* Por Katia Morais, correspondente de Jornalistas&Cia no DF

Luiz Gutemberg, também romancista e biógrafo morreu em Brasília nesse domingo (16/8), faria 89 anos no dia 24. Estava internado no Hospital do Coração tratando uma pneumonia. Com mais de sete décadas dedicadas ao jornalismo, construiu uma trajetória marcada pela atuação na imprensa política e pela formação de diferentes gerações de jornalistas. Era casado com a também jornalista Rosângela Bittar, ex-chefe da sucursal do Jornal do Brasil em Brasília e ex-repórter especial do Estadão, deixa quatro filhos. O corpo dele foi sepultado na 2ª feira (17), no Cemitério Campo da Esperança.

Nascido em Maceió (AL), começou no jornalismo na Gazeta de Alagoas, aos 16 anos. Aos 18, mudou-se para o Rio de Janeiro, onde entrou em contato com principais nomes da imprensa brasileira.

No Jornal do Brasil, participou da histórica renovação editorial e gráfica conduzida por Odylo Costa Filho, que transformou o JB em referência do jornalismo brasileiro. Também trabalhou na revista Manchete, ao lado de Alberto Dines e Nahum Sirotsky. Criou o semanal Jornal José, de análise política.

Em 1969, mudou-se para Brasília para trabalhar como editor-assistente na Veja, quando cobriu os bastidores dos governos militares. É descrito como um dos “últimos grandes representantes do melhor jornalismo político praticado no Brasil nos últimos 60 anos” e “ícone do jornalismo político brasileiro”. ]

Em Brasília, marcou época como editor-geral do Jornal de Brasília, num projeto renovador no jornalismo político, trabalhou como comentarista, com destaque pela atuação na Band. Lecionou na UnB, e entre 1985 e 1990, atuou como assessor especial da Presidência da República no governo Sarney.

Foi condecorado com o título de Cidadão Honorário de Brasília em 1995. Escreveu os romances O Anjo Americano, O homem que enganou o diabo… e ainda pediu troco, O jogo da gata parida — virou referência para entender a atuação do SNI na sucessão dos presidentes militares — , Auto da perseguição e Morte do Mateu. É autor das biografias: Moisés – codinome Ulysses GuimarãesQuem é… Pedro Simon e Quem é… Jorge Bornhausen, tendo organizado a edição comemorativa sobre Ulysses Guimarães.

Chegou ainda a se dedicar ao ativismo ambiental. Em 2022, participou do documentário Luiz Gutemberg: uma história de luta na RESEX Mestre Lucindo, que conta como se envolveu à criação da Reserva Extrativista Marinha Mestre Lucindo no Pará. De mente inquieta intelectualmente, nos últimos anos enfrentou o Alzheimer.

“ Gutemberg foi um grande inovador no jornal. Montou uma equipe de nomes de peso na cobertura política, como Cristiana Lôbo, e também na economia. Era um craque na confecção da 1ª página, na sugestão de pautas, sem falar que era muito querido e respeitado por todos da redação e pelos leitores. Uma grande perda para o jornalismo de Brasília e do Brasil”, escreveu Ricardo Nobre, editor-chefe do Jornal de Brasília.

Nas palavras da diretora da Faculdade de Comunicação da UnB, Dione Moura: “Ele representa o Jornalismo, por isso o verbo no presente, então fica na história, não sai da história”. Entidades como a ANJ, SJPDF e ABERT lamentaram sua perda.

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