta Philomeno, Alexandra Souza, Marcos Sampaio, Henrique Araújo, Marcos Tardin e Francisco Campelo. O programa vai ao ar de 2ª a 6ª.feira, das 21h às 22 horas.
Prêmio Abrafarma de Jornalismo anuncia vencedores e prêmios especiais
A Abrafarma – Associação Brasileira de Redes de Farmácias e Drogarias anunciou os vencedores da primeira edição do Prêmio Abrafarma de Jornalismo, que além dos prêmios concedidos pelo júri contempla dois especiais da própria entidade.
Os vencedores foram:
Categoria Grande Imprensa:
1º lugar: Cleidi Pereira (Zero Hora), com Má gestão resulta em toneladas de medicamentos vencidos no RS
2º lugar: Carolina Samorano (Revista do Correio – Correio Braziliense), com A droga da discordância
3º lugar: Cecília Dionizio (Diário da Região – São José do Rio Preto/SP), com Toma esse remedinho que é ótimo
Prêmio Especial Abrafarma – Erica Ribeiro (Brasil Econômico), com Conveniência no varejo de farmácias vai mudar perfil das lojas no País
Categoria Imprensa Especializada: Egle Leonardi (Anuário ICTQ 2014), com Debates com o ICTQ enriquecem a discussão sobre prescrição farmacêutica
Prêmio Especial Abrafarma – Flávia Corbó (Guia da Farmácia), com Negócio de gente grande
O Prêmio Abrafarma de Jornalismo recebeu nesta sua primeira edição a inscrição de 82 trabalhos e, destes, 45 foram selecionados pela Comissão de Seleção e julgados pela Comissão de Premiação, integrada pelos jornalistas Moises Rabinovici, Marcelo Bonfá e Nair Suzuki, sob a coordenação de Lena Miessva, de Jornalistas&Cia, com apoio de Leandro Luize, da agência de comunicação Scritta – correalizadoras do prêmio.
Ele foi criado com o objetivo de gerar reflexões e análise do varejo farmacêutico brasileiro, com o propósito de melhorar o nível de informação, consciência e percepção da sociedade, como também de contribuir para o próprio desenvolvimento deste segmento econômico. O valor total das premiações foi de R$ 31 mil, já descontados os impostos.
SJSP oferece palestra sobre investigação no setor público
O Departamento de Formação Profissional do Sindicato dos Jornalistas de São Paulo e a Escola do Tribunal de Contas do Município de São Paulo oferecem em 2/12, das 9h às 12h, no Auditório da Escola (av. Prof. Ascendino Reis, 1.130 – portaria B), a palestra gratuita A importância da investigação no setor Público. Ela será conduzida por Moacir Assunção e Pedro Del Picchia, que apresentarão ações de investigação e práticas de fiscalização exercidas pelos tribunais de contas que contribuem para que os profissionais de imprensa realizem de forma adequada a cobertura de assuntos relacionados à administração pública. Interessados devem enviar e-mail para [email protected]. Profissionais sindicalizados, estudantes de Jornalismo pré-sindicalizados e ex-participantes dos cursos e palestras do Sindicato devem enviar nome completo e telefones para contato; profissionais não sindicalizados devem enviar nome completo, formação (faculdade e ano que se formou), MTb, data de nascimento, empresa onde trabalha, função e telefones; e estudantes de Jornalismo devem enviar nome completo, data de nascimento, faculdade, período/semestre que estão cursando e telefones. Mais informações no Departamento de Formação Profissional, com Marlene ou Daniela, de 2ª a 6ª, das 10h às 18h, pelo 11-3217-6294 ou 6299, ramal 6233.
Grupo Boticário é Empresa do Ano no Prêmio Aberje
Em cerimônia na noite desta 5a.feira (27/11), em São Paulo, a Associação Brasileira de Comunicação Empresarial divulgou os vencedores das 17 categorias nacionais do Prêmio Aberje.
Na cerimônia também foram entregues os prêmios Mídia do Ano, para a Rede Globo, Comunicadores do ano, Educador do ano (Luiz Alberto de Farias) e Empresa do ano em Comunicação Empresarial (Grupo Boticário).
A Netshoes, com o case Agora somos esporte – o marco de posicionamento da Netshoes com a imprensa, foi a grande vencedora na categoria Relacionamento com a Imprensa.
E a Abril Educação venceu na categoria Comunicação e relacionamento com o público interno, com o case MUDE – Faça acontecer. Enseada, Triunfo Cocepa e TOTVS venceram em duas categorias cada.
Veja a lista completa:
- Comunicação de Marca – TOTVS, com Processo de branding da TOTVS
- Comunicação de Marketing – Sicredi, com Sicredi Touch: a conta jovem do Sicredi
- Comunicação de Programas voltados à Sustentabilidade Empresarial – Coelce, com Conta Verde
- Comunicação de Programas, Projetos e Ações Culturais – O Boticário, com Festival O Boticário na Dança
- Comunicação de Programas, Projetos e Ações Esportivas – SECOPA-MT, com Mundial 2014: Cuiabá vira o jogo e ganha a Copa
- Comunicação e Organização de Eventos – Enseada, com Dos terreiros dos quilombos à efervescência de uma festa literária: contos orais são imortalizados em livros
- Comunicação e Relacionamento com a Imprensa – Netshoes, com Agora somos esporte – O marco de posicionamento da Netshoes com a imprensa
- Comunicação e Relacionamento com a Sociedade – Enseada, com Coleções de livros reforçam identidade quilombola e disseminam valores culturais, ambientais e humanísticos
- Comunicação e Relacionamento com o Consumidor – Grupo Marista, com Circuito Projeto de Vida – Muito além da profissão
- Comunicação e Relacionamento com o Público Interno – Abril Educação, com MUDE – Faça acontecer
- Comunicação e Relacionamento Internacional – Embraco, com WISEMOTION – Uma história em doze idiomas
- Comunicação Integrada – Companhia de Eletricidade do Estado da Bahia, com Coelba com você no Carnaval
- Responsabilidade Histórica e Memória Empresarial – Oi Futuro, com Museu das Telecomunicações Oi Futuro
- Mídia Audiovisual – EDP, com EDP ON TV – Televisão Corporativa da EDP Brasil, e Triunfo Concepa, com Dia das Mães: histórias de carinho, força e dedicação
- Mídia Digital – Triunfo Concepa, Tecnologia na estrada
- Mídia Impressa – TOTVS, com Projeto revista TOTVS Experience
- Publicação Especial – Memória da Eletricidade, O rio Tocantins no olhar dos viajantes: paisagem, território, energia elétrica
Memórias da redação ? O amestrador de rola-bosta
Plínio Vicente, ex-Estadão, hoje atuando no Jornal de Roraima, volta a colaborar com este espaço com uma história que se passa no monte Roraima, hoje muito comentado em função da telenovela Império, da Rede Globo. Ele diz, porém, que a realidade do monte nada tem a ver com o que a novela mostra. O amestrador de rola-bosta O Cotingo herda o Uailan, de curta distância entre seu nascedouro no monte Roraima e as fraldas da cadeia de montanhas do maciço das Guianas, e desce cortando o lavrado em busca do Surumu, já em terras de Pacaraima. Lar da cruviana, vento alísio de Nordeste que varre a região no inverno do hemisfério norte, a vasta savana abriga centenas de comunidades indígenas e algumas famílias mestiçadas. Umas com pai branco e mãe índia, outras originadas da união de índio com branca, consequência do surgimento de sítios e fazendas que foram sendo implantados ao longo dos últimos dois séculos. Foi ali, nas proximidades do Santo Antônio do Pão, que nasceu Erenildo, o Nildinho, filho de Erenuê e Zenildo. Sempre foi menino esperto, que se destacou da ruma de irmãos pela inventividade, seu jeito moleque de fazer as coisas. Construía seus próprios brinquedos, sabia plantar, capinar e roçar como gente grande e desde pequeno já bodocava passarinho na floresta e flechava peixe nas correntezas, remansos e poços do Maú. Para orgulho do pai, paraense tocador de sítio arrendado no pé da serra que divide Brasil, Venezuela e Guiana, e para desespero da mãe macuxi, roceira de mãos calejadas e tez curtida pelo sol na labuta diária, incansável na busca de uma vida melhor e segura para os oito filhos nascidos todos naquele fim de mundo. A família sempre se deu bem com os índios da serra. Trocavam mercadorias, se valiam das mezinhas e pajelanças, visitavam-se constantemente e com o tempo meninos e meninas foram incorporando, de cada lado, aos seus costumes, os hábitos da outra raça. Areruia, parixara e damurida passaram a ser música, dança e comida na casa cabocla; nas malocas tornaram-se comuns os jogos de bola, o boi bumbá e as pastorinhas. Foi nessa convivência que Nildinho aprendeu um oficio no mínimo inusitado na região norte de Roraima. A terra indígena Raposa/Serra do Sol sempre atraiu um grande número de pessoas de fora do Estado, que passaram a visitar a serra por vários motivos, principalmente por causa do processo de demarcação. A maioria, por dever de ofício, andava por lá para conhecer em seu habitat os índios que ficariam famosos no Brasil e no mundo como personagens de um controvertido e arrastado processo levado a julgamento no Supremo Tribunal Federal. Por sinal, a decisão do STF, que mandou tirar todos os brancos dessa área, não valeu para Nildo e Erenuê. Queridos por todas as etnias indígenas, não houve quem convencesse os nativos a cumprir a decisão da Corte Suprema do País. Nem Funai, Polícia Federal, Ministério Público, ninguém. Assim, Nildinho continuou brincando com seus amigos e meio parentes ingaricós, macuxis, patamonas, taurepangues e uapixanas. Com a chegada das monções, ali pelos meados de abril, na primeira estiagem ele ia à aldeia onde morava Aiuruê, seu melhor amigo. A diversão da hora era perambular pelas pastagens atrás de besouros rola-bosta (Dichotomiusschiffleri), bicho enorme, negro, disputando para ver quem encontrava o maior deles, que pode chegar a mais de 15 centímetros. Dependendo da sorte, podiam terminar a caçada com um monte deles. Assim, Nildinho passou a ter em casa, numa caixa de papelão, no meio do esterco de boi, um monte de besouros. Não demorou e os insetos passaram a ser seus bichinhos de estimação e o menino pôde então exercitar o ofício de amestrador de rola-bosta. E depois de muita insistência e paciência, fazê-lo puxar carrocinhas que construía com caixas de fósforos. Demorava, mas conseguia. A vida desse besouro não dura muito. Seu papel na natureza é cavar um buraco, enrolar esterco em bolas que leva para dentro do ninho onde a fêmea vai depositar os ovos. Aliás, seu último ato em vida é fecundar a fêmea, que o mata em seguida e leva seu corpo para alimentar a ninhada. Assim, com o passar do tempo, o inseto começa a se incomodar com a prisão. O instinto é sempre o de fugir, ir atrás de esterco e cumprir o seu papel de macho e de futuro pai. Certo dia, voltando de uma pescaria, Nildinho e Aiuruê encontraram nas praias do Maú alguns cascos de filhotes de tartaruga da Amazônia (Podocnemis expansa), certamente devorados por trinca-ferros e outros predadores ao tentarem vencer dramaticamente a distância entre o ninho e a calha do rio. Foi quando Nildinho deixou vazar sua criatividade ao bater-lhe a ideia de fazer o besouro arrastar o casco como se fosse uma tartaruga fantasma, um zumbi. Então, sua maior diversão passou a ser a treinar alguns rola-bostas para fazê-los andar com o casco nas costas. Uma tarde, enquanto brincava, chegaram visitantes da cidade e um deles ficou impressionado com aquilo. Perguntou a Nildinho como o casco se movia sem ter uma tartaruguinha dentro? “É um casco encantado, mágica de índio”, inventou. “Me vende?”. “Vendo”. “Quanto custa?”. Nildinho olhou para o sujeito e viu que o lucro seria fácil: “Dez reais”. Recebeu o dinheiro e entregou o casco, tomando o cuidado de não revelar o segredo. “Para andar tem que fazer o quê?”, perguntou-lhe o ingênuo comprador. “Diga só painikon três vezes (em macuxi quer dizer vamos). Só isso”. Algumas horas depois o comprador voltou com o pequeno casco na mão e reclamou com Nildinho: “Não tem encanto nenhum. Painikon, painikon, painikon e o bicho não anda. Tome de volta e me devolva dinheiro”. O menino deu um sorriso, foi no quintal, pegou um rola-bosta, escondeu-o sob o casco de tartaruguinha e o fez andar. O sujeito não se conteve e tanto insistiu que ele acabou lhe contando o segredo: “Ah, então é isso! Pois me venda também o besouro”. Nildinho foi curto e grosso: “Vendo, mas são cem reais”. O turista quis saber por que o inseto custava tanto: “Doutor, não é fácil treinar um rola-bosta. Dá um trabalho danado…”.






