A 8ª Vara de Fazenda Pública do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro determinou nessa segunda-feira (16/12) o livre acesso de jornalistas do Grupo Globo a entrevistas e coletivas da Prefeitura da capital. A decisão derruba o veto do prefeito Marcello Crivella, que afirmou no começo do mês que não responderia mais aos pedidos de informação feitos pela Globo e que em diversas ocasiões atacou-a abertamente.
A liminar, determinada pela juíza Alessandra Cristina
Peixoto, obriga a Prefeitura a encaminhar ao Grupo Globo todas as informações
divulgadas abertamente à imprensa, sob pena de multa de R$ 10 mil para cada vez
que não o fizer.
Um dos argumentos da juíza foi o de que diferenças
político/ideológicas não podem ser utilizadas como justificativa para o veto da
Prefeitura. “Frise-se que os agentes públicos, bem como os atos de suas
gestões, estão sujeitos a questionamentos quanto às suas condutas e atuações,
não havendo razão para impossibilitar os jornalistas de emitirem opiniões sobre
pessoas públicas ou sobre a gestão dos agentes, o que, na realidade, faz parte
de suas funções como fomentadores de questionamentos e opiniões”, diz a
liminar.
Por Cristina Vaz de Carvalho, editora de J&Cia no Rio de Janeiro
Nelson Hoineff morreu na manhã de 15/12, aos 71 anos, de complicações decorrentes de diabetes. O enterro foi no dia seguinte, no Cemitério Israelita do Caju, no Rio de Janeiro. Hoineff deixou o legado de um dos mais importantes nomes do audiovisual brasileiro, fosse como diretor de TV, produtor e diretor de cinema.
Como crítico de cinema, atuou desde os anos 1960 em O Jornal, Diário de Notícias, Última Hora, O Cruzeiro, Manchete, Filme Cultura, O Globo, IstoÉ, Veja, A Notícia, O Dia, Jornal do Brasil e site criticos.com, entre outros. Foi crítico e correspondente no Brasil da Variety, dos EUA. No início da carreira, teve passagem pela imprensa esportiva, como repórter, redator e editor de esportes em O Jornal e Última Hora, para o qual cobriu a Copa do Mundo de 1974. Nesses veículos e em outros, foi editor de cultura, editor internacional, secretário de Redação e editor-chefe.
Uma vez na televisão, dirigiu o Departamento de Programas Jornalísticos da Manchete e foi diretor de programas jornalísticos em SBT, Bandeirantes, GNT, TV Cultura e TVE do Rio. Entre as séries e programas que dirigiu destaca-se o Documento especial, premiado no Brasil, em Monte-Carlo e Berlim. Foi ao ar em três redes abertas, na Manchete, de 1989 a 1992; no SBT, de 92 a 95; e na Band, de 96 a 97. Entre 2008 e 2010, cerca de 80 programas – de um total de 430 que produziu – foram reprisados pelo Canal Brasil. Também dirigiu Primeiro plano, no GNT e depois na Cultura, sobre as vanguardas artísticas brasileiras; o Programa de domingo, na Manchete; Realidade, na Band; Curto-circuito, na TVE, e inúmeras séries, entre as quais Celebridades do Brasil,As chacretes e Vanguardas¸ todas no Canal Brasil.
Autor de vários livros sobre televisão, antecipou tendências, como em TV em expansão – Novas tecnologias, segmentação; Abrangência e acesso na televisão moderna, no qual discutiu, no final dos anos 1980, a TV por assinatura, as operações por satélites e a alta definição (HDTV). Em A nova televisão – Desmassificação e o impasse das grandes redes, debatia assuntos como a convergência de meios e as plataformas digitais.
Como professor, coordenou o curso de Radialismo da Facha, e aí também fundou a Faculdade de Cinema e Audiovisual – ele lecionou durante 30 anos na instituição. Ensinou também Televisão Digital nos MBA da Fundação Getulio Vargas (FGV) e da Universidade Cândido Mendes, ambas no Rio. Antes disso, foi professor de jornalismo na Sobeu, Sociedade Barramansense de Ensino Universitário.
Em 2001, criou o Instituto de Estudos de Televisão (IETV), e ali realizou eventos como o Festival Internacional de Televisão, o Fórum Internacional de TV Digital e o Seminário Esso-IETV de Telejornalismo. Editou ainda os Cadernos de Televisão, revista quadrimestral sobre estudos avançados, publicada pelo IETV. E produziu as séries Televisão e grandes autores e A televisão que o Brasil está pensando, ambas para a TV Brasil/EBC.
Adriana Magalhães, também jornalista e ex-mulher de Hoineff, postou nas redes sociais uma homenagem ao pai de sua filha Alice. Ricardo Largman, amigo e vice-presidente da ACCRJ, revelou que, já no período em que Hoineff estava doente, soube que ele escreveu um livro de memórias; acredita que a obra foi finalizada, e pretende ler histórias que ainda não se conhecem.
Um emocionante encontro entre diversas gerações do Jornalismo marcou na última semana o lançamento de Como DIZER e AGIR pelo texto, mais recente livro do professor-doutor Manuel Carlos Chaparro. Editado por J&Cia Livros, selo literário deste Portal dos Jornalistas, sua impressão só foi possível com o apoio de amigos, familiares, colegas de profissão e ex-alunos por meio de campanha de financiamento coletivo.
Mesmo com dificuldades para enxergar e escrever, por causa de um AVC que sofreu no início do ano, o sempre professor da ECA-USP recebeu um a um os convidados no lançamento, realizado em São Paulo. Com muito entusiasmo, e sedento por novos projetos, conversou com todos, escreveu dedicatórias e se emocionou com os discursos de Eugênio Bucci e Gaudêncio Torquato, este o principal responsável pela campanha ter atingido o valor necessário para a impressão de sua tiragem inicial, de 400 exemplares.
Eduardo Ribeiro, diretor deste Portal dos Jornalistas, e Chaparro
Também estiveram presentes, entre outros, José Hamilton Ribeiro, Nemércio Nogueira, João Gabriel de Lima, Karina Yamamoto, Magali Prado, Fred Ghedini, Lia Crespo, Elza Ambrósio, Laura Matos, Norma Alcântara, Paulo Pepe, Vitor Blotta, Mara Ribeiro, José Coelho Sobrinho, Lena Miessva, José Donizete Lima, Altair Albuquerque, Dulcilia Buitoni, Henry Wender, Marcelo Mendonça e Marli Santos.
Como adquirir? – Interessados em comprar um ou mais
exemplares de Como DIZER e AGIR pelo
texto podem fazer o pedido para Fernando Soares (11-3861-5280 ou [email protected]). O valor, de R$ 45, inclui frete para todo o
Brasil, e pode ser pago por depósito, transferência ou boleto.
A Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) divulgou nesta segunda-feira (16/12) um relatório sobre o uso da Lei de Acesso a Informações (LAI) por jornalistas. Segundo o estudo, o índice de problemas que eles enfrentam para obter respostas pela LAI é o maior desde 2013, quando o levantamento começou a ser feito.
Cerca de 89% dos jornalistas que participaram da pesquisa,
nos níveis federal e estadual, disseram ter enfrentado algum tipo de obstáculo
para obter informações. A média por estado é de nove entre dez jornalistas
enfrentando problemas.
Por todo o País, as principais dificuldades se concentram
no Poder Executivo: 94% dos jornalistas já tiveram problemas em obter
respostas. Os assuntos mais problemáticos são de administração pública,
salários, pagamentos e contratos.
Marina Atoji, gerente executiva da
Abraji e especialista na Lei de Acesso a Informações, avalia esse problema como
“extremamente preocupante”. Ela afirma também que os dados obtidos “concretizam
a percepção de que está em curso um retrocesso na transparência pública”.
Esta é a terceira edição do levantamento, feito a cada dois anos. Foram entrevistados 85 jornalistas, a partir de maio deste ano. Aproximadamente 65% dos participantes afirmaram ter usado a LAI para apurar informações. Confira o estudo na íntegra.
A Ponte Jornalismo foi a única organização brasileira escolhida para receber aporte financeiro do Projeto Velocidad, que busca ajudar mídias independentes na América Latina. O site, especializado em temas de segurança pública, receberá R$ 1,5 milhão e 1.600 horas de serviços de consultoria, como auxílio para a sua sustentabilidade.
O projeto, criado com financiamento da Luminate, foi desenvolvido pelo
Centro Internacional para Jornalistas (ICFJ) e pela SembraMedia com o objetivo de incentivar a prática do jornalismo
independente. “Enquanto cidadãos de países da América Latina exigem sociedades
mais justas, equitativas e inclusivas, precisamos financiar e apoiar o
jornalismo independente de alta qualidade que garanta que suas vozes sejam
ouvidas e que os detentores do poder sejam responsabilizados”, diz Felipe
Estefan, diretor de investimentos da Luminate na América Latina.
Estão abertas até 31/12 as inscrições para o Prêmio Citi Journalist Excellence Award 2020, que premia as melhores reportagens sobre economia, negócios e finanças. O vencedor participará de um seminário na Columbia Graduate School of Journalism, em Nova York, com todas as despesas pagas pelo Citi.
Para participar, é preciso ter ao menos cinco anos de
experiência na área e inglês fluente. Serão aceitas quaisquer matérias
publicadas entre 1º de janeiro e 31 de dezembro de 2019. Mais informações sobre
o prêmio aqui.
Faleceu em 14/12, em São Paulo, o jornalista e escritor gaúcho Carlos Moraes, aos 78 anos, em decorrência de complicações pós-operatórias. Aposentado e longe das redações há vários anos, vinha dividindo seu tempo entre São Paulo, a praia de Boiçucanga, em que passava boa parte do ano retirado, e o Chile, terra de sua mulher, Beth. O corpo foi enterrado no Cemitério da Paz.
Nascido em Lavras do Sul (RS), em 1941, Moraes foi ordenado
sacerdote em 1966. Em 1973, com base na Lei de Segurança Nacional, foi julgado
e preso em Bagé (RS), cidade onde atuava. Após o episódio, abandonou a carreira
religiosa e dedicou-se definitivamente ao Jornalismo, em São Paulo, onde foi
repórter da revista Realidade e editor das revistas TV Guia, Psicologia Atual e
Ícaro Brasil, entre outras.
Publicou diversos livros, cuja sensibilidade extrema e humor
fino foram as maiores marcas. O primeiro foi de crônicas, O lobisanjo (Vozes,
1970). Também escreveu algumas obras infanto-juvenis, como A vingança do Timão
(Brasiliense, 1981), com a qual ganhou o Prêmio Jabuti da categoria naquele
ano. Experiências autobiográficas deram origem aos títulos Como ser feliz sem
dar certo 2001), Agora Deus vai te pegar lá fora (2004) e Desculpem, sou novo
aqui (2008), todos pela Record, que narram a trajetória do autor durante o
tempo em que ficou recluso como preso político no interior do Rio Grande do Sul
e suas primeiras experiências em São Paulo, onde iniciou a carreira como
jornalista.
A Companhia das Letras e a Folha de S.Paulo promovem nesta terça-feira (17/12), em São Paulo, mais uma edição do Encontros Folha & Companhia – livros, ideias e autores, com um debate sobre o livro O Reino – a história de Edir Macedo e uma radiografia da Igreja Universal. Participarão do evento Gilberto Nascimento, autor do livro, e Flávio Ferreira, colunista da Folha. Após a conversa, haverá sessão de autógrafos.
O livro de Gilberto apresenta a história detalhada da
Igreja Universal, com direito a curiosidades e bastidores do processo de
criação da igreja. A obra também fala sobre o líder dela, Edir Macedo, e como
ele se tornou uma figura midiática, empresário de sucesso e autor de best-sellers.
O encontro será no teatro Eva Herz, na Livraria Cultura da av.
Paulista, 2.073, a partir das 18 horas.
Lair Rennó, que fazia parte do programa Encontro com Fátima Bernardes, deixou a TV Globo. Em comunicado, a emissora informou que o contrato dele terminou, mas que ele ficará no programa até o final do ano.
Rennó está há 20 anos na empresa, sendo sete ao lado de
Fátima no Encontro. Antes, teve passagens pela GloboNews e apresentou o MGTV
e o Bom Dia Minas.
O prefeito do Rio de Janeiro Marcelo Crivella barrou novamente um grupo de jornalistas em coletiva marcada para esta sexta-feira (13/12) com o Ministério da Saúde no Palácio da Cidade. Membros da equipe de G1, TV Globo, GloboNews e O Globo foram impedidos de entrar pela Guarda Municipal. A informação é de Gabriel Barreira (G1), um dos profissionais barrados, que repudiou a atitude do prefeito do Rio no Twitter.
Segundo apurou Barreira, a Prefeitura “só quer deixar
entrar a ‘imprensa credenciada’”. Jornalistas de Band e BandNews também foram
barrados, mas foram liberados para entrar depois de um tempo.
Em nota, a Globo se posicionou sobre o caso, repudiando a atitude de Crivella: “Apesar da atitude autoritária e antidemocrática do prefeito, tudo o que de mais relevante tiver sido ali anunciado será noticiado. O que importa para a TV Globo e para os demais veículos do Grupo Globo é manter o público bem informado. Manteremos esse compromisso”.