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quarta-feira, abril 1, 2026

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Troféu Luiz Carlos Secco de Contribuição à Imprensa Automotiva será entregue a Koichiro Matsuo

Pelo terceiro ano consecutivo a Comissão Organizadora da eleição dos +Admirados da Imprensa Automotiva homenageará um profissional do setor com o Troféu de Contribuição à Imprensa. Desta vez o prêmio especial será concedido a Koichiro Matsuo, que fundou e dirige há mais de 40 anos a Textofinal de Comunicação.

“O Koichiro é uma referência dentro da imprensa automotiva e curiosamente voltou-se para essa atividade, há mais de 40 anos, a convite da Alzira Rodrigues, que o antecedeu na conquista dessa premiação”, comenta Eduardo Ribeiro, diretor deste Jornalistas&Cia. “Desde então, abnegado, fez da sua Textofinal, com o apoio da própria família, uma extensão da imprensa automotiva, sendo um aliado dos jornalistas que cobrem o setor, e, o mais importante, sem olhar o crachá. Poucas pessoas contribuíram tanto, e seguem contribuindo, para a imprensa automotiva como ele”.

Criada em 2024, a primeira edição do Troféu de Contribuição à Imprensa Automotiva foi entregue a Luiz Carlos Secco. Meses mais tarde, após sua morte em janeiro de 2025, o prêmio foi rebatizado e ganhou seu nome. A primeira homenageada no ano passado, já com a nova denominação, foi Alzira Rodrigues, cofundadora e diretora do portal AutoIndústria.

“Esta homenagem é superbem-vinda porque coroa o trabalho de todos os profissionais que compõem os quadros da Textofinal de Comunicação e daqueles que nos ajudaram a construir pontes entre fontes e jornalistas especializados, ao longo de tantos anos”, celebrou Koichiro. “É bem reconfortante receber esta homenagem também porque conseguimos impor narrativas fluidas de atendimento aos jornalistas e nunca impedir ou dificultar acessos às empresas por nós atendidas. Agradeço demais ao Jornalistas&Cia. por esse reconhecimento”.

UOL tem novo programa sobre eleições

O canal UOL estreia o programa Frente a Frente para cobertura política com foco nas eleições, em parceria com a Folha de S.Paulo. Apresentado por Fábio Zanini, editor da coluna Painel da Folha, e Daniela Lima, colunista do UOL, vai ao ar às segundas-feiras, às 19h, transmitido pelo YouTube do UOL, no canal de TV UOL e na home da Folha.

A pauta inclui, mais do que o noticiário factual, uma análise aprofundada do processo eleitoral. Zanini e Lima vão entrevistar personagens diretamente envolvidos nas decisões que influenciam as eleições, como candidatos, dirigentes partidários, marqueteiros e estrategistas, para discutir os bastidores das campanhas.

No episódio de estreia, Zanini e Lima conversaram com Valdemar Costa Neto, presidente do PL, partido por onde deve sair candidato o senador Flávio Bolsonaro. Assista aqui.

Prêmio +Admirados da Imprensa Automotiva define finalistas de sua 8ª edição

Último dia para escolher os +Admirados da Imprensa Automotiva 2025

Estão definidos os finalistas da oitava edição dos +Admirados da Imprensa Automotiva. Depois de um primeiro turno muito movimentado, 83 profissionais e 45 publicações seguem na disputa por um lugar entre os TOP 25 +Admirados Jornalistas do Ano e entre os TOP 3 +Admirados nas oito categorias temáticas da premiação.

Entre os jornalistas, 69 concorrerão na categoria principal, enquanto nas demais categorias dedicadas aos profissionais foram classificados 11 em Colunistas e Jornalistas Especializados em Duas Rodas, 9 em Jornalistas Especializados em Veículos Comerciais e 12 na recém-criada categoria Jornalistas Especializados em Negócios Automotivos. Destaques nesta primeira fase para Pedro Kutney, da AutoData, e Tarcísio Dias, do Mecânica Online, que seguem na disputa em três categorias, enquanto outros 24 profissionais também concorrerão em mais de uma categoria.

Nos prêmios dedicados aos veículos, a categoria Áudio foi a que classificou menos concorrentes para a etapa final: 9 no total. Nas outras três (Periódico, Site/Portal e Vídeo) avançaram 12 publicações em cada. O destaque entre as publicações ficou com marca Autoesporte, que teve classificados em todas as quatro categorias destinadas a elas.

No segundo turno, que começa nesta segunda-feira (16/3) e segue até 27/3, os eleitores poderão fazer suas escolhas do 1º ao 5º colocado em cada categoria. Cada posição renderá uma pontuação, sendo 100 pontos para o 1º colocado; 80, para o 2º; 65, para o 3º; 55, para o 4º; e 50, para o 5º lugar. Ao final da votação, quem somar mais pontos será eleito entre os TOP 25 +Admirados Jornalistas do Ano ou os TOP 3 +Admirados de cada categoria.

Para fazer as indicações, basta acessar a cédula de votação, disponível no Portal dos Jornalistas, preencher um rápido cadastro e os espaços disponíveis em cada categoria. A eleição dos +Admirados da Imprensa Automotiva 2026, vale lembrar, conta com os patrocínios de BoschFordHondaRenault e Volkswagen Caminhões e Ônibus, apoios de PirelliPortal dos Jornalistas e PressID, colaboração da Scania e apoio institucional da Abraciclo.

Jornalista perseguido por Carla Zambelli é condenado a pagar um salário-mínimo à ex-deputada por difamação

A Justiça de São Paulo condenou o jornalista Luan Araújo a pagar um salário-mínimo (R$ 1.621) à ex-deputada Carla Zambelli por difamação. Luan é o homem que em 2022, na época das eleições presidenciais, foi perseguido por Zambelli, que na ocasião empunhava uma arma, na região dos Jardins, em São Paulo.

Sobre o caso de perseguição citado, Luan declarou que xingou Zambelli após ouvir que ela estava pedindo que o recepcionista de um bar votasse no então candidato Jair Bolsonaro. Após uma discussão, a ex-deputada passou a perseguir com uma arma em punho o jornalista, que saiu correndo do bar. Zambelli afirmou que foi empurrada, o que Luan nega. A ex-deputada foi condenada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) pelos crimes de porte ilegal de arma de fogo e constrangimento ilegal.

Após o ocorrido, Luan escreveu sobre a perseguição de Zambelli, afirmando que ela “segue uma seita de doentes de extrema direita” e que “segue cometendo atrocidades atrás de atrocidades”. Além disso, o jornalista publicou que a ex-deputada se aproveitou da repercussão midiática do ocorrido para “fazer o picadeiro clássico de uma extrema direita mesquinha, maldosa e que é mercadora da morte”.

Zambelli apresentou uma queixa-crime contra o jornalista, sob a justificativa de que as publicações de Luan seriam ofensivas e irresponsáveis. No entendimento da Justiça de São Paulo, Luan ultrapassou o direito de crítica e feriu a honra da ex-deputada. Ele foi condenado a uma pena de quatro meses de detenção em regime aberto, mas a punição foi substituída por prestação pecuniária de um salário-mínimo. Ele terá que pagar também uma multa de R$ 595,30 à Justiça.

Regina Dourado assume apresentação do AgroNotícias, do AgroMais

Regina Dourado (Crédito: Divulgação/AgroMais)

Regina Dourado passa a atuar como apresentadora titular do programa AgroNotícias, do AgroMais, projeto do Grupo Bandeirantes dedicado à cobertura do agronegócio. Ela estreou na nova função na segunda-feira (16/3).

A novidade marca o retorno de Regina à cobertura do setor. São anos de experiência cobrindo o agronegócio e passagens por Terra Viva, Canal Rural e o próprio AgroMais, atuando como repórter, produtora, editora executiva e apresentadora substituta. Nos últimos anos, atuou em outras editorias em projetos de jornalismo do Grupo Bandeirantes, como BandNews TV e na Bandeirantes da tevê aberta. Participou de programas como Melhor da Tarde e Bora Brasil, na reportagem e na apresentação dos projetos. Agora, no começo de 2026, assume a titularidade do AgroNotícias, que já havia apresentado anteriormente.

Em 2023, Regina esteve na lista dos +Admirados Jornalistas do Agronegócio, em eleição promovida por este Portal dos Jornalistas e Jornalistas&Cia. Também foi eleita uma das +Admiradas Jornalistas Negras da Imprensa Brasileira, em edições recentes da premiação. E no ano passado, ficou entre os TOP 100 +Admirados Profissionais do Brasil, em premiação especial de 30 anos do J&Cia.

Curso sobre Política de Comunicação, com Wilson da Costa Bueno, está com inscrições abertas e começa em março

Webinário debate Inteligência Artificial e Comunicação Pública em lançamento de e-book

Estão abertas as inscrições para o curso “Política de Comunicação: por que e como elaborar, implementar e atualizar”, promovido pela Associação Brasileira de Comunicação Pública (ABCPública). A formação será realizada nos dias 21 e 28 de março, das 9h às 13h, em formato on-line, totalizando 8 horas/aula.

Ministrado pelo professor Wilson da Costa Bueno, referência nacional nas áreas de comunicação pública e científica, o curso aborda métodos, processos e experiências concretas de elaboração e gestão de políticas de comunicação em organizações públicas.

A proposta é discutir desde a construção coletiva do documento até sua implementação e atualização nas instituições, tema cada vez mais relevante para órgãos públicos que buscam organizar sua atuação comunicacional e fortalecer a transparência e o diálogo com a sociedade.

“O documento da Política de Comunicação deve ser resultado de um processo democrático que envolve a comunidade interna”, afirma Bueno. “Ele também precisa ser permanentemente atualizado, porque o universo da comunicação passa por mudanças rápidas e profundas.”

Durante o curso serão apresentados modelos de políticas de comunicação, etapas do processo de elaboração e experiências institucionais, com discussão de casos concretos envolvendo organizações como a Embrapa, a Câmara dos Deputados e o Instituto Federal de Santa Catarina.

Inscrições abertas para associados e público em geral

As inscrições estão abertas tanto para associados da ABCPública quanto para profissionais não associados interessados em aprofundar conhecimentos sobre gestão da comunicação no setor público.

Associados em dia com a entidade têm gratuidade na inscrição. Para não associados, o valor é R$ 360,00.

O curso também oferece um incentivo adicional: participantes recebem 10% de desconto na inscrição do Curso Completo de Comunicação Pública, realizado pela ABCPública em parceria com a Aberje.

A iniciativa integra o conjunto de ações da associação voltadas à qualificação de profissionais e gestores públicos, estimulando o desenvolvimento de práticas de comunicação alinhadas ao interesse público, à transparência institucional e à melhoria da relação entre Estado e sociedade.

Serviço

Curso: Política de Comunicação: por que e como elaborar, implementar e atualizar
Professor: Wilson da Costa Bueno
Datas: 21 e 28 de março de 2026
Horário: 9h às 13h
Carga horária: 8 horas
Formato: On-line

Inscrições: https://doity.com.br/politica-de-comunicacao

Guilherme Amado deixa o PlatôBR; coluna sobre bastidores do poder migrará para Amado Mundo

Guilherme Amado (divulgação)

Guilherme Amado, especializado na cobertura de política, anunciou sua saída do PlatôBR após 14 meses. Sua tradicional coluna, sobre os bastidores do poder e os principais assuntos da política nacional e internacional, migrará para o Amado Mundo, projeto editorial criado pelo próprio Amado no ano passado.

Amado, que agora estará 100% focado no Amado Mundo, levará também para o canal a equipe que o auxiliava com sua coluna no PlatôBR. São eles o subeditor João Pedroso de Campos (ex-Veja) e os repórteres Bruna Lima (ex-Metrópoles) e Gustavo Silva (ex-Veja e ex-O Globo). No Amado Mundo, eles farão parte de uma nova vertical focada em notícias e investigação.

A coluna de Amado seguirá sendo publicada no PlatôBR até sexta-feira (20/3). A estreia no Amado Mundo está marcada para a próxima segunda-feira (23/3). A coluna manterá seus padrões e formato e será publicada diariamente, agora no Amado Mundo.

“O canal (Amado Mundo) está crescendo num ritmo bom, e é coerente a incorporação da coluna. Agradeço ao PlatôBR por esses 14 meses de parceria. Publicamos investigações
importantes, como a revelação de que o deputado Alexandre Ramagem havia
fugido para os Estados Unidos”, declarou Amado, em release sobre a mudança.

Criada em 2019, na revista Época, do Grupo Globo, a coluna de Guilherme Amado tornou-se referência de cobertura dos bastidores do poder e de política nacional e internacional. Posteriormente, Amado assinou com o Metrópoles, levando consigo sua coluna, que foi publicada no portal até dezembro de 2024, quando foi para o PlatôBR.

Fake News compartilhada por Michelle Bolsonaro gera ataques e ameaças a repórteres

A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro compartilhou em suas redes sociais um vídeo no qual a influenciadora bolsonarista Cris Mourão afirma que repórteres que cobriam a hospitalização do ex-presidente Jair Bolsonaro estariam desejando a morte dele. As imagens não mostraram, porém, nenhuma declaração dos jornalistas. Após a publicação do vídeo, profissionais de imprensa que foram reconhecidos receberam ataques e ameaças de morte.

No vídeo em questão, Cris Mourão filma os repórteres que estavam em frente ao hospital DF Star, em Brasília, onde Bolsonaro está internado. A influenciadora grita contra os comunicadores e insinua, sem provas, que eles estariam desejando a morte do ex-presidente. Mourão chega a filmar o crachá de uma assessora. No Instagram, Michelle Bolsonaro compartilhou o vídeo, com o texto: “Jornalistas reunidos desejando a morte de Bolsonaro e comemorando por ser sexta-feira 13”.

A filmagem acabou viralizando e repórteres que apareceram na gravação sofreram ataques e ameaças de morte. Ao menos dois deles registraram boletim de ocorrência após terem sido intimidados. Duas repórteres foram reconhecidas na rua e sofreram ameaças presenciais. Fotos de filhos e familiares dos jornalistas também foram usadas como intimidação. Além de Michelle, deputados aliados a Bolsonaro também compartilharam o vídeo.

No domingo (15/3), Cris Mourão publicou um vídeo em suas redes sociais sobre o ocorrido, e escreveu: “Minha intenção nunca é prejudicar ninguém, mas sim defender com unhas e dentes quem luta pela nossa nação”.

Entidades defensoras do jornalismo e da liberdade de imprensa, repudiaram o vídeo e as ameaças contra os repórteres. Em nota, a Federação Nacional de Jornalistas (Fenaj) e o Sindicato dos Jornalistas do Distrito Federal (SJPDF) escreveram que “é inadmissível que jornalistas, no pleno exercício de sua atividade profissional, sejam cercados e hostilizados na portaria de uma unidade de saúde. Mais grave ainda é o fato de que a violência física e verbal no local tenha sido amplificada por ataques virtuais coordenados. Essa exposição irresponsável resultou no vazamento de informações pessoais dos repórteres, que passaram a receber centenas de mensagens ofensivas e ameaças de morte em suas redes sociais”.

A Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) classificou o ocorrido como um “ataque direto à liberdade de imprensa e à democracia”, destacando que a ex-primeira-dama e parlamentares compartilharam o vídeo “sem qualquer verificação, disseminando mentiras e expondo profissionais de imprensa que estavam simplesmente exercendo seu trabalho. É inadmissível que parlamentares e figuras com espaço no debate público utilizem sua influência para orquestrar campanhas de difamação e incitar agressões contra profissionais de imprensa”.

Para a Associação Brasileira de Imprensa (ABI), “esse tipo de prática não ameaça apenas indivíduos, mas representa um ataque direto à liberdade de imprensa e ao direito da sociedade à informação. É inadmissível que figuras públicas utilizem sua influência para difundir conteúdo falso ou estimular campanhas de difamação contra jornalistas”.

100 anos de Rádio no Brasil: Quando a inteligência artificial aprende a ouvir música como gente

(Crédito: Rodrigo Mozelli – gerada com IA/Olhar Digital)

Por Álvaro Bufarah (*)

Durante décadas, a indústria musical treinou máquinas para reconhecer padrões: batidas, timbres, gêneros, BPM, tonalidade. Agora, com a parceria entre a Universal Music Group e a NVIDIA, o objetivo muda de escala. A inteligência artificial não quer mais apenas classificar músicas. Ela quer compreender música.

A criação do modelo Music Flamingo simboliza essa virada. Não se trata de um algoritmo que identifica refrões ou separa rock de pop. Trata-se de um sistema capaz de analisar faixas completas, captar arcos emocionais, interpretar contextos culturais e traduzir camadas simbólicas da experiência musical. Em outras palavras, a IA começa a ouvir música de forma menos mecânica e mais… humana.

Não é apenas um avanço tecnológico. É uma mudança de paradigma: a música deixa de ser tratada como dado bruto e passa a ser tratada como linguagem emocional estruturada.

Historicamente, a descoberta musical foi baseada em taxonomias pobres: gênero, década, artista, popularidade. Mesmo os sistemas de recomendação mais sofisticados ainda dependem, em grande parte, de correlações estatísticas: quem ouviu isso, ouviu aquilo.

O Music Flamingo promete algo diferente: compreender a música pelo que ela expressa, não apenas por quem a consome. Harmonia, progressão narrativa, tensão emocional, atmosfera, estilo cultural, densidade simbólica. A IA passa a operar não apenas no campo da estatística, mas no campo do sentido.

Isso desloca a curadoria musical de um modelo de mercado (baseado em massa) para um modelo quase semiótico: baseado em afinidades subjetivas profundas.

O Spotify sugere o que você provavelmente vai gostar. O Music Flamingo tenta sugerir o que ressona com quem você é.

O artista como coautor da máquina

O aspecto mais interessante da parceria talvez não seja o modelo em si, mas a criação da incubadora criativa. Diferentemente de outras iniciativas de IA musical, aqui os artistas não são apenas usuários – são coprodutores da tecnologia.

A incubadora da UMG e da NVIDIA inverte a lógica típica da IA generativa: em vez de treinar máquinas em cima da cultura e depois oferecer o resultado pronto, a proposta é desenvolver ferramentas junto com quem cria.

É uma tentativa explícita de evitar o fenômeno que já assombra o setor: a enxurrada de conteúdo genérico, repetitivo, artificialmente competente e culturalmente vazio – o chamado AI slop.

Nesse modelo, a IA não substitui o gesto criativo. Ela amplia o campo de experimentação, funcionando como lente, espelho, laboratório e não como atalho.

Outro elemento estratégico é a catalogação. O Music Flamingo não serve apenas para criar ou recomendar. Ele serve para organizar o próprio patrimônio musical da humanidade.

Com um catálogo como o da Universal, a IA passa a funcionar como um sistema de memória cultural ativa: capaz de mapear relações entre obras, estilos, períodos históricos e influências cruzadas.

Não é apenas um buscador melhor. É um sistema de cartografia simbólica da música global.

No limite, esse tipo de tecnologia pode redefinir como arquivos, bibliotecas, museus sonoros e plataformas de streaming estruturam seus acervos. A IA deixa de ser ferramenta de consumo e passa a ser infraestrutura cognitiva da cultura.

(Crédito: Rodrigo Mozelli – gerada com IA/Olhar Digital)

A parceria também escancara uma disputa estrutural: quem controla os dados culturais controla o futuro da IA. Treinar modelos musicais exige acesso a repertórios gigantescos – e é aí que entram as grandes gravadoras.

Diferentemente de startups que treinaram modelos com conteúdo capturado sem licença (como Udio e Suno), a UMG aposta em um modelo regulado: IA treinada apenas com obras licenciadas, com mecanismos explícitos de atribuição e remuneração.

É uma tentativa de transformar a IA musical em um sistema industrial legítimo, e não em uma economia paralela predatória.

No fundo, o acordo com a NVIDIA não é apenas tecnológico. É geopolítico dentro da indústria cultural: quem pode treinar, com quais dados, sob quais regras e com quem fica o valor gerado.

Talvez o maior risco da IA musical não seja estético, mas filosófico: a ideia de que a música poderia ser reduzida a um problema de engenharia. A parceria UMG-NVIDIA tenta responder a isso com uma tese clara: a música continua sendo humana, mas a inteligência artificial passa a ser parte do ambiente cognitivo da criação.

A IA não compõe sozinha. Ela sugere, analisa, contextualiza, expande, provoca.

Assim como o sintetizador não matou a música acústica, e o sampler não matou a composição, a IA tende a se tornar mais uma camada do ecossistema criativo – poderosa, ambígua, inevitável.

A diferença é que agora a tecnologia não apenas produz sons. Ela começa a entender por que eles importam.

E talvez seja exatamente aí que a música entra em sua fase mais radical desde o surgimento do fonógrafo: quando até as máquinas precisam aprender que, antes de ser dado, a música é experiência humana condensada em tempo.

 

Fonte primária

  • Universal Music Group (2026) – Press release parceria UMG + NVIDIA

IA e música

  • Stanford HAI – Generative AI in Creative Industries
  • MIT Technology Review – AI and the Future of Music
  • Berklee College of Music – AI in Music Production Report

Recomendação e descoberta

  • Spotify Engineering – How Recommendation Systems Work
  • Google DeepMind – Audio Representation Learning

Direitos autorais e IA

  • WIPO (World Intellectual Property Organization) – AI and IP
  • European Commission – Copyright in the Age of Generative AI
  • Recording Industry Association of America (RIAA)

Álvaro Bufarah

Você pode ler e ouvir este e outros conteúdos na íntegra no RadioFrequencia, um blog que teve início como uma coluna semanal na newsletter Jornalistas&Cia para tratar sobre temas da rádio e mídia sonora. As entrevistas também podem ser ouvidas em formato de podcast neste link.

(*) Jornalista e professor da Fundação Armando Álvares Penteado (Faap) e do Mackenzie, pesquisador do tema, integra um grupo criado pela Intercom com outros cem professores de várias universidades e regiões do País. Ao longo da carreira, dedicou quase duas décadas ao rádio, em emissoras como CBN, EBC e Globo.

Preciosidades do acervo Assis Ângelo: O cego na História (47)

Por Assis Ângelo

As desgraças do mundo foram tantas que quase desnecessário é dizer que já não cabem no balaio do passado. E por não caberem completamente nesse balaio, dificilmente caberão no espaço do presente que vivemos.

E as desgraceiras do futuro, hein?

Antes da cegueira dos olhos, a humanidade quase toda sempre foi cega. Metaforicamente falando, claro. Claríssimo, não é mesmo?

A história conta das pequenas e grandes guerras provocadas pela estupidez humana.

Pois é, a história se repete.

Na Antiguidade as pessoas portadoras de qualquer tipo de deficiência eram descartadas do meio social já logo ao nascer.

Essas pessoas já não são mais eliminadas como nos tempos de antanho, mas ainda assim comem o pão que o diabo amassa e torra nos fornos do Inferno.

As pessoas cegas hoje somam-se aos milhões mundo afora. E grave, mas gravíssimo mesmo, é sabermos dos números absurdos referentes às pessoas desprovidas de visão nos olhos que são violentadas de todas as formas no dia a dia cachorro que vivemos.

Saber que crianças cegas são violentadas física e sexualmente no seio familiar, mais das vezes, é nos deixar de crer no próximo, não é?

Tereza Batista Cansada de Guerra (1972), romance de Jorge Amado (1912-2001), começa de modo a nos sangrar o coração.

A Tereza do Jorge, órfã de pai e mãe aos 8 anos, é vendida pela tia Felipa ao capitão canalha Justiniano Duarte da Rosa. Esse tal é um pedófilo que deveria ter nascido morto. Rico e violento, compra meninas na flor da idade com o propósito de deflorá-las. E isso o faz dezenas e dezenas de vezes, impunemente. Mas seus dias estão contados, desde o momento que ele faz o que faz com a pequena Tereza, no tempo dos seus 12 anos de idade.

Até conseguir violentar a menina Tereza, apanha dela e quase sai cego, depois de atingido por suas unhas cravadas no rosto.

Enfim, dias contados…

Tereza finda por matar o seu algoz com uma bem dada facada nas costas, enquanto ele a esbofeteava.

Enfim, a vida passa que nem uva e como espinhoso cacto, duro, Tereza transforma-se numa espécie de heroína das mulheres até então desvalidas, como ela. Briguenta que só!

Muitos livros do bom baiano Jorge Amado têm a mulher como heroína.

As heroínas de Jorge vêm sempre dos cafundós do Judas. Das quebradas, do bem longe que nem os olhos veem.

Dentre os livros com heroínas do Jorge destaque para, além da aqui já citada Tereza, Gabriela (1958), Dona Flor (1966) e Bernarda de Tocaia Grande (1984).

Claro, há também grandes heróis criados por Jorge. Entre esses, Joaquim, de A Morte e A Morte de Quincas Berro D’Água (1959).

O Anuário Brasileiro de Segurança Pública divulgou dados em 2025 dando conta de que em 2024 o Brasil bateu triste recorde de 87.545 estupros: 77% das vítimas tinham menos de 14 anos e 88% eram do sexo feminino.

Os romances de Jorge Amado quase sempre mostram as vivências do povo do Nordeste, especialmente de Bahia e Sergipe.

A citação a sergipanos e sergipanas deve-se certamente ao fato de o autor ter morado em Sergipe nos seus tempos de rapaz.

O machismo corre solto em Tocaia Grande, Dona Flor, Gabriela

Gabriela Cravo e Canela começa com um duplo homicídio. O autor é traído pela mulher com um dentista. Os dois morrem na hora.

Pois é, não é só na literatura que o machismo encontra espaço.

Em 2024 registraram-se, no Brasil, 1.492 feminicídios e 3.870 tentativas de feminicídio.

Contatos pelo http://assisangelo.blogspot.com.

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