Após três anos atuando como diretor de Jornalismo, apresentador e comentarista do ICL Notícias, Leandro Demori anunciou nesta segunda-feira (13/7) seu desligamento do Instituto Conhecimento Liberta. Em mensagem divulgada no seu Substack, o jornalista informou que havia sido “tirado do ar por decisão unilateral da direção da empresa”.
De acordo com o portal Brasil 247, a decisão teria ocorrido após Demori ir contra à uma orientação da instituição, comandada por Eduardo Moreira, que havia determinado um corte de 30% no orçamento do departamento de Jornalismo em razão de dificuldades financeiras. No sábado, após sua saída já ter sido confirmada, ele também teria encaminhado uma carta ao Conselho Editorial do ICL relatando que a empresa enfrentava dificuldades de arrecadação decorrentes de decisões de negócio tomadas pela direção geral, das quais, segundo ele, não havia participado e nem sido consultado.
Ainda segundo Demori, após o pedido de redução no investimento em jornalismo, ele teria proposto uma reunião ampliada com todos os diretores, consulta aos sócios e Conselho Editorial antes da adoção das medidas, sobretudo diante da proximidade da cobertura eleitoral. As sugestões, segundo seu relato, não foram aceitas e, na sexta-feira (10/7), ele foi informado de que deixaria tanto a Diretoria de Jornalismo quanto qualquer outra função no ICL.
Após a divulgação da carta, Eduardo Moreira enviou uma mensagem aos jornalistas da empresa apresentando a versão da direção. Nela, o empresário afirmou que estavam em andamento conversas com Leandro Demori para uma mudança na gestão do jornalismo e que não esperava que o processo se tornasse público antes da conclusão da transição. Disse ainda que o ICL havia entrado em uma nova etapa de sua trajetória e que estava promovendo uma revisão de custos em todas as áreas para adequar sua estrutura financeira à capacidade de investimento.
Demissão “no pior momento possível”
No texto publicado nesta segunda-feira em seu Substack, Demori lembrou que sua saída “acontece no pior momento possível para qualquer jornalista sair de cena”. “Estamos às vésperas de uma eleição decisiva no Brasil: Trump pressiona a região com tarifas e intervenção direta na política brasileira. Maduro foi sequestrado. CV e PCC foram classificados como organizações terroristas, um movimento com implicações profundas para a segurança e a política do continente. A América Latina inteira guina à direita, num movimento que parece cada vez mais coordenado. Não vivíamos um momento tão decisivo, tão carregado de risco institucional, desde a Operação Brother Sam”.

E acrescentou: “Mas preciso ser honesto sobre o que isso significa na prática: processos judiciais contra o jornalismo investigativo são cada vez mais caros e frequentes. Até agora, eu tinha a estrutura de uma empresa para dividir esse peso. De agora em diante, vou enfrentar isso tudo sozinho”.
Ele afirmou ainda que seguirá produzindo conteúdo independente e para conseguir arcar com estes custos, criou uma campanha de financiamento disponível no apoia.se/leandrodemori, e que está na reta final da escrita de um livro sobre o poder e como ele é exercido, escondido e disputado no Brasil de hoje, que deverá ser lançado durante a campanha eleitoral.










