O monitoramento sobre ataques online à imprensa durante o período eleitoral, realizado pela Coalizão em Defesa do Jornalismo (CDJor), em parceria com o Laboratório de Internet e Ciência de Dados (Labic) da Universidade Federal do Espírito Santo, registrou um aumento de 67,3% no número de posts ofensivos na segunda quinzena de campanha.

Entre 30 de agosto e 12 de setembro, a pesquisa identificou o total de 4.400 ataques contra jornalistas, veículos e a imprensa em geral no X e no Instagram, o que representa um aumento de 67,3% em relação aos 2.630 registrados nas duas semanas anteriores. Tal crescimento ocorreu em um contexto de maior interesse por temas relacionados às eleições nas redes sociais.

Dos 4.400 ataques detectados, 3.011 ocorreram no Instagram e 1.389 no X. Assim como na primeira quinzena do estudo, a deslegitimação foi o tipo de ofensa mais utilizada nos ataques à imprensa, com expressões como “imprensa militante”, “mídia golpista”, “jornalista militante”, “fake news”, “caiu Pix” e “imprensa vendida”.

Neste recorte específico, a distribuição geográfica dos ataques teve grandes mudanças: Nas primeiras duas semanas, São Paulo liderou o número de posts ofensivos, com 80 no total. Já nesta segunda quinzena, Minas Gerais passou à frente, com 213 ataques, seguido por São Paulo (174), Bahia (94), Distrito Federal (86) e Pernambuco (64). O crescimento especificamente em Minas Gerais coincide com a repercussão de reportagens sobre a relação entre o banqueiro Daniel Vorcaro, do caso do Banco Master, com o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG). A pesquisa destaca ainda os ataques direcionados a Juliana Dal Piva, do ICL Notícias, após ela publicar uma reportagem sobre o assunto.

A violência de gênero seguiu presente neste segundo recorte da pesquisa: dos 636 ataques direcionados especificamente a jornalistas, 375 atingiram mulheres e 261 homens. Isso significa que mulheres jornalistas foram alvo de 59% dos ataques, em sua maioria contendo comentários misóginos e que tentavam descredibilizar o trabalho das profissionais.

Este monitoramento da CDJor, em parceria com a Universidade Federal do Espírito Santo, será realizado ao longo de toda a campanha eleitoral, até o final do ano. A cada duas semanas, o estudo analisará e atualizará os dados sobre ataques digitais à imprensa. A iniciativa abordará também casos de violência contra jornalista fora das redes. Confira as atualizações no site da CDJor.

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