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terça-feira, abril 28, 2026

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100 anos de Rádio no Brasil – Som invisível: nova tecnologia cria bolsões de áudio sem fones

(Crédito: Pawel Czerwinski na Unsplash)

Por Álvaro Bufarah (*)

Pesquisadores da Universidade Estadual da Pensilvânia (Penn State) desenvolveram uma tecnologia revolucionária capaz de transmitir som de forma direcionada, criando “enclaves audíveis” − zonas acústicas onde o áudio só pode ser ouvido por quem estiver no ponto exato de recepção. O conteúdo, inaudível fora desses bolsões, representa uma inovação promissora para privacidade sonora e personalização de conteúdo em espaços públicos. O estudo foi publicado originalmente no site The Conversation Brasil e republicado pela BBC em abril de 2025.

Utilizando feixes de ultrassom autoflexionados e o conceito de acústica não linear, a técnica cria um som audível apenas na interseção entre dois feixes de ultrassom com frequências ligeiramente diferentes. Esse ponto gera uma onda sonora audível (por exemplo, 500 Hz), que só se forma no espaço designado. Fora dali tudo permanece em silêncio. Isso permite, por exemplo, ouvir um podcast no metrô ou uma chamada telefônica na rua sem fones de ouvido − e sem que ninguém mais escute.

O professor Yun Jing, responsável pelo estudo, afirma que “a pessoa posicionada no enclave escuta claramente, enquanto quem está ao lado não ouve nada”. Já o pós-doutorando Jiaxin “Jay” Zhong, que liderou a execução dos testes, resume: “É como um fone de ouvido virtual, mas sem nada na sua cabeça”.

A tecnologia destaca-se por utilizar metassuperfícies acústicas, materiais especiais capazes de curvar as ondas sonoras no ar, assim como lentes ópticas fazem com a luz. Com isso, o som pode desviar de obstáculos, alcançar o ponto desejado e gerar o efeito apenas onde for necessário − criando experiências sonoras localizadas e não invasivas.

O sistema já foi testado com sucesso em distâncias de até um metro, com volume de 60 decibéis (nível de uma conversa comum), e os cientistas acreditam que poderá ser ampliado com ganhos em potência e alcance. A precisão da transmissão foi comprovada em experimentos com manequins simulando a audição humana.

(Crédito: Pawel Czerwinski na Unsplash)

As aplicações práticas dessa tecnologia têm potencial direto para o cotidiano urbano. Em bibliotecas, museus, shoppings ou salas de espera, por exemplo, diferentes pessoas poderão ouvir conteúdos distintos sem uso de fones de ouvido − e sem ruídos cruzados no ambiente. Em veículos, passageiros poderão ouvir músicas diferentes sem interferir no conteúdo do GPS do motorista. Já em espaços de trabalho, conversas sigilosas poderão ocorrer sem necessidade de salas fechadas ou equipamentos adicionais.

A longo prazo, espera-se que essa inovação mude radicalmente a forma como consumimos mídia e interagimos com sons no dia a dia. No lugar de fones, o conteúdo virá diretamente ao seu espaço pessoal. A publicidade poderá se tornar segmentada por localização sonora; plataformas de áudio sob demanda ganharão uma nova dimensão de imersão. E, em ambientes como escolas ou hospitais, o controle do som poderá tornar-se ferramenta pedagógica ou terapêutica.

Além disso, essa mesma tecnologia poderá ser usada para criar zonas de silêncio controlado, reduzindo a poluição sonora em áreas urbanas e melhorando a concentração em escritórios abertos ou até mesmo em espaços domésticos compartilhados.

Apesar do potencial transformador, a tecnologia ainda enfrenta obstáculos técnicos: o consumo energético é elevado e a qualidade do som pode ser impactada por distorções não lineares. No entanto, a equipe da Penn State está otimista com os avanços futuros.

“O que apresentamos é um novo paradigma para o controle do som”, destaca Yun Jing. “Não se trata apenas de ouvir melhor, mas de escolher onde, quando e como o som deve existir”.

Em um mundo cada vez mais conectado, hiperestimulado e multitarefa, a criação de enclaves audíveis representa uma evolução natural da personalização sonora. E, ao que tudo indica, esse som invisível, privado e preciso poderá em breve fazer parte da rotina de milhões de pessoas − mesmo sem que ninguém mais perceba.


Álvaro Bufarah

Você pode ler e ouvir este e outros conteúdos na íntegra no RadioFrequencia, um blog que teve início como uma coluna semanal na newsletter Jornalistas&Cia para tratar sobre temas da rádio e mídia sonora. As entrevistas também podem ser ouvidas em formato de podcast neste link.

Transpodata anuncia vencedores do 8º Prêmio Top of Mind do Transporte 2025

Transpodata anuncia vencedores do 8º Prêmio Top of Mind do Transporte 2025
Crédito: Revista Transpodata

Após quase 2.500 votos válidos coletados, a revista Transpodata anunciou os vencedores do 8º Prêmio Top of Mind do Transporte 2025, que premia as melhores empresas e veículos que estão na linha de frente do transporte rodoviário de cargas. O evento de premiação, realizado em 23/4, no Distrito Anhembi, em São Paulo, reuniu cerca de 120 convidados.

No evento, além da entrega do troféu aos vencedores em cada uma das categorias, Rinaldo Machado, diretor-geral do Grupo TranspoData, anunciou uma joint venture com o Grupo MAFA, em iniciativa que levará painéis de LED inteligentes para rodovias de todo o País. Também anunciou o TRUCK X, evento sobre transporte rodoviário de cargas, de 24 a 27 de julho, no Posto Arco-Íris, em Roseira (SP). O encontro será, para além de uma feira ou congresso, um hub de experiências, negócios e conteúdo.

Leia a edição especial com a lista completa dos vencedores aqui.

Cláudia Pires e Flávia Ragazzo montam a & Pires Ragazzo Comunicação

Cláudia Pires e Flávia Ragazzo montam a & Pires Ragazzo Comunicação
Crédito: Reprodução/Redes Sociais

Cláudia Pires e Flávia Ragazzo tornaram-se sócias e montaram a agência Pires & Ragazzo Comunicação Estratégica, focada, como elas contam, em desenvolver uma comunicação transparente, segura e integrada, com foco sobretudo em Sustentabilidade e ESG, fruto da experiência de ambas nessas áreas.

Cláudia trabalhou na grande imprensa, em empresas como Folha de S.Paulo, Thomson Reuters e Editora Abril, migrando para a comunicação corporativa, tendo atuado em Máquina e S2Publicom (em duas oportunidades), Tree e FSB Comunicação.

Flávia foi da comunicação de Centro Cultural São Paulo, São Paulo Cia da Dança, ML&A Comunicações, Index Assessoria, Ideal H+K Strategies, And, All, Avianca, BCW Global e grupo Report, além de ter fundado a Parc Malou, para atuar nos segmentos de conteúdo, design e tecnologia.

20º Congresso da Abraji abre inscrições

20º Congresso da Abraji abre inscrições
Crédito: Reprodução/Abraji

Estão abertas as inscrições para o 20º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo da Abraji. O evento será realizado de 10 a 12 de julho, e o Domingo de Dados acontecerá em 13 de julho, ambos no campus Álvaro Alvim da ESPM, em São Paulo. Nesta edição não haverá atividades pré-gravadas ou exclusivamente online, apenas algumas serão transmitidas gratuitamente.

No primeiro lote, os ingressos custam entre R$ 160 e R$ 420 para o Congresso; entre R$ 50 e R$ 120 para o Domingo de Dados; e entre R$ 210 e R$ 540 para o combo. Associados têm direito a preços especiais.

Entre os destaques das trilhas temáticas deste ano estão a aplicação da inteligência artificial no jornalismo e a Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas e Meio Ambiente (COP30), que será realizada em novembro, em Belém. A programação completa será divulgada em breve, mas os nomes já confirmados podem ser conferidos aqui.

Eco Nordeste conquista selo de compromisso com o público do Projor

Eco Nordeste conquista selo de compromisso com o público do Projor

A Agência de Conteúdo Eco Nordeste, site focado em jornalismo de soluções para o Desenvolvimento Sustentável no Nordeste do Brasil, conquistou o selo de compromisso com o público do Instituto para o Desenvolvimento do Jornalismo (Projor). O veículo obteve a pontuação máxima no Programa de Indicadores de Compromissos com o Público, com o total de 11 indicadores conquistados, o máximo possível dentro da iniciativa.

O programa do Projor, que visa a incentivar e valorizar o jornalismo confiável, de qualidade e comprometido com seu público, identifica em sites de mídia a presença dos 11 seguintes indicadores: Expediente, Princípios editoriais, Política de correção de erros, Afiliação a associações setoriais do jornalismo, Acesso aos profissionais da redação, Propriedade do veículo, Identificação clara de conteúdos patrocinados, Transparência de financiamento, Identificação de autoria, Política de privacidade e Acessibilidade.

A Eco Nordeste se junta à lista de veículos que gabaritaram os 11 indicadores de compromisso com o público do Projor. Além da Eco Nordeste, integram a lista Periferia em Movimento, Agência Pública, Revista Azmina, Tribuna de Jundiaí e Folha de S.Paulo. Além de valorizar o jornalismo confiável, o programa visa também a incentivar transparência e responsabilidade nos sites da imprensa.

“Para a Eco Nordeste este selo é a comprovação de que as escolhas que temos feito nos levam ao encontro das necessidades da nossa audiência de informações acessíveis, produzidas de forma independente e que fomentem uma consciência crítica na nossa sociedade”, afirmou Maristela Crispim, fundadora e editora-chefe da Eco Nordeste.

Festival 3i será de 6 a 8 de junho

Festival 3i será de 6 a 8 de junho
Crédito: Reprodução/Ajor

A Associação de Jornalismo Digital (Ajor) divulgou as datas do Festival 3i 2025: 6, 7 e 8 de junho, na ESPM, no Rio de Janeiro. O evento reunirá estudantes, jornalistas, lideranças de iniciativas jornalísticas, empreendedores e pesquisadores para debater e contribuir com o futuro do jornalismo.

Em sua sexta edição, o festival contará com as tradicionais mesas de debate, além de workshops, cases de sucesso, apresentações de pesquisas sobre o campo jornalístico e o ambiente informacional, entre outros formatos. A programação completa será divulgada em breve. Os ingressos já estão disponíveis e podem ser adquiridos por aqui.

Trump, 100 dias de governo: os ataques à imprensa em dez números, segundo a Repórteres Sem Fronteiras

Por Luciana Gurgel

Luciana Gurgel

Em seus primeiros 100 dias na Presidência dos Estados Unidos, Donald Trump foi muito além de sua já conhecida animosidade contra jornalistas e veículos de imprensa considerados por ele “inimigos do povo”. Ele surpreendeu até os pessimistas com ataques ainda mais violentos e extensos contra a liberdade de imprensa do que os que havia praticado no primeiro mandato.

A Repórteres Sem Fronteiras (RSF) publicou um levantamento com dez números impactantes que ilustram o que chamou de “ataque inconstitucional do governo Trump à liberdade de imprensa e ao direito a informações confiáveis” nos EUA e no mundo.

Segundo a RSF, Trump atacou a credibilidade, independência e sustentabilidade da mídia tanto pessoalmente quanto no exercício do cargo. Durante a campanha presidencial, ele já despejava insultos contra jornalistas e ameaçava mobilizar o aparato estatal contra os meios de comunicação críticos.

“Nos primeiros 100 dias, ele mostrou que não estava blefando”, afirma a RSF.

O levantamento da RSF aborda temas como o bloqueio do acesso da imprensa a eventos oficiais, a remoção de páginas governamentais da internet, a hostilidade verbal contínua em redes sociais, processos judiciais contra veículos de mídia, cortes de financiamento que ameaçaram o jornalismo público e internacional, o perdão presidencial a agressores de jornalistas, além de pressões sobre organizações de mídia por meio da Federal Communications Commission (FCC).

A RSF salienta que, além de restringir a liberdade de imprensa internamente, as ações de Trump têm repercussões globais, incentivando práticas semelhantes em regimes autoritários.

Para conhecer em detalhes cada número e entender a gravidade dos ataques, confira o artigo completo em MediaTalks.


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Esta semana em MediaTalks

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Miriam Leitão é a mais nova imortal da ABL

Miriam Leitão é a mais nova imortal da ABL

Por Cristina Vaz de Carvalho, editora de J&Cia no Rio

Miriam Leitão foi eleita nesta quarta-feira (30/4) para a cadeira 7 da Academia Brasileira de Letras, sucedendo ao cineasta Cacá Diegues, morto em fevereiro. A data da posse ainda será definida.

Mineira de Caratinga, tem 72 anos de idade e 53 de carreira. Começou a trabalhar na imprensa do Espírito Santo, mudou-se depois para Brasília e São Paulo até se radicar no Rio, em 1986. Esteve na Gazeta Mercantil, no Jornal do Brasil e chegou ao Grupo Globo em 1991.

Colunista de O Globo, comentarista na rádio CBN e no programa Bom dia Brasil da TV Globo, apresenta um programa de entrevistas na GloboNews e mantém um blog. Profissional multiplataforma, no jornalismo descreve o País em termos econômicos, políticos e ambientais. Mais do que números, analisa pessoas que representem os fatos, e traduz temas complexos em linguagem acessível. São dessa vivência livros como A democracia na armadilha: crônicas do desgoverno, de 2022, e Amazônia na encruzilhada: o poder da destruição e o tempo das possibilidades, de 2024.

Tem 16 livros publicados, em gêneros tão diferentes como crônica, romance, literatura infantil e não ficção. Dentre seus títulos mais conhecidos, destaque para Saga brasileira, sobre os desafios econômicos do país – Prêmio Jabuti de Não Ficção em 2012 ­– e o romance Tempos extremos, no cenário de dois períodos marcantes da História, a escravidão e a ditadura militar. Recebeu, entre outras honrarias, o internacional Maria Moors Cabot.

Vale lembrar que ela foi muitas vezes apontada a +Admirada da Imprensa de Economia, Negócios e Finanças, eleição anual promovida pelo Jornalistas&Cia, e que também recebeu o Prêmio Personalidade da Comunicação, da Mega Brasil.

Presa e torturada na juventude, destacou-se na defesa da democracia e da liberdade de expressão, o que lhe rendeu, no ano passado, o Troféu Juca Pato, concedido pela União Brasileira de Escritores ao intelectual do ano. Por sua atuação na imprensa, recebe críticas da esquerda e da direita, aparece com frequência nas redes sociais e já foi alvo de fake news.

Agitada e incansável, a autora não se contenta com os assuntos profissionais. Escreveu para a terceira geração da família obras contendo algumas de suas preocupações ambientais, e encontrou-se também com o público infanto-juvenil. O próximo livro, Lulli, a gata aventureira, será publicado este ano.

Miriam Leitão comenta o ingresso na Academia: “Ainda estou impactada com a eleição, é uma honra gigante ingressar em uma instituição que defende a literatura, o Brasil e a língua portuguesa. Eu queria fazer parte desse momento da casa, que é de muita abertura para o Brasil, para novos temas, novas ideias, e sempre mantendo a tradição e a memória institucional”.

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