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Concurso Dom Phillips e Bruno Pereira de Jornalismo e Comunicação recebe inscrições até 21 de maio

Concurso Dom Phillips e Bruno Pereira de Jornalismo e Comunicação recebe inscrições até 21 de maio
Dom Phillips e Bruno Pereira (Crédito: Cris Vector)

O Governo do Brasil lançou o Concurso Dom Phillips e Bruno Pereira de Jornalismo e Comunicação em Defesa do Meio Ambiente, Povos Indígenas e Comunidades Tradicionais, que valoriza e incentiva trabalhos jornalísticos sobre a proteção do meio ambiente e os direitos dos povos indígenas. A iniciativa homenageia o indigenista Bruno Pereira e o jornalista Dom Phillips, assassinados em 2022 no Vale do Javari (AM).

Ao todo, são seis categorias: Reportagem em Texto; Fotojornalismo e Artes Visuais; Reportagem Audiovisual; Comunicação Indígena; Comunicação de Comunidades Tradicionais; e Educação Midiática. Podem ser inscritos trabalhos jornalísticos veiculados a partir de 2023.

O primeiro lugar de cada categoria receberá R$30 mil. O segundo colocado, R$15 mil, e o terceiro, R$5 mil. Além disso, os cinco melhores trabalhos em cada categoria receberão um troféu e terão os custos de deslocamento e hospedagem garantidos para participar da cerimônia em homenagem a Dom Phillips e Bruno Pereira, prevista para 12 de junho.

As inscrições devem ser feitas por meio deste formulário. Interessados podem optar por fazer a inscrição via áudio ou vídeo. Mais informações e o edital completo estão no site oficial do concurso.

TV O Povo e TV Cultura firmam parceria de conteúdo

TV O Povo e TV Cultura firmam parceria de conteúdo

A TV O Povo, do Ceará, firmou uma parceria de conteúdo com a TV Cultura. Com o acordo, programas como Roda Viva, Metrópolis, Provoca, Cultura Livre e outros produtos da TV Cultura passam a ser exibidos na grade da TV O Povo. Assim, ao longo da semana, a programação intercala conteúdos locais, como O POVO News 1ª e 2ª edições, e transmissões da Rádio O POVO CBN, com produções nacionais da TV Cultura.

O objetivo da parceria é fortalecer o jornalismo das duas emissoras. Além dos programas, O Povo exibirá o primeiro debate entre candidatos à presidência, transmitido pela TV Cultura. Vale lembrar que o Grupo O Povo também mantém parceria, há nove anos, com o Canal Futura por meio do Canal FDR, da Fundação Demócrito Rocha (FDR).

CNN Brasil amplia cobertura política com foco nas eleições

A CNN Brasil anunciou a ampliação de sua cobertura de Política, com a estreia de novos conteúdos, com foco nas eleições deste ano. Já nesta segunda-feira (6/4), vai ao ar o especial CNN Eleições – Mapa dos Partidos, que discutirá os bastidores das articulações e os impactos das movimentações partidárias na definição das candidaturas para deputado, senador, governador e presidente.

O especial, que vai ao ar às 23h, será comandado por Iuri Pitta, editor de política do canal, com comentários dos analistas Caio Junqueira, Juliana Lopes, Jussara Soares e Pedro Venceslau.

A partir de maio, o canal passa a exibir séries especiais com foco no período eleitoral. Em 4 de maio, vai ao ar a série Batalha do Senado, que abordará os bastidores e a renovação de dois terços da Casa. Em 1º de junho, será lançado o Brasil Fiscal, sobre os desafios econômicos e o legado que será herdado pelo próximo governo. E a partir de 17 de agosto, a emissora exibe o Grande Debate Eleições, que passa a ocupar a faixa das 23h às 23h45, abordando as últimas notícias sobre política e o período eleitora. O espaço terá 15 minutos adicionais na grade até o primeiro turno.

Morre Marco Faustino, pioneiro da checagem de fatos no Brasil

Marco Faustino (Crédito: Méuri Elle/Aos Fatos)

Morreu em 30/3 o repórter Marco Faustino, de Aos Fatos, aos 42 anos, no Rio de Janeiro. Ele sofreu uma tentativa de assalto em meados de março, em São Gonçalo (RJ), foi baleado e ficou duas semanas internado. Porém, contraiu uma infecção, teve agravamento do quadro e não resistiu.

Marco era um exímio conhecedor da internet e do ambiente digital, sendo pioneiro no combate a boatos e notícias falsas, muito antes da checagem de fatos começar a ser realizada com frequência na imprensa. Iniciou a trajetória no jornalismo de forma voluntária, produzindo conteúdo para as redes sociais. Pouco tempo depois, integrou a equipe do E-farsas, veículo fundado há mais de duas décadas voltado ao combate à desinformação.

No final de 2020, durante a pandemia de Covid-19, Marco desmentiu um boato de que uma vacina falsa contra a doença estaria sendo vendida em um comércio popular de Madureira (RJ). A informação falsa havia viralizado na época, sendo compartilhada inclusive por tradicionais veículos de imprensa. Marco conseguiu comprovar que a foto que estava circulando na internet não havia sido tirada no Rio de Janeiro e sim em um evento esportivo em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos.

Este trabalho chamou a atenção de Aos Fatos, que convidou Marco para fazer parte da equipe de checadores de fatos da empresa. Na agência, o repórter assinou quase 1.500 textos, a grande maioria deles desmentindo boatos e notícias falsas.

Justiça rejeita pedido de presidente da Caixa para retirada de reportagem da Revista Fórum

A Justiça de Brasília rejeitou um pedido de Carlos Antônio Vieira Fernandes, presidente da Caixa Econômica Federal, para a retirada de uma reportagem da Revista Fórum com críticas à sua gestão no fundo de pensão Funcef, além de sua ligação com o deputado federal e ex-presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira.

A reportagem faz parte de uma série de conteúdos que abordam a Operação Fallax, investigação da Polícia Federal (PF) que apura um esquema de fraudes e lavagem de dinheiro que pode ultrapassar R$ 500 milhões. Na ação judicial, Fernandes afirma que a revista ultrapassou os limites da liberdade de imprensa, associando-o indevidamente ao esquema investigado pela PF. Além da retirada da reportagem, o presidente da Caixa tentou impor uma multa diária de R$ 100 mil caso o conteúdo permanecesse no ar.

O pedido, porém, foi negado pelo juiz Cleber de Andrade Pinto, da 16ª Vara Cível de Brasília. Para o magistrado, o texto da Fórum não ultrapassou os limites da liberdade de imprensa e tem caráter informativo. Além disso, o juiz destacou que a reportagem deixa claro que o presidente da Caixa não é investigado pela PF.

Rodrigo Valverde, advogado da Revista Fórum, afirmou que a decisão reforça a importância das liberdade de imprensa e expressão no País: “Fatos de interesse social e público, como são os que foram abordados na matéria, merecem o prestígio da liberdade de imprensa alcançada a duras penas pela luta democrática. Iremos apresentar defesa e acompanhar o processo até final julgamento para garantir que a liberdade de informar prevaleça sobre tentativas de censura e intimidação” .

O adeus a Helton Lenine, que fez história no jornalismo político em Goiás

Helton Lenine

Morreu em 2/4 o repórter Helton Lenine, nome histórico do jornalismo especializado em Política no Goiás, aos 72 anos, vítima de complicações cardíacas. O velório e sepultamento foram realizados no Cemitério Parque Memorial, em Goiânia.

Helton cobriu por muitas décadas a editoria de Política em Goiás. Passou pelas redações de Diário da Manhã e O Popular, e foi correspondente do Estadão. Atuou ainda como repórter e colunista do Jornal Opção. Também trabalhou no rádio, nas emissoras Brasil Central AM e FM.

Além do trabalho nas redações, Helton atuou em comunicação institucional. Foi servidor concursado do Tribunal de Contas do Estado de Goiás (TCE-GO). Além disso, esteve à frente da comunicação do então senador Maguito Vilela e integrou a gestão da Prefeitura de Aparecida de Goiânia como secretário de Comunicação entre 2009 e 2011. Ultimamente, atuava como colaborador de Diário de Aparecida e Diário da Manhã.

100 anos de Rádio no Brasil: TikTok lança rádio online

Por Álvaro Bufarah (*)

A estreia da chamada TikTok Radio durante o festival South by Southwest (SXSW) não é apenas mais um lançamento no universo do entretenimento – é um sinal claro de que as fronteiras entre plataformas digitais e meios tradicionais estão sendo rapidamente dissolvidas.

Fruto da parceria entre o TikTok e a iHeartMedia, o projeto nasce com uma proposta ambiciosa: transformar a lógica de navegação algorítmica – típica das redes sociais – em uma experiência sonora contínua, híbrida e multiplataforma. A transmissão inicial, realizada a partir de Austin, Texas, marca o início de uma operação que pretende integrar rádio, streaming e conteúdo social em um único ecossistema.

A ideia, descrita pela própria iHeartMedia como “ouvir o TikTok com os ouvidos”, sintetiza bem o conceito. Trata-se de traduzir o fluxo infinito de descobertas da plataforma – músicas virais, tendências culturais, criadores emergentes – para uma linguagem radiofônica. Mas, ao contrário do rádio tradicional, essa nova proposta nasce profundamente ancorada na lógica da plataformização.

A TikTok Radio será distribuída simultaneamente no aplicativo iHeartRadio e em 28 emissoras espalhadas por grandes mercados norte-americanos, como Nova York, Los Angeles, Chicago e Miami. Essa estratégia de distribuição revela um movimento relevante: em vez de substituir o rádio, as plataformas digitais passam a ocupá-lo, ressignificando suas funções e ampliando seu alcance.

O conteúdo da programação também evidencia essa convergência. Entre os quadros previstos estão rankings semanais das músicas mais populares na plataforma, entrevistas com criadores, debates sobre cultura e estilo de vida e espaços dedicados a artistas emergentes. Em essência, trata-se de uma curadoria baseada em dados – mas mediada por vozes humanas.

Esse ponto é central. Diferentemente do feed tradicional do TikTok, onde o algoritmo organiza a experiência individual do usuário, a rádio propõe uma experiência coletiva e sequencial. É uma espécie de “algoritmo linearizado”, no qual a lógica de recomendação continua presente, mas agora estruturada em formato narrativo e compartilhado.

A escolha do SXSW como palco de lançamento não é casual. Historicamente, o festival funciona como um laboratório de tendências para as indústrias criativas e tecnológicas. Ao estrear nesse ambiente, o projeto posiciona-se não apenas como um produto, mas como uma declaração estratégica sobre o futuro da mídia sonora.

Outro elemento relevante é a expansão do ecossistema para além da rádio. Paralelamente ao lançamento, as empresas anunciaram a criação de uma rede de podcasts com até 25 programas originais, apresentados por criadores da plataforma. Nomes como Lele Pons e outros influenciadores digitais reforçam o papel central dos criadores como novos mediadores de conteúdo.

Esse movimento dialoga diretamente com uma tendência mais ampla da indústria: a migração da autoridade editorial das instituições para os indivíduos. Se antes o rádio era estruturado a partir de marcas e emissoras, agora ele passa a incorporar a lógica dos creators – figuras que constroem audiência a partir de identidade, proximidade e recorrência.

Dados recentes do mercado de áudio indicam que essa estratégia não é apenas experimental. O consumo de podcasts continua em crescimento global, enquanto o TikTok consolida-se como uma das principais plataformas de descoberta musical do mundo. Segundo relatórios da indústria, uma parcela significativa dos sucessos nas paradas musicais internacionais tem origem em viralizações dentro da plataforma.

Lele Pons

A parceria com a iHeartMedia, por sua vez, oferece a infraestrutura necessária para transformar essa influência digital em um produto de mídia tradicional escalável. Com centenas de estações e forte presença no mercado publicitário, a empresa atua como ponte entre dois mundos: o da cultura digital e o da radiodifusão.

Mas essa convergência também levanta questões importantes. Ao incorporar a lógica algorítmica ao rádio, abre-se espaço para uma nova forma de curadoria – potencialmente mais orientada por dados de engajamento do que por critérios editoriais clássicos. Isso pode ampliar a diversidade de vozes, mas também reforçar dinâmicas de popularidade e repetição típicas das plataformas digitais.

Ao mesmo tempo, a presença de criadores no centro da programação reforça uma mudança estrutural no papel do comunicador. O locutor tradicional dá lugar ao influenciador, e a autoridade passa a ser construída menos pela instituição e mais pela relação direta com o público.

No fundo, a TikTok Radio não representa apenas a entrada de uma plataforma no rádio. Ela simboliza uma inversão mais profunda: o rádio passa a ser incorporado à lógica das plataformas.

E, nesse novo cenário, talvez a pergunta mais relevante não seja se o rádio vai sobreviver – mas em que medida ele continuará sendo reconhecido como rádio.

 

Fontes para pesquisa

 

Leia também: Preciosidades do acervo Assis Ângelo: O cego na História (50)

Preciosidades do acervo Assis Ângelo: O cego na História (50)

Por Assis Ângelo

No Brasil sempre houve pessoas que acreditaram nas pessoas e na liberdade necessária para a sobrevivência do bem comum.

Entre pessoas que sempre acreditaram nas outras houve aquelas que desenvolveram o bem-viver pelo caminho das artes, caminhos esses sempre tornados fonte do livre pensar e agir.

Bom, o Brasil foi durante muito tempo quintal dos invasores europeus. Mas a liberdade sempre foi objetivo e esperança de artistas da palavra, como Gregório de Matos e Guerra (1636-1696).

Esse Guerra sempre foi da paz e usou as palavras como arma e divertimento.

O tempo passou e guerras várias com derramamento de sangue ocorreram de canto a canto do território nacional.

Como Gregório de Matos, na Bahia também nasceu Antônio Frederico de Castro Alves.

Castro Alves muito cedo viu nas letras o caminho da liberdade. E gritou: “A praça é do povo como o céu é do condor”.

Como Gregório e Castro Alves, o baiano de Itabuna Jorge Leal Amado de Faria via na liberdade o caminho natural da vida.

Toda a obra literária de Jorge Amado traz a luta do povo contra as injustiças sociais. Independentemente de cor e sexo, Jorge exalta a força e a coragem dos personagens que vão se movimentando nas páginas dos seus livros.

Não são poucos ou poucas os heróis e heroínas que ganham forma e força nas histórias de Jorge Amado. Tereza Batista é, por exemplo, personagem capaz de encantar o mais frio dos leitores.

E o que dizer de Gabriela e de Tieta do Agreste?

Centenas de personagens anônimos, para dizer o mínimo, pululam nos capítulos das dezenas de romances de Jorge Amado. Entre esses, são incontáveis os cegos tocadores de viola que cantam nas feiras livres do Nordeste profundo.

No romance Seara Vermelha (1946) aparece de raspão um certo Cosme. Esse Cosme, cego de um olho, está noivo de uma Teresa. Sonham, almejam a felicidade com o matrimônio. Casamento marcado, casamento realizado. Porém, um porém: uma bidu, adivinhona de plantão, diz que má notícia está chegando.

E a história começa por aí.

A má notícia chega numa carta selada. O conteúdo, escrito pelo dono das terras onde mora o casal e outros agregados igualmente explorados, dá conta de que todos que ali vivem devem ser postos no olho cego da rua.

A determinação contida na carta é cumprida à risca. E, a partir daí, as pobres personagens lançam-se à própria sorte, subindo e descendo ladeira com a barriga vazia e a morte à espreita como maligna companhia. E as crianças vão morrendo de fome, de tifo e outros males, como a menininha Noca, que carrega consigo o tempo todo a gatinha Marisca.

A história de Marisca lembra um pouco a história do papagaio que acompanha a fuga da seca de uma família nordestina narrada pelo alagoano Graciliano Ramos no seu clássico Vidas Secas (1938).

Há um momento em Seara Vermelha que remete o bom leitor ao romance Lucíola (1862), do romântico cearense José de Alencar. Nesse livro, a personagem título prostitui-se para salvar a família de uma epidemia que grassava no tempo em que a história é contada.

Ao tomar conhecimento do que fizera a filha, o pai a expulsa de casa. E é a partir daí que Lucíola vira mulher-dama.

Na história de Amado acontece em parte com a personagem Marta o que acontece com Lucíola.

Marta, para conseguir documento que salvaria o pai, Jerônimo, rende-se à calhordice do médico e assim acaba por obter o que almejava. Ao saber disso, o pai a expulsa e aos gritos diz que nunca mais quer vê-la.

O fim de Marta é num cabaré, doente e pobre.

Seara Vermelha é um livro no qual o autor expõe-se completamente como romancista engajado. Começa com a dedicatória que faz a Luís Carlos Prestes (1898-1990) e a João Amazonas (1912-2002).

Jorge Amado, não custa lembrar, identificava-se plenamente com Castro Alves. Tanto que em 1941 lançou à praça ABC de Castro Alves. É uma biografia supimpa.

O título Seara Vermelha foi extraído do poema Bandido Negro, de Castro Alves. Esse poema foi publicado no livro póstumo Os Escravos (1883). Um trecho:

 

Trema a terra de susto aterrada…

Minha égua veloz, desgrenhada,

Negra, escura nas lapas voou.

Trema o céu… ó ruína! ó desgraça!

Porque o negro bandido é quem passa,

Porque o negro bandido bradou:

 

Cai, orvalho de sangue do escravo,

Cai, orvalho, na face do algoz.

Cresce, cresce, seara vermelha,

Cresce, cresce, vingança feroz.

 

Castro Alves morreu de tuberculose com 24 anos, três semanas e um dia, em 1871.

Contatos pelo http://assisangelo.blogspot.com

Leonêncio Nossa lança biografia de João Guimarães Rosa

Leonêncio Nossa mostra, já no título, o estilo de narração de seu livro João Guimarães Rosa, biografia (Nova Fronteira), resultado de pesquisas ao longo de uma década. As quase 800 páginas vêm com dezenas de fotos e acompanham o percurso humano e intelectual do autor de Grande sertão: veredas. Amparado por documentos raros e depoimentos reveladores, Nossa traz informações inéditas e aspectos do autor que, em suas palavras, ‘viveu várias vidas numa só’.

Da infância no interior de Minas Gerais à morte no Rio de Janeiro – dois dias após tomar posse na Academia Brasileira de Letras –, a biografia mostra a carreira de Rosa como médico no interior e diplomata em tempos de guerra. Foram cerca de 60 anos em que o biografado participou de momentos históricos, como a Revolução de 1932 e a Alemanha nazista, o início da Guerra Fria, e viveu sob a ditadura militar. Ao mesmo tempo, desenvolvia uma obra inovadora como poucas na literatura brasileira. Poliglota apaixonado pelas palavras e pela experimentação linguística, Rosa construiu sua obra entre boiadas sertanejas, bombardeios em Hamburgo e cabarés da Paris do pós-guerra.

Sua atuação como diplomata na Alemanha nazista foi monitorada pela polícia secreta. A ajuda aos judeus, encabeçada por sua mulher Aracy de Carvalho e por ele amparada em termos institucionais no consulado brasileiro de Hamburgo, quando facilitou trâmites burocráticos, representou riscos que comprometeriam sua carreira diplomática.

Leonêncio Nossa

Em entrevista para O Globo, Nossa refuta a imagem de Rosa, chamado certa vez por João Cabral de Melo Neto de “menino do mato”. Afirma ainda: “O sertão de Rosa é um mundo com seu dinamismo próprio, suas redes, suas interações, suas relações econômicas e políticas. Ele nunca disse que o sertão dele é rural. Foram os estudos, as camadas ao longo do tempo que sempre colocaram aquilo como um lugar fechado, isolado do mundo, como se fosse só o mundo da pecuária”.

No Brasil dos anos 1960, Rosa era considerado um escritor “folclórico”. O Jornal do Brasil criou uma coluna no suplemento dominical que tinha por título uma provocação: Acredita em Guimarães Rosa?. Sem reconhecimento pelo trabalho inovador que ele sabia realizar, encontrou acolhida em O Globo, que abrigou sua coluna Guimarães Rosa conta…, publicada aos sábados.

A obra de Rosa, hoje reconhecida por “potencializar as oralidades brasileiras”, foi assim definida pelo biógrafo: “O escritor teria buscado incorporar não apenas o português sertanejo, mas também vocábulos africanos, indígenas e até os sons dos animais, criando uma língua que fosse capaz de expressar a complexidade do mundo que queria narrar”.

Felipe Recondo deixa o JOTA, que acerta com Fábio Pupo como novo analista de Economia

Cofundador e diretor de Conteúdo do Jota, Felipe Recondo anunciou na última semana sua saída da plataforma especializada na cobertura dos Três Poderes, principalmente do Judiciário. Apesar de sua saída, seguirá como acionista da empresa.

Nas redes sociais, Felipe escreveu: “Foram anos intensos, de aprendizado contínuo, em que tive a oportunidade de acompanhar de perto transformações importantes no País – especialmente no STF, que estudo e cubro há mais de duas décadas. Esse percurso resultou em três livros, pesquisas acadêmicas e projetos de história oral que me fizeram crescer mais do que poderia imaginar – e que seguem a me motivar”.

Fábio Pupo

Felipe diz que segue agora para cuidar de projetos de novas publicações editoriais; conteúdos e análises sobre o Supremo e o Judiciário; produção de roteiros; e, ainda, a abertura de espaço para algo que sempre teve interesse em fazer: o trabalho de consultoria.

Com a mudança, o podcast Sem Precedentes deixa de ser vinculado ao Jota, passando a ser produzido de forma independente. Felipe continua atuando como apresentador e produtor do programa. O projeto é tocado por ele e pelos professores Diego Werneck, Juliana Cesario Alvim e Thomaz Pereira. Antes do Jota, Felipe esteve por oito anos no Estadão e também foi repórter do Blog do Noblat e da Folha de S.Paulo, sempre na Capital Federal.

Outra novidade por lá foi a chegada do analista de Economia Fábio Pupo, que estava há quase sete anos na Folha de S.Paulo atuando como repórter e coordenador de Economia em Brasília. Antes da Folha, foi por oito anos do Valor Econômico e passou por Estadão e Gazeta do Povo.

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