Memórias da Redação ? Sonhando com números

Esta semana temos novamente uma colaboração de Ignácio de Loyola Brandão, ex-Última Hora e editoras Abril e Três, hoje colunista do Estadão e escritor, cujo livro mais recente é Solidão no fundo da agulha, quase memórias. Sonhando com números Todos os meses, em Claudia, Glória Kalil e eu éramos encarregados de fechar as páginas de O Assunto É, informações sobre cultura, livros, cinema, teatro, shows, música. Era a última coisa a fechar, para ter relativa atualidade, difícil em revista mensal. O problema era o design dessas páginas. Noticias curtas, curtíssimas, em colunas diferenciadas, estreitas. Íamos recebendo do diretor de Arte (hoje designer) as páginas com as indicações malucas: Titulo: duas linhas de 10 toques Texto: 9 linhas de 17 toques Titulo: uma linha de 23 toques Texto: 4 linhas de sete toques E assim por diante. À exaustão. Dizia-se toques. Hoje são caracteres. Assim, para cada notícia. E eram dezenas, talvez umas cinquenta. Fazíamos e refazíamos, e refazíamos, e de novo fazíamos, até a loucura. De manhã à noite. Dependendo do deadline, entrávamos pela madrugada. Quando íamos dormir, sonhávamos com números, com letras, como se tivéssemos jogado buraco, ou seja lá o que for, por uma semana sem dormir.   Leia mais + Memórias da Redação – Jânio e o estivador + Memórias da Redação – O dia em que Zé Wilker parou a Editora Globo + Memórias da Redação – Pastéis de queijo para Mikhail Gorbachev