Abril confirma demissões mas nega recuperação judicial

Diversos rumores circularam no mercado nessa quarta-feira (13/12) sobre novo grande corte de pessoal no Grupo Abril e que a empresa estaria entrando com um pedido de recuperação judicial face aos problemas financeiros que vem enfrentando nos últimos anos. Este Portal dos Jornalistas entrou em contato com a assessoria da empresa e esta, em comunicado do presidente executivo Arnaldo Figueiredo Tibyriçá, confirmou o primeiro mas negou o segundo.

“Ontem demos os primeiros passos de uma reorganização da Abril, que, infelizmente, envolveu o desligamento de alguns colaboradores”, informou Tibyriçá. “No entanto, esse movimento viabilizou um redesenho de estrutura e processos. Nosso objetivo com isso é lidar com um legado estrutural dos tempos em que tínhamos um portfólio de negócios mais diversificado e, ao mesmo tempo, ajustar a estrutura para alavancar nossos negócios atuais. É um movimento voltado para a eficiência e rentabilidade por meio da redução e simplificação da nossa estrutura.

Quanto a essa história de recuperação judicial, garanto que isso não faz parte da minha missão, porque a superação de nossos desafios não requer medidas desse tipo. E, profissionalmente, apesar da minha formação jurídica, eu não tenho nenhum interesse em participar de um cenário desses. Aceitei o desafio de ser presidente da Abril para gerar valor e lidar com desafios de negócios. Alimentar boatos equivocados como esse indica apenas um desconhecimento sobre nossos negócios”.

A exemplo de comunicados do gênero em outros cortes que promoveu, a Abril não informou o número de demitidos. Mas consultas a diferentes fontes permitem estimar que deve ficar entre 130 e 170 profissionais, até janeiro, dos quais de 14 a 17 jornalistas. As demissões atingiram inclusive o alto escalão da empresa. Dois que este Portal dos Jornalistas confirmou são Patrícia Weiss, que começou na empresa em julho passado como diretora da área de branded content, e Dimas Mietto, diretor de Vendas para a Audiência e do GoBox, marketplace de produtos de parceiros oferecidos a assinantes, na Abril desde janeiro de 2005.

Segundo Paulo Zocchi, presidente do Sindicato dos Jornalistas de São Paulo, hoje é difícil apurar quantos saíram pois, pela nova legislação trabalhista, as empresas não mais são obrigadas a homologar as demissões nos sindicatos. “Já sabíamos que haveria cortes, pois em setembro eles nos procuraram para informar isso e negociar o parcelamento de verbas rescisórias, o que os jornalistas da Abril recusaram”, lembra ele. “Mas fecharam acordo nesse sentido com os funcionários administrativos. Como sempre, nosso jurídico está à disposição para ajudar no que for necessário”.

Os rumores iniciais davam conta de que a sucursal de Veja em Brasília teria sido duramente atingida, o que havia até gerado pânico por lá. Entretanto, o Portal dos Jornalistas apurou que, até esta quinta-feira (14/12) pela manhã, nada na diferente havia acontecido na sucursal.

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