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segunda-feira, abril 6, 2026

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Vice demite equipe editorial no Brasil

A Vice demitiu toda a equipe editorial no Brasil. Agora, o conteúdo da empresa será feito por meio de freelances. A marca continuará no País, mas sem jornalistas contratados. A informação é de Guilherme Amado (Época).

Segundo o colunista, a medida como parte da redução das atividades da empresa em diversos países. A Vice pretende fazer uma reestruturação global e ficar apenas em Estados Unidos, Reino Unido, México e em um país da Ásia a ser definido. Vale lembrar que, até agora, a empresa tinha 30 escritórios em 26 países.

Bandeirantes extingue Departamento de Esportes

O processo de unificação das marcas do Grupo Bandeirantes em andamento traz mudanças nas redações da empresa. Todos os setores da Band serão divididos em cinco grandes áreas: Entretenimento, Jornalismo, Financeiro, Comercial e Direção de Apoio. A informação é do colunista Flávio Ricco (UOL).

Segundo a coluna, o grupo extinguiu o Departamento de Esportes da televisão. José Emílio Ambrósio, que até então era o responsável por Esporte e Operações, está deixando a emissora. Essas funções serão agora de Antonio Zimmerle, que responde por Programação.

Os setores comerciais de televisão e rádio foram unificados.

EBC comemora 30 anos da Agência Brasil

A Agência Brasil, veículo da EBC, completou 30 anos de história em 10 de maio. Fundada em 1990, foi inspirada na agência espanhola de notícias EFE, e substituiu a Agência Nacional. Diariamente, produz material jornalístico, entre reportagens, fotografias e vídeos. Os conteúdos ficam disponíveis para serem republicados gratuitamente, desde que citada a fonte. Todos os dias, vê-se o material em veículos tradicionais, redes sociais, páginas pessoais, outras agências de notícias do Brasil e do exterior.

Desde a sua criação, a Agência Brasil teve como objetivo abastecer os meios de comunicação de todo o País com reportagens. A qualidade do material fez com que logo conquistasse notoriedade e passasse a ser considerada um dos veículos de comunicação mais respeitados e consultados do País. E tem conquistado cada vez mais uma audiência própria. No primeiro trimestre de 2020, foram mais de 30 milhões de visualizações de páginas, de 18,5 milhões de usuários únicos.

O coronavírus e os veículos de comunicação − X

Memorial Inumeráveis homenageia as vítimas do coronavírus no Brasil

Artistas, jornalistas, estudantes, escritores e contadores de histórias de todo o País são convidados para contribuir com a iniciativa Inumeráveis, memorial que destaca os nomes e um breve perfil de todas as vítimas por Covid-19 no Brasil. O objetivo é mostrar as pessoas por trás dos dados, números e estatísticas diariamente presentes na mídia nacional.

Criado em 30 de abril, o projeto é obra do artista Edson Pavoni em colaboração com Rogério Oliveira, Rogério Zé, Alana Rizzo, Guilherme Bullejos, Giovana Madalosso, Jonathan Querubina e jornalistas e voluntários que seguem adicionando histórias ao memorial. A iniciativa busca mostrar o lado humano da pandemia, apresentando as histórias das pessoas que se foram por causa da doença, de forma sensível, pessoal e respeitosa, valorizando cada uma delas. Posteriormente, os idealizadores pretendem fazer uma exposição artística em local público com os nomes das vítimas.

Rogério Oliveira, empreendedor social e um dos idealizadores do Inumeráveis, explica que o projeto serve para mostrar as vidas escondidas pelos números e estatísticas: “O Inumeráveis nasce do incômodo em perceber que, nas tragédias humanitárias pela qual a humanidade passa, transformamos as vidas perdidas apenas em números e estatísticas. Pandemias, guerras, genocídios, desastres recentes como Brumadinho. Não valorizamos, não registramos a vida, a história de cada única pessoa que todos nós perdemos. Hoje temos tecnologia e um sistema distribuído que pode colaborar para termos a ambição de registrar 100% das histórias, de cada pessoa”.

A plataforma oferece duas formas de colaboração: uma para profissionais de imprensa, estudantes de jornalismo e outros que queiram reportar uma história; e outra direcionada à família e aos amigos que gostariam de prestar uma homenagem à vítima.

O projeto conquistou a adesão do jornal O Globo, que dedicou uma capa à iniciativa. Sobre ela, a propósito, escreveu Carlos Castilho no Observatório da Imprensa, em 12/5: “O memorial dos 10 mil mortos é a mais emotiva e humana homenagem que a imprensa brasileira poderia ter feito aos brasileiros vitimados pela pandemia do coronavírus. No meio do fluxo frenético de notícias sobre a Covid-19, das trapalhadas presidenciais e da polarização ideológica, o jornal O Globo conseguiu sacudir a consciência nacional ao transformar registros estatísticos em nomes e vidas. Foi uma decisão editorial tomada num momento crítico da pandemia, quando a multiplicação do número de doentes e mortos começa a anestesiar a opinião pública. A individualização dos 10 mil mortos e suas histórias tornou-se possível graças ao projeto Inumeráveis, lançado no dia 30 de abril por um grupo de artistas e jornalistas unidos em torno da preocupação com o fato de que ’não há quem goste de ser número. Gente merece existir em prosa’”.

E mais…

A Fundação Thomson oferece o curso gratuito online, em inglês, Reportagem sobre Covid-19: Segurança, que pode ser realizado a qualquer momento. Ele baseia-se na cobertura de epidemias e pandemias anteriores, como Sars e Ebola, e inclui exemplos de boas práticas desenvolvidas por jornalistas e organizações de mídia que cobrem o surto de Covid-19. Foi criado em colaboração com a Federação Internacional de Jornalistas (IFJ) e o Centro Dart Europa.

Na comunicação corporativa

A In Press Porter Novelli realiza nesta quinta-feira (14/5) o webinar O futuro do trabalho já virou o presente: a transformação imposta pela Covid-19. Milena Fiori, diretora de comunicação interna da agência, faz mediação de um debate de que participam Oliver Kamakura, sócio da Ernst & Young; Renato Biava, diretor de RH da Ambev; Milton Beck, diretor do LinkedIn para a América Latina, e Sylmara Requena, diretora de RH da Siemens Energy do Brasil. Eles discutem as mudanças no dia a dia profissional e os insights,tendências e o que as empresas estão fazendo para se adaptarem. Às 9h30, com inscrições aqui.

Desde 12/3, a FSB Inteligência tem oferecido a clientes e ao público em geral produtos específicos com foco na pandemia. São relatórios de acompanhamento, curadorias especiais e novas soluções. Todos esses produtos são gratuitos e de distribuição por e-mail, WhatsApp e web. (Veja+).

Ederaldo Kosa, sócio da Linhas Comunicação, apresenta em 21/5, às 15h, o webinar Comunicação e fake news em tempos de pandemia. Kosa coordena desde 2011 o Grupo de Comunicação da Associação Nacional de Restaurantes (ANR). O setor é um dos mais afetados pela crise da Covid-19. O webinar é dirigido a empresários, gerentes e gestores de bares e restaurantes, mas todos podem participar. Basta enviar um e-mail para [email protected],br para receber o link.

Ninguém escapa das fake news”, afirma Kosa. “A própria OMS já advertiu para o problema, que pode matar, assim como o vírus. Desinformação, em saúde, pode levar à morte. Na economia, pode levar a decisões erradas. Mesmo entre empresários, é comum observar compartilhamentos de mentiras. A imensa maioria não faz por mal, mas porque a ideia de uma mensagem às vezes vai ao encontro da sua ou simplesmente porque não a pessoa não quer checar antes a informação”.

Flávio Schmidt, parceiro da Trama, lançou o e-book Planejamento de Gestão de Riscos – Como proteger sua empresa e atuar em cada fase do Ciclo da Pandemia Covid-19. Segundo ele, o objetivo é “ajudar a entender quais são as fases da pandemia e como tratá-las, a fim de evitar que causem impactos danosos na segurança das pessoas e na continuidade dos negócios”. Mais informações pelos 11-993-106-100, 3388-3040 e [email protected].

Com base no pressuposto de que há muitas instituições dedicando-se a ajudar quem mais precisa em meio à pandemia do coronavírus, colaboradores da Weber Shandwick e de agências do grupo no Brasil criaram uma ação 100% voluntária, a newsletter Onda do Bem. A cada edição, profissionais da agência voluntariam-se para divulgar três projetos sociais que merecem atenção. A doação, como pessoa física ou jurídica, quando houver, deve ser feita diretamente pelos canais da própria instituição. A Weber Shandwick não atua como intermediária do processo ou responsável pelo gerenciamento dos recursos doados. Mais informações pelo [email protected].

A bowler, que atende à Dasa desde 2018, têm proposto iniciativas que geram informações e insumos aos jornalistas que cobrem temas relacionados à Covid-19. Nas duas últimas semanas, além de uma aula-técnica por meio digital com o diretor médico da rede de laboratórios, que explicou as principais diferenças entre os tipos de exames de diagnóstico, a agência organizou uma coletiva online para detalhar a operação de doação de três milhões de testes e a criação do Centro de Diagnóstico Emergencial, em parceria com o Ministério da Saúde. Na próxima semana, lançará um guia informativo para jornalistas específico sobre coronavírus, de autoria  de Natalia Cuminale,. O material ficará disponível no hub de conteúdo sobre a doença, abrigado no site da Dasa.

Internacionais

Pesquisa aponta ao menos 64 jornalistas mortos por Covid-19 em 24 países

A organização Press Emblem Campaign (PEC) apurou o número de profissionais de imprensa que morreram infectados pelo novo coronavírus. A pesquisa detectou 64 mortes em 24 países ao redor do globo até 5/5, mas esse número pode ser ainda maior.

A PEC lembra que, assim como a contagem de infectados e mortos em cada país, o índice de profissionais de imprensa que morreram por causa da doença também tem problemas no que se refere a números oficiais. Por isso, enfatiza que é provável que o número de repórteres, fotógrafos, cinegrafistas e outros profissionais mortos por decorrência da Covid-19 seja maior.

“A segurança dos trabalhadores da mídia está particularmente em risco nesta crise, porque eles devem continuar a fornecer informações e testemunhos locais, visitando hospitais, entrevistando políticos, economistas, cientistas, médicos e pacientes”, diz o relatório. Com informações da ANJ.

E mais…

A Rede Internacional de Verificação de Fatos (IFCN) convida pesquisadores de desinformação sobre a Covid-19 para enviar até 29/5 propostas e participar do CoronaVirusFacts Alliance. Trabalhando juntos, os checadores e os pesquisadores acadêmicos ampliarão a base de conhecimento sobre o novo coronavírus e elevarão ainda mais a luta contra desinformação em saúde. As propostas aceitas que demonstrem claramente a necessidade de financiamento poderão receber até US$ 10 mil para conduzir o estudo. (Veja+)

Outras iniciativas

A 2Pró divulga que o Portal Lunetas – iniciativa do Instituto Alana que apresenta temas relacionados à infância – lançou Coronavírus: o mundo em suspensão, uma série de conteúdos que trazem percepções sobre a pandemia e a infância, e amplia as reflexões sobre os cuidados para com as crianças, especialmente neste momento, que tocam pais, mães, responsáveis, cuidadores, educadores e sociedade em geral, por meio de reportagens, notícias, análises, opiniões e entrevistas.

O especial do Lunetas fez um convite para que as crianças, protagonistas de suas próprias histórias, respondessem como estão se sentindo nesta quarentena imposta pela pandemia do coronavírus: o que estão ou não gostando e quais são seus sonhos e desejos para o futuro. O resultado tornou-se um vídeo que pode ser visto aqui.

O Centro de Convenções Rebouças, em São Paulo, que por muitos anos foi palco de congressos de comunicação da Mega Brasil, mobilizou-se para ajudar na captação de recursos para o Hospital das Clínicas frente ao Covid-19. Eles serão revertidos em máscaras cirúrgicas ou N-95, luvas, óculos, testes para detecção do vírus, entre outras tantas necessidades do hospital para o enfrentamento dessa pandemia. Mais informações pelos [email protected], 11-2661-6475 / 2372 e www.viralcure.org/hc.

Atacados, veículos conquistam importantes vitórias na Justiça

Por Luciana Gurgel, especial para o J&Cia

Luciana Gurgel

Diante de um cenário global calamitoso para os meios de comunicação, até que o jornalismo britânico tem esta semana motivo para comemorar. Aliás, dois motivos. A Justiça do país acaba de dar sentenças favoráveis ao site de tecnologia The Register e a duas organizações de mídia que editam tabloides − News Group e Express − em casos envolvendo pessoas inconformadas com cobertura negativa a respeito delas.

A história do The Register teve como protagonista a empresa de venda de hardware Aria Technology, sediada em Manchester, investigada pela autoridade fiscal da Grã-Bretanha por valer-se de um esquema fraudulento para reduzir o pagamento do imposto sobre valor agregado (VAT).

Quando a condenação da empresa em primeira instância saiu, em 2018, o The Register obteve uma primeira vitória judicial: o acesso aos documentos do processo que tramitava na corte especializada em assuntos fiscais. O resultado foi saudado na época como precedente importante para casos semelhantes.

Em fevereiro passado veio a condenação definitiva da Aria, determinando o pagamento dos impostos. Mesmo diante do fato consumado, o CEO Aria Taheri não se conformou em ver o caso relatado pelo site. Porém, em vez de só choramingar, ele resolveu se vingar.

Colocou em marcha um esquema bem orquestrado contra a publicação, composto por posts agressivos no Twitter, artigos e até compra de mídia no Google para que os ataques aparecessem ao lado de buscas sobre o caso da empresa.

Taheri pegou pesado. Acusou o The Register de fake news e de praticar “jornalismo caça-cliques”. Alertou outros empresários a não anunciarem no veículo para não terem suas reputações afetadas. E ainda publicou cartuns depreciativos contra o editor Paul Kunert e contra o repórter Gareth Corfield.

Diante das evidências e do óbvio fato de que não se tratava de fake news, visto que houve uma condenação, foi obrigado a admitir que as acusações eram falsas e altamente difamatórias. Teve que pedir desculpas públicas e ainda colocar a mão no bolso, pagando custas e indenização aos jornalistas.

Assédio e racismo, ou liberdade de expressão? − A outra vitória da imprensa envolveu uma família originária da República de Camarões, que emigrou para a França e posteriormente para o Reino Unido. O casal, com oito filhos, tentou obter reparação de The Sun, Daily Star e Daily Express pela cobertura que considerou abusiva a respeito da insatisfação com a casa oferecida pela Prefeitura da cidade de Milton Keynes, como parte da rede de proteção social a pessoas sem emprego e renda no país.

A história tem toques originais. Ao receber a ampla casa de quatro quartos, o casal não gostou e tomou a iniciativa de acionar um jornal local, posando para fotos para demonstrar a suposta inadequação do espaço às necessidades da família numerosa. Só esqueceram de uma coisa: a opinião do próprio jornal e do público em comentários nas redes sociais poderia ser diferente da deles, como foi.

Julgando-se ridicularizados pelas críticas, partiram para o processo judicial alegando assédio e racismo, mas perderam. Os veículos se defenderam com base na tese de liberdade de imprensa, salientando o direito de opinar sobre o caso.

É difícil prever se o tratamento seria equivalente não fosse uma família de negros e imigrantes. Por outro lado, em defesa dos tabloides, registre-se que eles não costumam poupar celebridades ricas e de origens diversas.

Exemplos recentes são a lamentável história da apresentadora bem britânica Caroline Flask, que cometeu suicídio há três meses alegando pressão da imprensa diante do processo que respondia por agressão ao namorado; e a do jogador de rúgbi galês Gareth Thomas, que teve a condição de homossexual e portador do vírus HIV revelada diretamente aos seus pais por um repórter de um desses jornais.

A sentença traz uma interessante dissertação sobre os sempre difíceis limites entre interesse público, liberdade de expressão e direitos individuais. Vale a leitura.

Mais veículos de comunicação anunciam redução de salário e da jornada de trabalho

Redação da Folha de S. Paulo. ( Foto: Lalo de Almeida/ Folhapress )

A crise econômica gerada pelo novo coronavírus segue atingindo as grandes redações jornalísticas do Brasil. Os jornais Folha de S.Paulo e Correio Braziliense tomaram medidas como a redução de 25% do salário dos funcionários e da jornada de trabalho. Ao menos outros 15 veículos também anunciaram cortes. As informações são do Poder360.

A Folha determinou nessa terça-feira (12/5) um corte de 25% nos salários de repórteres, fotógrafos, editores e outros funcionários em São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília. A redução passará a valer a partir de junho, e durará três meses. O jornal prometeu auxílio-alimentação no valor de R$ 150, reembolso de gastos extras aos profissionais em home office, estabilidade de emprego até um ano – profissionais demitidos nesse período receberão o equivalente a 70% dos ordenados restantes – e manutenção do plano de saúde até o final do ano, mesmo em caso de demissão. A Folha garantiu que as medidas não afetaram o UOL.

O Correio Braziliense anunciou também em 12/5 uma redução de 25% nos salários de jornalistas, diagramadores, designers, fotógrafos e funcionários do setor administrativo. Segundo o Poder360, repórteres que atuam diretamente nas coberturas de economia, política nacional e jornalismo local não serão afetados.

O Poder360 preparou um infográfico sobre o tema. Confira!

RSF pede a empresas digitais que impeçam ataques a jornalistas

A ONG Repórteres Sem Fronteiras (RSF) publicou nota em 11/5 pedindo às grandes empresas digitais, como Google e Facebook, que aumentem a fiscalização e o combate aos frequentes ataques virtuais direcionados a jornalistas, muitas vezes feitos por líderes políticos.

Segundo a entidade, o frequente questionamento no que se refere à veracidade das informações divulgadas pela imprensa de diversos países sobre a pandemia do novo coronavírus gera campanhas de linchamento virtual a profissionais de imprensa, que, muitas vezes, são apoiadas e alimentadas por políticos, causando reações inadequadas da comunidade.

Christophe Deloire, secretário-geral da RSF, disse que “é muito alarmante ver o ódio político de líderes como combustível contra jornalistas online, simplesmente porque eles não cobrem a crise do Covid-19 como os líderes querem. Este período de pandemia sem precedentes é uma oportunidade única para resolver um problema sistêmico nas plataformas online, que devem comprometer-se com maior transparência em suas operações de moderação e nas ações realizadas para combater o cyberbullying de jornalistas”.

A entidade destaca que a Inteligência Artificial, mecanismo utilizado pela maioria das empresas de tecnologia para detectar e filtrar fake news e conteúdo inapropriado, não consegue distinguir com precisão publicações ilegais, o que evidencia a necessidade de fiscalizadores humanos. Veja a declaração da RSF na íntegra. (Com informações da ANJ)

A imprensa esportiva e o coronavírus (IV)

Circuito de Albert Park, em Melbourne, Austrália. Crédito: Zak Mauger/LAT Images/Pirelli

Por Victor Félix, da equipe de J&Cia

A Covid-19 afetou significativamente o mundo dos esportes. Competições e campeonatos adiados ou cancelados, treinamentos suspensos, salários atrasados, demissões, crises, atletas infectados e diversas situações indefinidas são alguns exemplos dos impactos do novo coronavírus nos esportes.

Quando falamos de automobilismo, abordamos grandes eventos esportivos, que não só geram muito dinheiro e patrocinadores, mas também reúnem uma grande quantidade de pessoas, vindas de diferentes regiões do mundo para um único lugar a fim de assistirem às corridas. Algumas etapas da Fórmula 1, por exemplo, chegam a ter cerca de 300 mil pessoas ao longo de um final de semana. Por causa dessas características do esporte a motor, as competições automobilísticas foram suspensas até segunda ordem, a fim de barrar o contágio pelo coronavírus.

Victor Martins. Crédito: Grande Prêmio

Nesse contexto, a imprensa automotiva tem que se adaptar às mudanças causadas pela pandemia, renovando seu conteúdo para conseguir trazer informações relevantes sobre o mundo do automobilismo, mesmo com as competições paralisadas. Victor Martins, diretor-executivo do site Grande Prêmio, conversou com J&Cia sobre as mudanças que ocorreram, novos projetos, e como a doença afetou o dia a dia dos jornalistas. Ele contou que o coronavírus trouxe, acima de tudo, um trabalho de “reinvenção” à equipe, que se reuniu para pensar em novos projetos, e dessa reunião surgiram os programas Fala y Fala, Cadeira Cativa e Passa ou Ultrapassa, que vão ao ar no canal do YouTube do Grande Prêmio. Já no site, Victor disse que a cobertura diária foi reduzida, mas que a equipe está reaproveitando conteúdos frios, mas de amplo interesse.

Também comentou sobre a importância dos eSports em meio à pandemia, vistos como solução momentânea: “A importância dos eSports é grande e mantém não só os pilotos na ativa, mas patrocinadores e imprensa. Ainda há um certo desdém, mas tem sido cada vez menor”. Victor afirmou que, em breve, o Grande Prêmio trará novos projetos relacionados a corridas virtuais: “Do nosso lado, estamos para anunciar a parceria com uma grande categoria brasileira para transmissão das corridas virtuais e trabalhando para realizar uma corrida virtual beneficente com um piloto de renome”.

Ele contou ainda que a equipe segue trabalhando, porém remotamente. Em termos de audiência e impactos econômicos, houve uma queda de 30% nos acessos ao site e as receitas diminuíram, mas ninguém foi demitido e os salários não foram reduzidos. Acrescentou que o trabalho feito pelo Grande Prêmio visa a “mostrar ao mercado que não estamos parados e que há uma série de possibilidades de unirem suas marcas a um conteúdo de primeira feito por um grupo de mais 20 profissionais”.

Confira a íntegra da entrevista:

Jornalistas&Cia − Com a suspensão das competições, que tipo de conteúdo vocês estão produzindo?

Victor Martins −A pandemia do coronavírus trouxe um trabalho de reinvenção, na realidade. Nós usávamos diariamente o canal do Grande Prêmio no YouTube, por exemplo, para fazer comentários – o GP às 10 –, mas, sem assunto, era difícil falar do cotidiano. A partir daí, a primeira ação foi reunir o grupo e pensar em conteúdos novos que pudéssemos realizar normalmente de casa. Um apontou um talk-show, outro sugeriu um programa com lendas do jornalismo do nosso nicho, aí veio a indicação até de um game-show. Foi assim que nasceram em curto espaço de tempo, respectivamente, o Fala y Fala, o Cadeira Cativa e o Passa ou Ultrapassa.

Hoje, o Fala y Fala e o Passa ou Ultrapassa são transmitidos em nosso canal no Facebook – revezando às quartas-feiras, ao vivo, às 20h – e o Cadeira Cativa acontece às terças, também ao vivo, às 21h, no YouTube.

Criamos também um quadro chamado Report, em que trazemos curiosidades e fatos históricos, que são mais bem trabalhados em termos de conteúdo e arte. E ainda estamos pensando em um próximo programa, de debates.

No Grande Prêmio em si, há a cobertura cotidiana, que está reduzida, o noticiário, mas estamos fazendo um cross de mídias para trazer conteúdos frios e de amplo interesse. Houve uma queda na audiência, mas todo esse trabalho está sendo feito para manter nosso público conectado e engajado.

 J&Cia − Como o coronavírus afetou o cotidiano dos jornalistas da equipe? A jornada de trabalho foi alterada?

Victor − Em um primeiro momento, a escala foi reduzida em uma hora diária e reorganizada para dar folgas de até uma semana aos jornalistas, em formato de revezamento. Todos seguem trabalhando remotamente e estão na linha de frente de todos os conteúdos citados.

J&Cia − Qual é a importância dos eSports nesse contexto “sem esportes”? Existe um certo preconceito com o tema, competições oficiais de jogos digitais são muitas vezes classificadas como “brincadeira” ou “diversão”. O que você pensa sobre isso? Já existem iniciativas, mas de que maneira o automobilismo poderia aproveitar melhor os eSports, principalmente durante a pandemia, mas também a longo prazo?

Victor − Todas as categorias acabaram adotando o eSports como solução “oficial” para este momento. Nesse sentido, pode-se dizer que a Indy é aquela que mais soube trabalhar a questão, já que todos os pilotos do mundo real participam das corridas virtuais. Na F1, dos 20 pilotos titulares, apenas cinco ou seis acabam correndo. Considerando que são eventos das categorias, a importância é grande e mantém não só os pilotos na ativa, mas patrocinadores e imprensa. Ainda há um certo desdém, mas tem sido cada vez menor.

Do nosso lado, estamos para anunciar parceria com uma grande categoria brasileira para transmissão das corridas virtuais e trabalhando para realizar uma corrida virtual beneficente com um piloto de renome.

J&Cia − Em termos de audiência, quais foram os impactos detectados no Grande Prêmio?

Victor − A audiência diminuiu em cerca de 30% nestes dois meses em que estamos sem corridas, em comparação a fevereiro. Era uma queda já esperada porque as corridas não foram realizadas, mas isso gerou um impacto muito grande também em termos comerciais.

J&Cia − Você pode falar um pouco sobre os impactos econômicos gerados pelo coronavírus no Grande Prêmio? Houve cortes de salário ou demissões?

Victor − Houve de fato uma queda impactante de receita, mas não sem cortes de salário nem demissões. Grande parte desse trabalho que estamos fazendo é justamente para termos mais ofertas para mostrar ao mercado que não estamos parados e que há uma série de possibilidades de unirem suas marcas a um conteúdo de primeira feito por um grupo de mais 20 profissionais.

J&Cia − Quais são diferenças, vantagens e desvantagens do trabalho em home office?

Victor − Não houve uma mudança em si no dia a dia do nosso trabalho, afinal ele já era praticamente 100% feito em home office. Como temos repórteres espalhados em várias cidades do País e um correspondente internacional, a condução da operação já era da forma como é hoje. A única diferença é que havia gravações de programas em vídeo em uma produtora e de podcasts em outra e tivemos de abrir mão delas por causa da pandemia. Por isso é que estamos produzindo esses programas de outra forma, cada um em sua casa.


Confira as outras matérias da série

O Globo e Extra têm comando de voz na plataforma sobre o novo coronavírus

Fábio Gusmão. Foto: Rafael Moraes

Os sites dos jornais da Editora Globo – O Globo e Extra – dispõem de uma plataforma robô, gratuita, para tirar dúvidas e informar sobre o novo coronavírus. Ela recebeu agora uma atualização por meio de assistente de voz, no celular. trabalho feito em parceria com a BeNext Solutions, empresa que presta consultoria nessa área.

Fábio Gusmão, editor de Projetos Especiais do Extra, responde pelo sistema: “Desde o lançamento, estamos observando pelos acessos à plataforma o quanto a população quer informação com credibilidade. O processo automatizado torna mais rápida e fácil a consulta dos principais temas que envolvem a crise, e agora a atualização por voz vem para qualificar e diversificar por outras plataformas ainda mais essa entrega”.

É possível continuar acessando a plataforma pelo site dos jornais, no desktop, tablet ou celular. E ainda fazer uma pergunta por voz para o robô, pressionando o botão “home” do celular com sistema Android; no sistema IOS, o robô está disponível no app Google Assistente.

PL cria mecanismos de checagem e correção para evitar conteúdo falso na internet

Tramita na Câmara Federal o PL 1429/20, dos deputados Felipe Rigoni (PSB-ES) e Tabata Amaral (PDT-SP), que obriga empresas responsáveis por aplicações de internet, como sites, blogs, redes sociais e aplicativos de mensagens, a adotarem mecanismos de checagem e correção de informações com o objetivo de evitar a propagação de fake news. O texto cria a Lei Brasileira de Liberdade, Responsabilidade e Transparência Digital. A proposta determina a remoção de conteúdos identificados como desinformação que tenham mais de cinco mil visualizações, e proíbe o uso de perfis falsos e de robôs (bots ou botnets, em inglês) para simular ações humanas na internet. No caso de anúncios online, propaganda política patrocinada e conteúdos patrocinados, o texto exige que o usuário seja comunicado de que se trata de “impulsionamento”, ou seja, conteúdo pago ou promovido, identificando quem pagou pela divulgação. Também determina que o usuário seja direcionado para acessar os critérios usados na escolha do público-alvo do anúncio. Propagandas políticas devem conter a informação de que foram pagas por um partido político, indicando qual, e dados sobre todos os anúncios e propagandas que o patrocinador realizou nos últimos 12 meses.

Os provedores que descumprirem as medidas poderão ser punidos com advertência, multa de até 10% do faturamento, suspensão temporária das atividades, ou proibição de exercício das atividades no País. Obriga ainda os provedores com receita bruta anual acima de R$ 78 milhões – a exemplo de Youtube, Facebook, Twitter, Instagram e Whatsapp – a encaminharem, dentro de 12 horas, conteúdos potencialmente falsos para a análise de verificadores independentes de fatos. Os verificadores, geralmente órgãos de imprensa, funcionariam como empresas de checagem não ligadas a governos ou partidos políticos. E devem identificar em site oficial o responsável pela verificação e cumprir integralmente o disposto no Código de Ética dos Jornalistas Brasileiros. O provedor pode escolher, entretanto, de qual verificador de fatos independentes irá emitir a correção para os usuários. (Com informações da Agência Câmara)

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