Morreu na quarta-feira (1º/7) Ebrahim Ramadan, aos 91 anos, em São Paulo. A causa da morte não foi divulgada. Ele foi por quase duas décadas editor do Notícias Populares (NP), publicação que circulou em São Paulo por 38 anos, que tinha em suas capas manchetes chocantes e sensacionalistas, com nudez, teorias da conspiração e eventos sobrenaturais.

Nascido em 1935, em Cedral, no interior de São Paulo, Ramadan foi muito importante para recuperar o Notícias Populares em uma época de baixa. Na carreira como jornalista, trabalhou em Folha de S.Paulo, Jornal do Brasil e Folha da Tarde, escrevendo crônicas sob o pseudônimo Luiz Lima. Em 1972, Octávio Frias de Oliveira, então chefe do Grupo Folha, convidou Ramadan para assumir o NP, que enfrentava queda de vendas.

Em poucos meses, Ramadan conseguiu tirar a publicação do vermelho, reorganizou a linha editorial da publicação e ampliou o alcance do jornal, que passou de 30 mil para 100 mil exemplares vendidos diariamente. Foi responsável também por mudanças significativas no conteúdo da publicação, criando colunas de apelo popular, como a de Chico Xavier, e trazendo vozes diversas à publicação, com textos de figuras como Lula, Zé Bétio e Dom Paulo Evaristo Arns. Também orientou a cobertura de temas pouco explorados pela imprensa brasileira na época, como aposentadoria e poupança.

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