TJ-SP determina que Aos Fatos não mencione que Revista Oeste publicou desinformação
O juiz Marcelo Augusto Oliveira, da 41ª Vara Cível do Tribunal de Justiça de São Paulo, determinou em decisão liminar que a agência de fact-checking Aos Fatos não pode mais mencionar que a Revista Oeste veiculou desinformação. A decisão atinge duas checagens: uma sobre distorções em dados do monitoramento de queimadas na Amazônia e outra que desmente a associação entre “tratamento precoce” e a queda em internações e mortes por Covid-19 em São Lourenço (MG).
Tai Nalon, diretora executiva e fundadora de Aos Fatos, declarou que “a decisão é um equívoco e certamente será reparada. Numa democracia, a Justiça não tem autoridade para reescrever a história. Essa decisão interfere editorialmente no Aos Fatos e inviabiliza um dos pilares da nossa missão: combater a desinformação que pode matar. Isso não está de acordo com os valores democráticos que a organização defende”.
Em nota, a Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) afirmou que “a interferência direta na redação de textos jornalísticos é extremamente preocupante” e que “magistrados e outras autoridades não são dotados da prerrogativa legal, da autorização constitucional e tampouco da capacidade técnica para editar notícias”. Além da Abraji, Folha de S.Paulo, Fenaj, Observatório da Liberdade de Imprensa da OAB, Agência Lupa, UOL Confere, Boatos.org, Congresso em Foco e Ponte Jornalismo também criticaram a liminar e prestaram solidariedade a Aos Fatos nas redes sociais.
Estreia em 1° de maio, às 18h, na TV247, no YouTube, o programa Forças do Brasil, com apresentação de Mario Vitor Santos, que passa a ser exibido todos os sábados nesse horário. Mario trará especialistas em diferentes áreas, suas histórias e debates sobre a reconstrução do País. A estreia é com o sociólogo Ricardo Antunes, professor da Unicamp e pesquisador sobre o mundo do trabalho, que vai falar sobre a crise e as perspectivas para o setor. Confira!
O Tribunal de Justiça de São Paulo condenou a Record TV a pagar R$ 100 mil de indenização a uma jovem tratada como prostituta e assassina em uma reportagem exibida pelo Cidade Alerta, em 2015. O relator do processo, desembargador Pedro de Alcântara da Silva Leme Filho, disse que a vítima foi exposta à opinião pública por uma reportagem de caráter sensacionalista e desvinculada da realidade.
Em maio de 2015, G.B. foi a um hotel com o namorado que, inconformado com o seu desejo de terminar o relacionamento, a atacou com um canivete e depois se suicidou.
De acordo com reportagem de Rogério Gentile, para o UOL, dois dias depois do ocorrido, a Record veiculou matéria na qual responsabilizava a jovem pela morte do rapaz. Na época ainda menor de idade, ela foi chamada de “garota de programa” e teve seu rosto exibido na TV. Além disso, tornaram público o número do telefone dela e da mãe.
Na defesa que apresentou à Justiça, a emissora alegou que as informações divulgadas na reportagem eram de interesse público, e haviam sido obtidas com a polícia. E, por isso, não tinha motivo, à época, para duvidar da veracidade. Disse ainda que nas imagens exibidas no programa, do sistema interno de vídeo do estabelecimento, não dava para identificar a jovem pois não eram nítidas.
O desembargador do caso considerou que G.B. estava identificável, sim, nas imagens, sobretudo por quem a conhece. O magistrado concordou com a sentença da primeira instância, segundo a qual a Record deveria ter apresentado o boletim de ocorrência, o relatório do inquérito, uma testemunha ou qualquer outro documento que provasse que a reportagem teria sido baseada na versão da polícia. Mas nada disso foi feito, disse.
Além dos R$ 100 mil de indenização, a emissora terá de pagar mais R$ 50 mil para a mãe da jovem por ter divulgado o seu telefone na reportagem.
UOL completa 25 anos com nova identidade visual e mais conteúdo em vídeo
O UOL completa nesta quarta-feira (28/4) 25 anos de existência. Em comemoração ao marco, o portal anunciou uma nova logomarca com cores vibrantes e fonte com maior personalidade, que representam o “compromisso de gerar diversas conexões entre cada brasileiro e o seu universo, informando, entretendo e facilitando a vida de cada um”. Anunciou também a tagline “seu universo online”.
O site pretende ainda aumentar seu conteúdo em vídeo. Murilo Garavello, diretor de Conteúdo, declarou que “os novos 25 começam agora e o nosso foco é a produção de vídeos”. O site vai lançar uma grande de programação com os âncoras Fabíola Cidral e Diego Sarza, além da presença constante de apresentadores e colunistas como Thaís Oyama, Josias de Souza, Chico Barney, Mauro Cezar, entre outros. A ideia é criar mais de duas mil horas em vídeo de conteúdo jornalístico, esportivo e de entretenimento, sendo que 75% deste montante serão produzidos ao vivo.
O UOL pretende também investir no UOL Play, plataforma de streaming de vídeo da empresa, que acaba de integrar a programação ao vivo de canais lineares ao seu portfólio, e tem lançamentos previstos para os próximos meses.
Paulo Samia, CEO do UOL Conteúdo e Serviços, disse que a ideia é “ampliar nossos investimentos em conteúdo, além de consolidar as soluções de tecnologia, como o UOL Meu Negócio, que conta com produtos e conteúdo para todas as etapas do pequeno negócio, com serviços de presença na internet, e-commerce, gestão de negócios e marketing digital; o UOL ads, uma plataforma self-service de compra de mídia, criada para facilitar a publicidade das pequenas e médias empresas do País, possibilitando a todos anunciarem nas páginas do UOL”.
Guilherme Amado (Crédito: Domingos Peixoto/Agência O Globo)
Guilherme Amado, colunista da revista Época, está acertando sua ida para o Metrópoles. Deverá estrear sua coluna no portal em 17/5, trazendo com ele a equipe. Os detalhes da negociação ainda estão sendo acertados. Ele estreou em Época em janeiro de 2019, trazendo em sua coluna informações e bastidores exclusivos para as edições impressa e digital da revista. Sua principal marca é a informação inédita, em diferentes linguagens, entre textos, notas curtas, infográficos e vídeos sobre política, cultura e sociedade brasileira. Baseado em Brasília, conta com o apoio de Eduardo Barretto na apuração e na produção de conteúdo.
Amado começou a carreira em O Globo e recebeu os prêmios Esso e Tim Lopes por reportagens publicadas no Extra. Trabalhou com Lauro Jardim, primeiro em Veja, depois no Globo. Foi com ele que, em 2017, publicou o furo de reportagem que revelou a gravação de Joesley Batista com o então presidente Michel Temer, avalizando a compra do silêncio do deputado Eduardo Cunha e detonando o escândalo da JBS.
Desde aquele ano, é John S. Knight Journalism Fellow na Universidade Stanford, na Califórnia, e integrante do Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos (ICIJ), responsável por grandes investigações jornalísticas, como os Panama Papers. Graduado pela UnB e com especialização na London School of Journalism, Amado também teve passagens pelos sites Crusoé e Poder360.
O designer gráfico Jefte Kerison de Miranda Mendonça, de 23 anos, do coletivo I Hate Flash, lançou o fotolivro Semiótica do sertão, que apresenta a realidade, condições de vida e dificuldades que as famílias do sertão da Paraíba enfrentam, como falta de água, saneamento básico e transporte. Todas as imagens são acompanhadas de poesias de autores nordestinos.
Jefte Kerison de Miranda Mendonça
Nascido em Cabedelo, na região metropolitana de João Pessoa, Jefte escolheu algumas rotas para cidades que não conhecia, pegou duas câmeras e “partiu para o desconhecido”. Ao todo, percorreu 300 km e passou por várias cidades, como Campina Grande, Queimadas, Caturité, Boqueirão, Cabaceiras e Pocinhos.
Sobre o projeto, conta que “foi uma experiência inesquecível em que pude vislumbrar uma realidade totalmente diferente da minha, em que pessoas que vivem em uma terra árida, cheias de dificuldade, mas com sorrisos que atravessam a alma e alcançam o coração. Ouvi tantas histórias, algumas até internacionais, vividas por gente ansiosa para contá-las, demonstrando muita alegria e vontade de viver. Usei poemas de grandes nomes, como Ariano Suassuna, mas busquei também poetas nordestinos sem tanta visibilidade, mas com trabalhos lindos, como Guibson Medeiros, Luiz Gonzaga de Moura e Terezinha Costa”.
Não faz muito tempo que as matérias sobre questões ambientais dominavam o noticiário em datas especiais, como o Dia da Terra – que este ano foi comemorado na semana passada em todo o mundo –, para depois sumirem das pautas até a efeméride seguinte.
Não é mais assim. E essa não é a única mudança do jornalismo ambiental, que nem de longe lembra o que era décadas atrás, restrito a publicações especializadas e a páginas de ciência ou de internacional em alguns jornais.
A cobertura sobre o clima invadiu outras editorias e ganhou relevância compatível com o tamanho da crise ambiental.
Aliás, da emergência. Esta é a palavra que a revista Scientific American quer que a imprensa adote ao noticiar as mudanças climáticas, de forma a espelhar o consenso científico que não deixa dúvidas sobre a dimensão do problema.
Para formalizar o compromisso de tratar a crise como emergência, a revista criou até um statement para ser assinado por veículos e jornalistas, em conjunto com a coalizão global Covering Climate Now (da qual o MediaTalks faz parte).
O racional é uma comparação com a crise de saúde pública que vivemos desde o ano passado. Se uma pessoa está doente, ela está em crise. Se o mundo inteiro fica doente, vira uma emergência de saúde, como ocorreu com o coronavírus.
O mesmo pensamento aplica-se então ao clima. Uma enchente aqui ou um tufão ali são problemas localizados. Mas a escala atual de impactos e desastres ambientais acontecendo ao mesmo tempo em várias partes do planeta é, aos olhos da Scientific American, o argumento para que a questão seja tratada pela imprensa como uma emergência, assim como vem sendo a pandemia.
Os primeiros a assinar, coautores da iniciativa, foram nomes de peso da imprensa global: The Guardian, La Repubblica, Noticias Telemundo, Al Jazeera English, Asahi Shinbum e Columbia Journalism Review.
As três fases do jornalismo ambiental
O tom também vem mudando. É o que afirma Abby Rabinowitz, editor da Columbia Journalism Review. Em um artigo compartilhado pela Covering Climate Now e republicado no MediaTalks, ele descreve o que classifica como a nova era do jornalismo ambiental, marcada pelo foco em soluções.
Rabinowitz faz um histórico da cobertura sobre meio ambiente, que a seu ver passou por duas fases anteriores à atual: a do é real e a do é ruim.
Na primeira, começou-se a admitir a existência do problema. Na segunda, o catastrofismo tomou conta do noticiário.
Como referência inicial da nova etapa, o jornalista cita o podcast americano Mothers Of Invention, criado em 2018 e dedicado a apresentar iniciativas e propostas, em vez de simplesmente colocar mais lenha na fogueira.
Ele enumera vários outros programas e publicações com a mesma inspiração. Em todos, a ideia é fugir do enfoque de catástrofe, visto como cansativo para os jornalistas e para o público, capaz de assustar e desanimar. E que nem sempre leva a mudanças.
Esse modelo de jornalismo orientado para soluções tem ido além de conteúdo voltado para o público geral, geralmente associado a projetos comunitários como reciclagem ou plantio de árvores.
Um dos exemplos citados no artigo é a Bloomberg Green, iniciativa multiplataforma que se define como “voltada para notícias sobre mudança climática, análises e soluções”, tratando a questão do aquecimento global sob a perspectiva de negócios e finanças.
Mas abordar soluções não é necessariamente um caminho simples para a imprensa. Ele envolve riscos e fórmulas diferentes daquelas utilizadas pelo jornalismo tradicional.
Rabinowitz observa que os jornalistas estão habituados a relatar fatos com base em evidências. E que as soluções para a emergência climática são, na maior parte das vezes, hipóteses ainda não confirmadas.
Segundo ele, isso torna a missão desafiadora até para jornalistas experientes, beirando a ficção científica. Mas o esforço pode compensar, se esse modelo for capaz de colaborar para as mudanças ao influenciar pessoas, empresas e governos.
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O SBT não se pronunciou sobre o ataque do presidente Jair Bolsonaro a Driele Veiga, repórter da TV Aratu, afiliada da emissora em Salvador. A emissora apenas exibiu o trecho no qual a ofensa ocorre e descreveu o ocorrido, sem criticar o presidente ou declarar apoio à jornalista, diferentemente do que fez, por exemplo, o prefeito de Salvador ACM Neto.
Na segunda-feira (26/4), durante uma visita do presidente a Feira de Santana, Driele perguntou: “O senhor foi criticado, presidente, sobre uma foto postada dizendo ‘CPF cancelado’ em um momento de tantas pessoas morrendo. O que o senhor tem a dizer a respeito?”. A repórter referia-se a uma foto de Bolsonaro, ao lado do apresentador Sikêra Jr., da RedeTV, segurando um cartaz com a expressão “CPF cancelado”, que faz referência ao assassinato extrajudicial de suspeitos e criminosos. Em resposta a Driele, Bolsonaro disse: “Você não tem o que perguntar, não? Deixa de ser idiota, pô”.
À noite, no SBT Brasil, o caso foi mencionado ao longo de 30 segundos durante uma reportagem sobre o presidente. A repórter Nathalia Fruet, de Brasília, relatou o ocorrido. Na sequência, o telejornal exibiu o trecho que mostra a ofensa.
Em suas redes sociais, Driele comentou o caso, lembrando que esse não foi o primeiro ataque de Bolsonaro à imprensa: “A mim o xingamento não ofendeu. Só mostrou que estava no caminho certo. Sou jornalista e estou aqui para perguntar, por mais que a indagação incomode. Se fosse para agradar o entrevistado eu não seria jornalista e sim publicitária. (…) Só para lembrar que essa não é a primeira vez que o presidente faz isso com a imprensa. A jornalista Patrícia Campos Melo foi ameaçada de morte e teve a família perseguida”.
Procurada pelo UOL, a repórter declarou que “essa postura é inadmissível para um presidente, a gente espera isso de qualquer outro entrevistado, menos de um presidente da República. Mas como é um cenário que se repete, não me abalou tanto, já é uma atitude que se espera dele. Hoje, aconteceu comigo, mas poderia ter acontecido com qualquer outro jornalista”.
A Aberje (Associação Brasileira de Comunicação Empresarial), através do LiderCom, grupo que reúne vice-presidentes e diretores de comunicação das empresas associadas à entidade, lançou uma campanha de combate à desinformação no ambiente organizacional.
Denominada Aliança Aberje de Combate às Fake News – movimento empresarial contra a desinformação, a iniciativa é baseada nas premissas éticas das atividades de comunicação e no código de princípios do International Fack-cheking Network, do Poynter Institute. Esse último prevê compromissos com o não-partidarismo, com as fontes, com a prestação de contas, com a transparência e com a honestidade.
De acordo com estudo da Universidade de Baltimore, nos Estados Unidos, o custo anual com as fakes news no mundo atinge US$ 78 bilhões, sobretudo em razão de fraudes no mercado financeiro, desinformação médica, manipulação de pleitos eleitorais, vazamento de dados e invasões cibernéticas. “O momento pede uma ação urgente para debelar um fenômeno que compromete as bases da sociedade”, explica Hamilton dos Santos, diretor geral da Aberje.
Segundo pesquisa do Instituto Ipsos, realizada em 27 países, os brasileiros são os campeões mundiais no crédito a notícias falsas. Nada menos do que 62% dos cidadãos reconheceram já terem acreditado em uma reportagem enganosa. Para se ter uma ideia, a média mundial é de 48%. “Percebe-se como é importante alertar e capacitar as pessoas a perceberem a desinformação”, informa Santos. “Sabemos que o setor de comunicação empresarial tem um importante papel social nisso”, complementa.
Dentro do âmbito da Governança Ambiental, Social e Corporativa (ESG, na sigla em inglês), a Aberje convocou as lideranças de comunicação das empresas associadas a capacitarem seus empregados em educação midiática e, dessa forma, fazer deles, além de pessoas mais protegidas em relação a fake news, agentes multiplicadores no combate à desinformação. A ideia é que ao tornar as organizações mais imunes a notícias falsas, a sociedade como um todo se torne igualmente mais imunizada.
O primeiro passo da Aliança Aberje de Combate às Fake News, será auxiliar as lideranças de comunicação na tarefa de conscientizar os funcionários de suas empresas sobre o tema, bem como oferecer ferramentas para auxiliar as organizações a enfrentarem notícias falsas. Na segunda etapa, a entidade ajudará a conscientizar a sociedade como um todo sobre a questão.
Reportagem de Fabio Leon, publicada nesta segunda-feira (26/4) no site da IJNet (Rede Internacional de Jornalistas), apontou casos de jornalistas de publicações independentes, com foco em regiões periféricas, que estão sofrendo com estresse e sobrecarga mental em decorrência da cobertura da Covid-19.
Para oferecer um retrato desde o início da pandemia, a reportagem conversou com profissionais que residem em territórios notabilizados por suas variadas formas de vulnerabilidade socioeconômica.
Foram ouvidos Eduardo Carvalho, editor executivo do Maré de Notícias, um dos vários veículos de comunicação nascidos e desenvolvidos no conjunto de favelas que batiza o periódico, na zona norte do Rio; Denise Emanuele Carvalho, proprietária do site de notícias Comunicando Já, de Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense; Charles Monteiro, editor do blog Gecom (Grupo de Estudos de Comunicação), de Duque de Caxias; e a prestadora de serviços e consultora na área de comunicação e marketing em São João de Meriti Gabriela Anastácia Ferreira.
Vale lembrar que para ajudar jornalistas durante a pandemia, a associação publicou uma série de recursos de saúde mental. Confira aqui: