Por Assis Ângelo
Portugal é um pequeno país localizado no sudoeste da Europa, na Península Ibérica.
O povo português fez história desde muito antes de Camões, que andou contando as peripécias vitoriosas desde os tempos de navegação no poema épico Os Lusíadas, publicado no ano de 1572.
Não será exagero dizer que Camões foi uma espécie de ourives da língua portuguesa. Mas esse é ponto para ser melhor abordado em outra ocasião. Pois, pois.
Portugal foi governado por portugueses e espanhóis e, por um triz, escapou das garras de Napoleão Bonaparte (1769-1821). Porém, não dá para esquecer o mando de Portugal em diversos continentes, até na Ásia.
Quem descobriu o caminho para as Índias, aprendemos na escola, foi Vasco da Gama (1469-1524).
O cuidado que os governantes portugueses tinham e têm pela sua história é louvável. Claro que não ignoram as atrocidades praticadas pelo tal do Santo Ofício, que deixou milhares de vítimas mundo afora. No Brasil, inclusive.
Por alguns séculos o Brasil foi mantido sob as rédeas de reis portugueses até que com a declaração de independência feita pelo imperador D. Pedro I, em 1822, essa história começou a ter fim.
Não são poucos os poetas, contistas e romancistas que fizeram Portugal orgulhar-se da sua literatura. Pessoa, Fernando António Nogueira Pessoa, foi um poeta múltiplo. Rigorosamente múltiplo.
Não há notícia no mundo, no passado ou no presente, de poeta que tantos heterônimos gerou. Uma centena, pelo menos.
Ricardo Reis, Alberto Caeiro e Álvaro de Campos são os três mais lembrados heterônimos de Pessoa.

É de Fernando Pessoa o poema O Cego e a Guitarra:
O ruído vário da rua
Passa alto por mim que sigo.
Vejo: cada coisa é sua
Oiço: cada som é consigo.
Sou como a praia a que invade
Um mar que torna a descer.
Ah, nisto tudo a verdade
É só eu ter que morrer.
Depois de eu cessar, o ruído.
Não, não ajusto nada
Ao meu conceito perdido
Como uma flor na estrada.
Cheguei à janela
Porque ouvi cantar.
É um cego e a guitarra
Que estão a chorar.
Ambos fazem pena,
São uma coisa só
Que anda pelo mundo
A fazer ter dó.
Eu também sou um cego
Cantando na estrada,
A estrada é maior
E não peço nada.

Entre os romancistas, destaque para muitos. Além do sempre citado Camilo Castelo Branco, não é possível esquecer o glorioso nome de Eça de Queiroz, autor de O Crime do Padre Amaro (1874).
A figura do cego na obra de Queiroz não foi esquecida, como não foi esquecida por Teófilo Braga.
Braga copilou uma montanha de textos do cotidiano popular português que tem o cego como personagem de destaque. E não custa lembrar que foi esse mesmo Braga o primeiro presidente de Portugal (1910-1911). Era uma sumidade, tanto na área política quanto na área literária.
Teófilo Braga sucedeu ao rei Manuel II, que foi deposto e exilado. Logo depois foi implantada a República Portuguesa, que dura até os dias de hoje.
E Antônio Feliciano de Castilho, hein?
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