Acervo digital do Estadão traz ao público 137 anos de história

O Grupo Estado lançará na próxima 4ª.feira (23/5) o Acervo Estadão, um canal digital que tornará acessíveis todas as edições do jornal O Estado de S. Paulo desde a sua fundação, em 1875, quando se chamava A Província de S. Paulo. O projeto também vai publicar periodicamente matérias e reportagens que resgatarão dados históricos sob o olhar da atualidade. ?Não é só uma ferramenta de busca?, explica Edmundo Leite, coordenador do arquivo do grupo. ?Construímos um canal vivo, fazemos uma conexão de assuntos do passado com o presente.? O projeto é uma espécie de desenvolvimento do blog Arquivo Estado, equipado, agora, com a ferramenta de pesquisa por meio da qual mais de 2 milhões de páginas poderão ser consultadas ? incluindo fac-símiles dos originais censurados pela ditadura militar após o AI-5, em 1968. ?É um sistema de busca bem robusto. Além da digitalização por meio de OCR, que permite identificar textos em imagens, há vários filtros, para período e data específica, por exemplo?, afirma Edmundo. Como exemplo, ele cita o nome ?Tancredo Neves?: são 6 mil resultados na busca direta. Mas, por meio de uma timeline, é possível navegar por década, por ano, por mês… É possível ver as notícias somente do dia 22 de abril de 1985, posterior à morte dele, ou ainda navegar por toda aquela semana, desvinculado de palavra-chave. O sistema foi indexado a um dicionário de equivalência de grafia antiga do Instituto de Estudos Brasileiros da USP, que permite ao pesquisador obter resultados sobre a palavra ?pharmacia? ainda que ele tenha digitado ?farmácia?, por exemplo. Haverá também um conversor de valores, que vai auxiliar no cálculo de preços segundo os índices atuais. Nos primeiros 30 dias, o acervo ficará aberto a livre consulta. Posteriormente, o acesso será restrito a assinantes. Apesar disso, o grupo assinará convênios com instituições públicas a fim de garantir acesso gratuito a pesquisadores e outros interessados por meio de bibliotecas municipais e universidades, como USP, Unesp e Unicamp, além de outras entidades educativas e culturais, como a Biblioteca Nacional. A digitalização de 137 anos de jornal demorou um ano e meio e pode até trazer surpresas. ?Muitos pesquisadores tentavam buscar informações específicas na consulta física e, às vezes, não encontravam, porque poderia estar num detalhe, como uma nota de rodapé?, explica Edmundo. ?Logo, devem surgir interpretações novas, até mesmo reescrevendo fatos históricos?. O arquivo físico, na sede do jornal, continuará a existir, porém com acesso restrito, já que muitas páginas de edições antigas começavam a se deteriorar e a digitalização do acervo também objetiva preservar os originais. Numa segunda fase, o projeto vai oferecer também o arquivo do Jornal da Tarde e de especiais do Estadão, como o Estadinho ? antes do suplemento infantil, esse era o nome de edições vespertinas e noturnas que circularam nos períodos das duas guerras mundiais. Por ora, o grupo convida para o lançamento da primeira fase do projeto no Auditório do Ibirapuera (av. Pedro Álvares Cabral, s/nº), às 20h da próxima 4ª.feira (23/5). Confirmações pelos 11-3277-8891, ramal 29, e 9462-9496 ou marco@luciafaria.com.br, com Marco Barone.