Flávio Moreira, jornalista e pesquisador com 18 anos de atuação no mercado da mídia, lançou recentemente os resultados de uma pesquisa conduzida por ele sobre salários e condições de trabalho de jornalistas, que ouviu cerca de 900 profissionais de imprensa espalhados pelo País.
Os dados da pesquisa evidenciaram a desigualdade de gênero no jornalismo brasileiro. Ao analisar cargos formais de liderança, mulher contratadas em formato CLT ocupam apenas 12,9%, em comparação aos homens CLT, que registraram o percentual de 25,9% de cargos formais de liderança, mais que o dobro das mulheres.
Em relação a cargos informais de liderança, a situação se inverte: 27% das mulheres dizem liderar informalmente, contra 19,1% dos homens. Isso significa que as profissionais do gênero feminino ocupam posições , na prática, são de liderança, nas quais orientam, coordenam, revisam, organizam fluxos ou influenciam colegas, mas sem necessariamente ter o cargo formal correspondente. E, segundo a pesquisa, essa situação é mais frequente com mulheres do que homens.
Isso gera um problema também no que se refere a salários: Na base CLT, profissionais que não lideram recebem entre R$ 4.001 e R$ 5.000. Quem lidera informalmente, o salário sobre para R$ 5.001 a R$ 6.500. Já entre líderes formais, o pagamento deve ser de R$ 8.001 a R$ 10.000 entre quem lidera até cinco pessoas, R$ 12.501 a R$ 15.000 para quem lidera de seis a 15 pessoas e R$ 10.001 a R$ 12.500 para líderes de mais de 15 pessoas.
“Se os homens estão mais presentes na liderança formal e as mulheres aparecem mais na liderança informal, a diferença não está apenas no título do cargo. Ela pode afetar salário, reconhecimento, autoridade, trajetória e acesso às posições mais bem remuneradas”, destacou a pesquisa.
O estudo traz ainda outros recortes por vínculo, região, cargo, área de atuação e condições de trabalho. Baixe a pesquisa na íntegra aqui.










