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sábado, abril 25, 2026

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Na crise, o que conta é a resposta certa, no tempo certo

Fiona, em trecho da entrevista

Por Luciana Gurgel, especial para o J&Cia

A BBC tem problemas de sobra para administrar, como a dificuldade em atrair audiência jovem e a revolta dos idosos, que agora terão que pagar a taxa obrigatória para acesso aos canais da rede, se tiverem condições financeiras para tal. Mas nas últimas semanas arrumou mais um.

Está no centro de uma controvérsia por causa do uso de uma palavra ofensiva para descrever pessoas negras em uma reportagem veiculada no canal regional Points West e posteriormente em rede nacional pela BBC News. Para completar, a palavra execrada também apareceu em um documentário sobre a história da escravidão americana exibido pelo canal BBC2, estrelado pela historiadora Lucy Worsley.

N-word: 12 dias para um pedido de desculpas

O caso que disparou a crise foi provocado por matéria da repórter Fiona Lamdin em 29 de julho, mostrando o ataque a um jovem negro em Bristol. Ela entrevistou familiares do rapaz e relatou o xingamento a ele dirigido. Mas em vez de usar a expressão N word, forma indicada para não pronunciar a ofensiva palavra “nigger”, repetiu o xingamento.

Há um entendimento entre entidades que combatem o racismo de que a palavra, de cunho fortemente pejorativo, deve ser evitada e nunca pronunciada por pessoas brancas. Ainda que Lamdin tenha feito a ressalva de que a pronunciaria, levantou-se uma revolta contra a emissora.

É difícil afirmar onde exatamente começou. Uma pista é o tweet de uma ativista, logo em seguida à matéria ir ao ar. @laurellah postou sua indignação e o post viralizou.

A despeito da onda que prometia crescer, a posição inicial da BBC foi arriscada. Não se desculpou. Optou por justificar o uso da palavra em um comunicado oficial e em mensagens diretas aos que reclamaram, argumentando estar no contexto e ter havido o alerta prévio da jornalista.

Justificativa da BBC

Apenas na última segunda-feira (10/8), 12 dias depois de a matéria ir ao ar, saiu um pedido de desculpas, assinado pelo diretor-geral Tony Hall. Após mais de 18 mil reclamações formalizadas no site da BBC, muitas das quais encaminhadas também ao órgão de controle, o Ofcom. E depois de um renomado apresentador da rádio BBC, o DJ Sideman, negro, ter pedido demissão.

O impacto foi imenso e ultrapassou as fronteiras britânicas. Notícias sobre o pedido de desculpas foram destaque em redes globais como CNN e NBC.

Controles redobrados e reação rápida

O episódio coloca em evidência duas questões importantes nos dias de hoje, em que a sensibilidade quanto a temas que envolvam grupos sociais e minorias é cada vez maior. Os controles internos dos veículos de comunicação e de organizações que dialogam com o público por redes sociais não podem ser relaxados. E convém revisá-los constantemente para assegurar que continuem alinhados às percepções da sociedade, que não são estáticas.

Isso não ocorreu com a matéria da BBC. Ninguém − nem a repórter, nem produtores, nem editores − parece ter atentado para o risco de reação furiosa pelo uso da palavra pesada, a despeito dos protestos raciais que se alastraram mundo afora e atingiram também o Reino Unido. Os sinais de que se tratava de um caso potencialmente explosivo estavam ali, mas foram ignorados.

Ela até foi removida horas depois de ir ao ar. Mas foi exibida por tempo suficiente para ser vista e causar o impacto negativo.

A outra questão é o tempo de resposta. Os 12 dias entre a veiculação e o pedido de desculpas serviram para provocar a ira de pessoas que talvez nem se engajassem na onda de críticas. Mas que se viram compelidas a embarcar diante da falta de ação da emissora e de um comunicado minimizando o caso.

Foi esquecido um mandamento básico de gestão de crises. Há certas coisas que não dá para deixar esfriar, porque não vão esfriar sozinhas. Questões raciais estão entre elas.

Mapa interativo reúne dados de 176 países sobre a Covid-19

O Big Local News, em parceria com o Pitch Interactive, da Universidade de Stanford, lançou o Covid-19 Global Case Mapper, mapa interativo que reúne dados de 176 países sobre a situação do coronavírus nessas regiões. O projeto traz também informações regionais e estaduais de 18 nações.

O mapa tem apoio da Google News Initiative e está disponível em 80 idiomas. As informações que veicula são do banco de dados aberto do New York Times, e do Centro de Ciência e Engenharia de Sistemas (CSSE) da Universidade Johns Hopkins. Elas são atualizadas diariamente.

Confira o mapa!

Prêmio Vladimir Herzog homenageará Laerte, Luiz Gama e Sueli Carneiro

A comissão organizadora do 42º Prêmio Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos decidiu homenagear na edição deste ano a cartunista Laerte, o jornalista Luiz Gama e a filósofa Sueli Carneiro. A homenagem é destinada a personalidades que tenham prestado serviços relevantes para a defesa da democracia e do jornalismo. Em 2019, foram homenageados Glenn Greenwald, Patrícia Campos Mello e Hermínio Saccheta.

Laerte é uma das principais cartunistas do País. Criadora de personagens emblemáticos como Piratas do Tietê, Hugo Baracchini, Deus e Overman, ela revolucionou a criação de quadrinhos no Brasil. Colaborou com Veja, piauí, IstoÉ, O Estado de S. Paulo, Balão e O Pasquim. Desde 2014, publica charges na Folha de S.Paulo. Em 2020, completa 50 anos de carreira.

Luiz Gama (1830-1882) foi jornalista, poeta, advogado e ativista, ícone da luta contra o racismo e o regime escravocrata. Foi um dos precursores do que é hoje o jornalismo investigativo, tendo sido responsável por denunciar a jornais diversas violações de leis e direitos cometidas por juízes e advogados contra negros e escravos.

Sueli Carneiro é filósofa, educadora e escritora. Escreve sobre o papel da mulher negra e questões de gênero e raça. Foi colunista do Correio Braziliense por cerca de uma década e, nesse período, inspirou redações de todo o País a abordar temáticas raciais e feministas de forma humanizada, plural e libertária.

A cerimônia de premiação será virtual, em 25 de outubro.

Leo Dias assina com a Jovem Pan

A Jovem Pan acertou a contratação de Leo Dias, especialista em celebridades. Ele deve estrear em 24/8, ao lado de Lígia Mendes, na apresentação do novo programa To na Pan, com as principais notícias do mundo dos famosos. A atração irá ao ar de segunda a sexta, das 11h30 às 12 horas. Em seguida, haverá uma segunda versão, também de 30 minutos, exclusiva no Panflix, plataforma de streaming da rádio.

Leo trabalhou no programa Fofocalizando, do SBT, e no TV Fama, da RedeTV. Também assinou uma coluna no UOL e passou por Yahoo Brasil e O Dia. Hoje, escreve para o site Metrópoles.

Com informações de Flávio Ricco.

Sindicato repudia ação de prefeito de São Bernardo do Campo contra jornalistas

Crédito: Luis Carlos Fernandes

O Sindicato dos Jornalistas de São Paulo (SJSP), por sua Regional ABCD, repudiou a ação do prefeito de São Bernardo do Campo Orlando Morando, que intimidou Raphael Rocha e Luis Carlos Fernandes, respectivamente, editor de Política e chargista do Diário do Grande ABC, por publicarem matéria sobre a investigação da empresa Morando “por suspeita de tráfico de influência e ocultação de patrimônio”. O prefeito entrou com uma ação no âmbito da Justiça Criminal.

José Eduardo de Souza, secretário do Interior do Sindicato, afirma na nota que “a liberdade de expressão e a liberdade do exercício da profissão são a máxima para o exercício do bom jornalismo. O Sindicato dos Jornalistas de São Paulo repudia toda e qualquer atitude de cerceamento da profissão dos jornalistas e se coloca à disposição dos trabalhadores do Diário do Grande ABC diante desta tentativa de intimidação do prefeito Orlando Morando”.

Globo lança campanha que exalta trabalho do jornalismo durante a pandemia

Crédito: Reprodução

A TV Globo estreou em 9/8 uma campanha, com a assinatura das marcas Globo, GloboNews, CBN e G1, que enaltece o trabalho da equipe de Jornalismo da emissora, que se arrisca diariamente para produzir informações sobre a pandemia de coronavírus.

O projeto é composto por quatro filmes, além de vinhetas, peças digitais e de mobiliário urbano e apresenta o slogan “Jornalismo da Globo: uma ponte segura entre fatos e pessoas”. O comercial de estreia destaca os motivos que levaram os profissionais de imprensa a saírem de suas casas diariamente para trazer informações sobre a pandemia. O segundo abordará o distanciamento social e a retomada das atividades.

Com informações do Meio&Mensagem.

Entidades repudiam ação de Augusto Aras contra a revista Crusoé e o site O Antagonista

A revista Crusoé publicou em 7/8 uma reportagem revelando que o procurador-geral da República Augusto Aras pediu ao ministro do STF Alexandre de Moraes que investigasse comentários de leitores publicados na revista e no site O Antagonista, alegando que muitos deles ofendiam ministros do tribunal e pedindo que as publicações fossem responsabilizadas pelos comentários.

O pedido, despachado em março deste ano, tramita em sigilo no STF e é relatado por Alexandre de Moraes. Segundo o relator, o inquérito trata da “existência de notícias fraudulentas (fake news), denunciações caluniosas, ameaças e infrações revestidas de animus caluniandi, diffamandi ou injuriandi, que atingem a honorabilidade e a segurança do Supremo Tribunal Federal, de seus membros e familiares, extrapolando a liberdade de expressão”

Em nota, a Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) escreveu que “considera a atitude do procurador-geral da República uma violação à liberdade de expressão e de imprensa, uma vez que busca implicar no inquérito um veículo jornalístico a partir das manifestações de seus leitores. Também lamenta a aceitação, pelo STF, de um pedido desarrazoado e contrário ao espírito do artigo 19º do Marco Civil da Internet, que prevê a responsabilização de provedores de aplicações por conteúdo gerado por terceiros somente no caso de recusa em acatar ordens judiciais”.

Paulo Jerônimo, presidente da Associação Brasileira de Imprensa. declarou que a ABI “repudia a atitude do procurador-geral, que viola os princípios democráticos da liberdade de imprensa e da livre manifestação de pensamento. Ademais, os leitores são responsáveis pelas opiniões expressadas, não podendo os órgãos de imprensa serem constrangidos ou penalizados por publicá-las. (…) A ABI solidariza-se com as duas publicações e reitera que as autoridades públicas não podem usar suas funções para cercear as liberdades de expressão e de imprensa, asseguradas pela Constituição, nem perseguir órgãos de imprensa e seus profissionais por discordarem de suas posições editoriais”.

Caldeira e a rodoviária

Por Marco Antonio Zanfra

Os mais antigos devem se lembrar de que nem sempre a rodoviária de São Paulo funcionou naquele trecho da Marginal, junto à estação Portuguesa-Tietê do Metrô. Os mais antigos devem se lembrar também de que, durante muito tempo, Otávio Frias de Oliveira não foi o único dono da Folha de S.Paulo.

O que une esses dois pontos é que Carlos Caldeira Filho, o proprietário do prédio onde funcionava a antiga rodoviária da Capital, era também o sócio de seu Frias no jornal.

Carlos Caldeira Filho

Caldeira chegou a ser prefeito de Santos. Era uma figura excêntrica, espaçosa, de risada larga. Seu escritório na empresa funcionava na cobertura do prédio 401 da Barão de Limeira, e ele mandou montar ali uma pequena amostra da Mata Atlântica, com araras e outras aves igualmente barulhentas. Seu tamanho e suas extravagâncias contrastavam com o físico modesto e o semblante sisudo do velho Frias.

A antiga rodoviária, com 19 mil m2 (um sexto do tamanho da do Tietê), funcionava na avenida Duque de Caxias. Fazia frente para a rua Barão de Piracicaba e para a praça Júlio Prestes. Por ser encostado ao centro da cidade, o terminal era o sonho de todo masoquista em época de feriadão: o trânsito parava, os ônibus saíam às vezes quatro ou cinco horas depois do horário marcado, os espaços ficavam todos tomados, os batedores de carteira faziam a festa.

Era impraticável. A premente e necessária descentralização dos embarques e desembarques começou a partir da inauguração do Metrô, em 1976. A primeira sangria da rodoviária da Luz foram os ônibus para o Litoral, transferidos ao Terminal Jabaquara. O Terminal Tietê começou a ser construído em 1979 e foi inaugurado em 8 de maio de 1982, quando Maluf era governador do Estado.

Mas Caldeira não dava o braço a torcer: o que ele faria com um terminal rodoviário onde não circulariam mais ônibus, onde não haveria mais embarques e desembarques? “O que eu vou fazer com os bidês que mandei instalar nos banheiros femininos?”, perguntava, choroso. “Monta um lava-rápido”, sugeriu Paulo Cerciari, à época repórter fotográfico do Diário Popular, lembrando a grande atividade de lenocínio na região.

E então ele tentou usar a força do jornal para desmerecer a nova rodoviária. Eu mesmo fui uma vez, pouco antes da inauguração, procurar aspectos negativos na obra, conversar com quem criticasse o empreendimento, mostrar que talvez tivéssemos ali tão-somente um verdadeiro elefante branco. Não sei se Caldeira pensava que nossas críticas fariam o governo mudar de ideia, cancelasse a inauguração e mantivesse os ônibus no exíguo espaço da antiga rodoviária. Mas podemos ver que não: 38 anos depois, o Terminal Tietê continua lá, a rodoviária antiga chegou a virar um shopping têxtil, mas hoje só restaram as lembranças.

Sei que, no dia em que saí da redação com a missão de pôr abaixo o Terminal Tietê, não arrumei muito o que escrever: algumas poucas opiniões contrárias, alguns operários queixando-se das condições de trabalho, algum desleixo em alguns aspectos do acabamento. Escrevi um texto longo, porém, e subi com o chefe Adílson Laranjeira ao escritório do Caldeira, para mostrar o trabalho.

A sorte foi que Adílson, com insuspeitada capacidade dramática, usou o tom certo para ler a matéria: deu a entonação crítica pedida, as ênfases necessárias, o sabor sarcástico em alguns trechos… enfim, ele não leu, mas “interpretou” o texto. Refestelado na poltrona, Caldeira ria de satisfação. E assim, graças a Adílson Marques Laranjeira, a matéria xôxa tornou-se capa.

Carlos Caldeira Filho morreu alguns dias depois de o Terminal Tietê completar 11 anos de vida. Não tive mais contato com ele depois daquele dia, mas tenho certeza de que, mesmo perdendo sua rodoviária, graças à leitura do Adílson ele ficou com a impressão de que eu lutara bravamente para que isso não acontecesse!

Marco Antonio Zanfra

A história desta semana é novamente de Marco Antonio Zanfra, que atuou em diversos veículos na capital paulista, entre eles Folha de S.Paulo, Agora, revista Manchete, Jornal dos Concursos, Folha da Tarde e Diário Popular, e, em Santa Catarina, foi editor em O Município (Brusque) e em seguida no Jornal de Santa Catarina (Blumenau). Em Florianópolis, onde reside, trabalhou em O Estado e A Notícia, na assessoria de imprensa do Detran e do Instituto de Planejamento Urbano, além de ter sido diretor de Apoio e Mídias na Secretaria de Comunicação da Prefeitura.


Tem alguma história de redação interessante para contar? Mande para [email protected].

Grupos de vagas para jornalismo no WhatsApp reúnem mais de mil pessoas

O jornalista Wilson de Sá criou os grupos de WhatsApp Vagas no Jornalismo, com o objetivo de compartilhar oportunidades de emprego para profissionais de imprensa. O foco é em jornalismo, mas vagas em marketing e relações públicas também são divulgadas. A demanda foi tanta que hoje são cinco grupos de vagas administrados por Wilson, reunindo mais de mil pessoas, com cerca de 250 participantes em cada um, pois a capacidade máxima dos grupos de WhatsApp agora é de 256 pessoas.

Com o lema “Aproveite e Compartilhe”, o primeiro grupo surgiu no final de 2016. Colegas de redação perguntavam a Wilson sobre vagas, e para que avisasse se ficasse sabendo de oportunidades de emprego. Daí, surgiu a ideia de criar um grupo no WhatsApp para compartilhar vagas. Hoje, ele trabalha como assessor de comunicação na Câmara Municipal de Diadema (SP). Antes, passou por Metro News e Folha Metropolitana.

Wilson explica que os grupos “têm gente de todos os tipos, de TV, rádio, impresso, e até pessoas que moram e trabalham em outros países, mas desejam voltar para o Brasil. A ideia é que um indique vagas para o outro, e todos se ajudem e compartilhem oportunidades”.

Para participar do grupo Vagas no Jornalismo V, clique aqui.

Estudo da Oxford indica que sites de fake news conseguem usar Google para ganhar dinheiro

Crédito: Arnd Wiegmann/Reuters
Crédito: Arnd Wiegmann/Reuters

O Oxford Internet Institute fez uma pesquisa que mostrou como sites com desinformação sobre o coronavírus conseguem usar as ferramentas de pesquisa e publicidade do Google para ganhar visualizações e dinheiro. Segundo o estudo, sites de fake news têm o mesmo nível de classificação de agências de notícias tradicionais.

A pesquisa indicou que ao menos 60% dos maiores sites de desinformação conseguem obter dinheiro através do Google Ads. As páginas analisadas falham em pelo menos três dos cinco critérios: profissionalismo, estilo, credibilidade, preconceito e falsificação.

Os resultados apontaram que o site estatal russo RT.com é o site de desinformação com maior “autoridade” nos mecanismos de busca, ou seja, a probabilidade de notícias desse site aparecerem na busca do Google é alta e equivale, por exemplo, à chance de surgirem resultados vindos de fontes confiáveis como La Repubblica da Itália, Le Figaro da França e Welt na Alemanha. O estudo analisou também os sites de fake news sputniknews.com, alternet.org, breitbart.com e zerohedge.com.

Segundo o relatório, “o ecossistema de notícias indesejadas e desinformação em torno do Covid-19 é ativado por mecanismos de pesquisa e plataformas de publicidade que contribuem para sua visibilidade e receita financeira. (…) Grandes plataformas de publicidade, incluindo Google e Amazon, contribuem, portanto, para a viabilidade financeira e o sucesso de editores de notícias falsas e com desinformação em torno da Covid-19”. 

Com informações do Portal Imprensa.

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