Jornalistas e parlamentares divergem sobre regras de cobertura das eleições

Jornalistas e deputados discordaram sobre a necessidade de regulação do trabalho da mídia durante as eleições na 9ª Conferência Legislativa sobre Liberdade de Expressão, em 13/5, na Câmara dos Deputados. Fernando Rodrigues, da Folha de S.Paulo, questionou os deputados Cândido Vaccarezza (PT-SP) e Nelson Marchezan Júnior (PSDB-RS) sobre a legislação que obriga as emissoras de rádio e tevê a convidarem para participar de debates eleitorais todos os candidatos a um determinado cargo no Executivo. Ele argumentou que alguns candidatos não têm interesse para o eleitor e que o melhor critério para decidir isso seria o jornalístico. Os parlamentares até concordaram que as regras poderiam ser revistas, mas defenderam a participação de todos. Sobre o marco civil da internet, os deputados se mostraram contrários à medida, e Vaccarezza afirmou que é normal no processo legislativo serem aprovados dispositivos que poderão passar por reformas futuramente. Ele defendeu a autorregulação jornalística para proteger, por exemplo, o direito à privacidade do indivíduo. O jornalista norte-americano Robert Boorstin, consultor de estratégia política e mídias digitais, elogiou a aprovação do marco no Brasil, mas se disse contrário a limitações na liberdade de expressão na rede e a qualquer norma que oriente a mídia na divulgação das eleições. Diego Escosteguy, de Época, declarou-se preocupado com a manipulação dos eleitores pelos candidatos na campanha deste ano. Para ele, as pessoas que começaram a usar a internet há pouco tempo ainda não sabem em quem confiar na rede, e criticou os blogs financiados pelo governo: “A imprensa profissional tenta manter um nível de qualidade e conservar o debate dentro desses parâmetros… O que a gente vê é que existe uma arena enorme na internet de pessoas e grupos políticos que não se fiam por essas regras”.   Leia mais + Paulo Celso Pereira é o novo coordenador de Política do Globo no DF + Diana Fernandes deixa a sucursal de O Globo em Brasília + Grupo Estado tem mudanças em São Paulo, Brasília e Rio