A violência de gênero aumentou significativamente na reta final do primeiro turno das eleições. Segundo monitoramento sobre ataques online à imprensa durante o período eleitoral, entre 13 e 26 de setembro, as profissionais mulheres foram alvos de 77,3% dos ataques no X e 79,1% no Instagram. O estudo foi realizado pela Coalizão em Defesa do Jornalismo (CDJor), em parceria com o Laboratório de Internet e Ciência de Dados (Labic) da Universidade Federal do Espírito Santo.

No caso específico do X, foram identificados 485 ataques direcionados a jornalistas específicos, dos quais 375 atingiram mulheres. E no Instagram, elas receberam 514 das 650 agressões registradas contra profissionais. Um dos casos mais recentes foi o de Maria Cristina Fernandes, comentarista da GloboNews, que teve seu nome citado em 226 posts ofensivos.

Os ataques à comentarista ocorreram após ela fazer um comentário sobre uma mobilização de parte dos evangélicos para retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira do Brasil e associar o movimento ao candidato Flávio Bolsonaro. Após a GloboNews se retratar, explicando que a mobilização não estava diretamente ligada ao senador, Maria Cristina recebeu diversos ataques nas redes sociais, incluindo ameaças de morte.

Este monitoramento da CDJor, em parceria com a Universidade Federal do Espírito Santo, será realizado ao longo de toda a campanha eleitoral, até o final do ano. A cada duas semanas, o estudo analisará e atualizará os dados sobre ataques digitais à imprensa. A iniciativa abordará também casos de violência contra jornalista fora das redes. Confira as atualizações no site da CDJor.

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