Blue Bus perde Julio Hungria

Morreu no Rio de Janeiro neste domingo (11/1) Julio Hungria, aos 76 anos, depois de estar internado desde novembro passado. Apesar de ter-se notabilizado como um dos precursores da internet no Brasil, a música sempre foi uma constante em sua carreira. Começou como produtor de discos em Philips e EMI Odeon, e produziu o primeiro show da Bossa Nova em 1959. No Jornal do Brasil, foi crítico de música popular; no início dos anos 1970, assinou coluna no Pasquim. Respondeu pelo Departamento de Produção da Rádio Jornal do Brasil por 14 anos, até 1974. Entre 1975 e 78, chefiou o copy desk e foi editor do Segundo Caderno da Última Hora. Em 1980, abriu a Rádio Atividade, produtora de jingles. Entre 1990 e 1994 editou o jornal do Clube de Criação do RJ. Fundou o Blue Bus em 1995 como uma BBS para o mercado publicitário carioca. Há 17 anos, inaugurou o site na internet, ampliando o noticiário para negócios de mídia, tendências da área e comportamento. Julio deixa quatro filhos e duas netas. Foi enterrado hoje (12/1) no cemitério São João Batista, em Botafogo, no Rio. Sobre ele, comentam os setoristas de publicidade. Claudia Penteado, do Advertising Age, recorda o início: “Eu me lembro do Julio Hungria na época em que ele começou com Blue Bus, uma BBS, das primeiras coisas que apareceram na internet, bem revolucionárias. O precursor das comunidades do Facebook, do blog”. E Robert Galbraith, do Meio&Mensagem, prossegue: “Era um grande colega de profissão. Deixa como legado sua inovação no jornalismo online, obrigando seus concorrentes a investirem na criação de sites para cobertura mais ágil dos fatos do mercado publicitário”. Em novembro de 2011, quando Blue Bus estava há duas semanas de completar 16 anos de circulação, Cristina Vaz de Carvalho, editora de Jornalistas&Cia no Rio de Janeiro, escreveu sobre o pioneirismo de Hungria um Memórias da Redação que pode ser conferido aqui.