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Mulheres são menos de ¼ dos editores-chefes no mundo

Roula Khalaf, editora do Financial Times

Por Luciana Gurgel, especial para o J&Cia

Luciana Gurgel

Com a pauta da imprensa dominada pelo coronavírus, coisas importantes vão ficando em segundo plano, incluindo as comemorações pelo Dia Internacional da Mulher, celebrado em 8 de março. Aproveitando a data, o Instituto Reuters da Universidade de Oxford publicou um trabalho sobre desigualdade de gênero nas redações. Vale fazer uma pausa na leitura sobre a pandemia e observar os resultados.

O estudo chama-se Women and Leadership in the News Media. Foram pesquisados 200 veículos online e off line (TVs, rádios e impressos ) selecionados entre os de maior audiência em dez países, dentre eles o Brasil. Concluiu que mulheres representam 40% da força de trabalho no jornalismo, mas ocupam apenas 23% dos cargos equivalentes a editor-chefe.

O Instituto destaca o Brasil como país em que o número de mulheres nas redações ultrapassa o de homens, mas ainda assim eles detém a maioria das posições de liderança editorial. Ficamos em sexto lugar entre os dez pesquisados.

Podia ser pior. No Japão, nenhum dos veículos avaliados tem uma mulher em cargo de chefia. Já na África do Sul o percentual é de 47%, com oito mulheres como editoras. Nenhum dos países analisados tem mais mulheres do que homens no comando.

Organizações offline, geralmente mais antigas e tradicionais, são as que contam com mais homens na liderança − apenas 14% são mulheres. Já nos veículos online o quadro se inverte. A presença delas  é duas vezes e meia maior, chegando a 37%.

O que acontece nas redações não espelha necessariamente a situação do país em igualdade de gênero. A pesquisa descobriu que países como Alemanha e Coreia do Sul, que figuram bem no ranking das Nações Unidas, têm poucas mulheres como editoras.

Os autores observam que o jornalismo tem sua própria dinâmica interna em relação a progressão de carreira.

Refletindo experiências pessoais − E faz diferença se o profissional que edita é homem ou mulher? Para muitos especialistas, sim. O Instituto Reuters cita outros estudos tratando desse aspecto e defende a tese de que há uma importância simbólica e também de ordem prática.

Segundo o relatório, editores tomam decisões relevantes diariamente, que são influenciadas pelas suas experiências pessoais. Uma cobertura com olhar feminino seria capaz de espelhar melhor a sociedade em questões relativas às mulheres.

O tema da participação das mulheres no jornalismo  não é novo e vem sendo observado no Reino Unido há anos. Um dos mais abrangentes estudos foi feito por pesquisadores da Universidade de Stirling em 2016. Women, men and news: its life, Jim, but not as we know it, mostra a disparidade de gênero nas redações britânicas e nas páginas dos jornais.

Assim como no Brasil, as escolas de jornalismo do país, segundo essa pesquisa, formam mais mulheres do que homens. Mas barreiras diversas impedem que elas avancem na carreira como os colegas.

A questão do uso de mulheres como fontes também tem sido alvo de atenção no Reino Unido. Em setores como finanças e política a tendência sempre foi ouvir profissionais homens.

Vários veículos implantaram programas para equalizar opiniões femininas e masculinas. A iniciativa  representa uma oportunidade para mulheres ganharem visibilidade e também aumenta a empatia com as leitoras.

Mudanças à vista − Esforços para equilibrar a presença masculina e feminina no comando de organizações de mídia começam a gerar frutos. Dois notáveis exemplos recentes vieram do Financial Times e do The Times.

Desde janeiro o comando do periódico de finanças está nas mãos de Roula Khalaf. É a primeira mulher a ocupar o cargo.

Também em janeiro, Emma Tucker assumiu a chefia do The Sunday Times. Mas ao contrário da colega, não é pioneira. Entre 1893 e 1901 Rachel Beer, nascida na India, liderou a edição dominical do jornal. Demorou mais de 100 anos, mas finalmente chegou de novo a vez de uma jornalista.

Em tempos tão sombrios, pelo menos uma boa notícia.

Revista digital Oeste estreia nesta sexta-feira (27/3)

Chega ao mercado editorial nesta sexta-feira (27/3) a edição de estreia da revista digital Oeste. Com uma equipe experiente no segmento de revistas, boa parte dela formada ou com longas passagens pela Editoria Abril, a publicação chega com perfil editorial “comprometido com a defesa do capitalismo e do livre mercado”.

Lideram o projeto, que também conta com um site de atualização diária, o diretor de Redação Kaike Nanne e o publisher Jairo Leal, que também integram o Conselho Editorial, ao lado de Augusto Nunes e José Roberto Guzzo; este, a propósito, assina o texto de apresentação da nova plataforma:

“O site de notícias e a revista semanal Oeste, ambos disponíveis unicamente em formato digital, nascem com a intenção de propor ao público a oferta de três serviços: informação sobre fatos relevantes para a sua vida, como pessoas e como cidadãos, na política, na economia e nos acontecimentos centrais da atualidade; textos escritos por profissionais que têm paixão pelo desafio de entender a realidade; e o compromisso, por parte de todos os que escrevem aqui, de esforçar-se, no máximo de suas possibilidades, para saber do que estão falando na hora de escrever alguma coisa”.

Semanal, publicada sempre às sextas-feiras, Oeste terá conteúdo gratuito no site e revista exclusiva para assinantes por R$ 19,90 por mês, com 50% de desconto para quem assinar até 31 de março.

Integram ainda a equipe o editor-executivo Martim Vasques da Cunha, os editores Branca Nunes, Paula Leal e Wilson Lima (Brasília), e os repórteres Afonso Marangoni, Cristyan Costa, Gabriel Oneto, Pérola Stewart e Rodolfo Costa (Brasília).

Uma das grandes apostas da publicação é o time de colunistas. “Traremos aos nossos leitores importantes nomes do pensamento liberal no Brasil e no mundo”, destaca Kaike. “Alguns deles, como Theodore Dalrymple e Deirdre McCloskey, terão seus conteúdos publicados pela primeira vez em português em nossa plataforma”.

Fenaj repudia pronunciamento de Bolsonaro

A Federação Nacional de Jornalistas (Fenaj) emitiu nota de repúdio e indignação com o pronunciamento do presidente Jair Bolsonaro nessa terça-feira (24/3), em que atacou a imprensa nacional e orientou o povo brasileiro a desrespeitar as medidas de prevenção estabelecidas pela Organização Mundial da Saúde contra o coronavírus.

Em rede nacional, Bolsonaro afirmou que a imprensa brasileira foi responsável por espalhar uma “histeria coletiva que domina o País e o mundo inteiro”, minimizando os perigos do coronavírus, as mortes causadas por ele e classificando a pandemia como “gripezinha”. O presidente também se posicionou contra o isolamento social, uma das principais medidas estabelecidas pela OMS para barrar o contágio.

Em nota, a Fenaj afirmou que Bolsonaro “tenta, mais uma vez, enganar a população brasileira com sua técnica de desinformação: dizer mentiras como se fossem verdades e criticar quem produz informação verdadeira”. A entidade lembra também a importância do papel dos jornalistas nesse contexto: “Centenas de homens e mulheres jornalistas estão na linha de combate ao novo coronavírus, ao produzir informação verdadeira sobre a pandemia e ao contribuir para a difusão dos cuidados e das medidas que todos, individual e coletivamente, devem tomar”.

A entidade também criticou a postura do presidente: “Ele deixou evidente seu desprezo pela vida do povo brasileiro, em especial, da população idosa. (…) Ignorando as informações da comunidade científica, Bolsonaro minimiza a pandemia e exorta a população a não respeitar o isolamento social, única medida que se mostrou eficaz na contenção da disseminação do novo coronavírus nos países mais afetados”.

Confira a nota da Fenaj na íntegra.

Marcelo Monegato vai para a Comunicação da Volkswagen, que anuncia nova agência

Marcelo Monegato

A Comunicação da Volkswagen ganhou o reforço de Marcelo Monegato, que deixou a WebMotors. Ele chega para atuar na área de Comunicação de Produto, sob a liderança de Fabiano Severo, em substituição a Michel Escanhola, que recentemente migrou para a Comunicação Digital. A trainee Nathalia Soares ([email protected] e 2827) foi efetivada e seguiu para a área de Produto.

Recentemente, Larissa Shiraishi ([email protected] e 5847), ex-atendimento da Jaguar Land Rover na Ketchum, também passou a integrar o time da VW, na Comunicação Corporativa, respondendo a Fernando Campoi, igualmente responsável pela Comunicação Interna, coordenada por Heloísa Sassaki.

Outra novidade foi a contratação da Máquina Cohn&Wolfe, que chega para colaborar com os times de comunicação interna, assuntos corporativos, produto e digital. A direção da conta é de Ricardo Marques ([email protected] e 11-3147-7442), enquanto Igor Taborda (igor.taborda@ e 7499) responde pela coordenação da equipe que atende às quatro fábricas no Brasil, formada por Cintia Moreira (Taubaté − SP), Carlos Botosso (São Carlos − SP) e Emily Kravetz (São José Dos Pinhais − PR). A fábrica Anchieta (São Bernardo do Campo − SP) continua sendo atendida por Cristie Buchdid.

O coronavírus e os veículos de comunicação − II

Como não poderia deixar de ser, o Portal dos Jornalistas dá continuidade ao balanço dos reflexos da pandemia do coronavírus no trabalho dos veículos de comunicação – dentro, é claro, dos limites inerentes aos nossos porte e abrangência.

As informações que nos chegam sobre a atuação dos veículos neste conturbado período e o acompanhamento do que divulgam permitem-nos classificar a cobertura da pandemia propriamente dita e a preservação da saúde de seus colaboradores como os principais desafios que enfrentam. Ao mesmo tempo, precisam contornar dificuldades impostas pela situação em si e por decisões de autoridades (veja nota sobre a Lei de Acesso à Informação, na capa), bem como da disseminação de fake news e desinformações de toda ordem.

De uma forma geral, veículos de todas as plataformas criaram canais, editorias e produtos especiais, liberaram acesso a conteúdos, TVs e rádios alteraram suas grades em função da cobertura e têm buscado proteger seus profissionais, notadamente os mais velhos, fazendo-os trabalhar em casa. Como o volume de informações é muito grande, optamos por destacar alguns exemplos, o que fazemos a seguir.

TVs e jornais lideram índice de confiança em informações sobre coronavírus, diz Datafolha

Os meios de comunicação da imprensa profissional, com TVs e jornais à frente, são vistos pela população como os mais confiáveis na divulgação de informações sobre a crise do novo coronavírus, segundo pesquisa do Datafolha. Já redes sociais e aplicativos de mensagens são considerados pouco confiáveis em meio à pandemia.

Segundo o levantamento, programas jornalísticos da TV (61%) e jornais impressos (56%) lideram no índice de confiança sobre o tema, seguidos por programas jornalísticos de rádio (50%) e sites de notícias (38%). Em posição oposta à imprensa profissional estão os conteúdos que vêm de WhatsApp e Facebook. Nas duas plataformas, apenas 12% dizem confiar em informações sobre o coronavírus. Nelas, o índice dos que dizem não confiar nas informações atinge 58% (WhatsApp) e 50% (Facebook). O índice dos que dizem não confiar nas informações sobre a pandemia é de 11% nos jornais e de 12% nos telejornais. Os sites de notícias têm a desconfiança de 22%.

pesquisa do Datafolha foi realizada na semana passada (de 18 a 20/3), por telefone, e não presencialmente, devido à pandemia. Foram ouvidas 1.558 pessoas, e a margem de erro é de três pontos percentuais, para mais ou para menos.​ (Com informações da Folha de S.Paulo)

Covid-19 chega às redações

Marcelo Magno, apresentador da TV Clube, afiliada Globo no Piauí, está internado num hospital da capital Teresina. Com 37 anos, foi diagnosticado como portador da Covid-19 e passou a respirar por aparelhos. Na segunda-feira (23/3) William Bonner, no Jornal Nacional, informou que Magno apresentou melhoras e, apesar de continuar internado, não precisa mais de equipamento para respiração.

Márcia Peltier postou no Instagram (@marciapeltieroficial), em 20/3), sua foto usando máscara e um longo texto. Diz, entre outras coisas: “Meu teste de Covid-19 saiu ontem e deu positivo. Já estava em isolamento social desde a semana passada quando algumas pessoas da minha família também testaram positivo. (…) Para os que perguntam se eu viajei. Não viajei, mas me encontrei com amigos que voltaram de viagem. Ninguém sabia que era portador do vírus”.

Chico Caruso despediu-se temporariamente dos leitores de O Globo, pois passa à quarentena. Em dezembro, ele completou 70 anos de idade e 35 no jornal, com charge na primeira página.

Natália Ariede, repórter da TV Globo em São Paulo, passou para a quarentena em casa, trabalhando na medida do possível. Ela também está com 37 anos e foi afastada por estar grávida. A notícia é da revista Quem.

Também por pertencer ao grupo de risco, Boris Casoy, com 79 anos, foi afastado da ancoragem do telejornal RedeTV News, pelo superintendente da emissora, Franz Vacek. A informação, de Flavio Ricco no UOL, acrescenta que Mariana Godoy terá Mauro Tagliaferri como companheiro de bancada, por período indeterminado.

William Waack faz participações diárias no Jornal da CNN de um estúdio montado em sua residência. Aos 67 anos, foi afastado pela emissora, assim como as grávidas e os funcionários com mais de 60 anos, ainda que nenhum tenha sido diagnosticado com a Covid-19. Desde 19/3, Daniel Adjunto, da sucursal de Brasília, substitui Waack na bancada, em São Paulo.

Regina Volpato (52 anos) deixou em 23/3 a apresentação do programa Mulheres, da TV Gazeta, de São Paulo. Ela não contraiu o vírus, mas a direção da emissora achou melhor afastá-la como prevenção.

O jornal digital Poder360, que suspendeu viagens e implementou um sistema de trabalho em home office, publicou um infográfico em que resume medidas de proteção adotadas por grandes Redações nacionais e internacionais. Confira.

Júlio Lubianco, do BRIO, também fez para o Centro Knight um levantamento em Redações da América Latina sobre como adaptaram suas operações por causa do coronavírus. Veja.

A Fenaj reuniu informações sobre ações e orientações dos Sindicatos de Jornalistas em todo o País aos profissionais sobre o coronavírus e as publicou em seu site. Elas compreendem recomendações às empresas jornalísticas, orientações aos jornalistas e funcionamento das entidades de acordo com situação em cada Estado.

Adiamentos, prorrogações, cancelamentos…

A Abraji decidiu adiar a realização do 15º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo, previsto para os dias 25, 26 e 27/6, em São Paulo. A entidade ainda estuda uma nova data. Fica suspensa também a seleção de trabalhos de conclusão de curso, assim como a chamada para o VII Seminário de Pesquisa em Jornalismo Investigativo.

O Google adiou os processos de seleção e início do Startup Lab, projeto piloto, lançado em fevereiro, que busca acelerar novas empresas jornalísticas em estágio inicial de desenvolvimento. Novas datas ainda serão definidas e informadas a todos os que já se inscreveram.

A Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação (Intercom) postergou para o segundo semestre seus cinco congressos regionais (confira as novas datas). O 43º Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação (Intercom 2020), que seria realizado de 2 a 7 de setembro, na Universidade Federal da Bahia (UFBA), em Salvador, será realizado após os congressos regionais, em data a ser definida. (Veja+)

Checagem de fatos

A Agência Pública conversou com representantes de Aos Fatos, Lupa, E-farsas e Estadão Verifica para saber quais são as notícias falsas mais compartilhadas sobre o coronavírus, como se informar e o que eles estão fazendo para barrar o fluxo de desinformação. Leia.

Cristina Tardáguila

A Rede Internacional de Verificação de Fatos (IFCN) tornou pública a base de checagens da aliança #CoronaVirusFacts / #DatosCoronaVirus. A colaboração reúne 112 checadores de mais de 45 países e 15 idiomas. Em dois meses de parceria, mais de mil verificações de fatos foram realizadas. À frente da iniciativa, a brasileira Cristina Tardáguila conversou com a Abraji sobre os principais desafios que a aliança tem enfrentado, as “ondas de desinformação” e a importância da colaboração no jornalismo. Leia mais.

Com o objetivo de frear a propagação de notícias falsas sobre o coronavírus, o WhatsApp elaborou uma divisão especial para conter esse tipo de conteúdo em sua plataforma de conversas. Em parceria com OMS, Unicef, Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento e IFCN, criou o Centro de Informações sobre coronavírus. Em comunicado, representantes do WhApp afirmaram que a plataforma doará US$ 1 milhão para o combate às fake news que versem sobre a pandemia.

E mais…

A Associação Mundial de Editores de Notícias (WAN-IFRA) criou um ambiente digital que possibilita o compartilhamento de informações sobre o coronavírus entre redações de todo o mundo. A iniciativa busca unir a imprensa global na luta contra a pandemia, pela troca de experiências, ideias, dicas, pesquisas, dados, entre outros.

No site, os interessados também podem responder a uma pesquisa sobre a situação de sua redação. É possível receber os informativos com notícias, links e informações práticas ao fazer uma inscrição simplificada. Confira a plataforma (em inglês).

Desde 23/3 a XP Educação está oferecendo o curso gratuito online Como investir no cenário instável do coronavírus, com dicas e sugestões sobre investimentos no contexto pandêmico atual. As aulas ficarão na plataforma por tempo indeterminado.

O curso, de cinco módulos, é ministrado por especialistas da XP, incluindo o estrategista-chefe Fernando Ferreira, a estrategista e criadora do canal ExplicaAna Ana Laura Magalhães e a analista de ações Betina Roxo. A abertura do curso foi feita por Guilherme Benchimol, CEO da XP Inc. As aulas contextualizam o cenário atual, explicando os impactos da pandemia na economia ao redor do globo, além darem exemplos de mecanismos que podem ser acionados em tempos de crise (como o circuit breaker e o VIX) e dicas para quem quer investir neste conturbado momento do setor de investimentos. Acesse as aulas gratuitamente.

Assis Ângelo escreve primeiro cordel sobre coronavírus

É comum os artistas da cultura popular, incluindo músicos, registrarem as mazelas que desabam sobre um país ou o planeta. O jornalista e estudioso da cultura popular Assis Ângelo, colaborador deste J&Cia, paraibano de João Pessoa radicado na capital paulista desde 1976, é o primeiro autor a escrever um folheto de cordel contando as diabruras do coronavírus. O folheto Piolho do cramunhão faz o mundo todo tremer acaba de ser publicado pela editora especializada Tupynanquim, do Ceará. A capa é assinada por Antônio Klévisson Viana, autor de centenas de folhetos, entre os quais A quenga e O delegado, este adaptado pela TV Globo, em 2001. Assis é autor de vários livros sobre cultura popular e presidente do Instituto Memoria Brasil (IMB).

Jornalismo esportivo enfrenta desafio

Como reagem as publicações esportivas europeias, sob o foco da AFP

Jogadores do Grêmio protestam com máscaras em 15/3 pela paralisação do Campeonato Gaúcho. Foto: Guilherme Testa/Correio do Povo

Por Cristina Vaz de Carvalho, editora de J&Cia no Rio de Janeiro

Não bastasse a falta de notícias numa área em que foram cancelados os eventos, fechados os clubes e os atletas impedidos de treinar, os jornalistas esportivos, de todas as plataformas, encaram o que a France Presse (AFP) chamou de “o maior desafio de sua história”. A expressão foi cunhada por Juan Ignacio Gallardo, diretor do esportivo Marca, líder em circulação na Espanha.

No Brasil não é diferente, e as publicações usam material de arquivo. Na Europa, apelam também por estender o conteúdo de Geral, para não perderem leitores ou audiência. O Marca, pela primeira vez em sua história, acrescentou duas páginas de informações não esportivas. O L’Equipe francês, outro jornal de referência, reduziu o número de páginas da edição impressa e passou a cobrir os jogos de videogame, o chamado e-sport. O italiano Gazzetta dello Sport concentrou sua cobertura nos atletas confirmados com a Covid-19, além de incluir noticiário geral.

Praticamente todos os veículos incluem conselhos para fazer exercícios no confinamento e recomendações de dietas saudáveis, muitas vezes apresentadas pelos próprios atletas, isolados em suas casas. Há, porém, um consenso, entre os analistas do mercado europeu, sobre a efetividade de tais medidas paliativas para fidelizar leitores, e ainda, que o aumento de visitantes online não deve compensar a queda da receita publicitária.

Mais afetadas são as emissoras de tevê: sem torneios para transmissão ao vivo, perdem os altos contratos publicitários. O francês Canal+ substituiu o futebol e a Fórmula 1 por filmes e séries. Já o também francês RMC Sport News interrompeu totalmente as atividades e está fora do ar desde16/3.  Material de arquivo foi a opção dos canais Eurosport – maior rede desportiva da Europa por cabo, satélite e IPTV, disponível em 59 países em 20 línguas – e Bein Sports, subsidiária da Al Jazeera voltada para os eventos esportivos, presente em vários países, por assinatura.

Até agora, a única notícia atual sobre esportes, no mundo, era a indecisão do Comitê Olímpico Internacional (COI) sobre o adiamento dos Jogos de Tóquio 2020. Com a divulgação, nessa terça-feira (24/3), de que serão realizados em 2021, não restam mais notícias sobre o esporte.

Uso do termo fake news na imprensa aumentou 96% nos últimos três anos; editoria de Política é a que mais usa a expressão

Pesquisa divulgada pela empresa de tecnologia Knewin revelou um aumento de aproximadamente 96% no uso do termo fake news em notícias publicadas entre 2017 e 2020. O período com maior número de menções à expressão foi em 2018, durante as eleições presidenciais.

Em 2017, a média de uso do termo ficou em torno de 21 mil por mês. Em 2019, o índice caiu para cerca de 19 mil, e agora em 2020 a média deve aumentar: só em janeiro, cerca de 22 mil menções foram detectadas, em comparação a dezembro do ano passado, que revelou apenas 14 mil usos. Outro dado relevante é o de que a editoria de Política é a que mais utiliza o termo fake news.

Em entrevista ao Portal Imprensa, Isabella Boechat, gerente de Marketing da Knewin e responsável pela pesquisa, explicou que o tema central que envolve o uso do termo fake news é a disseminação de notícias falsas: “Em dezembro de 2017, por exemplo, as mais de oito mil menções tiveram como principais tópicos o Wikileaks, a eleição presidencial nos EUA, a ligação do Facebook às fake news e o papel do jornalismo no combate às notícias falsas. Em outubro de 2018 − que marcou o pico da análise, com 75 mil menções −, houve eleição presidencial no Brasil, a disseminação de fake news nas redes sociais (incluindo WhatsApp) e notícias falsas sobre o Enem 2018 como principais temas relacionados ao assunto. E em abril de 2019 tivemos como pontos focais as reformas nacionais (Trabalhista e da Previdência), a CPI das fake news e o TSE no combate às fake news”.

Segundo ela, o aumento significativo do uso da expressão ocorreu após as eleições à Presidência dos Estados Unidos, na qual a campanha de Donald Trump foi acusada de disseminar notícias falsas. Os dados obtidos na pesquisa mostram que, em 2017, cerca de 32 mil notícias mencionaram fake news, enquanto em 2016 apenas 1.700 utilizaram o termo.

Morre em Porto Alegre Mariana Kalil, aos 47 anos

A escritora Mariana Kalil morreu no domingo (22/3) em Porto Alegre, aos 47 anos. Ela lutava há um ano contra um melanoma, um tipo de câncer de pele agressivo. Devido a restrições por causa do coronavírus, o velório foi fechado à familiares e amigos.

Mariana teve passagens por vários veículos jornalísticos, como O Estado de S.Paulo, Jornal do Brasil, Época, IstoÉ e Zero Hora. Foi correspondente internacional da BBC na Espanha. Também foi colunista de TV Bandeirantes e BandNews FM. É autora dos livros Peregrina de araque, Vida peregrina e Tudo tem uma primeira vez.

Ditadura é foco de livro póstumo de Luiz Octavio de Lima

A Editora Planeta lança em 31/3 o livro Os anos de chumbo, obra póstuma de Luiz Octavio de Lima (ele morreu em 15/1, em São Paulo, aos 60 anos) que traz uma profunda análise sobre o período desde o governo de Jânio Quadros até a instauração da ditadura militar no Brasil. Laurentino Gomes assina o prefácio, e Noam Chomsky é o responsável pelo texto da capa. A preparação é de Tiago Ferro.

O livro apresenta e analisa os acontecimentos político-sociais que desencadearam o golpe de 1964, estabelecendo um comparativo com os dias de hoje e refletindo sobre a “herança” que o período mais repressivo da história do País deixou para as gerações atuais. A obra traz entrevistas com personalidades da época e revisões bibliográficas.

Formado pela PUC-RJ e com MBA em Economia pela Unicamp-Facamp, Luiz Octavio de Lima teve passagens, entre outros, por Folha de S.Paulo, Veja, O Globo, Exame, Época e Estadão. É autor de outros livros, como A Guerra do Paraguai, 21 Grandes batalhas que mudaram o Brasil, Pimenta Neves − Uma reportagem e 1932: São Paulo em chamas.

Bolsonaro suspende prazos da Lei de Acesso à Informação

No novo texto da MP 928, publicado na noite dessa segunda-feira (23/3) para cancelar a autorização para empresas suspenderem o pagamento do salário de funcionários por até quatro meses, o presidente Jair Bolsonaro também reduziu a transparência do Governo. O texto traz alterações na Lei de Acesso à Informação (Lei nº 12.527/2011) que suspendem os prazos para resposta aos pedidos de informação feitos pela população.

Agora, ficam livres de prazo para responder a pedidos via LAI os órgãos da administração pública cujos servidores estejam em regime de quarentena ou de home office devido à pandemia. A medida abrange órgãos cujos funcionários dependam de acesso presencial de agentes públicos encarregados da resposta ou “agente público ou setor prioritariamente envolvido com as medidas de enfrentamento da situação de emergência“.

Pela LAI, órgãos públicos integrantes da administração direta dos Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, bem como do Ministério Público, têm 20 dias para responder aos pedidos de informação. O prazo é prorrogável por mais dez dias, desde que seja apresentada justificativa para o não cumprimento do tempo inicialmente estabelecido. (Com informações do Poder360)

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