Lucas Ragazzi, colunista da webrádio e TV 98 live, teve acesso em 8 de julho a mensagens de ameaças feitas a ele em um grupo de WhatsApp após ter publicado notícia sobre um suposto golpe que envolvia ofertas para a compra de vacinas contra a Covid-19, em 5 de maio. Entre os membros do grupo estão o cabo da PM de Minas Gerais e suposto vendedor de vacinas Luiz Paulo Dominghetti, além de seus dois parceiros comerciais identificados como Alfredo Atas e Rafael Compra Deskarpark.

Ragazzi descobriu as mensagens quando apurava uma notícia para a Folha de S.Paulo sobre uma ONG que atuava como interlocutora na compra de vacinas. Ele teve acesso às mensagens no celular de Dominghetti, que havia sido apreendido pela CPI da Covid em 1/7, onde encontrou uma conversa no grupo sugerindo que ele “levasse um enquadro”. Um homem identificado como Rafael Compra Deskarpark diz “Temos que chegar nesses caras e ver uma forma de enquadrar eles (sic) de forma bem inteligente”.

Durante a apuração da matéria sobre o golpe na compra de vacinas, Ragazzi não havia se apresentado como jornalista e usou um nome fictício. No mesmo dia da publicação da notícia, Dominghetti compartilhou o link da reportagem no grupo e disse: “Olha a lambança”.

O nome e a foto do jornalista foram divulgados no grupo.

A Abraji repudiou as ameaças em nota: “A troca de mensagens revela a intenção de intimidar um jornalista no exercício da profissão. A Abraji repudia a tentativa de prejudicar um jornalista em resposta à publicação de fatos de interesse público, principalmente quando parte de um policial militar, que deveria se guiar pela observação rigorosa da lei. É preciso que as autoridades responsáveis investiguem a extensão do caso e tomem as medidas cabíveis para garantir a segurança do repórter e a punição de eventuais crimes que tenham sido cometidos por Dominghetti e seus interlocutores”.

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