O site O Antagonista e a revista Crusoé anunciaram a saída de Mario Sabino do comando editorial das duas publicações. Sabino foi um dos fundadores delas, ao lado de Diogo Mainardi, em 2015 e 2018, respectivamente.
Com a saída de Sabino, Claudio Dantas assume a Direção-Geral de Jornalismo de O Antagonista, e a Crusoé será comandada por Carlos Graieb.
Vale lembrar que Mainardi anunciou em agosto que deixaria de escrever para ambas as publicações para se dedicar “a atividades mais gratificantes do ponto de vista intelectual e espiritual”.
Sabino assinou com o Metrópoles nessa quarta-feira (14/9) e atuará como diretor da sucursal do portal em São Paulo. Ele será responsável por estruturar uma equipe para a editoria de Economia e Negócios, que ficará baseada na capital paulista, e fará análises políticas e crônicas semanais.
Empresário Pedro Cerize é o novo dono de O Antagonista e Crusoé
O empresário Pedro Cerize, sócio da empresa de análise financeira Inv, anunciou no Twitter que é o novo dono de O Antagonista e Crusoé.
“Sempre fui admirador do trabalhos e sei da importância de uma imprensa livre na garantia de valores fundamentais da democracia, não somente da democracia, mas de princípios importantes às liberdades individuais”, escreveu. “Para garanti-los vamos investir muito para levar esses valores a um número ainda maior de pessoas, de maneira moderna, ousada e responsável. Nosso assinante terá acesso a um cardápio ainda mais amplo e qualificado, mantendo o DNA de independência jornalística”.
A FPA (Foreign Press Association) London não tinha grupo no WhatsApp até a última sexta-feira (9/9), quando ele foi criado para compartilhar instruções de credenciamentos e comunicados sobre a morte da rainha Elizabeth.
A troca de figurinhas entre correspondentes vai revelando as entranhas do cerimonial planejado há 30 anos para a despedida de uma figura pública que estreou na era do rádio e sai de cena no mundo das mídias digitais, talvez a única a ter atravessado todo esse tempo sob os holofotes.
O volume de postagens e a natureza das perguntas são uma amostra do frenesi que tomou conta da mídia.
Na terça-feira (13/9) um correspondente perguntou se havia significado especial para a saída do cortejo fúnebre do Palácio de Buckingham para o Parlamento ter sido marcada para 14h22 de quarta-feira.
Nenhum. Apenas a pontualidade, um dos traços da cultura do país do qual Elizabeth II se tornou o maior símbolo. O trajeto leva 38 minutos. Assim, o caixão da rainha chegou ao Palácio de Westminster precisamente às 15 horas.
Esse é um exemplo da ansiedade de jornalistas acompanhando um dos maiores eventos midiáticos de tempos recentes. Ninguém quer perder nada, cada detalhe importa.
E os passos cronometrados só confirmam a tese de que ninguém faz RP como a família real britânica, pelo menos sob Elizabeth II.
Por ironia, o primeiro episódio aconteceu na solenidade de proclamação, nunca antes testemunhada pelo público. Desta vez, foi transmitida pela TV, como parte do esforço de aproximação da realeza com os súditos − que por sinal estão pagando a conta das homenagens.
Também não estavam planejados protestos antimonarquia, reprimidos pela polícia com prisões. Eles aconteceram em vários locais, incluindo Edimburgo, local sensível para o futuro do atual sistema político.
A Escócia quer fazer um novo plebiscito sobre sua independência. A morte da rainha é um baque para os que não querem o reino desunido, entre os quais se inclui boa parte da mídia britânica.
Seja por interesses, para garantir audiência ou por uma dificuldade genuína de documentar a morte com distanciamento crítico, a cobertura é emotiva e marcada por uma obediente adesão à narrativa oficial dos press releases que o Palácio de Buckingham divulga várias vezes por dia.
Alguns chegam embargados, com detalhes sobre os próximos acontecimentos. Quando o embargo cai, TVs, edições online e canais de mídias sociais dos veículos disparam as novidades para uma audiência ávida por vivenciar cada detalhe do grande evento.
A gentileza com uma pessoa que morre é esperada. Mas talvez seja exagero a quase total ausência de contexto e de menções a fatos importantes para a vida da nação. Um exemplo é a constrangedora situação envolvendo a fundação beneficente do agora rei.
Desde o ano passado, a Prince’s Foundation vem sendo objeto de revelações de uma suposta troca de doações por comendas reais, sobre um aporte feito pela família de Osama Bin Laden e sobre o recebimento de dinheiro vivo de um bilionário árabe pelo próprio Charles. Foram 3 milhões de euros transportados em malas e bolsas da chique Fortnum and Mason.
É chato falar disso agora, mas será que não é de interesse público saber mais sobre o novo chefe de Estado, o que ele disse sobre as revelações e como anda a investigação policial?
A mídia britânica é considerada uma das melhores do mundo, mas é formada por gente da elite, como mostram as pesquisas. A monarquia é parte de seu universo, e isso pode estar influenciando decisões editoriais.
Resta saber por quanto tempo o encantamento com Charles − ou a glorificação de um sistema conveniente − vai durar.
Para quem acha que o pessoal de RP está tendo trabalho com os dez dias de eventos por Elizabeth II, na verdade a aventura está apenas começando.
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Trabalhos de Brasil de Fato, A Gazeta (ES), Portal Vós e Record TV venceram a categoria Imprensa do Prêmio Anamatra de Direitos Humanos 2022, realizado pela Associação Nacional dos Magistrados da Justiça do Trabalho (Anamatra).
Em sua 10ª edição, o prêmio valoriza ações de pessoas físicas e jurídicas na defesa dos direitos humanos no mundo do trabalho. A cerimônia de premiação será em 29/9, no Rio de Janeiro.
A foto vencedora da subcategoria Fotografia foi A Fome Dói, registrada por Ricardo Vervloet Medeiros, do jornal A Gazeta (ES). Nela, André Alves da Silva, de 59 anos, viúvo e pai de três filhos, está num cruzamento em Vitória (ES) segurando um cartaz relatando seu sofrimento e pedindo dinheiro.
Em Rádio, o trabalho vencedor foi Coronavírus: A luta por sobrevivência do Brasil que anda de moto, publicado pelo Portal Vós. A reportagem, que mostra o dia a dia de motofretistas e entregadores de delivery e os impactos da pandemia na vida deles, teve participação de Geórgia Santos, Flávia Cunha e Tércio Saccol.
E na subcategoria Televisão, a reportagem vencedora foi Sisal, de Mariana Castagna Ferrari, da Record TV, que mostra a situação degradante de adultos e crianças no cultivo, no semiárido nordestino, do sisal, planta que serve de matéria-prima para a produção de cordas, chapéus e tapetes.
Vera Magalhães, da TV Cultura, foi vítima de mais um ataque, desta vez realizado por deputado apoiador do presidente Jair Bolsonaro
Apresentadora do Roda Viva, colunista de O Globo e comentarista da CBN, Vera Magalhães foi vítima de um novo ataque covarde. Desta vez, a ofensiva aconteceu logo após o debate entre os candidatos ao Governo de São Paulo, promovido pela TV Cultura na noite desta terça-feira (13/9).
Com um celular em punho, o Deputado Estadual Douglas Garcia (Republicanos) se aproximou de Vera e disse que ela é “uma vergonha para o jornalismo”. Ele era um dos convidados do candidato a governador Tarcísio de Freitas, do mesmo partido.
“Eu estava sentada na primeira fileira vendo meu celular. Vou registrar um boletim de ocorrência de ameaça contra o deputado Douglas Garcia, do PL. Há centenas de testemunhas. Usou o convite no estafe de Tarcisio Freitas no debate apenas para vir mentir e me acossar e ameaçar”, relatou a jornalista em sua conta no Twitter.
Gostaria de saber se o candidato @tarcisiogdf concorda com a postura de seu convidado para o debate. Eu estava trabalhando. Sentada, quieta, sozinha. É esse o tipo de aliado técnico que o senhor terá em SP, candidato? Isso está correto? pic.twitter.com/JBIAgfpulO
A frase utilizada pelo político é a mesma dita pelo presidente Jair Bolsonaro (PL) contra Vera durante o debate da Band entre candidatos à Presidência, realizado em 28 de agosto, e repetida nas ações de campanha de Bolsonaro durante o 7 de setembro. Naquele dia, uma faixa com a foto de Vera e a frase foram expostas em um cartaz erguido por um guindaste no Rio de Janeiro. Tanto Garcia, quanto Tarcísio, apoiam e são apoiados por Bolsonaro em São Paulo.
Desta vez, porém, ao perceber o ataque, Leão Serva, diretor de Jornalismo da TV Cultura, arrancou o celular da mão do deputado e atirou para longe e contra-atacou o assédio do parlamentar: “Vai pra puta que te pariu, filha da puta”.
A reação, bastante elogiada por outros jornalistas nas redes sociais, é um divisor de águas para o jornalismo. Pela primeira vez um dirigente da tevê brasileira se rebelou fisicamente para impedir um ataque contra algum de seus jornalistas.
“Ele veio aqui visivelmente com a intenção de ‘lacrar’. A única solução possível naquele momento era afastá-lo da ‘lacração’”, disse Leão Serva, em entrevista para o UOL, sobre o momento em que tirou o celular da mão de Douglas Garcia, que, segundo ele, “já tem uma prática de assédio a Vera Magalhães há um bom tempo”.
Vale lembrar que em 2018, Garcia foi um dos organizadores do bloco de carnaval Os Porões do DOPS, criado para homenagear o torturador Carlos Brilhante Ustra e o Departamento de Ordem Política e Social, órgão do governo responsável pelo assassinato de Vladimir Herzog durante a Ditadura Militar. À época, Herzog era diretor de Jornalismo da TV Cultura.
Segundo levantamento publicado em 9 de setembro pela Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji), pelo menos 13 casos de violações à liberdade de imprensa haviam sido registrados no país nas duas semanas anteriores. Eles se somam aos mais de 330 alertas registrados em 2022, segundo o monitoramento de ataques a jornalistas e comunicadores/as feito pela organização em parceria com a rede internacional Voces del Sur.
Coincidentemente, na manhã desta mesma terça-feira, entidades defensoras da liberdade de imprensa manifestaram indignação e preocupação em relação aos ataques a jornalistas e fizeram um apelo para que partidos e presidenciáveis respeitem o trabalho jornalístico durante o período eleitoral.
Assinam o texto ARTIGO 19. Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji), Associação de Jornalismo Digital (Ajor), Comitê para a Proteção dos Jornalistas, Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), Intervozes, Instituto Palavra Aberta, Instituto Vladimir Herzog, Repórteres sem Fronteiras (RSF) e Tornavoz.
O SBT inseriu na sua programação seis boletins noticiosos diários. A decisão, segundo as fontes, foi tomada pelo próprio Silvio Santos, e divulgada por um comunicado do diretor nacional de Jornalismo José Occhhiuso, como segue:
“Nesta segunda-feira estrearemos o Repórter SBT, com boletins noticiosos ao longo da programação. A cada duas horas, exibiremos um boletim de dois a dez minutos de duração, com o que tivermos de mais quente no horário. Os repórteres que estiverem na cobertura factual devem enviar stand-ups para os boletins.
“A princípio serão seis edições diárias do Repórter SBT, nos seguintes horários: 14h, 16h, 18, 22h, 24h e 2h. Conto com o habitual empenho de todos para que o Repórter SBT seja bem-sucedido e tenha vida longa.”
O memorando foi enviado na noite de sexta-feira (9/9), para todas as sucursais e afiliadas, e estreou logo na segunda-feira, em seis edições por dia, ainda sem patrocinador. Narrado em estilo radiofônico, com a trilha sonora do Repórter Esso (exibido na Tupi de 1952 a 1970), aparentemente repete o molde do Jornal da Record 24h. Tem apresentação de Marcelo Torres e Mário Resende, este também um dos editores do programa.
Conforme apurou o site TV Pop, os jornalistas da redação não gostaram da novidade, nem da forma súbita como foi implantada. Reclamaram que as novas tarefas vão sobrecarregá-los, pois não haverá contratações para produzir os boletins.
O SJSP e o Instituto Elifas Andreato prestarão nesta quarta-feira (14/9), às 19h, uma homenagem póstuma ao ilustrador Elifas Andreato.
O Sindicato dos Jornalistas de São Paulo e o Instituto Elifas Andreato prestarão nesta quarta-feira (14/9), às 19h, uma homenagem póstuma ao ilustrador Elifas Andreato no auditório Vladimir Herzog, sede do Sindicato (rua Rego Freitas, 530, sobreloja).
Conhecido pelo quadro que fez sobre a tortura e morte de Vladimir Herzog e pelas capas de discos que produziu para artistas como Chico Buarque, Adoniram Barbosa, Vinícius de Moraes e Elis Regina, Andreato faleceu aos 76 anos em março de 2022 por complicações em decorrência de um infarto.
O artista paranaense foi também um crítico à ditadura militar e produziu charges e ilustrações para a imprensa sindical, além de atuar em diversas publicações, tanto na grande imprensa quanto na imprensa alternativa.
A homenagem contará com a participação de Raimundo Pereira; do caricaturista Cassio Loredano; do compositor Carlos Azevedo, do presidente do Sindicato dos Jornalistas Thiago Tanji, e de Rose Nogueira e Adelia Borges. Participam ainda os deputados federais Luiza Erundina (PSOL-SP) e Orlando Silva (PCdoB-SP).
Morreu nessa terça-feira (13/9), aos 78 anos, em São Paulo, Silvio Lancellotti. Ele estava internado na UTI do Hospital São Paulo desde 6/9 com grave quadro cardíaco. Desde 2016, tinha problemas de locomoção devido a um acidente automobilístico.
Arquiteto de formação, Lancellotti adotou o jornalismo como profissão e tinha mais de 50 anos de trabalho em tevê, jornais e revistas, além de ser também escritor. Fez parte das equipes que lançaram as revistas Veja e IstoÉ, dirigiu a Vogue e foi cronista de esportes e gastronomia da Folha de S.Paulo e do Estadão. Começou na televisão em 1984 e teve passagens por Gazeta, Manchete, Band, Record e ESPN, além apresentar cerca de 5 mil programas de culinária, outra de suas especialidades.
Como comentarista de futebol, participou de oito edições da Copa do Mundo e seis dos Jogos Olímpicos. Escreveu cinco livros sobre esportes, doze de culinária e quatro romances, entre eles Honra ou Vendetta, que se transformou na novela Poder Paralelo, da Rede Record, nos anos de 2009 e 2010.
Leitor fiel do Jornalistas&Cia desde seu lançamento, Lancellotti foi um dos jornalistas que contribuiu com uma história para o especial sobre o leilão do Edifício Abril, veiculado em maio de 2021. Em sua colaboração, relembrou alguns momentos vividos na editora, como o lançamento da revista Veja.
Entidades defensoras da liberdade de imprensa manifestaram indignação e preocupação em relação aos recentes ataques a jornalistas e fazem um apelo para que partidos e presidenciáveis respeitem o trabalho jornalístico durante o período eleitoral.
As entidades destacam a Carta Compromisso com a Liberdade de Imprensa e a Segurança de Jornalistas nas Eleições 2022, lançada no mês passado, que lista recomendações aos presidenciáveis para que garantam condições seguras para a cobertura eleitoral, como adotar discurso público que contribua para prevenir a violência contra jornalistas e condenar publicamente qualquer forma de violência.
“Infelizmente, as recomendações vêm sendo desrespeitadas de maneira sistemática”, destacam as entidades. “Assim, reforçamos o pedido para que todas as candidaturas, seus partidos e coligações, assinem e acatem a carta compromisso. (…) As organizações destacam que, durante o período eleitoral, o papel da imprensa se torna ainda mais relevante para garantir o acesso à informação necessária para uma participação cidadã no debate público e nas eleições, de forma consciente e crítica”.
Assinam o texto ARTIGO 19. Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji), Associação de Jornalismo Digital (Ajor), Comitê para a Proteção dos Jornalistas, Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), Intervozes, Instituto Palavra Aberta, Instituto Vladimir Herzog, Repórteres sem Fronteiras (RSF) e Tornavoz.
Roberto Jardim lança o livro Um outro futebol − pequenas histórias da bola, que reúne mais de uma centena de crônicas e fragmentos sobre futebol e política, com o objetivo de mostrar que ambos os temas andam juntos.
Divididas em cinco capítulos, as histórias são dispostas seguindo uma linha cronológica, desde quando as regras do futebol surgiram na Inglaterra até a atualidade, mostrando como esse esporte surgiu de forma elitista, machista e preconceituosa e posteriormente virou campo de luta de operários, negros e mulheres. Xico Sá, que assina o prefácio, diz que o livro “nos brinda com dribles e firulas de um lirismo que tanto faz falta na crônica brasileira. (…) ”Política e futebol não se misturam. São uma coisa só. Da origem do universo à derradeira discussão de botequim sobre futebol raiz x futebol moderno”. Para Jardim, a obra é essencial no contexto atual, em ano de Copa do Mundo, que se envolve com todo o cenário geopolítico.
Ele é também autor de outras obras que relacionam o futebol com temas extra-campo, como Além das 4 Linhas, de 2016, e Democracia Fútbol Club, de 2018. Um outro futebol já está em pré-venda.