ABI vai dividida para eleições em abril

As eleições para a Associação Brasileira de Imprensa, programadas para 26 de abril, estão mexendo com um significativo grupo de profissionais. De um lado, o atual presidente Maurício Azêdo, que assumiu a ABI em 2004, busca uma nova reeleição, com a parte do grupo que o apoia; de outro, um grupo de diretores e conselheiros, liderados por Domingos Meirelles e Carlos Chagas, quer derrotá-lo nas urnas para pôr fim ao que consideram uma administração caótica e desastrada, tanto financeira quanto administrativamente. As acusações são da maior gravidade: insolvente, a instituição estaria com sua sede – o histórico prédio localizado na esquina das ruas Araújo Porto Alegre e México, no Centro do Rio – sofrendo 27 ações de penhora, mais de uma por andar; e há anos a Associação estaria sendo administrada de fato, mas não de direito, por uma pessoa estranha aos seus quadros eletivos e que nem jornalista é, Maria Ilka Azêdo, mulher do próprio presidente, com poderes informais para demitir, contratar, pagar, receber extratos bancários e outras ações do dia a dia da instituição. Azêdo disse a Jornalistas&Cia que não falaria sobre eleições. Mas garantiu que a chapa que montou para concorrer à reeleição já estava devidamente registrada – como, aliás, pode-se conferir no site da instituição. O nome é Chapa Prudente de Morais, o mesmo adotado nas eleições de 2004. Além de Azêdo, conta na executiva com Tarcísio Holanda (vice-presidente), Ilma Martins da Silva, Fichel Davit Chargel, Sérgio Caldieri, Henrique Miranda Sá Neto e Alcyr Cavalcanti. Outros nomes que a integram são Ancelmo Gois, Aziz Ahmed, Chico Caruso, Miro Teixeira, Nilson Lage e Villas-Bôas Corrêa. A chapa de oposição, denominada Chapa Vladimir Herzog – Uma ABI para todos, não conseguiu efetivar o registro nesta 2ª.feira (18/3), apesar do comparecimento de Milton Coelho da Graça e Paulo Jerônimo, o Pajê, à instituição com essa finalidade. O presidente da Comissão Eleitoral Continentino Porto, secundado por Azêdo e sua mulher Maria Ilka, após conferir a situação dos candidatos da oposição, informou que há vários deles em situação irregular, seja por inadimplência, ausência de ficha financeira ou mesmo por cancelamento das matrículas e que desse modo a chapa não poderia ser registrada. Concedeu 48 horas para a chapa regularizar as candidaturas, sem o que não poderá concorrer. Milton afirmou que o grupo entraria na Justiça contra Azêdo e o presidente da Comissão Eleitoral. O objetivo, segundo apurou este J&Cia, seria adiar as eleições, para que os associados da ABI possam tomar conhecimento do que está acontecendo com a entidade e definir os próximos passos. Ao lado de Domingos Meirelles e Carlos Chagas estão, entre outros, Alberto Dines, Audálio Dantas, Flávio Tavares, Jesus Chediak, Josetti Marques, Juca Kfouri, Paulo Caruso, Ziraldo e Zuenir Ventura. Uma terceira chapa, Herbert Moses, liderada pelo atual diretor administrativo Orpheu Santos Salles, também não obteve sucesso na solicitação de que a ABI entregasse a relação de sócios em dia com as obrigações estatutárias e a dos sócios que se encontram inadimplentes. A petição foi indeferida pelo presidente da Comissão, sob o fundamento de que a relação solicitada só pode ser entregue após o registro da chapa. A crise e a penhora do histórico prédio Nesses quase dez anos de comando de Maurício Azêdo na ABI não foram poucos os conflitos e dissenções na própria diretoria, com diversas renúncias de diretores e conselheiros que se agastaram com os métodos do presidente de conduzir a entidade. Em 2007, numa das reuniões de diretoria da ABI, de tão exaltado e contrariado com situações da instituição o diretor Arthur Cantalice enfartou e veio a óbito. Além desse episódio, outro de grande repercussão foi a renúncia, em 2008, de todos os integrantes da representação em São Paulo, em solidariedade a Audálio Dantas, que entregou os dois cargos que então mantinha na entidade, de vice-presidente da ABI Nacional e presidente da Representação São Paulo, denunciando um contínuo boicote e interferências no trabalho que vinha sendo feito na capital paulista, além da ausência de democracia e de transparência nos procedimentos na sede da Associação, no Rio. A atual crise tem como pano de fundo, de um lado, a grave situação financeira da entidade, que hoje sofre 27 processos de penhora de seu prédio, localizado no Centro do Rio, na esquina das ruas Araújo Porto Alegre e México; e de outro, a atuação informal, mas decisiva, de Maria Ilka Azêdo, mulher de Maurício, como administradora da ABI sem poderes constituídos para isso. Matéria que Carlos Newton publicou em 13/3 na Tribuna da Imprensa relata que “os problemas financeiros (da ABI) vêm desde a gestão de Barbosa Lima Sobrinho. Acreditava-se que a ABI pudesse se recuperar, ao passar a ser conduzida por Mauricio Azêdo. Mas isso não aconteceu. Azedo está com problemas de saúde, e a Associação passou a ser gerida irregularmente pela esposa dele, que não pertence à Diretoria nem a nenhum dos Conselhos. E a situação acabou se complicando”. O grupo de profissionais que está agora formalmente na oposição fez a J&Cia outra grave acusação: “Além de se imiscuir em todos os setores da Casa, com a anuência do marido, Maria Ilka criou um sistema clandestino de informação dentro da entidade. Os funcionários foram orientados a seguir os passos de todos os diretores, a fim de mantê-la permanentemente informada sobre o que faziam no prédio. Vários funcionários que se recusaram a participar do ‘SNI’ particular montado pelo casal foram demitidos, sem indenização, e obrigados a reclamar seus direitos na Justiça do Trabalho”. É fato que há nos dois grupos nomes de grande relevância no jornalismo. E todos eles estão avalizando os respectivos projetos e pessoas, colocando as respectivas reputações em cena. Certamente terão de se certificar e cobrar de ambos os candidatos lisura, transparência e postura ética, e fazer o mesmo em relação aos eleitores. Parece certo que o clima continuará quente para os lados da ABI nas próximas semanas. A conferir!