Entidades defensoras do Jornalismo e da Liberdade de Imprensa repudiaram uma ação do Ministério Público Eleitoral do Amazonas (MPE-AM) que, por meio de ofício, solicitou informações sobre as fontes consultadas pelo Portal Redação Amazônia e outros veículos de comunicação em reportagens que abordavam a prisão de Rodrigo Cesar Campelo Soares, que se apresentava nas redes sociais como coordenador da campanha de Maria do Carmo Seffair (PL) ao Governo do Amazonas.

Na operação que prendeu Rodrigo, realizada no começo de setembro, foram apreendidas aproximadamente 2,5 toneladas de drogas na residência dele. Também foram encontrados no local materiais eleitorais com o nome, a imagem e o número de urna de Maria do Carmo. Após a divulgação de informações sobre a prisão de Rodrigo, em coletiva realizada na Delegacia-Geral, diversos veículos de imprensa amazonenses publicaram reportagens sobre o assunto, destacando inclusive perfis de Rodrigo nas redes sociais nos quais ele se apresentava como coordenador da campanha de Maria do Carmo.

Após a publicação das reportagens, a coligação Mudar é Urgente! negou a existência de vínculo entre Rodrigo e a candidatura de Maria do Carmo e apresentou uma notícia-crime ao Ministério Público Eleitoral, questionando a origem das informações publicadas. No ofício, o MPE-AM pediu que o Redação Amazônia fornecesse informações sobre quem compartilhou o release publicado no portal, quando ele foi recebido, os arquivos originais, e informações sobre remuneração, patrocínio ou impulsionamento relacionado à publicação. O MPE sustentou ainda que, “por se tratar de release de órgão oficial, distribuído em coletiva aberta, não se aplica sigilo de fonte”.

Em nota conjunta, a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) e o Sindicato dos Jornalistas do Amazonas (SinjorAM) repudiaram a ação do MPE, e reiteraram que ela fere sim a garantia de sigilo da fonte: “A imprensa não pode ser constrangida a revelar suas fontes porque uma informação jornalística desagrada a um candidato ou grupo político”, escreveram as entidades.

A Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) também se posicionou, classificando a ação como uma “afronta à liberdade de imprensa. Nenhuma reportagem deveria ser alvo de tentativa de quebra do sigilo da fonte. Observa-se uma tentativa velada de intimidar veículos jornalísticos, ao tentar vincular seus departamentos editorial e financeiro e insinuar que o texto foi publicado por motivos outros que não informar a população de fatos relevantes. A Abraji espera que o MPE se abstenha dos pedidos feitos no ofício e respeite o direito de os jornalistas exercerem sua profissão”.

0 0 votos
Article Rating
Inscrever-se
Notificar de
guest
0 Comentários
mais antigos
mais recentes Mais votado
Feedbacks embutidos
Ver todos os comentários