Estão abertas até 8/5 as inscrições para o I Prêmio Jornalismo Cidadão – Radiotube, desenvolvido pela ONG Criar Brasil com patrocínio do Programa Petrobras Socioambiental. O prêmio reconhecerá três produções de áudio e três de vídeo, em português, e uma produção radiofônica em espanhol, que abordem temas ligados à comunicação e aos direitos humanos. Os primeiros colocados receberão R$ 800, os segundos, R$ 600 e os terceiros, R$ 400. Além da premiação em dinheiro, os vencedores também participarão de uma cerimônia no Rio de Janeiro para entrega dos prêmios. Ficha de inscrição e mais informações no site da Criar Brasil. Leia mais + Justiça anula eleições para Sindicato dos Jornalistas de São Paulo + Bandeirantes estreia Rádio Livre nesta 2.feira (27/4) + Vera Guimarães Martins será ombudsman da Folha de S.Paulo por mais um ano
Justiça anula eleições para Sindicato dos Jornalistas de São Paulo
Juíza Ieda Regina Alineri Pauli, titular da 77ª Vara da Justiça do Trabalho de São Paulo, anulou a eleição com chapa única para a diretoria do Sindicato dos Jornalistas do Estado de São Paulo, realizada no mês passado, e mandou iniciar novo processo eleitoral. A decisão foi proferida em 24/4, provocada por ação movida por Nelson Lin, que encabeçou a Chapa 2/Sindicato é Pra Lutar!, que não teve seu registro aceito pela Comissão Eleitoral. Em nota, o Sindicato afirma que “a sentença passa por cima das decisões da Comissão Eleitoral do Sindicato, eleita democraticamente em assembleia e que, em respeito ao estatuto da entidade, não aceitou o registro da chapa de oposição, que continha um candidato não sindicalizado, cinco com prazo insuficiente de sindicalização, três com mensalidades atrasadas e à qual faltava o número mínimo de componentes em sete das dez regionais da entidade. A Comissão Eleitoral seguiu rigorosamente o Estatuto do Sindicato, e a decisão judicial não contesta isso”. A juíza, porém, manteve a diretoria eleita até o final de um novo processo eleitoral, e negou à oposição o pedido de inscrever sua chapa no processo e de alterar as regras previstas no estatuto. Segundo ainda a nota do Sindicato, “na prática, a decisão judicial significa, basicamente, dar à oposição mais prazo para montar a chapa de acordo com as regras estatutárias – que agora voltariam a ter, paradoxalmente, sua validade plenamente reconhecida”. A direção entidade ainda avalia quais medidas adotará para se contrapor à decisão. Leia mais + Bandeirantes estreia Rádio Livre nesta 2.feira (27/4) + Vera Guimarães Martins será ombudsman da Folha de S.Paulo por mais um ano + Vaivém das Redações!
Bandeirantes estreia Rádio Livre nesta 2.feira (27/4)
Rádio Livre, novo vespertino da Rádio Bandeirantes, estreia às 14h desta 2ª.feira (27/4), apresentado por Luiz Megale e Paulo Galvão até às 16h, e, na sequência, por Francisco Prado e Ana Nery até às 18h. No ar de 2ª a 6ª.feira, o programa contará com quadros fixos semanais, como Ouvinte Profissional, em que o ouvinte convidado contará ao vivo um pouco sobre seu cotidiano profissional, histórias curiosas que já viveu em sua profissão e opinará sobre os assuntos do dia; Em Off, que contará bastidores de reportagens por meio de histórias narradas por jornalistas do Grupo Bandeirantes; Et Cetera, em que personalidades opinarão sobre assuntos do dia a dia que não estão ligados diretamente à sua ocupação profissional; Criança Falou, Tá Falado, em que crianças responderão a perguntas sobre assuntos que estão no noticiário; e Entenda Direito, que tratará de assuntos que envolvam aspectos do Direito ligados à vida do cidadão e tirar dúvidas de ouvintes. Leia mais + Vaivém das Redações! + Memórias da Redação – O jornal encouraçado + Agência Pública abre novo concurso de microbolsas para reportagens
Vera Guimarães Martins será ombudsman da Folha de S.Paulo por mais um ano
Vera Guimarães Martins, 11ª pessoa a ocupar o cargo de ombudsman da Folha de S.Paulo, teve seu mandato renovado por mais um ano. Vera assumiu o posto em 25 de abril do ano passado, em substituição a Suzana Singer. No jornal desde 1990, Vera avalia que o momento mais difícil em seu primeiro ano como ombudsman foi a eleição presidencial. “A polarização aguda do ano passado tornou os leitores extremamente sensíveis e os ânimos inflamados”, disse em nota. Segundo informou, realizou em seu primeiro mandato 5.316 atendimentos, 96% deles por e-mail.
Vaivém das Redações!
Veja o resumo das mudanças que movimentaram nos últimos dias redações de São Paulo, Rio de Janeiro, Distrito Federal e Ceará: São Paulo Anapaula Ziglio (11-981-176-946 e [email protected]) passa a reforçar a equipe de produção e reportagem da RIT TV. Após passagem pela Rede CNT São Paulo, de onde saiu em outubro de 2014, chega para atuar nos telejornais da casa: Meio-Dia, 18h e 22h e também do programa RIT em Forma. Rio de Janeiro Bruno Villas Bôas chega à Economia da Folha. Formado na UFRJ, depois de estágio na assessoria da fabricante de pneus Michelin, foi para a Globo.com e, em seguida, para o Jornal do Commercio, onde esteve por quatro anos. Na Economia de O Globo, passou seis anos e, por último, ficou um ano na reportagem da revista Exame. Distrito Federal Ana Rita Gondin começou em Cidades do Jornal de Brasília. Ainda por lá, registro para a saída de Kiara Oliveira, de Esporte, que ainda não teve substituição. Ceará A 34ª edição da revista Chic, Automóveis & Sociedade, que foi apresentada ao mercado cearense em 31/3, trouxe novidades na equipe editorial. A publicação, comandada por Marcondes Viana, anunciou a promoção de Raquel Barroso a editora-adjunta e para o lugar dela, como coordenadora editorial, retornou à casa Patrícia Holanda. Com passagens pelas tevês Unifor e Diário, e pelo Diário do Nordeste, Patrícia já havia atuado anteriormente na Chic como diagramadora. Leia mais + Memórias da Redação – O jornal encouraçado + Agência Pública abre novo concurso de microbolsas para reportagens + ABI elege Conselho Deliberativo da ABI em 28/4
Memórias da Redação ? O jornal encouraçado
A história desta semana é de Renan Antunes de Oliveira, que a publicou em 17/2 na edição 838 do Observatório da Imprensa e nos autorizou a reproduzir. Repórter independente em Florianópolis, 65 anos, ele já rodou o Brasil – e até alguns lugares do mundo – atrás de pautas, muitas delas com características de aventura. Em suas andanças, passou por RBS, Estadão, JB, Veja, IstoÉ, TV Cultura SP, TV Gazeta, Rádio SBS da Austrália, rádio do Partido Comunista Chinês e frila do UOL, entre outros. O jornal encouraçado Curitiba tem um pequeno jornal que conseguiu atravessar 30 anos sem crise. O dono era um cartorário muito rico, amante do jornalismo. Fica no bairro Centro Cívico, num prédio pequeno de dois andares, muito clean. Foi desenhado para uma operação enxuta. Rotativa no térreo, andar de cima dividido meio a meio entre a redação e a cavernosa sala do patrão. Ele escreveu na capa do primeiro número: “Nosso compromisso é com a verdade e defender a estrutura econômica do Paraná sem protecionismo privilegiado” – decifrem como quiserem. Circulava de segunda a sexta. Tirava uns 500 exemplares. Alguns iam às bancas do centro e o grosso era distribuído em repartições públicas. A cota das bancas era encalhe certo. Tinha dias que vendia um. Com dois, o pessoal já comemorava pelo “aumento de 100 por cento na circulação”. O patrão foi passar uma temporada em Miami e deixou tudo na mão de um filho. O escolhido foi um garotão boa pinta, pegador, nos tenros 26, já com a vida ganha: também era cartorário. O filho estava sentado no gabinete do pai na manhã em que cheguei na cidade. Eu, aos 42, duro e desempregado. Ele, todo pimpão, em seu primeiro dia. Que mão moveu as peças do tabuleiro pra produzir esse encontro de titãs? Foi puro acaso. Eu chegara em Curitiba no busão do amanhecer. Era pra ser só pit stop pro café. Na rodoviária, comprei passagem das 11 pra Floripa. Na lanchonete da estação, gastei minha última grana numa taça com pão e margarina. E ali, no balcão, repousava um jornal velho de três dias. Li o bicho num vapt vupt, só tinha joio. Na contracapa estava o anúncio que mudaria a minha vida para sempre: “Precisa-se de repórter”. Depois da Veja, qualquer lugar serve, pensei. E sopesei as possibilidades enquanto caminhava da rodoviária ao Centro Cívico, de mochila nas costas. Missão: prospectar um emprego praqueles meus difíceis anos 90 – além de matar tempo pro busão das 11. Ewaldo (hoje no SBT), um guri novo, era o diretor. Como CV, mostrei umas matérias minhas na revista. Ele pareceu impressionado e me levou direto pra sala do filho do dono – a cavernosa. Prático, seguro e decidido, o patrãozinho me entrevistou em 15 minutos. Ele tinha lido A regra do jogo. Sonhava contratar “um cara de cabelos brancos, como o Cláudio Abramo” para “mudar o jornalismo” de Curitiba: “Aqui todo mundo é vendido”, afirmou. Então existe um patrão que quer gente que não se venda! Soy yo! Vi o destino me dar a titânica tarefa: comandar a cruzada histórica de mudar o jornalismo paranaense! Pá pum e ele perguntou se eu toparia ficar na cidade e dirigir o seu jornal. Agarrei o touro pela picanha e pedi carta branca. Ele topou sem pestanejar – de lá pra cá me belisco cada vez que vejo essa expressão. Passamos às condições: um hotel pra morar, um carro para rodar e um salário que já esqueci quanto era, dava pra cuidar dos luxinhos da filharada. Perdemos mais tempo discutindo sobre o carro do que sobre a redação. Ficamos que ele me daria um Lada adesivado para usar nos findis – no resto da semana o carro era pras demais operações do jornal. Justo, né? Fechado o detalhe do carro, ele me pediu para assumir imediatamente, com uma recomendação expressa: “Bota o Ewaldo na rua”. Pisei no freio: “Calma lá, primeiro preciso avaliar o pessoal”. Ele insistiu: “Meu pai não gosta dele”. Dito isso, mandou chamar todos os empregados e me entronizou como novo diretor da Redação. Havia umas 40 pessoas na sala. Só cinco ou seis eram jornalistas – entre eles, outro filho do patrão, colunista social. Enquanto eles nem piscaram com o anúncio, eu entrei no modo solidão instantânea do alto da pirâmide. A turma dispersou. Dei como perdida a passagem das 11. Fui prum aquário que seria meu. No ato, chamei o zelador e o derrubei – ao aquário, não ao zelador. Gosto de ver a cara do reportariado O filho colunista se aproximou de forma delicada, mesmo enquanto o zelador dava marteladas. Queria dicas para melhorar sua página. O irmão já me adiantara: “A coluna é dele, mas o pai não quer que ele mexa em mais nada”. Primeiro intocável, pensei comigo. Menos de duas horas depois de sair do intragável café da rodoviária eu já era confidente de uma feroz briga familiar pelo controle do pasquim. Me fazendo de poderoso, botei os pés na mesa, como em filme americano, li a coluna e… aprovei tudo. Pés na mesa, mas mãos de pelica. O colunista era ingênuo, me pareceu inofensivo. Ficou combinado que eu teria 90 dias para contratar uma equipe, fazer um piloto, aprová-lo com o patrãozinho e começar as mudanças. Chamei o Ewaldo e…epa ? Tinha sumido. Num rompante, ele pediu demissão. Peguei o endereço e fui na casa dele. Estava almoçando com o pai, muito pê da vida, crente que eu tinha sacaneado ele. Eu contei que o patrão mandou botá-lo na rua. Disse que queria ele de volta, como meu segundo. E dei minha palavra que ele ficaria comigo enquanto eu fosse o diretor – uma aposta e tanto num desconhecido. Ele voltou e me ajudou a contratar. Perguntei pro Ewaldo quem era o jornalista maldito na cidade. “Roberto Salomão”. Mandei trazer. Salomão era bom de texto e de trabalho. Tava marcado nas outras redações. Saloma começou a trazer mais gente boa. Veio a deusa Natália, por quem meu muito pegador jovem patrão se apaixonou na hora, sem nunca ter sido correspondido. Minha equipe chegaria a 30. Entre eles, um jornalista recém-formado e já sequelado. Acidentado, tava gago, meio desmemoriado, com um braço retorcido. Pro patrão não vê-lo, joguei no arquivo – recuperado, tornou-se um dos grandes do site NO.. O Roni, cara do admin/finan/comercial, viu gente entrando na redaça e se descabelou. Me perguntou se eu estava ciente do acordo. Que acordo? “A folha de pagamento é o Lerner que paga. Você não pode ir contratando gente assim, senão a fatura não bate”. O patrãozinho explicou melhor: “Esse é um acerto do pai. O prefeito paga pra ele. O que tá entrando este mês vai pro pai em Miami, mas o mês seguinte já é nosso, pra bancar a redação”. Então era assim: o custo de pessoal, papel, tinta, a gasolina do Lada – tudo era mantido pelos anúncios e assinaturas do governo. A fatura mensal variava de acordo com a necessidade. Na hora me lembrei do navio encouraçado alemão Bismarck, da II Guerra. Pequeno, compacto, bolado para ser insubmergível. Só foi afundado numa batalha épica contra vários navios ingleses e um porta-aviões americano. O jornal dos cartorários não afundava porque todo mês o Lerner pagava todas as despesas. A magra receita dos anúncios dava pro material de escritório, água e cafezinho. A gráfica faturava bem em serviços para terceiros. Os gráficos viviam num feudo invertido – o bico deles era rodar o jornal do patrão. No primeiro mês o patrãozinho bancou minha redação de 30. No 31º dia o cara do admin/finan/comercial não falou mais comigo. Aos poucos, o encouraçado dos cartorários começou a mudar de cara. O Salomão conhecia a cidade e seus podres. Um reportariado novo, entusiasmado e sem compromissos estava na ruas farejando tudo. Dúzias de matérias na gaveta estavam esperando os novos tempos. Em 60 dias estaríamos na ponta dos cascos, prontos para ir às bancas com cara e conteúdo novos. O patrãozinho lia as matérias engavetadas. Parecia empolgado com elas, sem perceber que cada uma seria um tiro no pé do sistema que o mantinha na sala do pai. Eu, o heróico redentor moralizador do jornalismo paranaense, ainda tava testando os limites do cartorário filho e do papai. Estávamos fazendo uma daquelas clássicas matérias sigilentas, os gastos secretos do governo. Metade da redação tava na matéria. Ia cair como uma bomba naquelas repartições onde o jornal (NÃO) era esperado toda manhã. Zé Beto comandava a página de esportes. Começamos a mudar aos poucos, pela polícia e esportes – como qualquer foca sabe, na política ia ser duro. Perto da hora de cortar as amarras do encouraçado, o apavorado Roni ligou pro cartorário pai em Miami. O homem voltou das férias. Ouviu as partes, mas decidiu em favor do filho. Voltou à rotina de mais tempo no cartório. Aparecia no final da tarde, dava uma conferida nas manchetes – sem ver as engavetadas. Roni era um morto-vivo. Olhando pra trás, ele parecia encarnar a derrota do nascente PIG, morto no nascedouro por nós, ali em Curitiba! Um dia o cartorário pai me chamou para um papo. Tinha mandado levantar minha biografia – segurei a respiração, é agora… Aí ele disse que as informações eram ótimas e reafirmou a decisão do filho de me dar o timão – ufa! Até hoje não sei quem foi o safado que disse pra ele que eu era da turma deles. Passado o susto, ele leu uma matéria na qual se batia de leve no governador Roberto Requião, gostou muito, queria mais sangue. O encouraçado navegou por algumas semanas em águas calmas, até aquela trágica madrugada – foi quando me chacoalharam da cama no hotel. Era o patrãozinho: “Atacaram o jornal, venha urgente pra casa do pai”. Corri pra casa do patrão, mas primeiro mandei o táxi passar na frente do jornal. Ué, tudo escuro ? Abri a janela e perguntei pro porteiro Gadu quais eram as novidades. “Nada, seu Renan, tudo calmo”. Na casa do patrão, pai e filho tomavam o café da manhã: “Seguinte, invadiram o cartório. Temos que fazer uma reportagem para denunciar o ataque. Foi coisa do pessoal do Requião”, diz o filho. Tentei trazê-los ao bom senso: “Perem aí senhores, o que tem a ver os fundilhos com as calças? Por que o Requião mandaria atacar o cartório”? “Porque o cartório é o escritório do diretor do jornal”. O pai disse isso e saiu da sala, deixando o resto do serviço sujo pro filho. Ele me confidencia: “Olha, só arrombaram umas gavetas e roubaram 200 dólares. Mas nós não podemos dizer que foi no cartório porque senão vai ter auditoria da Justiça”. Resumo: eu teria que contar a história de um jornal paladino da liberdade de imprensa que teria sido atacado por esbirros do Requião depois do País redemocratizado. Ainda tentei demover o patrãozinho: “Ninguém vai acreditar porque ninguém iria mandar um Gregório Fortunato atrás de um cartorário por um jornalzinho que não fede nem cheira”. No meio da tarde a quizumba inchou. O patrão pai chamou um deputado amigo. O cara concordou em ir à tribuna da Assembleia denunciar aquele vergonhoso ataque à imprensa livre e democrática, naquela trincheira honrada que era o cartório, citado como “escritório do jornal” – e apontou para Requião. Anoiteceu e o patrão entrou na cavernosa. Toda redação esperando pelo momento. Vai Renan! “Então, onde está a matéria?” – Patrão, patrãozinho, eu não posso fazê-la. O patrão me surpreendeu pela delicadeza: “Deixa que eu faço”. Sai da sala e voltei pra redação – se fosse uma alfaiataria, daria para ouvir o som de um alfinete sendo cravado numa lapela. O jornal fecha com matéria de capa dedicada ao valente jornal que criticava o governo, com a história fajuta do ataque à sede e muito destaque para o deputado apontando o dedão para Requião. Aí, perto da meia-noite, quando todo mundo tinha ido embora, depois de tudo pronto, corri na gráfica. E ali, sozinho, pela primeira vez, usei a frase com que todo jornalista sonha: “Parem as rotativas”! Chamei o polaco que cuidava da máquina e ordenei: “Tira meu nome do expediente”. No dia seguinte, a manchete bombou nas repartições. Me liga o correspondente do Estadão: “Renan, me dá mais detalhes dessa história, atacaram a redação?”. Eu respondi perguntando: “Você tem o jornal na mão?”. “Tenho”. “Então procure o expediente”. “Achei”. “Meu nome tá aí?”. “Não”. “Então não tenho nada a declarar”. “Ah, entendi…” Rimos, desligamos. Ele não fez matéria sobre a mentira dos cartorários donos do jornal que tinha compromisso com a verdade. O patrão voltou ao meio-dia. Chutou o filho para fora da redação. Eu nem esperei a ordem, passei a dar expediente no boteco da esquina. Os 30 coleguinhas começaram a desfilar com as notícias, as matérias engavetadas, dando conta da fúria do patrão – deduzimos que era pela falta de repercussão, além das repartições, de sua manchete. Às 14 eu estava demitido. O patrão mandou o Salomão fechar o jornal. Saloma não obedeceu e veio para o boteco. Um a um os 30 foram chamados e a cada um foi oferecida a minha cadeira. Ninguém aceitou. Todos vieram ao boteco. Sensibilizado pelo apoio das bases, me segurei: diretor não chora. Sabem quem foi o último para quem pediram para assumir ? Adivinharam: pro Ewaldo. E ele disse não. Nos abraçamos no boteco, coleguinhas para sempre. Um assessor de imprensa do governo foi entronizado às pressas no meu lugar. Meus 30 foram postos na rua, menos o sequelado do arquivo. Ele me ligou no boteco, gaguejou, perguntou se eu queria que ele saísse também: “Não pedi pra ninguém sair, fica na tua”, ciente que era uma terapia pra ele. Na manhã seguinte bem cedo me chamaram no cartório. O patrãozinho ia me pagar. Me devia, digamos, 50 mil. Me ofereceu 5: “É pegar ou largar”. Ele tinha perdido o poder, queria me dar uma cravadinha. Nosso último papo foi curto. Mandou eu sair do hotel na hora do check out e me pediu a chave do Lada. Aí ele me estendeu uma passagem, só de ida, para Floripa. Era pro busão das 11. O encouraçado ainda circula pelas repartições curitibanas.
Agência Pública abre novo concurso de microbolsas para reportagens
A Agência Pública dará cinco microbolsas de R$ 5 mil a repórteres independentes que produzirem matérias investigativas com o tema Criança e água.
O concurso, lançado em parceria com o projeto Prioridade Absoluta, do Instituto Alana, visa a incentivar a produção de conteúdo jornalístico que trate da crise hídrica sob a ótica dos direitos das crianças. Os repórteres devem inscrever-se até 15/5, apresentar proposta de pauta, pesquisa inicial e plano de trabalho. As pautas vencedoras serão anunciadas em 21 de maio.
O trabalho de orientação e edição das reportagens, realizado exclusivamente pela Pública, se estenderá por dois meses. Veja mais informações.
ABI elege Conselho Deliberativo da ABI em 28/4
A ABI promove em 28/4 (3ª.feira), das 10h às 20h, eleição para renovar um terço do Conselho Deliberativo (mandato 2015/2018). O pleito terá apenas a chapa da situação, a Vladimir Herzog, pois em 16/4 a Comissão Eleitoral da entidade impugnou por irregularidades o registro da chapa Barbosa Lima Sobrinho, de oposição. A chapa única é composta por Domingos Meirelles, Ivan Cavalcante Proença, Arnaldo César Jacob, Paulo Jerônimo de Sousa, Carlos Newton, Altamir Tojal, Jesus Chediak, Arcírio Gouvêa, Lindolfo Machado, Wilson Alves Cordeiro, Eduardo Ribeiro, Claudinéia Lage, José Luiz Costa Pereira, Maurício Max, Roberto Sander, como membros efetivos do conselho; os suplentes são Silvio Tendler, Albino Castro Filho, Marcelo Moreira, Vladimir Sacchetta, Rogério Marques, Trindade Escudero, Paulo Vieira Lima, José Aparecido Miguel, Múcio Aguiar Neto, Françoise Vernot, Fausto Eduardo Pinho Camunha, Mauro Viana, Lóris Baena, Walnei Mendonça, Paulo Totti. Todos os associados com mensalidades em atraso foram anistiados e poderão votar. Os eleitores inadimplentes devem pagar apenas a contribuição de março, no local da votação. LOCAIS DE VOTAÇÃO ABI RJ – rua Araújo Porto Alegre, 71, 9º andar – Centro ABI SP – rua Martinico Prado, 26, grupo 31, Vila Buarque Belo Horizonte (Associação Mineira de Imprensa) – rua da Bahia, 1466 Brasilia (sede da Fenaj) – SCLRN 704 – BL. F – Loja 20 – Asa Norte Maceió (Sindicato dos Jornalistas do Estado de Alagoas) – rua Sargento Jayme Pantaleão, 370 – Prado Recife (Associação da Imprensa de Pernambuco) – av. Dantas Barreto, 576 Ed. AIP – Santo Antônio
Gustavo Henrique Ruffo é o novo editor do FlatOut
O site FlatOut confirmou em 17/4 a chegada de Gustavo Henrique Ruffo como editor, praticamente um retorno à equipe, uma vez que já havia atuado no mesmo time, quando este editava a versão brasileira do Jalopnik. Vale lembrar que o FlatOut foi lançado em janeiro de 2014, sucedendo o Jalô, que havia deixado de circular no Brasil em 31/12/2013. “É com muita felicidade que anunciamos a chegada do Gustavo como editor, com o qual já tive o prazer de compartilhar as redações da Quatro Rodas e da Car and Driver”, destaca o editor-chefe Juliano Barata. “Sua vinda acrescentará mais cores editoriais à nossa página, além de ser um ótimo reforço para reportagens de mercado, serviço e avaliações, tudo sem deixar de lado nossa abordagem cultural, técnica e visual nos conteúdos, que fizeram a nossa assinatura de estilo“. Gustavo atuará ao lado do também editor Leo Contesini, do repórter Dalmo Hernandes e do diretor Comercial Dan Oda. “Fico feliz em participar de um projeto tão bem feito e que conta com uma equipe extremamente focada como é o FlatOut”, comemora Ruffo. “O sucesso que a página alcançou em pouco mais de um ano é a prova que ainda existe muita gente apaixonada pelo assunto, uma vez que esse é o público que o site atinge prioritariamente. É uma aposta que acredito ter tudo para dar certo”. Recorde de audiência – A equipe do FlatOut teve mais um motivo para comemorar: fechou março com um novo recorde – 1,66 milhões de sessões (visitas), 3,42 milhões de pageviews e 708 mil visitantes únicos, com a média de 1.081 comentários por dia. Leia mais + Carol Hungria é a nova editora-chefe da Vogue Online + Jornal Correio (BA) promove Seminário de Energia Competitiva no Nordeste + Foca Econômico do Estadão define nova turma
Carol Hungria é a nova editora-chefe da Vogue Online
Carol Hungria deixou a Harper’s Bazaar para assumir como editora-chefe da Vogue Online. Formada em Jornalismo pela USP, teve passagens por Blue Bus, Folha da Manhã, Abril, MdeMulher e GLO, até chegar à Harper’s Bazaar em 2012, também como editora-chefe.
Sobre o novo desafio, disse ao Portal dos Jornalistas que o objetivo é “expandir a TV Vogue, principal aposta da empresa para 2015, e que todos sabemos é sucesso absoluto nas redes sociais. Aumentar a audiência com novos projetos a serem elaborados com a chefia e consolidar a liderança da Vogue, maior portal de moda na web brasileira”.








