“Declaro formalmente o Sr José Marques de Melo anistiado político brasileiro, por decisão unânime desta Comissão de Anistia. Neste momento, o Estado Brasileiro formaliza o pedido de desculpas pelas perseguições, pela prisão, pelo tempo em que esteve afastado do seu emprego e por todos os reflexos causados também à sua família”. Com essa declaração, feita em 13/7 por Paulo Abrahão, presidente da Comissão Nacional de Anistia, representando no ato o Estado Brasileiro e o Ministério da Justiça, chegou ao fim a saga de perseguido político de um dos mais importantes cientistas e pensadores do Jornalismo brasileiro, José Marques de Melo, cofundador de ECA-USP, Intercom e Orbicom, primeiro doutor em Jornalismo do Brasil e titular, há 20 anos, da Cátedra Unesco de Comunicação na Universidade Metodista de São Paulo. Na sessão, a que não pôde comparecer por problemas de saúde, ele foi representado pelo filho Marcelo Briseno Marques de Melo e pela nora Priscila Zerbinato Marques de Melo. Os autos do processo de anistia serão agora encaminhados, por recomendação do relator Manuel Severino Moraes de Almeida, para a Comissão da Verdade na USP, com a finalidade de “contribuir para o desenvolvimento dos trabalhos e acesso ao direito à memória e à verdade da mesma instituição”. José Marques de Melo: retrospectiva e homenagens ao mestre de várias gerações Retrospecto – Marques de Melo iniciou sua trajetória intelectual como jornalista no começo dos anos 1960, engajando-se no movimento estudantil no Recife. Integrou a delegação pernambucana que participou do histórico Congresso da UNE no Hotel Quitandinha (Petrópolis). Foi protagonista de episódios como a mobilização da imprensa para cobrir as visitas de Célia Guevara e Joffre Dmazedier ao Nordeste. Integrou a equipe do Governo Miguel Arraes, atuando nas áreas de educação e cultura. Preso e processado pelos golpistas de 1964, migrou para São Paulo, contratado como professor da Faculdade de Jornalismo Cásper Líbero. Ainda na capital paulista passou no concurso da USP para integrar o corpo docente fundador da Escola de Comunicações Culturais. Em ambas as instituições, enfrentou resistências e sofreu perseguições, encabeçando a lista dos perseguidos pela ditadura. Antecipando-se à decisão histórica da Comissão Nacional de Anistia do Ministério da Justiça, a Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação – Intercom acolheu proposta no sentido de homenagear o fundador da entidade publicando a coleção Fortuna Crítica de José Marques de Melo (São Paulo, Intercom), que reúne textos exegéticos da sua obra acadêmica, escritos por mais de uma centena de colegas e discípulos, em quatro volumes: 1 – Jornalismo e Midiologia; 2 – Teoria e Pesquisa da Comunicação; 3 – Comunicação, Universidade e Sociedade; e 4 – Liderança e Vanguardismo. A organização coube a Osvando J. de Morais, Sonia Jaconi, Eduardo Amaral Gurgel, Iury Parente Aragão e Clarissa Josgrilberg Pereira. A coleção está sendo doada a bibliotecas e centros de pesquisa em comunicação de todo o País, simbolizando o espírito de luta do Guerreiro Midiático (como foi caracterizado o professor Marques de Melo por seu biógrafo Sergio Mattos). Homenagens – No próximo dia 20/8, Marques de Melo receberá o título de Doutor Honoris Causa pela Universidade Estadual de Alagoas. Ainda não foi agendada a solenidade em que a Universidade Federal do Piauí outorgará a ele semelhante comenda. Em 5/9, às 19 horas, durante o 38º Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação, no Rio de Janeiro, ele receberá das mãos de Francisco Sierra, diretor do Ciespal, a Medalha de Ouro, que representa o reconhecimento da comunidade acadêmica aos mais importantes pensadores da comunicação na América Latina. Ao seu lado estarão também o boliviano Luis Ramiro Beltrán e o colombiano Jesus Martin Barbero.
Folha vai processar ex-repórter por acróstico ?chupa Folha?
Se era apenas uma brincadeira, para ser compartilhada com amigos íntimos, o acróstico “chupa Folha”, utilizado pelo ex-repórter Pedro Ivo Tomé no seu texto de despedida do jornal, virou coisa séria e poderá custar-lhe inúmeras dores de cabeça. O necrológio da assistente social Therezinha Ferraz Salles, de 87 anos, com os parágrafos iniciados com as iniciais “chupa Folha”, ganhou as redes sociais, comentários de todo tipo e até a coluna inteira da ombudsman Vera Guimarães Martins, no último domingo, 19 de julho. E mais, agora deve ganhar um processo na justiça movido pela própria Folha de S.Paulo, que, em comunicado, afirmou condenar veementemente a atitude de seu ex-repórter: “Ao usar uma reportagem para nela esconder uma mensagem ofensiva, ele foi irresponsável e antiético. Além disso, desrespeitou os leitores da Folha e os familiares da pessoa falecida que era personagem do texto. O jornal estuda ações legais que tomará contra o ex-funcionário”. Em sua coluna, Vera diz ter procurado Pedro por várias vezes, sem sucesso, e que dele só obteve o lamento por seu texto ter sido interpretado como ofensivo e que optou por sair do jornal – “onde aprendi muito, tive excelentes editores e fiz grandes amigos” – para buscar novos desafios. Pedro trabalhava na Folha desde 2012 na editoria de Cotidiano, que tem como titular Eduardo Scolese. Entrou ali pelo programa de trainées e havia assumido a seção do obituário apenas dois meses atrás. Há cerca de duas semanas, saiu para retomar a carreira de advogado (é formado na São Francisco) na área de compliance de um banco, onde havia trabalhado anteriormente. Deixou alguns obituários prontos, o último com o acróstico, que passou despercebido e foi publicado. “Nada mais natural”, assinala a ombudsman Vera, enumerando: “1) o repórter contava com a confiança de seus editores e, portanto, da empresa; 2) sua saída foi amistosa, sem nenhuma insatisfação ou frustração aparentes; e 3) quem procuraria pegadinhas em jornal se não soubesse de antemão que alguém as colocou ali?”. “Dois dias depois da publicação – prossegue –, a revelação da duvidosa façanha se espalhou pela internet, não se sabe se vazada pelo próprio autor ou por algum amigo. Fez a festa em blogs voltados para jornalistas, que descreveram a atitude como ‘brincadeirinha’, ‘saída em grande estilo’, ‘criativa’, ‘original’, ‘inusitada’… O mais surpreendente (ao menos para mim) é que, nas primeiras horas, a atitude só ganhou elogios e curtidas. Nenhuma menção à falta de ética jornalística, ao desrespeito aos leitores e à personagem, à quebra de confiança profissional.” Foram vários também os comentários nas redes sociais criticando veementemente a Folha de S.Paulo, dizendo que de certo modo ela provou de seu próprio veneno, por sua postura intransigente contra a obrigatoriedade do diploma para o exercício do jornalismo, daí ter entre seus jornalistas profissionais de outras áreas, como Pedro Tomé. O questionamento básico é: “Como exigir ética de quem não tem compromisso com a profissão?”
Prêmio Gabriel García Márquez anuncia vencedor brasileiro nesta 4ª.feira
O vencedor da edição 2015 do Prêmio Gabriel García Márquez de Jornalismo, categoria reconhecimento à excelência profissional, será anunciado nesta 4ª.feira (22/7) em São Paulo, às 9h, no Itaú Cultural. O Prêmio destaca as melhores reportagens publicadas em espanhol ou português nos países das Américas e na Península Ibérica, e conta com o apoio da Prefeitura da cidade de Medellín, de duas empresas colombianas (Sura e Bancolombia) e do canal Futura. A premiação se divide em cinco categorias: Texto; Imagem; Cobertura; Inovação; e Reconhecimento à excelência. Essa última, que destaca pela primeira vez a trajetória de uma jornalista brasileira, é concedida diretamente pelo Conselho Reitor do Prêmio a jornalistas de reconhecida independência, integridade e compromisso com os ideais de serviço público. Os demais ganhadores serão anunciados em cerimônia que vai acontecer em Medellín entre os dias 29 de setembro até o 1 de outubro.
Alexandre Alfredo começa na Suzano
Alexandre Alfredo deixou a Diretoria de Comunicação Corporativa da Nike, onde estava desde o início de 2014, e começou na recém-criada Diretoria de Comunicação Corporativa da Suzano Papel e Celulose, maior empresa de celulose da América Latina e quarta maior do mundo. Com uma equipe de 22 pessoas espalhadas por escritórios e unidades fabris em São Paulo (capital e interior), Bahia e Maranhão, além de operações internacionais em Argentina, Estados Unidos, Europa e Ásia, ele será responsável por toda a comunicação da empresa, que envolve o relacionamento com a imprensa, comunicação interna, mídias sociais, responsabilidade social e voluntariado, eventos e publicidade. “Meu principal desafio será o de estruturar a área, criando uma comunicação integrada a fim de contarmos as belas histórias que esta empresa, que é quase centenária, tem a oferecer para o Brasil e para o mundo”, afirma Alfredo. Jornalista de formação, atuou em redações no Brasil e nos Estados Unidos, e tem quase uma década de experiência em agências de comunicação. Trabalhou ainda por sete anos na GE América Latina.
Morre Sérgio Barreira Leitão
Morreu nesta 2ª.feira (20/7), no Rio de Janeiro, o cearense Sérgio Barreira Leitão. Ele se sentiu mal em casa, no Maracanã, e não resistiu. Com 50 anos de carreira, realizou diversas coberturas internacionais, viajando para mais de 70 países. Atuou em Brasil Herald, AP, Reuters, O Globo e foi assessor de imprensa na Coca-cola e na Firjan. Publicou as obras De Fortaleza ao Kremlin, Família Xavier e Maracanã – da tragédia à glória. Leitão deixa três (Leslie, Cassius e James) e quatro netos.
Abracom oferece o curso SAC digital
O programa de capacitação da Associação Brasileira de Agências de Comunicação (Abracom) abriu inscrições para o curso SAC Digital. Ministrado por Carol Terra – doutora e mestre em Interfaces Sociais da Comunicação, especialista em Gestão Estratégica da Comunicação Organizacional e Relações Públicas, todos pela ECA-USP – o curso será no dia 3/8, na sede da Abracom (R. Pedroso Alvarenga, 584 – Cj 21), em São Paulo. Entre os temas estão cenário e tendências de atendimento e relacionamento nas mídias sociais; modelos de atendimentos digitais; casos de sucesso no SAC digital; entre outros. As inscrições devem ser feitas por [email protected] ou 11 3079-6839.
ANJ e Knight Center oferecem curso online gratuito de jornalismo de dados
A Associação Nacional de Jornais e o Knight Center abriram as inscrições para o curso online gratuito Técnicas Básicas do Jornalismo de Dados, oferecido com o apoio do Google, de 3 de agosto a 6 de setembro. Em português, o curso será ministrado pelos coordenadores da Escola de Dados Marco Túlio Pires e Natália Mazotte, e pela repórter investigativa do jornal Houston Chronicle Lise Olsen, que apresentarão as principais técnicas e ferramentas utilizadas no jornalismo de dados. Os estudantes poderão escolher os dias e horários para acompanhar o curso, porém, cada módulo semanal tem prazo para entrega dos questionários e participação nos fóruns de discussão. Os participantes que concluírem o curso concorrerão a uma visita à sede do Google Brasil, na capital paulista, onde participarão em um seminário presencial sobre jornalismo de dados. Serão oferecidas pelo menos seis bolsas a jornalistas, professores e estudantes de jornalismo, com passagem, hotel e ajuda de custo aos bolsistas que venham de fora de São Paulo.
Vaivém das Redações!
Veja o resumo das mudanças que movimentaram nos últimos dias redações de São Paulo, Minas Gerais, Distrito Federal e Paraná: São Paulo Ana Vinhas, ex-Estadão, começou na equipe de Eduardo Reina na assessoria de imprensa da Artesp, contratada pela Blue PR, empresa que tem a conta da instituição. Ela está no lugar de Cristina Coghi, que foi para a Espanha acompanhar o marido, Fabio Marra (Folha de S.Paulo), num período sabático. Após dois meses de experiência no atendimento à conta da Audi pela Imagem Corporativa, Thais Villaça (11-3041-2888 e [email protected]) foi efetivada no posto. Ela passa a atuar de maneira fixa no escritório da fabricante em São Paulo, dando suporte ao time de Comunicação, que tem gerência de Christian Marxen e supervisão de Charles Marzanasco. Na agência, responderá à gerente de Comunicação Gladys de Paula (11-3526-4506 e gladys.depaula@) e contará com o suporte de Estefânia Basso (4521 e estefania@) no atendimento. A S2Publicom anunciou na última semana Fabrizio Leonardo (11-3027-0211 e [email protected]) como novo diretor de atendimento para área de produtos da Honda Automóveis. Com passagens por Volkswagen e JAC Motors, Fabrizio está na agência desde o começo do ano, onde atendia a contas do segmento de varejo. Minas Gerais Tatiana Lagôa, repórter do Diário do Comércio, e Karlon Aredes, editor de Economia de O Tempo, curtem o nascimento da primeira filha, Taís. Durante o período de licença-maternidade de Tatiana, sugestões de pauta podem ser encaminhadas para o editor do DC Eric Gonçalves no e-mail [email protected]. Izabella Dutra ([email protected]) passou a responder pela coluna Fique Ligado do Estado de Minas. No portal UAI, Valéria Mendes está de férias até 24/7, período em que Gabriella Pacheco ([email protected]) fica responsável pelas matérias do Saúde Plena. No Hoje em Dia, quem está de férias, até 4/8, é Raul Mariano. Sugestões de pauta podem ser enviadas para [email protected]. Distrito Federal Beth Fernandes acertou com o Instituto Intermerican de Cooperação para a Agricultura – IICA e passa coordenar a assessoria de imprensa da entidade, voltada integralmente para a realização de uma agricultura competitiva e sustentável para as Américas. Os contatos dela são [email protected] e 61-2106-5425. Paraná O Grupo RIC contratou Denian Couto como novo comentarista dos telejornais da casa. A informação foi publicada na última semana pelo blog Fabio TV, de Fabio Maksymczuk. Segundo a nota, Denian chega para participar diariamente do Paraná no Ar, transmitido pela RICTV Record, e também da programação da Jovem Pan Curitiba, interagindo com os apresentadores sobre os principais assuntos em pauta.
Paulo Bogado deixa Grupo Band RS e negocia ida de programa sobre automóveis para outra emissora
O Grupo Band RS promoveu na última semana uma série de mudanças no comando de algumas atrações da casa. Em uma das principais, deixou a casa o apresentador Paulo Bogado, que comandava a versão local do Brasil Urgente e era titular do Band Motores, programa exibido por TV e Rádio Bandeirantes, pela BandNews FM e ainda contava com versão impressa para o jornal Metro.
Criador do Band Motores, onde contava com o apoio do repórter Leandro Zanette, também desligado da emissora, Paulo já mantém negociações avançadas para levar a estrutura da atração para outra emissora: “Ainda não posso dar informações, mas acredito que nas próximas semanas já teremos tudo definido”. Paulo, além de jornalista, é professor universitário de Administração e acumula em sua carreira passagens por O Globo, Grupo RBS, Rede Record RS e Record News. Ele estava na Band desde 2011. Na apresentação do Brasil Urgente, foi substituído por Ribeiro Neto. Seus novos contatos são [email protected] e 51-9988-7712
Memórias da Redação ? Com as larvas no cangote
Com o estoque recomposto por diversos leitores que atenderam aos nossos apelos, esta semana publicamos nova história de Luiz Roberto de Souza Queiroz, o Bebeto ([email protected]), um de nossos mais assíduos colaboradores, ex-Estadão e que hoje atua com sua própria empresa de produção de conteúdo. Com as larvas no cangote Quando o Estadão me mandou fazer uma reportagem no Centro de Primatologia do Rio de Janeiro, em Guapimirim, onde estava sendo reproduzido o macaco-barrigudo que também respondia pelo nome de muriqui, o biólogo Alcides Picinatti, que dirigia a instituição, me pediu que levasse para o Zoológico de São Paulo alguns tenébrios para serem criados. O tenébrio é uma larva de uns três centímetros, que se alimenta de farelo de trigo, e embora atualmente seja vendido à vontade para pescadores que precisam de isca viva, naquele tempo (década de 1980) era um alimento raro e importante para mico-leão, sagui-de-bigode e outros primatas ameaçados. O diretor do Zoo, Mário Autuori, que me contratara como assessor de imprensa, precisava dos insetos e do know how para criá-los. Recebi uma latinha com farelo de trigo e umas duas dúzias das larvinhas que, para não morrerem no calor da Dutra, dentro do Fiat sem ar condicionado da Táta Gago Coutinho, seguiram viagem com a lata aberta, para terem ventilação. Depois de duas horas de estrada alguns tenébrios mais ousados deixaram a lata, subiram pelo encosto do banco e impressionados, como eu mesmo, pelo lindo pescoço da Táta – cangote, como se diz no interior –, resolveram passear por ali. A reação foi a esperada. O carro zigzagueou pela pista, parou no acostamento, ela saiu furiosa, jogando os bichinhos para todo lado e eu tive que implorar para que não me deixasse… com os tenébrios, no meio da estrada. Os tenébrios se adaptaram bem ao Zoo e, como só pensavam naquilo, se multiplicaram aos milhares, alimentando gerações e gerações de macacos. A história teve final feliz, mas como assessor de imprensa do Zoo tive problemas com a Táta também por causa do megalobulimus, o caramujo de quase um palmo que foi comum nos cafezais paulistas de antanho. O roteiro é quase o mesmo: fui fazer uma matéria como bichologista do Estadão – como diziam na redação – e o biólogo, que se não me engano criava cobra-do-milho vinda dos Estados Unidos, me pediu para ser o portador de dois caramujões, certamente benvindos à coleção do Zoológico. Cheguei a São Paulo num sábado à noite e, com o Zoo fechado, deixei as lesmas com algumas folhas de alface, no meu banheiro do apartamento de Moema. Bem alimentados, os bichos exploraram o ambiente, caminhando por todo o banheiro e deixando o tradicional rastro de gosma brilhante por todo o solo e as paredes azulejadas. Até achei bonito, o rastro do caramujo é iridescente e os bichos demonstraram sapiência, porque, como perdiam água junto com o muco que deixavam na parede, foram se hidratar no box do chuveiro. Apesar das minhas constatações científicas, fui expulso de casa com os caramujos, e isso depois de lavar o banheiro, tarefa a que não estou afeito. As descobertas “científicas” do Zoológico das quais participei foram muitas, como a que surgiu por causa de uma briga com o Tribunal de Contas, que não aceitava a despesa com escargot francês, glosou as notas, dizendo que era mordomia. Na realidade não era. O Zoo recebera uns lagartos cuja dieta era o caramujo que transmite a esquistossomose, que, é claro, não havia no Zoo. Comprados os caramujos franceses (escargot), os lagartos aceitaram a dieta importada e sofisticada, mas ficava caro e havia o problema com o Tribunal. Meu orgulho é ter participado da única tentativa bem-sucedida de “falsificar” o escargot. Pegávamos as conchas do caramujo, recheávamos com pedacinhos de filé de sardinha e os lagartos, que certamente não eram bons gourmets, por vários anos se alimentaram do pitéu falsificado.







