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sábado, julho 13, 2024

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Mais enxuta, Abril reduz ocupação do prédio da Marginal de Pinheiros

Empresa passa a concentrar suas atividades na Torre Alta (13º a 26º andares), além do 8º andar. Busto de Victor Civita, que ficava na recepção, ganha novo espaço no mezanino

 

Era questão de tempo. O intenso processo de reestruturação e enxugamento por que vinha e vem passando o Grupo Abril, com fechamento e transferência de revistas, demissões, diminuição de níveis hierárquicos, venda de empresas ou de participação em outros negócios mais dia menos dia desembocaria na questão da ocupação do imponente prédio da Marginal do Pinheiros, em São Paulo, o NEA – ou Novo Edifício Abril, alcunha que de certo modo buscava enobrecer também o Velho Edifício Abril, o da Marginal do Tietê, inaugurado no final dos anos 1960 e que tanto orgulho trouxe à família Civita e aos já então milhares de colaboradores da empresa. O dia chegou.

A Abril está se desfazendo de quase metade do prédio, passando a partir de agora a concentrar todas as suas atividades na chamada Torre Alta do NEA – 13º ao 26º andares, além do 8º andar. A mudança já começou e os próximos dias com certeza serão de arrumação, ou rearrumação. Com os 15 andares que vai ocupar, mais o mezanino, o terraço e o auditório, que continuarão de uso exclusivo do Grupo Abril, a empresa ainda permanecerá como a principal inquilina do prédio.

Vagarão outros 11 andares em no que depender da Abril, se ela conseguir influenciar a administradora, estes serão ocupados por empresas correlatas, como agências de publicidade, firmas de comunicação, produtoras de vídeo etc., o que contribuiria para que ali se continuasse a respirar comunicação. Segundo um profissional da empresa ouvido pelo Portal dos Jornalistas, isso seria o ideal, “algo bacana, mesmo, mas ninguém tem certeza de que dará certo”.

Reacomodação implicará outras mudanças – O comunicado interno publicado na intranet da Abril explica que a mudança é uma medida de racionalização e economia, face à reestruturação colocada em prática nos últimos meses:

“O NEA (prédio Birman 21) não pertence ao grupo Abril. É alugado. Buscando otimizar o uso do espaço e reduzir despesas desnecessárias, já durante o ano de 2014 a Abril transferiu parte de suas atividades para seu prédio da Marginal Tietê. Para lá foram as áreas de apoio e back-office. O Dedoc também seguirá para o prédio da Marginal Tietê. Esse prédio (onde fica a gráfica) pertence à Abril e estava desocupado desde a mudança da Abril Educação para o NEA. Com a otimização do espaço no NEA, a Abril não renovou o contrato de locação de alguns de seus andares e está concentrando todas as suas atividades na chamada Torre Alta – 13º ao 26º andares, além do 8º andar”.

Essa reacomodação implicará outras mudanças e readequações na logística do prédio, como a concentração de todos os serviços – lavanderia, sapataria, centro de estética, academia, restaurante, lanchonetes, central de cópias e as agências bancárias – na área comum do andar térreo e subsolo; e a obrigação de que o restaurante e as lanchonetes passem a atender também aos novos condôminos.

Um das iniciativas que mais chamaram a atenção foi a retirada do busto de Victor Civita, fundador do Grupo Abril, da recepção do prédio. A notícia, estampada em manchete no Brasil 247 desta 2ª.feira (5/1), ganhou as redes sociais e gerou desconforto, como admitiu um editor da Abril:

“Tudo bem, tinha que tirar daquele lugar em função dos novos inquilinos. Mas, poxa, bastava transferi-lo para outra área usada pela Abril, para evitar a previsível maldade. Ficou com cara de uma estátua do Lênin caindo e representando a queda do comunismo”.

Diz o texto do Brasil247: “Esta 2ª.feira foi um dia melancólico para a Editora Abril, que edita a revista Veja; metade da sede do grupo, na Marginal Pinheiros, em São Paulo, foi desocupada e entregue à Previ, fundo de pensão dos funcionários do Banco do Brasil, que alugará os escritórios para outros clientes; quem chegou para trabalhar não encontrou mais o busto de Victor Civita, o fundador do império, na recepção; em crise, Abril fecha revistas e demite em todas as suas áreas”.

Destino do busto? – No final desta 3ª.feira (6/1), o mistério estava esclarecido: ele foi transferido para o mezanino. Um segundo ponto polêmico foi a rescisão do contrato com a Academia Biorritmo. Sem acordo entre a Administração e a Academia, o contrato foi rescindido, as atividades suspensas e agora o condomínio estuda propostas de novos fornecedores. “Aquela sempre foi uma relação complicada – diz a fonte ouvida pelo Portal dos Jornalistas –, mas com um pouco de boa vontade de todos e flexibilidade do NEA esse distrato poderia ter ficado para mais tarde. Do jeito que se deu foi muito ruim para todos e afeta a imagem da própria corporação”.

Outro executivo da Abril ouvido pelo Portal dos Jornalistas desabafou: “Hoje me lembrei daquela publicidade da Folha de S.Paulo, de 1987, feita pelo Nizan, sobre Hitler: ‘É possível contar um monte de mentiras dizendo só a verdade’. É claro que este é um baita prédio e que tem um custo de locação altíssimo – falava-se que quando aqui chegou a Abril desembolsava um aluguel mensal de 1 milhão por mês (dólares ou reais, era muito). E não faltava quem já na época achasse esse um investimento megalomaníaco. Por muitos anos ficou entre nós essa dúvida: precisava de tanto? Se já não precisava antes, hoje, claro, muito menos. Não faz o menor sentido. Quantas reuniões tivemos discutindo isso… Se colocássemos Capricho, Claudia, Quatro Rodas ou qualquer outra de nossas revistas num bom estúdio, aqui mesmo na rua de trás, elas dariam um imenso salto de rentabilidade…

Com a crise, desde o ano passado, isso passou a fazer muito sentido. As redações ficaram menores, todas. O mercado todo ficou menor. Temos 14 revistas a menos (o pacote da Alfa-Bravo-Gloss-Lola e as dez que foram agora para a Editora Caras). Além disso a Abril vendeu a Elemídia, o núcleo de TI foi para fora, muito espaço sobrando. Daria para colocar tudo numa torre só (aqui, como se sabe, os elevadores vão de 1 a 12 e 13 a 24). Acontece que a divisão do prédio não é sintoma de doença, mas de uma atitude saudável. E a transferência do busto, normal, diante desse novo momento. Porém as notícias que circularam dão uma conotação inteiramente diversa. Resumo da ópera: com um monte de verdades se disse algo que, na minha opinião, é uma mentira”.

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