Estreia em 30 de julho o documentário Não sei viver sem palavras, de André Brandão, sobre a trajetória pessoal e profissional do pai, Ignácio de Loyola Brandão, um dos principais nomes da literatura brasileira. O filme resgata a história de Ignácio de forma bastante pessoal, a partir de depoimentos do próprio escritor e um rico matéria de arquivo. O longa teve sua première no Festival do Rio e foi exibido na Mostra de São Paulo.
O filme nasceu na pandemia, quando, vivendo novamente com o pai, André começou a filmar despretensiosamente o cotidiano deles. Depois, percebeu que desse material poderia surgir um documentário. “O filme é muito caseiro, feito a poucas mãos. Fizemos oito entrevistas de duas a três horas cada, principalmente na casa dele, mas também no bairro Praça Roosevelt, onde morou por dez anos quando chegou a São Paulo, na Biblioteca Municipal e na estação de trem de Araraquara – lugares importantes na história dele”, resume o diretor.
André, que teve uma longa carreira como fotógrafo, e fez uma transição para o cinema em 2015, conta que muito do material de arquivo do filme veio do próprio Ignácio. O artista mantém bastante organizada uma rica coleção de materiais: “Atrelado ao escritório dele tem um pequeno quartinho, com muitas caixas, e cada uma tem muitos envelopes dentro. A maioria dos envelopes tem fotos, mas tem também uma boa quantidade com cartões postais, programas de peças, de museus, exposições etc. E cada envelope tem um texto escrito do lado de fora, explicando, em detalhes, o que tem lá dentro”.
Além disso, André encontrou nesse arquivo 38 rolos de Super-8, todos filmados pelo escritor durante a década de 1970. Essas imagens acabaram se tornando uma parte importante do filme. Numa camada mais íntima, são imagens da família, de São Paulo, dele próprio, Araraquara, Berlim, até do nascimento do cineasta.
O diretor confessa que sempre teve uma relação bem próxima com o pai, mas fazer o filme uniu-os ainda mais: “É um pouco uma simbiose, uma passagem de bastão, é o meu primeiro filme, uma releitura da vida e da obra dele partindo de textos e algumas imagens dele, mas com o meu ponto de vista. É algo sutil, mas muito forte ao mesmo tempo, difícil explicar”.










