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domingo, abril 12, 2026

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Entidades repudiam ataques de Ciro Gomes a jornalistas

A Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) e o Sindicato dos Jornalistas Profissionais de São Paulo (SJSP) emitiram nota de repúdio aos ataques do ex-ministro Ciro Gomes (PDT) a Paulo Moreira Leite (Brasil247) e Kiko Nogueira (Diário Centro do Mundo), durante entrevista cedida ao portal UOL, que foi ao ar em 13 de outubro.

Ciro afirmou que os sites Brasil247 e Diário Centro do Mundo são “tudo picareta que o PT contrata nas piores escolas do jornalismo brasileiro e traz para servi-lo fazendo a prática corrupta que fazia a direita bandida do Brasil para eles”. O pedetista também atacou diretamente os dois jornalistas citados, ao dizer que “Kiko Nogueira saiu da Editora Globo por práticas corruptas. Paulo Moreira Leite saiu da Abril, que foi onde fazia picaretagem a serviço da pior direita corrupta do Brasil”.

Em nota conjunta, as entidades solidarizaram-se com os dois jornalistas, desmentindo algumas falas do ex-ministro: “Kiko Nogueira nunca trabalhou na revista Época, nem Paulo Moreira Leite foi demitido da Editora Abril, diferentemente do que disse Ciro Gomes. Ao vincular de forma injustificada os jornalistas a ’práticas corruptas‘ e ’picaretagem‘, Ciro expressa de fato é a vontade de calar o trabalho jornalístico”.

A nota também criticou os ataques: “Numa sociedade democrática, qualquer cidadão tem o direito de criticar a imprensa e de se posicionar em relação a reportagens ou à linha editorial de veículos de comunicação. O que Ciro Gomes faz, em entrevista divulgada no domingo (13/10), porém, é partir para agressões verbais sem fundamento e para acusações sem provas. Passa, assim, a atacar a liberdade de imprensa e a prática do jornalismo”.

Leia a nota conjunta da Fenaj e do SJSP na íntegra.

Kiko e Paulo afirmaram que iam processar Ciro.

Rádio Nova Brasil alia-se à Rede Tambaú de Comunicação (Maceió)

Inaugurada em 10/10, a Rádio Nova Brasil, de Maceió, passa a fazer parte da Rede Tambaú de Comunicação, responsável por TV Tambaú/SBT (Paraíba), Jovem Pan de João Pessoa e o Portal T5, afiliado do NE10/UOL.

Operando de forma experimental desde 1º/10, a rádio inclui em sua grande o programa Nova Manhã, noticioso que vai ao dar das 6h às 8h, apresentado por Thaíse Cavalcante e Juliana dos Anjos, além do melhor da MPB, foco da Nova Brasil. Gilka Mafra apresenta o quadro Minuto da Gilka, abordando assuntos de comportamento, com várias edições ao longo da programação.

Carla Ponte, diretora do Grupo Marquise, que investiu aproximadamente R$ 2 milhões na rádio. diz estar muito feliz em ver o projeto sair do papel: “Temos certeza de que a programação será bem recebida. Investimos em conteúdo de qualidade com vozes já muito conhecidas e reconhecidas pelos alagoanos, além de um repertório musical que resgata o valor da nossa música popular brasileira. É uma honra para nós poder oferecer isso para o mercado”.

“Futebol e política não são dissociáveis”

Fernado Rosseto (esq.), Mônica Toledo, José Paulo Florenzano, Breiller Pires e Ubiratan Leal

Por Victor Félix Arakaki, de J&Cia

A mesa Manifestações Políticas no Futebol, realizada em 11/10 na 41ª Semana de Jornalismo da PUC-SP, reuniu comentaristas esportivos e membros de torcidas num grande debate sobre a relação entre política e futebol, que, segundo os participantes, não são dissociáveis.

O evento, mediado por José Paulo Florenzano, antropólogo e professor da PUC-SP, teve participação de Ubiratan Leal (ESPN), Breiller Pires (ESPN), Mônica Toledo (Toda Poderosa Corinthiana) e Fernando Rosseto (Palmeiras Antifascista).

Os participantes refletiram sobre as diversas vezes em que o mundo da política foi inserido no mundo futebolístico ao longo da história. Ubiratan Leal citou o exemplo do ex-presidente Lula, comparando-o com o atual presidente, Jair Bolsonaro: “Ele usou o futebol como plataforma para se promover. Incluía o futebol no discurso como forma de se aproximar do povo. Mas Bolsonaro também usa esse artifício, ao vestir camisas de diferentes times de futebol do Brasil para passar a impressão de homem simples, do povo. Além disso, frequenta vários jogos para obter mais apoiadores”.

Breiller refletiu sobre o quão único é o uso do futebol como plataforma política de Bolsonaro: “Há algo diferente nesse movimento populista de extrema-direita de Bolsonaro. Nunca vi um político apropriar-se dessa maneira do espetáculo e contar com tanta subserviência de clubes e federações. Por exemplo, no intervalo do jogo entre Brasil e Argentina, na Copa América, ele entrou em campo como se fosse um popstar. Obviamente, o presidente da República merece deferência, mas não é papel de nenhuma autoridade estar dentro do campo de nenhuma partida e acenar para o povo”.

O comentarista também abordou a elitização dos estádios na discussão: “Hoje, os estádios representam a elite. A elitização do futebol proporcionou isso. Na verdade, foi a elite que ovacionou Bolsonaro naquele jogo, não representava toda a sociedade”.

Ubiratan afirmou que os atletas são como “um espelho, vistos como exemplo. As opiniões deles nem sempre são as mais embasadas, mas são relevantes e mais ‘populares’, no sentido de chegarem a mais gente”. Ele citou o exemplo da final da NFL, o Superbowl, maior evento esportivo do mundo: “O Superbowl é o evento esportivo cujo minuto para comercial na TV é o mais caro no mundo. Imagine aproximadamente 50% de todas as TVs americanas ligadas no Superbowl, a quantidade de dinheiro é absurda. Colin Kaepernick, atleta do 49ers, que disputou a final de 2013, permaneceu sentado durante a execução do hino dos Estados Unidos em protesto à forma como as autoridades policiais americanas tratam os negros. Imaginem a quantidade de gente que viu essa cena, que acompanha o esporte e vê o atleta como exemplo; elas pensarão: ‘se ele fez, eu também posso fazer’. Essa mensagem passou um grande recado”.

Ainda sobre o assunto, Breiller lembrou o posicionamento político de Felipe Melo, jogador do Palmeiras: “Felipe Melo é uma figura controversa. Achei um avanço o fato de um jogador de alto nível posicionar-se abertamente. Foi corajoso, pois, a partir do momento em que ele se posiciona, torna-se vidraça para muita gente que passa a atacá-lo pelo que ele representa fora do campo. Mas é importante lembrar que ter opiniões políticas divergentes às dele não pode ocasionar a contaminação da crítica ao trabalho de Felipe Melo como jogador”.

Ele referiu-se ainda às origens dos jogadores: “É preciso ver como é a formação desses atores das manifestações políticas no futebol. Têm uma rotina de violência, de cerceamento. Eles vêm de regiões afastadas, passam a infância longe da família, longe da escola, em meio masculinizado. Aos 14 anos já são considerados profissionais, mercadorias pelo clubes, que tratam os jogadores como gado. Eles treinam, descansam, alimentam-se e dormem. Não são estimulados a nada, a terem formação acadêmica ou formação política, a se expressarem, e quando tentam fazer algo fora dessa casta são impedidos por empresários e dirigentes do clube. O foco é o futebol. Então, como nós, da imprensa, vamos cobrar deles um posicionamento político que, às vezes, eles nem têm?”

“Porém a figura de Felipe Melo mostra que não só a elite ou pessoas de direita votaram em Bolsonaro, mas também das periferias, de contextos de vida semelhantes aos de Felipe Melo, que é de origem pobre”, prosseguiu Breller. “E aqui faço uma crítica à mídia esportiva em geral: perdemos essa oportunidade de problematizar, de entender as razões que levam uma figura como ele a se posicionar ao lado do Bolsonaro, mesmo tendo uma origem social humilde que, em tese, indicaria um outro tipo de posicionamento”, disse.

O comentarista da ESPN também discorreu sobre como grandes clubes, muitas vezes, tomam atitudes que contrariam suas histórias: “Os dirigentes do Palmeiras, que fazem parte de uma parte elitizada da sociedade, não conhecem a história do clube que dirigem. Se conhecessem, nunca deixariam um candidato como Bolsonaro, com suas falas xenofóbicas, contra imigrantes, entrar no estádio, utilizar um título como palanque político e levantar a taça do clube. O Palmeiras, que tem origens italianas e que foi vítima de uma campanha difamatória que associava sua imagem ao fascismo justamente por conta desta origem. Outro exemplo é o Corinthians, que também tem suas contradições. É um clube popular, de massa, mas a diretoria hoje não age conforme a história do clube, pois entrou em contato com candidatos de extrema direita, como Major Olímpio, que recebeu medalha do clube e que faz campanhas contra torcidas organizadas, contrariando a Gaviões da Fiel, que é, talvez, o maior movimento político de torcidas do Brasil.

Para finalizar, Breiller afirmou que os clubes precisam entender “suas dimensões políticas. Muitas vezes eles se permitem apequenar por quererem entrar nesse jogo político, buscar benefícios ao se aliarem ao poder, é preciso ter visão crítica sobre esse fenômeno”.

Prêmio Vladimir Herzog anuncia vencedores

A comissão organizadora da 41ª edição do Prêmio Vladimir Herzog de Anistia e Diretos Humanos anunciou, na sexta-feira (11/10), a lista dos vencedores nas categorias Arte, Fotografia, Produção jornalística em texto, Produção jornalística em vídeo, Produção jornalística em áudio e Produção jornalística em multimídia.

A premiação será em 24/10, no Tucarena, em São Paulo (TUCA – Perdizes), das 14h às 18h. Haverá também uma roda de conversa com os vencedores sobre o caminho percorrido para a execução de suas matérias.

Confira os vencedores e menções honrosas

Arte

Vencedor: TiraNathallia Santos Fonseca, Eduardo Nascimento, Roberta Veras (Portal Leia Já – Recife)

Menção honrosa: Edição Ilustrada de 70 Anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos – Celso Hartkopf Lopes Filho, João Lin, Laura Pascoal, Marília Feldhues, Mascaro, Maurício Nunes, Mello, Priscila Lins, Raoni Assis, Raul Luna, Raul Souza, Rodrigo Gafa, Roger Vieira, Simone Mendes, Thales Molina, Wictor Outro, Bia Melo, Biarritzzz, Catarina Dee Jah, Celso Filho, Clara Moreira, Clara Nogueira, Clara Simas, Eduardo Nóbrega, Felipe Vaz, Guilherme Moraes, Hana Luzia, Ianah, Isabela Stampanoni, Isabella Alves, Joana Liberal, Janio Santos, Hermano Ramos, André Valença, Arthur Braga, Raul Souza (Revista Continente – Recife)

Fotografia

Vencedor: Exército detém dez militares ligados a assassinato de músico no RioFabio Alarico Teixeira (El País – Rio de Janeiro)

Menção honrosa: Direito a MoradiaFabiane de Paula Souza (Diário do Nordeste – Fortaleza)

Áudio

Vencedor:LGBTfobia: Medo de quê? Gabriela Viana dos Santos Dayube, Lucas Soares, Claudio Antonio, Caroline Tamassia, Luiz Nascimento (Rádio CBN – São Paulo)

Menção honrosa: Chico Mendes, a voz que não cala Sarah Oliveira Fernandes (Brasil de Fato – Santo André/SP)

Multimídia

Vencedor: Sem direitos: o rosto da exclusão social no Brasil Adriana Barsotti Vieira (Projeto Colabora – Rio de Janeiro)

Menção honrosa: Segunda chance Maryna Moraes, PH Correia, Leonardo Vasconcelos, Felipe Ribeiro, Guilherme Castro, Eduardo Mafra, Danilo Souto Maior (JC Online – Recife)

Texto

Vencedor: Matança da PM em Milagres e a invenção da resistência Antônio Melquíades Júnior, Messias Vasconcelos Borges, Emerson Rodrigues da Silva, Kílvia Muniz Silveira, Creuza Amorim Pitombeira, Thiago Gadelha, João Lucas Rosa, Abrahan Lincoln de Souza, Raimundo César Benevides (Diário do Nordeste – Fortaleza)

Menção honrosa: O meio ambiente como estorvoBernardo Esteves Gonçalves da Costa (Piauí – Rio de Janeiro)

Vídeo

Vencedor: 70 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos – conquistas e fracassos Betina Anton, Renata Ribeiro, Rodrigo Alvarez, Ilze Scamparini, Carlos Gil, Tiago Eltz, Rômulo Nunes, Adejair Graciano, Cláudio Perricelli, Gabriel Larangeira, Diogo Dubiella, Marcos Aidar, Kunihiro Otsuka, Fabio Sermonti, Mario Câmera, Felippe Coaglio, Franklin Feitosa, Maurizio della Constanza, Chris Kosta, Jeferson Ferreira (TV Globo – São Paulo)

Menção honrosa: O Paciente Invisível Aline Beckstein, Bianca Vasconcellos, Thaís Rosa, Paula Abritta, Eduardo Viné Boldt, William Sales, Jefferson Pastori, João Marcos Barboza, Maikon Matuyama, Rodger Kenzo, Adriana Vanin, Lucas Souza Pinto, Caio Araújo, Ivan Meira, João Batista Lima, Wladimir Ortega (TV Brasil – São Paulo)

Entidades repudiam ataques de Bolsonaro à imprensa

A Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) e o Sindicato dos Jornalistas Profissionais do DF (SJPDF) repudiaram os ataques do presidente Jair Bolsonaro à imprensa, ao ser questionado sobre as denúncias de tortura em presídios no Pará. A imprensa, segundo o presidente, é “fétida”.

O caso ocorreu em frente ao Palácio da Alvorada, em Brasília, depois de uma pergunta feita por um repórter sobre a ação Ministério Público Federal do Pará, que pede a investigação de possíveis práticas de tortura na região.

“Meu Deus, eu não sou pastor, não” declarou Bolsonaro. “Meu Deus, salve, lave a cabeça dessa imprensa fétida que nós temos. Lave a cabeça deles. Que bote coisas boas dentro da cabeça. Que possam perguntar e ajudar a publicar matérias para salvar o nosso Brasil. Eles não viam problemas nos governos anteriores”.

Em nota, a Fenaj e o SJPDF repudiam a fala de Bolsonaro: “Nós, jornalistas, enfrentamos um brutal e sistemático ataque do próprio governo federal que vem no sentido de nos calar, a partir do crescente discurso de desconfiança e deslegitimação, que resulta em ataques verbais e físicos, perseguição e até mesmo assassinato de trabalhadoras e trabalhadores da nossa categoria”.

Leia a nota de repúdio na íntegra.

Companhia das Letras adquire a Zahar

O grupo editorial Companhia das Letras, que publica muitas obras de jornalistas, adquiriu o controle total da editora Zahar, por valores não revelados. A Penguin Random House detém 70% do grupo.

Luiz Schwarcz, CEO e fundador da Companhia das Letras, considera Jorge Zahar um dos mentores no seu processo de formação como editor e publisher. Durante cerca de 30 anos, a Zahar distribuiu os livros da Companhia das Letras no Rio, enquanto a editora paulista distribuía os livros da Zahar nas livrarias de São Paulo. Por muito tempo, as duas editoras também dividiram o mesmo estande nas bienais internacionais do livro. As duas casas têm catálogos de grande aceitação, e que se complementam.

A editora carioca, que era dirigida por Ana Cristina Zahar, filha de Jorge, Mariana Zahar, neta e vice-presidente do SNEL – Sindicato Nacional dos Editores de Livros, e Ana Paula Rocha, diretora de Operações, continuará com sede no Rio, mantendo apenas Ana Cristina como consultora editorial. O processo de integração terá início ainda em outubro, conduzido por um comitê que contará com membros dos dois grupos.

Marco Nascimento estreia na Direção de Jornalismo da Record TV Rio

Marco Nascimento

* Por Cristina Vaz de Carvalho, editora de Jornalistas&Cia no Rio de Janeiro

“Cada vez mais, a fonte primária de notícias passa da TV para a internet. As pessoas procuram identificação com quem confiam. Por isso, é importante imprimir a marca Record como fonte confiável de notícias.”

Marco Nascimento assumiu, no final de setembro, a Direção de Jornalismo da Record TV Rio. Paulista de Ourinhos, 58 anos, tem mestrado em Comunicação e Semiótica pela PUC-SP. Voltou recentemente à Record, emissora em que esteve por quatro anos, até 2014. Nascimento substitui a André Ramos, contratado pela CNN Brasil para o escritório de Brasília da nova emissora.

Nascimento conversou com Jornalistas&Cia sobre o cenário favorável que encontrou e o alinhamento, com a sede em São Paulo, de seus planos para o futuro do jornalismo no Rio.

Jornalistas&Cia – Conte um pouco de sua experiência no jornalismo.

Marco Nascimento – Comecei na imprensa escrita, em Veja, IstoÉ, e no Estadão fui repórter e editor de Geral. Em 1990, comecei na TV Cultura, passei oito anos e fui chefe de Redação na fase em que ela teve maior visibilidade. Foi uma grande vitrine, e depois não deixei mais a televisão.

(NdaR.: Seguiu carreira na Rede Globo, como diretor da Globo Minas, em Belo Horizonte, e chefe de Redação em São Paulo. Dirigiu o Jornalismo da TV Gazeta de Alagoas, em Maceió, e depois a TV Gazeta de São Paulo. Esteve na Record, como editor executivo, e no SBT, como chefe de Redação.)

J&Cia – Está morando definitivamente no Rio?

Marco – Sim, depois de 40 anos em São Paulo, com passagens por Belo Horizonte e Maceió. Aguardo o fim do ano letivo para trazer a família. Sequer tive tempo de sair da TV para ver onde vamos morar, ou escola para as crianças. Provavelmente, será mais perto da TV, para não enfrentar os engarrafamentos. Outro dia levei duas horas para chegar ao aeroporto.

J&Cia – Trouxe alguém para a sua equipe ou pretende trabalhar com quem já está aqui?

Marco – Em princípio, não. Encontrei uma equipe excepcionalmente profissionalizada, não só no Jornalismo, mas também os talentos do vídeo. Nas minhas passagens por emissoras, aprendi a reconhecer os talentos, a aproveitá-los e a trabalhar com as equipes. Estou muito animado e bem impressionado com a equipe que encontrei.

J&Cia – O que conhece do Rio?

Marco – São Paulo é a cabeça de rede e, assim, conheço o Rio pela televisão. Como chefe de Redação em São Paulo, vinha muito ao Rio. No tempo da Globo Minas, fazia plantões no Rio. Conheci quase como profissional. O Rio de Janeiro é uma praça única. Tem suas peculiaridades, uma forma muito diferente de ver, e com isso temos que trabalhar. Não dá para impor formatos e linguagens de outros lugares. Tenho que fazer a lição de casa, estudar mesmo os principais destaques e as características da cidade e do Estado.

Compromisso com a inovação

J&Cia – O portal R7 também está sob seu comando?

Marco – O R7 tem a gestão feita por São Paulo, e aqui tem um braço, a equipe do R7, reunindo conteúdos de TV dentro de um feed. Temos muitos projetos para ampliar a participação da Record Rio na internet.

J&Cia – Quais são esses projetos?

Marco – Hoje, o compromisso da Rede Record é com a inovação. Até por minha passagem pela Academia, sei que o que a internet trouxe foi aceleração. Funcionou como um grande acelerador: a notícia está em várias plataformas. Mas 50% de nossos espectadores sequer têm acesso à internet. Foi o resultado de uma pesquisa anual do Instituto Reuters, de 2016, com uma amostragem muito grande, de 12 mil entrevistas em vários países. De coincidência, o estudo concluiu que, cada vez mais, a fonte primária de notícias passa da TV para a internet, que apareceu com 52% da preferência. E a tendência desse número é aumentar.

A Secretaria de Comunicação do Governo Federal (Secom), num estudo brasileiro, identificou nacionalmente 50% de telespectadores. Há versões dos anos seguintes, mas o fato é que as pessoas acessam a internet, as redes sociais, e procuram identificação com quem confiam. Por isso, é importante imprimir a marca Record como fonte confiável de notícias.

O jornalismo vai determinar o que é verdade e o que não é. Falam no fim do jornalismo. Ao contrário, jornalismo será uma ferramenta vital. O desafio é encontrar formas criativas de apresentá-lo. Esse novo mundo é tátil, volátil, instantâneo, e a TV não lhe pode virar as costas.

Aumento da audiência passa por novas formas de se comunicar

J&Cia – O jornalismo da Record Rio passa por um momento de crescimento da audiência?

Marco – Audiência é uma questão vital e importante. Mas o desafio é a ampliação da audiência, e como isso se dará. Tem-se que estabelecer conexões com esse público da internet. Vamos explorar, inovar, experimentar. Entendo o compromisso com a inovação do vice-presidente Guerreiro (NdaR.: Antônio Guerreiro, vice-presidente de Jornalismo da Rede Record) – não posso falar por ele! – com o Play Plus, canal de streaming, on demand, da Record. O fato de hoje se estar em várias plataformas, todas as televisões estão empenhadas, e a Record não é diferente. Em termos de audiência, não é só crescer ou manter; é também isso. Mas o desafio mais importante são as novas formas de se comunicar com os telespectadores.

J&Cia – Como vê o jornalismo da Record Rio hoje, o que é feito e como é feito?

Marco – Entra e sai tecnologia, e o jornalismo continua intacto em seus compromissos. O mais importante para a Record é o compromisso do jornalismo com a qualidade, a confiabilidade e a independência, seu principal atributo.

J&Cia – Vê muitas diferenças entre o jornalismo no Rio e em São Paulo?

Marco – Diria que são realidades muito diferentes e, portanto, assuntos e cenários de cobertura diferentes. Aqui no Rio, especialmente a segurança pública, é bastante diferente de São Paulo. Não dá para ignorar, a questão faz parte do dia a dia. No Rio de Janeiro, além do cenário econômico e político, cobrir bem as ocorrências policiais é uma obrigação.

J&Cia – Essa opção da Record, de um jornalismo com ênfase no noticiário policial, tem sido uma boa escolha?

Marco – O Rio de Janeiro não é só isso, ao contrário. São Paulo tem vários programas policiais, em várias emissoras. Hoje o jornalismo da Record tem quadros muito interessantes, com ênfase para contar o que acontece nos bairros e nas comunidades do Rio. A ideia é ampliar essa cobertura. Eu, como paulista, tenho especial interesse em descobrir as coisas bonitas do Rio de Janeiro e mostrar isso para os telespectadores cariocas e turistas.

Novas atrações

J&Cia – A Record Rio inaugurou um novo estúdio para o programa RJ no ar. Existem planos de utilizar o glass studio em outras atrações do jornalismo?

Marco – O RJ no ar estava num cenário improvisado. Os recursos hoje disponíveis na Record Rio são admiráveis. Para fazer jornalismo local, dispomos de ferramentas que poucas emissoras têm. Temos que saber aproveitar bem. Por exemplo, pretendemos ampliar os repórteres com equipamentos mais compactos, para chegar mais rapidamente aos locais.

J&Cia – No último fim de semana, a emissora realizou um evento em Campo Grande, Zona Oeste do Rio, para gravação do Balanço geral – Edição de sábado, com estrelas do jornalismo da Record e a participação do público. A interação com o público que se vê no jornalismo da Record Rio também existe em outras praças?

Marco – É uma interação a ser incentivada, tem dado bom resultado. É um projeto institucional da emissora, uma forma de valorizar a cobertura local, levar a marca da TV Record para esses lugares. Essa ideia terá continuidade e será ampliada.

Confira os finalistas do Prêmio Abear de Jornalismo 2019

A Associação Brasileira das Empresas Aéreas divulga os finalistas da sétima edição do Prêmio Abear de Jornalismo. Foram selecionadas 30 reportagens nas categorias Cargas, Competitividade, Experiência de Voo, Imprensa Setorizada, Inovação e Sustentabilidade, além do Prêmio Especial Asas do Bem e Responsabilidade Social.

O prêmio busca incentivar e valorizar produções jornalísticas sobre aviação comercial brasileira. Os vencedores serão anunciados em 18/10, inclusive o do Prêmio Especial Regional, que reconhece o melhor material produzido fora das cidades de São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília.

A cerimônia de entrega será em 6/11, em Brasília, em que será anunciado o vencedor do Grande Prêmio, escolhido dentre os vencedores de cada categoria, à exceção dos finalistas do Prêmio Especial Asas do Bem e Responsabilidade Social.

Confira os finalistas:

Cargas

A morte pede caronaGuilherme Eler (Revista Superinteressante – São Paulo)

Estado será hub aéreo de carga Marilia Alves Banholzer (Jornal do Commercio – Recife)

Mamão pega carona no porão de aviõesMarina Salles Teixeira (Valor Econômico – São Paulo)

Transporte de cargas é rota de crescimento para Confins Queila Ariadne Batista da Silva (O Tempo – Belo Horizonte)

Transporte de cargas no Paraná Lorena Malucelli Pelanda (Rádio BandNews – Curitiba)

Competitividade

Aviação Ceará Lucas Viana Braga (Portal O Povo – Fortaleza)

Belém na rota dos voos internacionaisCelso Freire (Rádio Liberal – Belém)

Mudanças na aviação Mariana Clemente Jungmann (TV Brasil – Brasília)

Norwegian Air: a trajetória da 1ª companhia aérea a fazer voos de baixo custo entre Brasil e Europa Luís Guilherme Marinho Barrucho (Portal BBC Brasil – São Paulo)

Um ano de Fraport Yohanna Lara Barros Pinheiro (Diário do Nordeste – Fortaleza)

Experiência de voo

90 anos da Panair do Brasil Flávia Freitas Gomes (GloboNews – São Paulo)

Apagar das luzes depois de seis décadas Jéssica Rebeca Weber (Zero Hora – Porto Alegre)

Aumento da fiscalização da bagagem de mão em aeroportos cria mudanças no comportamento de passageiros Débora Alfano (Rádio BandNews – São Paulo)

Como arrumar mala de mão ajustada ao novo padrão Ana Luiza Amgarten Tieghi (Folha de S.Paulo – São Paulo)

Informação e tratamento especializado ajudam a combater medo de viajar de aviãoGéssika Aline Lima da Costa (Rádio Correio – Maceió)

Categoria Imprensa setorizada

A fantástica jornada das malas Gustavo Torres Falleiros (Revista CNT – Brasília)

As provações de um aviãoEdmundo Ubiratan Fernandes (Revista Aeromagazine – São Paulo)

Especial Aviação Comercial Edmundo Ubiratan Fernandes (Revista Aeromagazine – São Paulo)

Mudanças a jato Fabio Steinberg (Revista Viagens S/A – Itu/SP)

Mulheres são 40% dos controladores de tráfego aéreo no Brasil; veja rotina Vinícius Casagrande (UOL – São Paulo)

Categoria Inovação e sustentabilidade

Asas cortadas Rafael Battaglia Popp (Revista Superinteressante – São Paulo)

Brasil é apenas um espectador no avanço dos biocombustíveis para aviõesGustavo Ribeiro de Francisco (Portal Gazeta do Povo – Curitiba)

Empresas apostam corrida pelo ‘carro voador’ Cleide Silva (O Estado de S. Paulo – São Paulo)

Por dentro da nova Embraer Denyse Godoy (Revista Exame – São Paulo)

Principais aeroportos do País ampliam mecanismos para monitorar drones Júlia Soares Marques (O Estado de S. Paulo – São Paulo)

Prêmio Especial Asas do Bem e Responsabilidade Social

Asas do Bem: parceria com empresas aéreas leva vida a todos os cantos do Brasil Erika Sayanne Braz de Queiroz Silva (Blog da Saúde – Brasília)

Doação de órgãos: o que a morte nos ensina sobre a vidaAldenne Lopes da Silva (Rádio CBN – Goiânia)

Esperança no arQueila Ariadne Batista da Silva (Rádio Super Notícia – Belo Horizonte)

Paraná é líder em transplantes de órgãos. Projeto da ABEAR contribui para o bom desempenho no Estado Lorena Malucelli Pelanda (Rádio BandNews – Curitiba)

Transplante no Brasil: Um voo de esperança Suely Frota Bezerra (TV Assembleia – Fortaleza)

“O podcast tem potencial muito grande pois dá voz àqueles que não têm”

Gus Lanzetta (à esq.), Leandro Iamin, Pollyana Ferrari, Magê Flores e Thamiris Rezende. Foto: Victor Félix

Por Victor Felix Arakaki, de J&Cia

A mesa A Era do Podcast, realizada em 9/10, da 41ª Semana de Jornalismo da PUC-SP, reuniu podcasters em um debate sobre a ascensão dessa tecnologia, que se torna cada vez mais frequente no cotidiano das pessoas.

Com mediação da professora Pollyana Ferrari, a mesa foi composta por Magê Flores (Café da Manhã/Folha de S.Paulo), Leandro Iamin (Central 3/Muito mais do que futebol), Thamiris Rezende (Gordacast) e Gus Lanzetta (Half Dead).

O debate reuniu assuntos em alta no mundo do podcast: como se deu essa ascensão/aumento significativo de audiência nos últimos anos; as semelhanças e diferenças entre os podcasts e o rádio; a importância do Spotify como plataforma; e os desafios/obstáculos dessa inovadora forma de se fazer jornalismo.

Magê Flores comentou que a adaptabilidade dos podcasts é uma característica que torna essa tecnologia única: “O podcast tem tudo a ver com a jeito que vivemos. Você consegue consumi-lo em qualquer momento e lugar, seja lavando a louça, na academia ou no trânsito. A força do podcast está na conveniência que essa tecnologia oferece”.

Outra característica muito importante dos podcasts apontada no debate é a relação pessoal e afetiva que estabelecem com os ouvintes. As pessoas se envolvem umas com as outras, conseguem enxergar por trás das vozes, como se fosse uma conversa descontraída e informal, mas que mantém a eficiência e a profundidade de um conteúdo jornalístico.

Thamiris Rezende afirmou que o podcast consegue criar conexões pois é feito por pessoas, para pessoas: “Surge uma relação humana. O ouvinte se relaciona com o humano por trás daquele conteúdo. As pessoas demonstram sentimentos, mostram-se mais vulneráveis. Os ouvintes conseguem enxergar quem está falando”. Magê acrescentou que, “muitas vezes, ao ler uma matéria no jornal, as pessoas não prestam atenção nos autores, em quem produziu o texto. Ouvir a autor falar é totalmente diferente. Você consegue identificar características dele, caracterizá-lo”.

“A ferramenta tem potencial muito grande pois dá voz àqueles que não têm”, disse Thamiris. ”Para mim, por exemplo, que tenho um blog sobre um assunto de interesse público, mas que não tem um tráfego tão grande. Você consegue abordar com mais profundidade temas que não são muito discutidos na grande mídia. Eu apostaria nesses conteúdos segmentados. Existem podcasts sobre os mais diversos assuntos. A segmentação pode gerar um crescimento gigante na audiência”.

Os debatedores também apontaram que a ascensão do podcast está intimamente ligada ao uso do Spotify como plataforma. Gus Lanzetta mostrou que a audiência de seu conteúdo cresceu significativamente no Spotify: “Esse fato mostra que muita gente começou a ouvir nosso conteúdo por causa dele. Para fazer um podcast, você não depende de uma grande corporação, é dono do seu conteúdo, e entrega esse conteúdo diretamente ao ouvinte. Mas não podemos deixar que o Spotify se torne o “YouTube do Podcast”, pois os podcasters ficarão muito dependentes de grandes empresas como Google, Facebook e YouTube, por exemplo”.

Ele também discorreu sobre as dificuldades que podcasters podem encontrar com anunciantes: “O nosso desafio com os anunciantes não é que eles desconfiam de nossos números ou que não damos o que eles querem, mas sim o fato de que o número de ouvintes do Spotify é muito menor que o de pessoas que assistem o YouTube, por exemplo”.

A mesa também ofereceu à plateia uma “receita de bolo” do podcast, explicando passo a passo a melhor forma de produzir um, além de dicas valiosas para ingressar nesse novo universo: não pensar muito se você deve fazer o podcast ou não, simplesmente faça; pensar na pauta e defini-la; levantar dados, pesquisar; pensar em entrevistados (fontes e personagens); escrever as perguntas separadamente, em outro lugar; por fim, juntar tudo em um pequeno roteiro. É preciso priorizar a qualidade do áudio, mas sem descuidar do conteúdo, evitando a monotonia; tentar reduzir o tempo total o máximo possível, escolhendo as palavras certas e sendo conciso.

No final, houve um debate sobre as diferentes mídias existentes e a possibilidade de uma acabar com a outra. Thamiris disse acreditar que elas podem coexistir: “O online não precisa matar o impresso e o podcast não tem nada a ver com o rádio. A dinâmica de conteúdo é diferente. Quando a pessoa consome um determinado podcast, ela já está ciente do tipo de conteúdo que vai encontrar. E essa discussão sobre a possibilidade de uma mídia acabar com a outra é perda de tempo e só prejudica o entendimento e o desenvolvimento dessas diferentes formas de se fazer jornalismo”.

Processo real pode ter efeitos sobre a conduta dos jornais

* Por Luciana Gurgel, especial para o J&Cia

Luciana Gurgel

A relação entre a imprensa e celebridades ou empresas nem sempre é fácil. Um lado busca novidades que atraiam audiência, enquanto o outro se ressente quando tais novidades não são aquelas que gostariam de tornar públicas.

No Reino Unido essa relação é ainda mais tensa por causa dos tabloides sensacionalistas, com tiragens elevadas à custa da exposição de famosos. Agora, essa tensão atingiu uma temperatura altíssima por causa de processos movidos pelo casal real Harry & Meghan contra jornais.

Meghan abriu ação contra The Mail on Sunday, pela publicação de trechos de uma carta dirigida ao pai, com quem tem uma querela desde que ele vazou fotos relacionadas ao casamento e acabou “desconvidado”. A fundamentação é o uso indevido de informações privadas, violação dos direitos de autor e desrespeito à Lei de Proteção de Dados.

Já os alvos do marido são The Sun e Daily Mirror, acusados de terem hackeado seu telefone. Ele divulgou ainda uma extensa carta aberta lamentando a postura dos jornais e relembrando a dramática experiência vivida por sua mãe, Diana, vítima do assédio da imprensa.

Embora reclamações da família real contra tabloides não sejam novidade, esse caso está sendo considerado um marco por ser a primeira vez que um de seus principais membros entra com um processo na Corte.

Brian Cathcart, professor especializado em assuntos de mídia, observou que os jornais acabam fazendo acordos prévios com quem os acusa de invasão de privacidade, pagando indenizações mas evitando o julgamento. Muita gente, segundo ele, prefere tal opção para evitar custos e riscos de um processo.

No caso de Harry, porém, essa possibilidade é remota. Ele declarou que qualquer valor obtido será destinado a instituições beneficentes. Isso pode estar deixando as organizações de mídia alarmadas, pois o interesse dele vai além de dinheiro. Um julgamento histórico.

Há controvérsia sobre os movimentos de Harry e Meghan. Críticos apontam que o casal estaria reagindo a más notícias provocadas por suas próprias ações. Alguns exemplos são a briga de Meghan com o pai, e a carta que escreveu – ambas verdadeiras. Ou as contradições do casal ao passear de jatinho enquanto prega medidas contra o aquecimento global (sobre o que falamos aqui em agosto).

Há ainda quem sustente que a privacidade exigida por Harry e Meghan não é devida, visto que a família real é sustentada com dinheiro do povo. Sob essa perspectiva, seriam inaceitáveis decisões como não apresentar o bebê após o nascimento nem fotos do batizado.

A ideia de tais críticos é que o povo que paga o subsídio – incluindo uma reforminha de mais de dois milhões de libras para adaptar a casa onde o casal mora – tem o direito de saber tudo sobre as vidas reais. Pelas páginas dos tablóides, claro.

Mas não se trata de ação orquestrada de toda a família real. Especulou-se que Harry teria surpreendido o Palácio de Buckingham com a ação contra os jornais. Não é de se admirar, pois tudo o que os Windsor não querem é exposição negativa que coloque em risco a própria monarquia.

A tese de voo solo de Harry é reforçada com as atitudes cada vez mais “normais” do irmão William. No último fim de semana, no meio da onda criada pelo processo contra os jornais, o futuro rei e a discreta Kate Middleton apareceram relaxados com os filhos assistindo a um jogo de futebol no meio do povo. Há meses, enquanto Harry voava de jato particular, William e Kate se deixaram fotografar carregando mochilas no embarque de um voo operado por uma companhia de baixo custo.

A mensagem que o Palácio parece tentar transmitir é de que é possível lidar com a suposta “invasão de privacidade”, desde que se faça a coisa certa. Com bom comportamento público, a cobertura é positiva. Lição básica de RP.

No entanto, as coisas podem não ser tão simples. Outra tese é que os ataques a Meghan decorrem do fato de ela ser filha de mãe negra, americana, ex-atriz e feminista. Racismo e discriminação social motivariam a caça por deslizes. 

Os ataques disseminados por mídias sociais a ela começaram após o casamento, e Harry aponta isso na carta aberta. Em sua visão, as notícias publicadas pelos tabloides alimentam o bullying sofrido pela mulher, gerando matéria-prima para adversários nas mídias sociais.

Falta muito para as ações serem ser julgadas. Mas pode haver uma revisão nos procedimentos adotados pela imprensa britânica. Dessa vez, não se trata apenas de dinheiro, mas também do risco de condenações.

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