Mariah Morais, jornalista e escritora que foi a primeira mulher a comentar partidas de futebol na televisão brasileira, lançou o livro A Saga Cafu: O Grande Sonho (Trend Editora), que conta a trajetória do ex-jogador e capitão da Seleção Brasileira Marcos Evangelista, o Cafu, passando pelas dificuldades como as reprovações em peneiras, desafios para treinar na juventude, falta de recursos para se manter como jogador, até seu auge como capitão da seleção pentacampeã mundial.
O livro, que marca a estreia de Mariah como biógrafa, contém relatos do próprio Cafu, além de depoimentos de familiares, amigos e jogadores que atuaram com o craque. Os relatos são acompanhados de QR codes que levam para as versões em vídeo dos depoimentos, com o objetivo de “aproximar ainda mais os fãs do ícone do esporte brasileiro”, diz a autora, que cobriu duas Copas do Mundo e 11 Libertadores da América.
Machado de Assis foi um gigante da literatura brasileira. A sua obra corre mundo até os dias de hoje. E creio não ser exagero meu dizer que a sua obra inspira e direciona caminhos de poetas, contistas e romancistas de todos os naipes, desde que partiu, na manhã de 29 de setembro do já distante ano de 1908.
Tão grande como Machado foi o português José Saramago.
Machado de Assis
O “bruxo” do Cosme Velho, como era à boca miúda chamado Machado, começou a publicar seus escritos quando ali alcançava os 15 anos de idade. A primeira publicação foi um soneto dedicado a uma mulher que até hoje ninguém sabe quem.
Saramago (1922-2010) começou a publicar quando já respirava do alto dos seus sessentinha. Era bruxo como Machado, no campo da literatura.
Machado virou bruxo, segundo a lenda, por ter o hábito de queimar num tacho, no quintal da casa onde morava, coisas de que não gostava.
Lenda é lenda.
Saramago bruxo?
A pecha de bruxo a Saramago deve-se ao fato de que tirava da imaginação histórias do arco da velha. Com modificações, com começos e fins inimagináveis por seres ou leitores quaisquer. Parecia ser ele um ser de outro mundo.
Há grandes coisas e momentos em comum entre esses dois craques da literatura clássica.
José Saramago
Machado nasceu em berço paupérrimo. Seu avô era escravo e o pai nascido livre. A mãe morreu muito cedo e no seu lugar o pai pôs outra mulher. Essa foi de extrema importância na vida do nosso bruxo. Foi ela, uma doceira, que o alfabetizou.
Saramago também nasceu de pais pobres, no interior de Portugal. Estudou até os 12, 13 anos de idade. A grana da família não dava para bancar seus estudos. Virou serralheiro, desenhista e funcionário público antes de tornar-se quem se tornou.
Machado, como muita gente deve saber, era jornalista e funcionário público. Aliás, foi como jornalista que Saramago começou a ser conhecido no seu país.
Joaquim Maria Machado de Assis teve problemas seriíssimos com os olhos. Saramago também, só que sem gravidade.
Em 1995, José de Souza Saramago publicou Ensaio sobre a Cegueira. Saiu e continua saindo em várias línguas mundo afora. No Brasil, foram à praça cerca de 500 mil exemplares. Virou filme dirigido por Fernando Meirelles.
Papa Francisco
É livro que prende o leitor do começo ao fim. Começa com um motorista que se vê obrigado a parar diante de um farol vermelho. Ao virar verde, o farol se abre para os veículos. Um desses veículos continua parado e o motorista, em desespero, não sabe o que fazer. Esfrega os olhos e diz simplesmente: “Estou cego!”.
Machado nasceu pobre, Saramago nasceu pobre e aquele que se tornaria o Papa Francisco também nasceu pobre. Estudou, encheu a cabeça e boca de línguas virando professor de literatura. Falava latim, francês, espanhol, português, italiano e alemão. Inglês falava pouco, de modo reticente. Dá até para juntar sílabas e distribuí-las em linhas ou pés como versos são assim também chamados:
Originais do Brasil
Portugal e Argentina
Os três nasceram livres
Pra cuidar da própria sina
Pensando e discutindo
Nossa vida severina
Em 1991, Saramago publicou O Evangelho Segundo Jesus Cristo, romance que deixou a Igreja de cabelo em pé. Um tanto nervoso, Saramago chamou o papa de plantão, Bento XVI, de cínico. E palavras de baixo calão não usou para classificar Bento porque, diga-se de passagem, era moço de boa família e bem educado.
O fato é que esse livro de Saramago provocou a fúria dos católicos mais retrógados.
A fúria aumentou quando o escritor falou numa entrevista que “Bíblia é manual de maus costumes”. Disse, em seguida, que “o pecado foi inventado pela Igreja”.
Quando morreu nas Canárias, Espanha, Saramago foi alvo de pesadas críticas no L’Osservatore Romano.
Dez anos depois disso, o mesmo jornal tece loas sobre o escritor. Título: Saramago e a Miopia do Mal.
O último texto publicado sobre Saramago no L’Osservatore Romano teve caráter de paz entre o escritor e a Igreja.
Guerra da Igreja com autores ao longo do tempo não teve passo para trás, pelo menos até 1966. Nesse ano, o Índex foi oficialmente suspenso. Mas autores como Shakespeare, Maquiavel, Galileu, Descartes, Voltaire, Sartre e Vitor Hugo continuam com obras indesejáveis à visão da Igreja.
O mundo todo o viu
Tranquilamente rezar
Pedindo mais tempo a Deus
Para entre nós ficar
Seu desejo era fazer
À Terra a paz voltar
O Francisco papa foi chamado de o melhor representante da Igreja Católica. Era popular, estava sempre ao lado do povo. Pra ele, todos éramos iguais: preto, branco, gordo, magro, alto, baixo, careca e cabeludo… Masculino, feminino e gêneros outros que formam a nossa sociedade desde sempre.
Em junho de 2016, em audiência pública no Vaticano, o Papa aqui dito lembrou a história do cego de Jericó. Uma história fantástica. Nessa história, o personagem é Bartimeu, nascido cego. Cristo o curou.
O cego, como o sertão de Guimarães Rosa, está em toda parte.
O InfoMoney, portal especializado em economia, investimentos e negócios, lançou em 28/4 o InfoMoney Premium, newsletter gratuita com curadoria exclusiva de conteúdos publicados no site. A proposta é oferecer uma seleção especial de reportagens, entrevistas, artigos e análises sobre economia, negócios e finanças, escolhidos entre os mais de 25 mil conteúdos produzidos anualmente pelo veículo.
A iniciativa integra o projeto de lançamentos editoriais em comemoração aos 25 anos do InfoMoney. Na edição de estreia, os assinantes receberam um artigo exclusivo do economista Joseph Stiglitz, vencedor do Prêmio Nobel de Economia em 2001, além de outros conteúdos especiais. O acesso pode ser solicitado aqui.
O empresário João Camargo, presidente do think tank Esfera Brasil, adquiriu uma parte da Agência Infra, veículo de notícias especializado em infraestrutura. A participação deve ser anunciada oficialmente em 6 de maio, durante um evento na Casa ParlaMento, em Brasília. O percentual da aquisição e o valor da transação não foram divulgados. As informações são do Poder360.
Fundada em 2017, a Agência Infra é dirigida pelos jornalistas Dimmi Amora e Leila Coimbra. Conforme o expediente disponível no site do veículo, a redação é atualmente composta por 12 profissionais.
João Camargo também possui 30% da CNN Brasil e preside o conselho da emissora. Para ele, “infraestrutura é o chão onde o Brasil pisa e a base de tudo que queremos transformar”, e o acordo representa uma “união entre informação qualificada e ação concreta”. Em 2024, a CNN Money e a Infra já haviam firmado uma parceria editorial.
Estão abertas as inscrições para a etapa presencial do projeto Trilhas da Cobertura Climática, realizado pelo Instituto Bem da Amazônia em parceria com a iniciativa Amazônia Vox. A formação integra o programa Diálogos de Comunicação e ocorrerá nos dias 8 e 9 de maio, na sede da Federação das Indústrias do Estado do Pará (FIEPA), em Belém. O evento contará com painéis e oficinas gratuitas, com palestrantes de diversas regiões do país.
Além dos painéis, o Trilhas promoverá um diálogo com Ana Toni, secretária nacional de Mudanças do Clima e diretora executiva da COP 30, que abordará os compromissos do Brasil na área climática e o papel da comunicação no engajamento da sociedade. Os participantes também terão acesso a oficinas sobre jornalismo e clima, além de conhecer ferramentas para a cobertura jornalística do tema.
As inscrições para as oficinas serão realizadas presencialmente no momento do credenciamento. O evento terá transmissão ao vivo pelos canais do Instituto Bem da Amazônia e da Jornada COP+. Confira a programação completa aqui.
Jornalistas com trabalhos sobre saúde mental podem se inscrever até 15 de setembro no 11º Prêmio ABP de Jornalismo, promovido pela Associação Brasileira de Psiquiatria. Serão reconhecidas produções que contribuam para a conscientização e o combate ao estigma relacionado às doenças mentais.
Ao todo, são seis categorias: Canal (podcasts/YouTube), Influencer, Mídia Impressa, Online, Rádio e Televisão. Podem ser inscritos materiais publicados ou veiculados entre 10 de agosto de 2024 e 15 de setembro de 2025. O primeiro colocado de cada categoria receberá um troféu e prêmio em dinheiro no valor de R$ 7 mil.
A cerimônia de premiação ocorrerá em 5 de novembro, durante a abertura do XLII Congresso Brasileiro de Psiquiatria, no Rio de Janeiro. Interessados devem consultar o edital antes de realizar a inscrição.
Depois de seis anos na TVE Bahia, Rainan Peralva é o novo narrador esportivo da TV Bahia. Ele se destacou ao narrar o Campeonato Baiano desde a retomada das transmissões pela emissora pública, em 2021. Além de narrar os jogos, assume o quadro de esporte do Jornal da Manhã, comandado por Ricardo Ishmael e Camila Oliveira. Rainan também vai substituir o titular do Globo Esporte, Danilo Ribeiro, durante as férias e folgas deste.
Esta será a segunda passagem dele pelo Grupo Globo. Entre 2015 e 2019, foi narrador do SporTV, onde transmitiu jogos das Séries A e B do Campeonato Brasileiro, MLS, estaduais e diversos esportes olímpicos, incluindo sua atuação como um dos narradores dos Jogos Olímpicos do Rio, em 2016.
Mauricio Schleder morreu em 19/4, aos 79 anos, de um câncer agressivo diagnosticado há poucos meses. O enterro, no dia seguinte, foi no cemitério São Francisco Xavier, no Caju. Schleder era viúvo, deixou dois filhos – o deputado estadual Guilherme Schleder e o também jornalista Gustavo Schleder –, além de quatro netos.
Trabalhou em O Globo, O Dia, Jornal do Brasil e revista Veja. Seu ótimo texto levou-o a ser professor na UFF e na ECO-UFRJ. Chegava sempre às redações com muitos papéis, jornais e pastas, tudo dobrado debaixo do braço, um conjunto de textos de repórteres para revisão e trabalhos dos alunos. Mais recentemente, esteve na assessoria de Comunicação do Governo do Estado e dedicou-se a traduções.
Boêmio, torcedor do América e da Império Serrano, era considerado pelos companheiros um bom conversador, não apenas sobre futebol e samba, mas ainda sobre política – militante que foi do PCB na juventude – e assuntos ligados à cultura.
O Spotify, desde a fundação em 2008, tem desempenhado um papel central na transformação da indústria da música gravada. Ao longo de sua trajetória, consolidou-se como a maior plataforma de streaming musical do mundo − e, ao contrário de outras líderes do setor, permanece uma empresa independente, sem o respaldo de grandes conglomerados tecnológicos. Essa condição única forçou o Spotify a inovar constantemente em busca de sustentabilidade e rentabilidade, o que impulsionou sua evolução de um simples reprodutor de músicas licenciadas para um ecossistema multifacetado de áudio digital.
A primeira fase da empresa, o chamado Spotify 1.0, era marcada por um modelo claro e direto: oferecer acesso sob demanda a músicas licenciadas, com curadoria básica e personalização limitada. O foco estava no usuário que buscava as músicas que já conhecia, e na compensação direta aos detentores de direitos − que recebiam cerca de 70% da receita da plataforma. No entanto, esse modelo de custo fixo gerou tensões com investidores após a abertura de capital da empresa, devido à baixa margem de manobra e dependência das grandes gravadoras.
Na tentativa de romper essa limitação, o Spotify iniciou uma transformação estratégica que culminou no chamado Spotify 2.0. A partir de 2018, a plataforma passou a investir fortemente na diversificação de formatos e conteúdos. Essa nova fase foi marcada pelo crescimento de conteúdos não musicais, como podcasts, audiolivros e vídeos, além da introdução de formatos alternativos de música, como faixas de produção (também chamadas de “música de biblioteca”) e criações geradas por inteligência artificial − estratégia similar à adotada pela chinesa Tencent Music.
Com esse novo modelo, o Spotify passou a operar com uma estrutura de custos mais flexível e escalável, baseada em diferentes níveis de licenciamento e acordos diretos com produtores independentes. Um exemplo disso é o Modo Descoberta, que inverte o tradicional fluxo de receita do setor: em vez de pagar para acessar conteúdos, o Spotify passou a cobrar para promover faixas dentro do seu algoritmo de recomendação, transformando os detentores de direitos em seus clientes. Trata-se de uma inversão radical na lógica comercial do streaming.
O resultado foi uma plataforma centrada na hiperpersonalização algorítmica, onde o foco do usuário deixou de ser a conexão com artistas para tornar-se a experiência de consumo dentro do próprio ecossistema do Spotify. A curadoria automatizada, baseada em dados comportamentais, faz com que o algoritmo decida não apenas que tipo de música será ouvido, mas também se o conteúdo será musical ou não, a depender do contexto de uso do ouvinte.
O Spotify 3.0, que já começa a se desenhar, aponta para uma plataforma ainda mais autônoma em relação à indústria fonográfica tradicional. A tendência é que a empresa aprofunde sua aposta em conteúdos não musicais, valorize formatos alternativos e de menor custo de licenciamento, e simplifique sua proposta de valor a um ponto no qual o usuário não busca mais músicas específicas, mas confia que o Spotify entregará o conteúdo certo, no momento certo − seja ele uma música, um podcast, um audiobook ou qualquer nova forma híbrida de conteúdo.
Essa reconfiguração não ocorre isoladamente. Dados recentes da MIDiA Research e do relatório The Infinite Dial 2025 indicam que o áudio digital está em plena ascensão nos EUA, com 79% da população escutando áudio online mensalmente e 55% consumindo podcasts. O Spotify lidera como plataforma de streaming e também ganha espaço no mercado de podcasts, embora o YouTube tenha ultrapassado o serviço sueco como principal canal de escuta nesse formato, com 33% da preferência entre os ouvintes semanais.
Ao afastar-se progressivamente do modelo de dependência das grandes gravadoras e investir em modelos alternativos de receita, o Spotify demonstra não apenas adaptação, mas também visão de futuro. Se no passado a empresa foi fundamental para tirar a indústria fonográfica da crise da pirataria, agora ela caminha para ser um hub global de áudio e entretenimento multimídia, redefinindo o que significa “ouvir música” na era digital.
A metáfora utilizada no próprio mercado para descrever essa evolução é clara: se o Spotify 1.0 foi a lagarta e o 2.0 a crisálida, o 3.0 será a borboleta. Contudo, essa borboleta poderá bater asas não mais ao som da música tradicional, mas guiada por algoritmos, IA e formatos híbridos que transformam a própria noção de escuta.
Álvaro Bufarah
Você pode ler e ouvir este e outros conteúdos na íntegra no RadioFrequencia, um blog que teve início como uma coluna semanal na newsletter Jornalistas&Cia para tratar sobre temas da rádio e mídia sonora. As entrevistas também podem ser ouvidas em formato de podcast neste link.
(*) Jornalista e professor da Fundação Armando Álvares Penteado (Faap) e do Mackenzie, pesquisador do tema, integra um grupo criado pela Intercom com outros cem professores de várias universidades e regiões do País. Ao longo da carreira, dedicou quase duas décadas ao rádio, em emissoras como CBN, EBC e Globo.
O Grupo RIC, do Paraná, anunciou mudanças em diversos setores estratégicos. Entre as principais áreas está o Jornalismo, que passa a contar com nova direção de audiência e gerência regional. Ivete Azzolini foi escolhida para assumir o cargo de diretora de Produto, Conteúdo e Convergência (DPCC).
Formada em Jornalismo pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná, Azzolini tem 30 anos de experiência em televisão e atuou por 14 anos como gestora regional de jornalismo em todos os veículos do grupo. Na nova função, ela terá a missão de direcionar estrategicamente a audiência, gerenciando de forma integrada o portfólio transmídia e multiplataforma da empresa.
Ivete substitui a Carlos Aros, que acaba de assumir a Diretoria de Jornalismo da rede de rádios Jovem Pan. Com a mudança, Luana Vasconcelos retorna ao Grupo RIC para ocupar a Gerência Regional de Jornalismo.