Por Assis Ângelo

Pois é, eu disse e repito: dentro e fora da Bíblia há coisas de que até Deus duvida. Hehehe…

Não sei bem em qual versículo há prosa ou praga segundo a qual “Os olhos de quem zomba do pai ou despreza a obediência da mãe serão arrancados pelos corvos do ribeiro, e os filhotes da águia os comerão”.

A violência sem limites que marcou a Antiguidade e a Idade Média se repete ainda hoje diante de nossos olhos.

Ainda na Bíblia acham-se horrores previstos no Apocalipse.

Não são poucos os escritores que têm se debruçado sobre a questão da violência e previsões constantes nas páginas sagradas.

O cristianismo pega impulso após a morte de Jesus.

Não foram poucos os perseguidores de cristãos e do cristianismo.

Em nome de Deus, o povo e o Diabo fazem a festa.

A história registra as várias expedições das Cruzadas, entre os séculos 11 e 13.

Naqueles distantes tempos, Jerusalém estava nas mãos islâmicas. E o pau cantou, sobrando até pra multidões de meninos arregimentados pela Igreja. Veja só!

Acreditou-se em determinado momento que Jerusalém só seria retomada por mãos inocentes, puras.

Entre 7 de novembro de 1896 e 5 de outubro de 1897, algo terrível aconteceu no nosso patropi: cerca de 25 mil pessoas, entre velhos, mulheres e crianças, seguidoras do Conselheiro, foram massacradas pelo brioso Exército brasileiro daquele tempo.

Refiro-me aqui a Canudos, um pedaço de terra abandonado nos confins da Bahia e ocupado pelo cearense Antônio Vicente Mendes Maciel, o Antônio Conselheiro (1830-1897).

O que ocorreu lá em Canudos, o fluminense Euclides da Cunha (1866-1909) conta tintim por tintim no livro tornado clássico Os Sertões (1902).

Antes de Os Sertões, foi publicado O Rei dos Jagunços, de Manuel Benício, que era repórter do Jornal do Commercio.

Euclides e Manuel estiveram em campo, cobrindo a guerra.

Em 1981, o peruano Mario Vargas Llosa (1936-2025) publicou A Guerra do Fim do Mundo. Nesse livro, o autor mistura o real com o irreal. Entre seus personagens, há alguns que são da sua pura imaginação.

Vargas Llosa reconta o sangrento episódio com certa fúria. É como se lá estivesse de corpo e alma.

Há um momento no livro que um dos militares pede, pelo amor de Deus, que o matem. Isso porque, cego e maneta que ficou, já não aguentava as tantas dores que sofria. Seu nome: Pires Ferreira, tenente, participante ativo da primeira expedição derrotada a Canudos, em novembro de 1896.

No livro de Llosa, Euclides é identificado como o jornalista míope, que finda por apaixonar-se por uma cabocla de nome Jurema.

O escritor peruano não economiza tinta para mostrar a violência do massacre, que resultou em “um velho, dois homens feitos e uma criança, na frente dos quais rugiam raivosamente cinco mil soldados”, como Euclides define ao fim de Os Sertões.

O assassinato do ex-cangaceiro Pajeú, na obra de Llosa, que pagou os pecados ao seguir o Conselheiro, é chocante: seus olhos são furados, as orelhas arrancadas e a cabeça decepada.

Curiosidade: Antônio Vicente Mendes Maciel virou o Conselheiro e dedicou a vida a Deus depois de flagrar a mulher nos braços de outro homem. O contrário, exatamente o contrário, fez Euclides Rodrigues Pimenta da Cunha. Partiu para cima do rival disparando tiros perdidos. Em contrapartida, três balas o atingiram, matando-o.

Animais domésticos sempre fizeram a alegria de crianças e adultos.

José de Alencar, Euclides da Cunha e Machado de Assis são alguns dos nossos autores que não negavam a afeição por gatos e cachorros.

Ali por 1905, uma garotinha de nome Alba deu de presente a Machado um gatinho de cor preta. Ela era sua vizinha e tinha uns 7 anos de idade.

Gato preto tem dia nacional e internacional.

No Brasil o dia desse gato é 27 de novembro.

Por que falo disso?


Contatos pelos [email protected], http://assisangelo.blogspot.com, 11-3661-4561 e 11-98549-0333

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