Imprensa automotiva prestigia festa de 50 anos de carreira de Boris Feldman

Uma bonita e concorrida festa, realizada na noite de 26/10, no recém-inaugurado restaurante Iulia, do Jockey Clube de São Paulo, marcou a festa dos 50 anos de carreira de Boris Feldman. Dezenas de jornalistas e executivos, representando a quase totalidade das marcas presentes no Brasil, compareceram ao evento, que teve ainda os lançamentos do portal Auto Papo e do livro Noiva Mecânica – Crônicas ligeiras sobre rodas. “Selecionei rigorosamente 50 textos para quem quer entender de carro de forma leve e didática, retratando as situações do dia a dia”, destaca o homenageado Para celebrar o encontro, o jornalista mineiro promoveu ainda um descontraído bate-papo sobre o mercado automotivo com o presidente da Anfavea Antonio Megale e o comentarista de automobilismo Reginaldo Leme. Sobre o novo site, ele destacou que desde a montagem da equipe, três meses atrás, uma série de textos, reportagens especiais e vídeos vem sendo produzidos, e que a previsão é que o serviço estreie até este início de novembro. “Já são 14 vídeos de testes produzidos nos últimos meses, além de quadros que integrarão nosso portal, como o Boca do trombone, uma versão em vídeo de situações que eu critico em minha coluna semanal. Muitas novidades serão apresentadas, assim que o site for ao ar”, afirma Boris. Em entrevista ao Portal dos Jornalistas, ele fala sobre momentos marcantes de sua carreira, polêmicas, paixões, e claro, seu novo projeto. Portal dos Jornalistas – Nesses 50 anos de carreira, quais foram os momentos mais marcantes? Boris Feldman – Difícil dizer, até porque cada decisão e nova experiência foram muito importantes para mim. Acredito que talvez o grande marco na minha carreira tenha sido em 1988, quando decidi deixar de vez minha outra carreira, a de engenheiro, e focar meus esforços exclusivamente no Jornalismo. Aquilo era exatamente o que eu queria fazer, e isso talvez tenha facilitado minha decisão em deixar para trás uma carreira já consolidada na indústria de autopeças, tendo atuado por 20 anos na Metal Leve. J Portal dos Jornalistas – E dentro do Jornalismo, quais projetos foram mais importantes para você? Boris – Sem dúvida a criação dos boletins, que hoje estão em mais de 40 rádios pelo Brasil. Aliás, acho fazer rádio um grande barato. A interação e a resposta imediata do público são sempre muito legais, mesmo quando o pessoal não gosta do que eu falo e sai me xingando (risos). Outro projeto de que me orgulho, e que foi quase uma loucura, foi sugerir para o Estado de Minas (que aceitou) a publicação de três cadernos automotivos por semana. Isso foi lá nos tempos áureos, logo depois da abertura do mercado para os importados, e por um bom tempo circulamos com edições às quartas-feiras, sábados e domingos. Portal dos Jornalistas – O automóvel é sua grande paixão? Boris – Minhas duas paixões são automóveis e música clássica. Cheguei inclusive a ter um programa de música clássica no rádio, mas essa outra paixão hoje é apenas um hobby e não minha profissão. Portal dos Jornalistas – Jornalistas com sua rodagem costumam ser exemplos para muitos profissionais em começo de carreira. Quando você começou, lá em 1966, teve alguém em quem se espelhar? Boris – Sabe que não? Até porque eu sempre fui muito crítico, uma vez que também era engenheiro, e naquela época não havia muitos profissionais com esse estilo. Então, decidi seguir minha carreira por outro viés e acredito até que fiquei marcado por isso. Já quase apanhei de mecânico na rua por questionar a honestidade da classe. Ainda hoje tem muita gente do mercado que me odeia, mas o que eu posso fazer? Por ser engenheiro e ter corrido de carro, sou muito envolvido e conheço muito bem o assunto, e até por isso sei bem quando alguém está falando a verdade ou enrolando. Portal dos Jornalistas – Criar uma premiação como o Pinóquio de Ouro também não te ajuda muito a ser querido pelos seus críticos, não é mesmo? (risos) Boris – Pois é… Esse foi um troço que criei há uns dez anos para destacar a maior mentira do ano na indústria automotiva e que acabou pegando. Sempre me incomodou muito toda vez que vejo campanhas ou anúncios em que fabricantes prometem entregar algo que não existe. O troféu é até uma forma de mostrar que a gente está atento a essas mentiras. Portal dos Jornalistas – E agora, aos 50 anos de carreira, você decidiu investir em um novo projeto, onde a ideia é inclusive tentar competir com dois grandes players do mercado, ambos com instituições financeiras fortes por trás. O que o faz acreditar que seu projeto terá vida longa, frente a serviços já consolidados como esses? Boris – Qualidade de conteúdo. Eu tenho o maior respeito por Webmotors e iCarros, mas entendo que eles foram criados para serem ferramentas de compra e venda, com uma área de conteúdo. Nós estamos indo na contramão. Vamos investir e nos consolidar como produtor de conteúdo e reportagens, inclusive de serviços, que acreditamos serem fundamentais em nossa estratégia. Para isso já fizemos parcerias com o Marlos Ney Vidal, do Autos Segredos, que tem hoje mais um milhão de acessos por mês em sua página, e com o Portal R7, que ajudará a nos dar uma visibilidade legal. Lá na frente, quando o projeto editorial estiver consolidado, é que pensaremos se vamos e como vamos desenvolver nossa plataforma de compra e venda. Pode ser algo inteiramente nosso, porque temos a tecnologia para isso, ou até em parceria com outras empresas, mas isso fica para um segundo momento.   N. da R.: Ao final do evento, os convidados foram presenteados com a entrega do gibi Boris Feldman – 50 anos no rastro da notícia, que conta a história da carreira de Boris. Uma produção de sua própria equipe.