A reportagem que não foi escrita Em maio de 1984, durante o governo Franco Montoro, eclodiu na região de Ribeirão Preto, interior paulista, uma greve dos cortadores de cana. O epicentro do movimento foi a pequena cidade de Guariba, onde a repressão violenta da Polícia Militar acabou produzindo a morte de um morador, aposentado, que assistia na pracinha a uma manifestação de protesto. A greve terminou quando os boias-frias começaram a incendiar os canaviais, e os usineiros concordaram em acabar com aquele regime de semiescravidão. Fiz a cobertura do acontecimento, com o repórter fotográfico Carlos Fenerich. A reportagem ganhou capa da revista Veja e o assunto virou tema de teses de mestrado e livros acadêmicos. Cinco meses depois, o editor-chefe Elio Gaspari me chamou e disse que eu deveria voltar a Guariba e me misturar aos boias-frias para investigar as suas condições de vida. Antes da greve, eles viviam em favelas, não tinham vínculo com as usinas, ganhavam uma diária miserável que era negociada dia a dia, tinham que colocar as crianças para trabalhar porque o ganho dos adultos não era suficiente para comer. Eu deveria ficar uma semana cortando cana e fazer uma reportagem-depoimento. Ralei o quanto pude, porque aquilo era um trabalho muito pesado: as farpas da cana entravam pelas narinas, mesmo com máscara ou um lenço protegendo o rosto, as costas doíam logo no começo da jornada e a gente tinha que estar no canavial às 4 horas da manhã. Num daqueles dias, estive com uma comissão de trabalhadores diante de um primo, que era diretor da Usina Santa Elisa, e ele não me reconheceu. Voltei à redação na semana seguinte e perguntei ao Gaspari: “Chefe, quantas linhas?”. Ele respondeu com outra pergunta: “Os usineiros estão cumprindo o acordo da greve?”. Eu confirmei: “Sim, as condições são melhores, as crianças estão na escola, os facões são novos, eles têm botinas, luvas, e o cronograma do acordo está sendo cumprido em dia”. Então, Gaspari me surpreendeu com uma das melhores lições de jornalismo: “Não precisa escrever nada. Cumprimento de acordo não é notícia. Só queria saber se aquilo que você escreveu meses atrás ainda é verdade”. Isso aconteceu há trinta anos, num tempo em que Veja fazia jornalismo. Leia mais + Memórias da redação – Huguinho, Zezinho, Luizinho e Fleury + Memórias da redação – Penetras + Memórias da redação – Um violino muda a vida de jovens da periferia
Fabiana Arreguy deixa a CBN BH
Depois de dez anos na CBN FM BH, Fabiana Arreguy deixou a emissora. Com a saída dela, Guilherme Ibrahin e Shirley Souza passam a âncoras e Raquel Romana ([email protected]) chega para a Chefia de Reportagem da manhã, no lugar de Guilherme. Fabiana anunciou a saída em um post no facebook: “(…) Aceito sugestões, envio currículo a quem interessar possa. Sou hoje uma folha em branco, pronta para reescrever outros textos que não os que me tomaram tempo e alma na última década. O programa Pão e Cerveja é o único que pretendo preservar em toda essa mudança. Peço que reservem a audiência para ele, que tira um tempinho de férias agora, para voltar mais oxigenado em algumas semanas. Se for preciso rebatizá-lo, farei isso. Mas o que sei, é que ele voltará mais crescidinho, sem tantas limitações e amarras, diria mais próspero e saudável. Conto com vocês para continuar fazendo o programa correr o mundo!”. Nascida em uma família de jornalistas, Fabiana começou como programadora artística da Rádio Cultura, em Brasília. Entre 1991 e 1997 trabalhou como locutora e noticiarista da Alvorada FM, em Belo Horizonte. Foi a primeira jornalista mulher a apresentar o Jornal da Itatiaia, na Itatiaia de Belo Horizonte, onde também foi noticiarista, entre 2000 e 2003. Ingressou na Globo/CBN BH em 2003, tendo exercido as funções de produtora, repórter e âncora do jornal local CBN BH. Até sua saída era produtora e apresentadora do programa semanal Pão e Cerveja, que aborda temas relacionados às cervejas artesanais do mundo todo, microcervejarias do Brasil e cervejarias em geral. Leia mais + Mudanças na editoria de Política do Correio Braziliense + Gustavo de Almeida trabalha em projeto que será lançado pela Infoglobo + João Luiz Vieira está de volta à Época
João Luiz Vieira está de volta a Época
João Luiz Vieira ([email protected]) está voltando à revista Época, onde trabalhou de 1998 a 2004, por enquanto para cobrir a licença-maternidade da editora Marcela Buscato.
Paralelamente, desenvolve dois projetos literários ligados à sexualidade, tema de sua pós-graduação no Centro Universitário Salesiano de São Paulo. Ele já tem um livro lançado sobre o assunto, Sexo com todas as letras, pela e-galaxia. E continua como diretor Editorial do site Pau Pra Qualquer Obra e fazendo roteiros audiovisuais.
Kaiser Konrad: do Rio Grande do Sul para a guerra na Ucrânia
Especializado em assuntos militares, o jornalista gaúcho Kaiser Konrad passou dois meses cobrindo a guerra na Ucrânia. Ele acompanhou operações militares e de combate nas regiões separatistas de Donetzk e Lugansk; patrulhas das forças especiais do exército ucraniano; e bem perto das linhas separatistas pró-russas.
Também assistiu a combates e conheceu o trabalho dos soldados no front, esteve em instalações subterrâneas e enfrentou temperaturas de 20 graus negativos. Integrante da primeira turma do Estágio para Jornalistas em Área de Conflito realizado pelo Centro Conjunto de Operações de Paz do Brasil (CCOPAB), no Rio de Janeiro, em 2008, Konrad apresentará o resultado da cobertura em reportagem especial que será publicada em breve na revista Tecnologia & Defesa. *Com Coletiva.net
Versão digital da revista Info já pode ser baixada na Apple Store e no Google Play
Após o cancelamento da versão impressa, a revista Info estreou nesta 5ª.feira (5/2) sua versão digital, cujo download pode ser feito gratuitamente durante até o final do mês na Apple Store e no Google Play, com opções para smartphones, tablets e desktops. O conteúdo editorial da revista, que aborda tecnologia e cultura digital, passa a ser projetado com foco em animações, maior presença de vídeos e interatividade com os leitores. As fontes utilizadas nos textos e o leiaute também foram reformulados. As reportagens principais são acompanhadas de áudios, produzidos pelos próprios autores das matérias. A partir de março a revista poderá ser adquirida por R$ 6,90. Leia mais + Lúcia Camargo estreia blog de gastronomia + Cristina Zahar começa na Eaglemoss + Renata Cafardo deixa a TV Globo
Lúcia Camargo estreia blog de gastronomia
Lúcia Camargo, que integrava a equipe do Diário do Comércio quando de sua extinção, no final de 2014, acaba de estrear seu blog de gastronomia, que traz dicas de restaurantes e bares, lugares para comer bem sem gastar muito, receitas e novidades na área. Segundo ela, “na prática, é uma continuação do trabalho que fazia no DC nos últimos 11 anos, como responsável pela seção de Gastronomia. Com a extinção do jornal, resolvi aplicar conhecimentos adquiridos, fontes conquistadas e experiência na área em um empreendimento próprio. Assim, nasceu o Menu da Lú”. Leia mais + Cristina Zahar começa na Eaglemoss + Renata Cafardo deixa a TV Globo + Com nova estrutura na Redação, revista Unesp Ciência dispensa três profissionais
Cristina Zahar começa na Eaglemoss
Depois de um ano e meio à frente do laboratório de inovação digital OrbitalLab, ao lado de Adriana Garcia, Cristina Zahar assumiu como Managing Director no Brasil da Eaglemoss, editora inglesa com mais de 40 anos de tradição no mercado de coleções, que detém licenças importantes com Marvel e DC. Suas miniaturas de super-heróis e de carros são vendidas junto com fascículos nas bancas e via e-commerce. Presente no País há cinco anos, a Eaglemoss resolveu, a partir deste ano, estabelecer aqui escritório e equipe próprias, com o desafio de aumentar seu market share. Hoje ela é a segunda, atrás da Planeta DeAgostini. O novo contato de Cristina é [email protected]. Leia mais + Renata Cafardo deixa a TV Globo + Com nova estrutura na Redação, revista Unesp Ciência dispensa três profissionais + Crise pode levar ao fechamento de Gula
Renata Cafardo deixa a TV Globo
Renata Cafardo deixou nesta 2ª.feira (2/2) a TV Globo, onde esteve por cinco anos. Começou como repórter do Fantástico e depois, a seu pedido, foi transferida para a Central Globo de Jornalismo, responsável pela produção de todos os telejornais diários. Ao longo desse período fez matérias para Jornal Nacional, Jornal da Globo, Bom Dia Brasil, Hoje, SPTV (1ª e 2ª edições) e Bom Dia São Paulo. Antes da Globo, Renata foi por dez anos do Estadão. Na sua galeria de prêmios estão o Esso (finalista do Prêmio de Reportagem), Ayrton Senna (finalista e vencedora em duas ocasiões) e Embratel (finalistas duas vezes, pelo Estadão e pela Globo, e vendedora uma vez). Ela ainda não definiu os próximos passos profissionais. Seu e-mail pessoal é [email protected]. Leia mais + Com nova estrutura na Redação, revista Unesp Ciência dispensa três profissionais + Crise pode levar ao fechamento de Gula + Editora Três abre plano de demissão voluntária
Com nova estrutura na Redação, revista Unesp Ciência dispensa três profissionais
A partir da edição de março, a Revista Unesp Ciência passará por uma reformulação editorial que afetará drasticamente a estrutura de sua Redação, com a saída do diretor Pablo Nogueira e dos editores assistentes André Gomes Julião e Guilherme Rosa. Para substituir os três profissionais, que já deixaram a revista, a Unesp Ciência passará a contar com a colaboração regular de jornalistas e fotógrafos já ligados à Assessoria de Comunicação e Imprensa da Reitoria e às faculdades, institutos e núcleos da universidade, espalhados pelas 24 cidades onde a Unesp está presente. Segundo Oscar D’Ambrósio, chefe da Assessoria de Imprensa da Unesp, “os objetivos são maior aproximação da comunidade unespiana e do público externo”. Oscar diz ainda que na nova revista – cujo projeto gráfico é de Ricardo Miura e Andrea Cardoso, remanescentes da equipe – “[…] além das habituais reportagens, que manterão a qualidade que caracteriza a publicação, ocorrerá maior colaboração de articulistas das mais diversas áreas do conhecimento, em direção a uma pluralidade de pensamento que permita mais e melhores discussões em questões de ciência, tecnologia, educação e jornalismo”. Em nota publicada no site da Unesp em 1º/2, a assessoria afirma que “a redução de três jornalistas da equipe dá-se no contexto do momento orçamentário e financeiro das universidades estaduais paulistas” e que a revista não “será um novo produto, nem pior ou melhor, categorias simplistas, mas diferente”. Mestre em Ciência das Religiões, com passagens por Veja e Galileu, Pablo Nogueira está disponível para frilas pelo [email protected]. “Sou bem grato à Unesp pela oportunidade de ter feito parte desse projeto desde o início. Foram 60 edições em cinco anos e meio”, disse a J&Cia. Já André Julião retoma projetos com a National Geographic Brasil – onde atua como freelancer desde 2010 – e segue com seu mestrado em História da Ciência, na PUC de São Paulo. Também está disponível para frilas pelo [email protected]. Formado pela USP, Guilherme Rosa trabalhou nas revistas Galileu e no site de Veja, onde também cobria Ciência. Seu contato para frilas é [email protected]. Novo site, interação nas redes sociais e menos papel Na nova fase da revista Unesp Ciência estão previstos nova página na internet e um projeto de ação para mídias sociais, algo que ainda não havia por lá. A nota prossegue informando que “a migração progressiva do papel para online se dá no espírito de maior respeito ao meio ambiente, com a redução do corte de árvores e o desenvolvimento de uma atuação maior nas mídias sociais. De agosto de 2014 a janeiro de 2015, essa nova política gerou, nos veículos oficiais da Reitoria, métricas com aumentos da presença da instituição da ordem de 35% no Facebook, 70,4% no Instagram e 15,4% no Twitter”. Em postagem no facebook, Maurício Tuffani – que por quase seis anos este à frente da Comunicação da Unesp – lamentou as mudanças na revista: “Por enquanto não tenho palavras (esperarei para ver o que acontecerá), exceto as de agradecimento e de orgulho pelo dever jornalístico magnificamente cumprido por Giovana [Girardi] (principal idealizadora do projeto). Luciana [Christante] e Pablo [Nogueira], que também capitanearam a revista em diferentes períodos, ao [Ricardo] Miura, por sua genialidade artística, a Renata Buono, por seu belíssimo e elegante projeto gráfico, aos demais colegas da equipe e colaboradores – que trabalharam obsessivamente buscando sempre a qualidade e a originalidade – e também ao professor Herman, que teve a iniciativa de criar a revista, acreditou no projeto e proporcionou total independência editorial.”. Leia mais + Crise pode levar ao fechamento de Gula + Editora Três abre plano de demissão voluntária + Marta Gleich será uma das palestrantes do congresso da WAN-IFRA
Editora Três abre plano de demissão voluntária
Segundo o Portal Imprensa, a meta é reduzir 25% da folha O Portal Imprensa publicou nota nesta 3ª.feira (3/2) informando que a Editora Três –responsável, entre outras, por publicações como IstoÉ, IstoÉ Dinheiro e Gente – implantou em 29/1, com validade até 10/2, um plano de demissão voluntária para os funcionários que atuam sob o regime CLT. A intenção da empresa seria reduzir 25% dos gastos com a folha de pagamento. Segundo Thaís Naldoni e Vanessa Gonçalves, que assinam a matéria, somente cerca de 20 jornalistas da empresa são contratados por esse regime, enquanto outros cem atuam como Pessoa Jurídica (PJ). Procurado pelas repórteres, o Departamento Jurídico da empresa informou que não se pronunciaria sobre o tema. Ainda segundo o portal, caso a medida não atinja a redução esperada a Editora Três deve expandir a medida para as demais modalidades de contrato. Também não estaria descartada a possibilidade de que a empresa reveja a posição de algumas revistas, como IstoÉ Gente, Status e Platinum, entre outras, consideradas deficitárias. A contrapartida à adesão seria o pagamento de 25% do salário atual para cada cinco anos trabalhados, acrescido de seis meses de plano saúde. O programa está sendo gerenciado exclusivamente pela área de RH da editora. Imprensa informa ainda que o Sindicato dos Jornalistas de São Paulo repudiou a medida e protocolou uma carta na editora pedindo a suspensão do PDV e do prazo para adesão a ele. Para a entidade, faltaria, por exemplo, detalhamento sobre como ocorrerá o pagamento da bonificação oferecida.







