A repórter Manuela Borges, do ICL Notícias, foi cercada e intimada por servidores de gabinetes de deputados da oposição no Salão Verde da Câmara dos Deputados, em Brasília (DF). O episódio ocorreu durante um pronunciamento, organizado por parlamentares da oposição, para criticar o desfile da escola de samba Acadêmicos de Niterói, que homenageou o presidente Lula no Carnaval do Rio de Janeiro.
No pronunciamento, os parlamentares, liderados por Cabo Gilberto Silva, líder da oposição, classificaram a homenagem como prática de campanha antecipada. Após a fala, Manuela citou os outdoors com Michelle Bolsonaro e Bia Kicis espalhados pelo Distrito Federal e perguntou aos parlamentares se isso não seria também campanha antecipada.
Após o questionamento, a confusão se iniciou. Diversos assessores e servidores ligados a gabinetes de oposição cercaram a repórter e passaram se aproximar, gritar contra ela e a filmá-la com os celulares bem próximos ao rosto dela, impedindo que o trabalho de imprensa fosse realizado. Manuela tentou se defender, pedindo licença e respondendo aos gritos dos servidores. O deputado Coronel Crisóstomo chegou a berrar durante a confusão.

Em relato ao ICL Notícias, Manuela criticou a postura dos policiais presentes no local, que nada fizeram para conter os ânimos: “Depois, quando saí do meio da confusão, vieram apertar minha mão, mas não fizeram nada para interferir”, declarou a repórter. O ICL afirmou que vai apresentar uma denúncia via Comitê de Imprensa à Mesa Diretora da Câmara dos Deputados.
Entidades defensoras da liberdade de imprensa repudiaram o ocorrido. Em nota conjunta, Sindicato dos Jornalistas do Distrito Federal (SJPDF), Coletivo de Mulheres Jornalistas do DF, Federação Nacional de Jornalistas (Fenaj) e Comissão de Mulheres Jornalistas da Fenaj classificaram o episódio como “grave episódio de violência e coação”.
“Ressaltamos que este ato carrega uma nítida violência de gênero. A repórter relatou ter sido oprimida e ‘apertada’ pelo grupo, enquanto o deputado Coronel Crisóstomo gritava e cuspia em sua direção. Esse tipo de cerco agressivo contra uma mulher jornalista visa silenciar o questionamento legítimo e fragilizar a presença feminina nos espaços de poder e na cobertura política. Este não é apenas um ataque individual a Manuela Borges, mas um ataque frontal contra toda a categoria de jornalistas, contra a profissão e contra o próprio jornalismo”, declararam as entidades.
O ICL Notícias entrou em contato com os gabinetes dos parlamentares e a presidência da Câmara dos Deputados para registrar seus posicionamentos sobre o ocorrido, mas não obteve retorno até a publicação deste texto.
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