Aumentam as restrições à liberdade de imprensa no mundo

Países nórdicos lideram ranking de liberdade da RSF; Coreia do Norte é o menos livre; Brasil fica estagnado

A organização Repórteres Sem Fronteiras divulgou nessa quarta-feira (26/4), na sede da ABI, no Rio de Janeiro, a edição 2017 doRanking Mundial da Liberdade de Imprensa. A apresentação dos dados foi feita por Emanuel Colombié, diretor regional para a América Latina da RSF.

Segundo a entidade, a edição 2017 do Ranking está marcada pela banalização dos ataques contra as mídias e o triunfo de políticos autoritários que fazem com que o mundo caia na era da pós-verdade, da propaganda política e da repressão. Ele mostra que a liberdade de imprensa nunca esteve tão ameaçada. São agora 21 países no espectro mais baixo do Ranking, ou seja, nos quais a situação da imprensa é considerada como “muito grave”. No “vermelho”, isto é, onde a situação da liberdade de informação nesses é considerada “difícil”, estão 51 países (contra 49 no relatório anterior). No total, cerca de dois terços (62%) dos países listados apresentaram um agravamento de sua situação em 2016.

“A RSF deplora a degradação perniciosa e contínua da liberdade de imprensa na América Latina”, declarou Emmanuel Colombié. “A instabilidade política e econômica observada em diversos pontos nessa zona geográfica não justifica esse ambiente às vezes hostil para o trabalho da imprensa. Os jornalistas que investigam temas sensíveis que afetam os interesses da classe política ou do crime organizado são regularmente feitos alvos, perseguidos ou assassinados. Diante de uma ameaça tão multifacetada, os jornalistas precisam, com muita frequência, se autocensurar ou até mesmo se exilar para sobreviver. Essas situações são insuportáveis em países democráticos. Já é tempo de inverter essa tendência e permitir que a profissão se liberte desses incontáveis entraves”.

Domingos Meirelles, presidente da ABI, também manifestou sua preocupação com o agravamento da situação da liberdade de imprensa em vários países e com o desemprego de jornalistas, que aumenta a cada ano no Brasil: “Em 2015, 1.200 jornalistas foram demitidos. No ano passado, mais de 900 demissões. Mensalmente, a ABI doa 126 cestas básicas para jornalistas desempregados que vivem em situação de extrema vulnerabilidade, quase no limiar da miséria. É muito difícil. Esse quadro vem piorando nos últimos meses. A maior de todas as violências é o desemprego”.

Segundo o documento da RSF, pelo sexto ano consecutivo, o Brasil permanece estagnado na parte inferior do Ranking, tendo subido da 104ª para a 103ª posição, entre 180 países. A entidade destaca que a liberdade de imprensa no País continua atrelada a velhos problemas: agressões, intimidações, pressões de toda a natureza, processos abusivos, falta de transparência pública, entre outros. Nos últimos cinco anos, a RSF registrou 21 casos de assassinatos de jornalistas no Brasil, o segundo país mais mortífero para a profissão na América Latina no período, atrás apenas do México, onde no ano passado foram registrados dez assassinatos de jornalistas.

“O Brasil não tem nenhum mecanismo de proteção para os profissionais de imprensa”, afirmou Colombié. “O Governo Federal não faz nada para mudar esse quadro”.

Os dez países com melhor posição no Ranking da RSF são: 1) Noruega, 2) Suécia, 3) Finlândia, 4) Dinamarca, 5) Países Baixos, 6) Costa Rica, 7) Suíça, 8) Jamaica, 9) Bélgica e 10) Islândia. Os dez piores são: 171) Guiné Equatorial, 172) Djibuti, 173) Cuba, 174) Sudão, 175) Vietnã, 176) China, 177) Síria, 178) Turcomenistão, 179) Eritreia e 180) Coreia do Norte.

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