Rodrigo Lopes, colunista de assuntos internacionais do Grupo RBS, lançou o livro Trem para Ucrânia (BesouroBox), que traz um relato chocante sobre uma viagem que fez para a Ucrânia durante o conflito atual, trazendo a aflição das pessoas que fogem da guerra.
O autor descreve os cenários e contextualiza a situação, mostrando um trem às escuras pelo interior da Ucrânia em meio ao confronto, uma madrugada ao lado de refugiados em uma estação que poderia ser bombardeada a qualquer momento e histórias de vítimas desta guerra.
O livro é fruto de dias de apuração de Rodrigo na Ucrânia, utilizando sua extensa experiência como correspondente de guerra na cobertura de conflitos internacionais, além de resistência física e coragem.
“Quando Vladimir Putin ordenou que suas tropas invadissem a Ucrânia, Rodrigo já estava a postos para realizar essa cobertura”, escreve Guga Chacra, comentarista da GloboNews, no prefácio. “Trouxe histórias de vítimas desse conflito, mas sempre dando também todo o contexto geopolítico”.
Rodrigo Lopes (Crédito: Jefferson Botega)
Rodrigo realizou mais de 30 coberturas de guerras e catástrofes naturais ao redor do globo. Cobriu conflitos em Iraque, Israel, Líbano e Líbia, e tragédias como terremotos no Peru e no Haiti, crises na América Latina e eleições nos Estados Unidos.
Em 2019, foi retido pelo regime de Nicolás Maduro na Venezuela, o que gerou onda de repúdio internacional contra a violação da liberdade de imprensa e expressão. É também autor do livro Guerras e Tormentas. Recebeu o Prêmio Rey de España de Periodismo em 2003 pela cobertura da crise argentina. Foi finalista do Prêmio Jabuti em 2012.
Cláudia Gaigher, repórter da TV Morena, afiliada da Rede Globo em Mato Grosso do Sul, lança o livro Diário de uma repórter no Pantanal (Documenta Pantanal), que aborda suas trajetória profissional e relação com o bioma.
O livro inclui 30 histórias de bastidores de reportagens produzidas por Gaigher desde 1998, denunciando episódios que ameaçavam o meio ambiente na região. A autora também traz histórias em Amazônia, Caatinga e Mata Atlântica.
Em entrevista para o site ((o))eco, Gaigher falou sobre a obra e tudo o que viu ao longo da carreira cobrindo meio ambiente: “Eu vi muitas áreas de Mato Grosso e de Mato Grosso do Sul que tiveram a sua vegetação nativa convertida para pasto ou para lavoura. Eu vi o Cerrado sendo cada dia mais aberto. Eu vi o Pantanal sendo cada dia mais modificado. Eu vi a Floresta Amazônica sendo cada dia mais desmatada”.
Segundo ela, a ideia da obra é compartilhar os desafios que enfrentou em suas coberturas e ajudar a nova geração de colegas.
“Eu acredito muito nessa nova geração de jornalistas ambientais e de jovens consumidores de conteúdo sobre a produção sustentável, a conservação e a preservação”.
A Record TV sofreu no último sábado (8/10) um ataque hacker e perdeu o acesso a todo o acervo gravado, como reportagens, quadros e material histórico. Os funcionários perderam também não conseguem acessar os números do Ibope pelos celulares.
De acordo com Ricardo Feltrin, do UOL, todos os celulares da emissora − que são cedidos apenas aos funcionários com cargos de confiança, como editores, diretores, vice-presidentes etc. − não conseguem mais abrir o aplicativo de audiência. A única forma de a Record acessar o Ibope é pelo site Kantar.
Desde o ataque, a emissora segue no ar usando os arquivos que consegue encontrar em pen-drives, discos, cards e outros armazenamentos de mídias físicas.
Ainda segundo o colunista, a empresa não tem dúvidas de que os hackers vão pedir resgate em dinheiro para devolver os acessos.
A Federação Internacional dos Jornalistas (FIJ) liderou uma ação para combater a impunidade a crimes contra jornalistas durante a 51ª sessão do Conselho de Direitos Humanos da ONU, em Genebra, na Suíça.
A proposta é construir uma nova convenção mundial para proteção dos profissionais de imprensa, destacando 16 prioridades a serem aceitas pelos estados-membros.
O documento solicita, por exemplo, que os governos se comprometam a fazer investigações sobre casos de violência e reparação a profissionais vítimas de episódios do tipo, além de proteção a jornalistas durante a cobertura de eleições e conflitos armados.
A FIJ falou também sobre a constituição do comitê de proteção, cujo conselho seja composto por 15 pessoas, eleitas por representantes dos estados-membros a cada quatro anos. Cada país terá direito a eleger um integrante.
Dominique Pradalié, presidente da FIJ, destacou os milhares de jornalistas presos e centenas de profissionais de imprensa mortos na última década: “Tais crimes são cometidos com quase total impunidade ao redor do mundo. Aqueles que acreditam na liberdade da mídia e no direito dos cidadãos ao acesso à informação devem agir para acabar com a falta de punição”.
Organizações interessadas em apoiar a campanha para a criação do comitê podem entrar em contato pelo e-mail [email protected].
A Associação Nacional dos Jornais (ANJ) lançou o podcast mensal Jornal do Futuro – Vozes da inovação na imprensa, que destaca práticas e projetos inovadores na indústria jornalística brasileira.
“Nosso objetivo é falar com o mundo da mídia e fora dele”, disse Marcelo Rech, presidente-executivo da ANJ. “Muitos ainda associam jornal a uma edição diária, mas, na prática, os jornais estão entre os meios mais inovadores no universo digital. Foram os primeiros meios a abraçarem a internet e hoje se transformaram em sistemas de informação 360 graus. É sobre essa revolução que as vozes da inovação vão falar nesta série de podcasts”
A primeira edição entrevista o próprio Marcelo, que fala sobre a atuação da entidade junto aos seus quase 100 associados e as práticas inovadoras da imprensa brasileira.
O case apresentado no episódio é o projeto Salve Comunidade, do jornal Folha Vitória, que traz reportagens sobre temas que impactam regiões com maior vulnerabilidade social da Grande Vitória. Karina Altafim Menezes, coordenadora de projetos especiais da Rede Vitória, participa do episódio.
Em seus devaneios pelo Palácio dos Bandeirantes, o neopaulista Tarcisio de Freitas tem encontrado dificuldades para convencer os eleitores de seus vínculos com o Estado de São Paulo. Nem tanto por suas convicções bolsonaristas, mas sim pela sua cara de pau em tentar entrar em uma festa para a qual não foi convidado e tampouco conhece os anfitriões. Na política, às vezes, a estratégia dá certo, quando se é amigo do dono da casa, como já ocorreu em tempos passados, quando o ex-prefeito Paulo Maluf passou o bastão para seu correligionário Celso Pitta, conterrâneo do atual candidato bolsonarista, mas que, ao contrário do atual, já estava bem familiarizado com os hábitos locais. E não é que Tarcisio de Freitas conseguiu a proeza de reacender a velha rivalidade Rio x São Paulo? Ou alguém considera possível encontrar um flamenguista que leve em conta o local de nascimento de Gabigol ou faça restrições à origem caipira do araraquarense Dorival Junior?
Nos anos 1990, as diferenças entre as duas principais capitais brasileiras ainda eram bem nítidas. Por volta da segunda metade da década, quando estava desempregado, peguei um frila fixo temporário (aquele que você tinha horário para entrar, mas não para sair, em um período determinado e sem contrato) em uma agência emergente, hoje sediada no coração da paulistana avenida Faria Lima, mas que na época ficava em uma casa residencial mal e porcamente adaptada para espremer dezenas de colaboradores, no Itaim. Os donos eram muito bem relacionados no mundo corporativo e institucional, o que gerava uma respeitável carteira de clientes, entre eles uma entidade patronal do setor de bebidas, sediada no Rio de Janeiro.
Na época, os temas sobre saúde e qualidade de vida começavam a ganhar mais espaço na mídia, desbancando o glamour e o charme sobre as garrafas de uísque e cerveja entornadas por artistas e atrizes nas mesas de bar, mostrando que os efeitos causados iam além de uma homérica ressaca no dia seguinte. Nos anos 1990, o governo federal havia aprovado a lei até hoje em vigência, na qual estavam vetadas a propaganda de bebidas alcoólicas na TV, com exceção daquelas com teor alcoólico inferior a 13 graus Gay Lussac (GL), categoria em que estão enquadradas as cervejas, medida marota fruto de lobby articulado pelo setor no Congresso. Caberia, então, à entidade de classe posicionar-se e explicar que não era bem assim, que o setor gerava empregos, era bom pagador de impostos, estava comprometido com o crescimento da economia nacional e era peça fundamental no turismo. De que forma? Contratando uma assessoria de imprensa e passar uma imagem de transparência para a sociedade.
Só que a entidade não tinha a menor relação com a imprensa e o seu principal executivo, recém empossado, era praticamente virgem no trato com jornalistas, principalmente quando saía do circuito Copacabana-Ipanema-Leblon. A solução foi promover uma coletiva de imprensa em São Paulo, que abrigava na época, os principais jornais econômicos – Gazeta Mercantil e DCI –, as revistas da Editora Abril e os jornalões Folha e Estadão, com seus respectivos filhotes – no caso, Jornal da Tarde e Folha da Tarde. Mas, antes, seria recomendável conhecer o executivo e realizar um media training para evitar derrapadas nas possíveis cascas de banana a serem jogadas na coletiva. Meio na base do improviso, fui escalado para participar do treinamento, embora não atendesse àquela conta.
No dia marcado, escuto ao fundo uma voz masculina conversando em tom animado com a recepcionista. Era ele, que acabava de chegar do aeroporto de Congonhas. Grandalhão, extrovertido, na faixa dos 40 e poucos anos, com um forte sotaque da Zona Sul carioca, o sujeito ostentava uma proeminente circunferência abdominal, o que hoje seria inadmissível no mundo corporativo, mas que o qualificava perfeitamente para exercer a sua posição na entidade etílica nos padrões aceitos até o século passado. O sotaque, entendemos nós, não seria problema, era até um diferencial para quebrar o clima da coletiva.
Acompanhado de três colegas da agência, subimos para a sala de reuniões, ainda em um clima informal. No início, a sensação era de estarmos em uma mesa do Amarelinho ou do Belmonte, mas na medida em que formulávamos as questões previstas no media training a impressão era que alguém havia colocado água no chope. Ao referir-se a um desafeto político, o executivo tergiversou e o chamou de “nojento”, expressão carioca para designar uma pessoa arrogante e cheia de empáfia. A expressão em si já era deselegante para ser usada em uma coletiva, ainda mais com um sentido que, em terras paulistas, é mais apropriado para alguém que põe o dedo no nariz na mesa de almoço ou encontra uma barata no meio do prato. Nos entreolhamos e a “entrevista” prosseguiu. O termo “nojento” voltou mais duas ou três vezes, acompanhado de expressões pouco usuais em São Paulo, como “sinistro”, sempre pronunciada com aquele típico acento que soava “sinishtro”. Chegou um momento em que o líder da reunião interrompeu a atividade e didaticamente explicou ao simpático porta-voz que não seria possível desenvolver uma narrativa naquele estilo para jornalistas engravatados, acostumados a um tom mais sóbrio nas coletivas. Desapontado com o comentário, o executivo deu uma breve murchada, mas aceitou as críticas, baixou a bola no carioquês e o treinamento prosseguiu sem maiores turbulências estilísticas regionais.
E o final? Bem, acabei não participando na coletiva, mas lembro que foi bem-sucedida e o cliente ficou satisfeito. Até gostaria de saber das impressões do executivo sobre o trabalho, mas nem ao menos recebi o tradicional convite do “aparece lá em casa” sem deixar o endereço.
Guilherme Meirelles
A história desta semana é de um estreante neste espaço, Guilherme Meirelles, que teve passagens por Folha de S Paulo, Folha da Tarde, Agência Estado e assessoria de imprensa na Câmara Municipal de São Paulo, entre outros. Atualmente é colaborador freelance do Valor Econômico e da revista Problemas Brasileiros.
Nosso estoque do Memórias da Redação continua baixo. Se você tem alguma história de redação interessante para contar mande para [email protected].
O vereador Kleybe Morais (MDB) ofendeu e ameaçou o repórter José Bonfim, da CBN Goiânia, durante sessão na Câmara Municipal de Goiânia, nessa quarta-feira (5/10). Vídeo gravado pela TV Brasil Central mostra o vereador apontando o dedo para o jornalista e dizendo “você me respeita, moleque, marginal. Eu quero ver se você vem para cima de mim de novo”.
O caso ocorreu durante sessão plenária transmitida no canal da TV Câmara no YouTube. Kleybe declarou que “jornalista precisa respeitar os vereadores aqui nesta casa. Se jornalista vem para cá para fazer caricatura, chacota, fofoquinha de vereadores, eu já dou um aviso: vou pôr para moer, não vou aceitar bandido na imprensa vindo pautar a Câmara ou vereadores aqui não. Eu vou pra cima e vou na goela. E, para quem sabe ler, um pingo é letra. Vem pra cima de mim, que vai voltar do mesmo jeito, com o rabinho entre as pernas. Não me importo se é hetero ou gay, bicha ou homem. (…) E entenda isso como uma ameaça”.
Depois da declaração, o vereador dirigiu-se à área reservada à imprensa e ameaçou José Bonfim, apontando o dedo para ele e chamando-o de “moleque” e “marginal”. Após o ocorrido, a câmara determinou a instauração de um procedimento disciplinar para apurar o teor do pronunciamento e a conduta de Kleybe Moraes.
Segundo Fabiana Pulcineli, colega de Bonfim na CBN Goiânia, o vereador o teria confundido com outro repórter. “O que não altera a gravidade e o absurdo do comportamento. Inadmissível”, publicou no Twitter. Cileide Alves, também da CBN Goiânia, informou que José nunca sequer fez uma reportagem sobre o vereador.
Vereador por Goiânia Kleybe Morais (MDB) ataca jornalista em plenário. Ele confundiu o repórter da CBN José Bonfim com outro repórter, o que não altera a gravidade e o absurdo do comportamento. Inadmissível. pic.twitter.com/NJfsT6g1ZS
Em nota, o MDB Goiás, partido de Kleybe Moraes, declarou que se solidariza “com todos os jornalistas goianos, atacados injustamente pelo vereador”, e que espera que ele “reveja seu posicionamento o mais rápido possível”.
O Sindicato dos Jornalistas de Goiás repudiou as ameaças: “Uma pessoa em posição pública deve saber aceitar críticas e respondê-las de forma democrática ou acionar a justiça, caso se sinta pessoalmente ofendido. A ameaça é inaceitável e esperamos que o partido dele se posicione publicamente sobre as ameaças feitas”.
A Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) disponibilizou um treinamento gratuito sobre segurança física para jornalistas de todo o Brasil. O curso foi ministrado originalmente em junho pela RPS Training Solutions, empresa especializada em proteção, segurança e treinamento médico.
Disponível no canal da Abraji no YouTube, tem cinco episódios: Planejamento e preparação, Vigilância, Primeiros socorros, Conhecimento sobre coletes e armas, e Gerenciamento de conflitos. A ideia é ajudar os jornalistas a enfrentar situações de violência.
As aulas abordam temas como a execução de uma pauta de risco, como estabelecer limites de segurança, cuidados necessários para evitar vigilâncias e perseguições, como lidar com situações de conflito durante uma cobertura, entre outros.
“Ao disponibilizar a gravação desse curso, o objetivo da Abraji é permitir que mais jornalistas e comunicadores se preparem para lidar com a violência, que infelizmente tem marcado o exercício da profissão”, afirmou Katia Brembatti, presidente da Abraji. “Esperamos de alguma forma mitigar os danos causados por essa onda de ataques”.
Vale lembrar que a entidade registrou 353 casos de violações à liberdade de imprensa em 2022, sendo 81 de violência física, destruição de equipamentos, ameaças e até assassinatos.