Por Luciana Gurgel

Como é costume no início de janeiro, o Instituto Reuters divulgou nesta semana suas previsões para o jornalismo no ano que se inicia. E, assim como nos últimos anos, elas são preocupantes e desafiadoras para a imprensa. A inteligência artificial generativa está no centro das atenções, mas não é a única fonte de preocupação para jornalistas e empresas jornalísticas.
Na abertura do relatório, o pesquisador Nic Newman destaca que, ao mesmo tempo em que a IA ameaça “derrubar a indústria de notícias, oferecendo maneiras mais eficientes de acessar e selecionar informações em larga escala”, criadores e influenciadores humanos estão impulsionando uma mudança em direção a conteúdo autoral.
Com isso, organizações de mídia correm um risco crescente de parecerem menos relevantes, menos interessantes e menos autênticas, segundo Newman.
Para ele, o jornalismo em 2026 estará ainda mais pressionado por essas duas forças poderosas e, em certa medida, opostas. De um lado, as máquinas reduzindo o tráfego de buscas para sites de notícias. Do outro, seres humanos fora das estruturas jornalísticas tradicionais ganhando terreno na preferência do público.
Newman chama esse movimento de “Manual Trump 2.0”: personalidades e políticos que ignoram completamente os jornalistas de veículos tradicionais, preferindo dar entrevistas a podcasters ou youtubers simpáticos a eles e, em muitos casos, ameaçando a imprensa independente com processos ou rotulando-a de fake news para minar sua credibilidade.
Mas o jogo ainda não está perdido. Com base em entrevistas com 280 editores de 51 países, incluindo o Brasil, o relatório do Reuters mostra a “reengenharia” em curso na imprensa para navegar na era da IA, com conteúdo mais relevante, humanizado e em diferentes formatos, que vão além do texto escrito.
Leia a matéria completa e acesse o relatório em MediaTalks.
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