Caros Amigos enfrenta uma das piores crises de seus 16 anos

Prestes a completar 16 anos (em abril), a revista Caros Amigos corre o risco de não chegar à maioridade. Legítima representante da esquerda, enfrenta já há alguns anos dificuldades financeiras que desembocaram na última semana numa crise de relacionamento interno, levando à demissão de todos os 11 integrantes de sua redação e, talvez, a comprometer seriamente o futuro desse projeto idealizado por Sérgio de Souza em 1997 – coincidentemente, completam-se no próximo dia 25/3 cinco anos da morte de Serjão, considerado um dos mais talentosos profissionais da edição de texto no Brasil, que fez nome em publicações como Bondinho, Ex- e, principalmente, Realidade, entre dúzias de trabalhos que realizou.

O embate entre a direção da revista e a redação começou no dia 4, quando o diretor Wagner Nabuco reuniu os profissionais para comunicar que a situação financeira era insustentável e que precisaria fazer cortes profundos na redação e aumentar o concurso de frilas para garantir a sobrevivência da publicação. No dia 8, a redação emitiu um documento em que informava à empresa estar entrando em greve contra a “precarização do trabalho”.

Diz Nabuco que estava em reunião e que só tomou conhecimento do seu teor mais tarde, quando foi à redação e a encontrou vazia, o que para ele representou uma “quebra de confiança”. Em vista disso, na 2ª.feira (11/3), em nova reunião com os profissionais, informou a demissão de todos (a cronologia dos acontecimentos e as justificativas de ambas as partes podem ser conferidas em http://migre.me/dEJp3).

Com a decisão, saíram o diretor de Redação Hamilton Octávio de Souza, a editora-executiva de especiais e repórter Débora Prado, a secretária de Redação Cecília Luedemann, os repórteres Caio Zinet, Eliane Parmezani, Gabriela Moncau, Otávio Nagoya e Paula Salati, o editor de Arte Ricardo Palamartchuk, o assistente de Arte Gilberto Breyne e o estagiário Alexandre Bazzan.

Duas coisas parecem claras nessa situação: é um jogo em que todos saem perdendo; e a maior virtude da revista (sua independência), parece ter sido também o seu maior pecado – se, de um lado, tem leitores fiéis, estimados em dez mil assinantes e oito mil em bancas, não angaria anunciantes fora da esfera governamental, cujo encolhimento contribuiu para agravar o déficit e desencadear a crise. Nabuco garante que a edição de março circulará na 6ª.feira (15/3). Resta saber o que virá depois.