Morreu nesta quinta-feira (10/9) Claudio Carsughi, ícone do jornalismo esportivo, aos 93 anos. Ele estava há 27 dias internado lutando contra uma infecção respiratória, mas não resistiu. As informações foram divulgadas por sua filha, Claudia Carsughi, nas redes sociais.

Natural de Arezzo, na Itália, Carsughi chegou ao Brasil em 1946, ainda adolescente, após o fim da Segunda Guerra Mundial. Em São Paulo, formou-se engenheiro pela USP. A trajetória no jornalismo se iniciou ainda na adolescência, quando, aos 16 anos, Carsughi atuou como correspondente do jornal italiano Corriere dello Sport no Brasil, acompanhando os preparativos da Copa do Mundo de 1950. Ficou no jornal até 1964.

Em 1957, assinou com a rádio Panamericana, que posteriormente se tornaria a Jovem Pan, trabalhando com futebol. Um ano depois, porém, já estava atuando em diversos esportes, incluindo Fórmula 1 e assuntos relacionados à indústria automobilística. Após breve passagens pelas rádios Bandeirantes e Record, Carsughi retornou à Jovem Pan, onde trabalhou por mais de seis décadas. Na rádio, cobriu cinco edições consecutivas de Copas do Mundo, em 1970, 1974, 1978, 1982 e 1986.

Além da rádio, atuou também na imprensa escrita, na Gazeta Esportiva e no recém-lançado Jornal da Tarde, em 1965. E seguiu colaborando com publicações italianas, como Corriere dello Sport, Calcio e Ciclismo Illustrato, Tuttosport e La Stampa. Ao longo da carreira, uniu seus conhecimentos de jornalismo e de engenharia para analisar, de forma técnica e precisa, os novos automóveis que chegavam ao mercado. Carsughi testou e avaliou uma enorme quantidade de veículos produzidos no Brasil e no exterior e se tornou uma das maiores referências do jornalismo automotivo.

Em 1971 passou pela Editora Abril, trabalhando na revista Placar. Alguns anos mais tarde, em 1974, chegou à Quatro Rodas, onde permaneceu por 25 anos, responsável pela área técnica e de avaliação de automóveis da revista. Ao longo desses anos, teve contato intenso com fabricantes, engenheiros, pilotos e profissionais da indústria automobilística. Depois da Quatro Rodas, Carsughi foi editor executivo da revista Oficina Mecânica. Em 1995, fundou a revista Auto&Técnica e, um ano depois, passou a atuar como comentarista de futebol e Fórmula 1 na ESPN, função que exerceu até 2005.

Depois da ESPN, foi para o SporTV, onde atuou no programa Arena, comentando Fórmula 1, motociclismo e futebol. Em 2012, ao lado da filha Claudia, lançou o Site do Carsughi, no qual publicava conteúdos sobre a indústria automobilística, Fórmula 1, futebol e turismo. Em 2015, deixou a Jovem Pan e passou a trabalhar no portal UOL, nos espaços Canais Carsughi, UOL Carros e UOL Esporte. Pouco tempo depois, voltou ao rádio pela Rádio Nacional, e participou da programação esportiva da TV Brasil, especialmente no programa No Mundo da Bola.

A história da transformação da indústria de automobilismo no Brasil se confunde com a trajetória de Carsughi, que acompanhou de perto o setor, desde os primeiros automóveis, passando pela evolução dos motores, segurança, tecnologia embarcada, até temas mais recentes como a eletrificação. Foi o primeiro jornalista a ver e testar o Gol da Volkswagen.

Ao longo de toda a sua carreira, a Fórmula 1 foi a sua paixão, tendo atuado na cobertura de grandes momentos do esporte. Ao cobrir corridas, Carsughi não olhava apenas para o resultado ou o vencedor. Ele analisava o contexto, comentando sobre as particularidades dos carros, dos motor, estratégia pensadas e utilizadas ao longo da corrida, o comportamento dos pilotos e as circunstâncias que explicavam o desempenho. Foi um dos primeiros jornalistas a noticiar a morte de Ayrton Senna.

Em 2015, a filha Claudia criou o prêmio Carsughi L’Auto Preferita, como uma forma de homenagear a carreira e o trabalho do pai. A premiação reúne profissionais especializados para avaliar os principais modelos e marcas do mercado automobilístico. E no ano passado, Carsughi foi homenageado na Assembleia Legislativa de São Paulo, em reconhecimento à sua trajetória e contribuição para o jornalismo esportivo e automotivo brasileiro.

Claudia escreveu uma biografia sobre seu pai, chamada Meus 50 Anos de Brasil, que reúne histórias da vida de Carsughi, desde a saída da Itália e chegada no Brasil, passando pelo trabalho como jornalista, e bastidores de várias Copas do Mundo, da Fórmula 1 e da indústria automobilística.

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