A Flip dos autores tem muitos jornalistas

A 12ª edição 2014 da Flip – Festa Literária Internacional de Paraty tem seus principais eventos concentrados entre esta 4ª.feira (30/7) e domingo (3/8). Nesse período, será publicado o jornal Daily Míllor, uma brincadeira com o homenageado e tema principal deste ano, o jornalista, escritor, dramaturgo, tradutor e desenhista Millôr Fernandes, morto em 2012. Os textos sobre os temas debatidos e as ilustrações cabem a alguns autores convidados. E são muitos: 47 ao todo, de 15 nacionalidades, discutindo literatura em qualquer vertente, da erudita à popular. Gal Costa faz show gratuito, na abertura. A assessoria de imprensa da festa está a cargo da A4 Comunicação, com Danilo Thomaz no atendimento (danilothomaz@a4com.com.br e 11-3897-4122). Autores nas Mesas Literárias compõem a programação principal O jornalismo brasileiro está bem representado pela nova geração: • A gaúcha Eliane Brum, bem conhecida por seu trabalho em São Paulo, durante dez anos, na revista Época; • Bernardo Kucinski, do jornalismo econômico, ex-Veja e correspondente do The Guardian no Brasil; • O carioca Gregório Duvivier, colunista da Folha de S.Paulo e roteirista do grupo de humor Porta dos fundos; • Loredano, caricaturista desde o Pif-Paf e estudioso da história da ilustração no Brasil, consultor do Instituto Moreira Salles para a organização do acervo gráfico de Millôr; • E os híbridos do jornalismo, como o roteirista Antônio Prata, colunista da Folha de S.Paulo.   Pelas atualidades latinas, respondem ainda: • A argentina Graciela Mochkofsky – que traçou o próprio perfil para a revista piauí –, ex-La Nación, faz livros-reportagem, entre outros, sobre o embate dos Kirchner com o grupo Clarín; • O mexicano Juan Villoro, respeitado poeta e romancista, mantém uma crônica esportiva e comenta essa vocação paralela: “Más vale darse de patadas en un campo de futbol que en un campo de batalla, yo creo que el deporte tiene esa facultad de sublimar el instinto agresivo, el instinto guerrero del hombre”.   E mais os europeus: • O francês Mathieu Lindon, ex-Libération e filho de editor de livros (Editions de Minuit), lembra em sua obra o lado lisérgico dos anos 1970 e Michel Foucault; • A fotojornalista suíça Claudia Andujar, especializada em povos indígenas desde o período áureo da revista Realidade.   Os americanos: • Andrew Solomon, repórter da revista The New Yorker e colaborador de Newsweek e The New York Times, militante da causa LGBT; • David Carr, visto aqui no filme Page One – Inside The New York Times – cobre comportamento, também na política e nos negócios, e os bastidores da mídia; • Glenn Greenwald e seus dossiês publicados no The Guardian, primeiro estrangeiro a ganhar o Prêmio Esso no Brasil, agora tocando o site The Intercept; • Daniel Alarcón, mezzo peruano, mezzo americano, o mais consagrado jovem autor literário da festa – mantém a Rádio Ambulante, de jornalismo na internet, em que produz narrativas radiofônicas a partir de histórias reais enviadas por ouvintes da América Latina.   Pode parecer que há americanos demais nessa curadoria, mas é uma falsa impressão – veio autor de toda parte, da África, do Oriente Médio e de Israel. Essa nacionalidade se destaca aqui porque quase todos eles, e quase que só eles, atuam  também no jornalismo. Outras seções Mais autores estão na seção FlipMais, na Casa da Cultura, com rodas de conversa sobre temas caros ao homenageado, como os versos hai-kai e a tradução literária, entre outros. Para a Flipinha, dedicada ao público infantil, vêm o mineiro Leo Cunha, da web-revista de cinema Filmes Polvo, e o gaúcho Luís Dill, produtor executivo da Rádio FM Cultura de Porto Alegre, ambos com vasta obra infantil já publicada. A FlipZona, espaço destinado a atrair os jovens para o universo literário, ocorreu no início de julho. Nela, estudantes participaram de oficinas de produção de texto para blogs, utilização das redes sociais, produção e edição de vídeos, além de debates e outras atividades interdisciplinares, como fotografia e grafite. Mas foi em plena Copa do Mundo, não deu para concorrer  – mas tem reflexos agora. Nesta 4ª.feira (30/7), às 16h, vai rolar uma oficina gratuita da Amazon, sobre autopublicação digital. A Globo leva dois convidados especiais para conversar com os participantes da ala jovem. O repórter Marcelo Canellas e seu parceiro de trabalho, o cinegrafista Marcelo Quilião, batem papo com os estudantes sobre o dia a dia da atividade e a importância da parceria entre repórter e cinegrafista. Também trazem também dicas e conselhos sobre técnicas de reportagem. O encontro é na 6ª.feira (1º/8), das 15h às 16h, na Casa da Cultura. A Oficina Literária presta homenagem ao cineasta Eduardo Coutinho e ao documentário. Entre os professores, está João Moreira Salles. E depois tem mais No dia 5/8 (3ª.feira), o Polo de Pensamento Contemporâneo repercute no Rio de Janeiro uma Pós-Flip, com a argentina Graciela Mochkofsky, que integrou a mesa Narrativas do poder. Ela é entrevistada por Mauro Malin (Observatório da Imprensa) sobre as relações entre mídia e poder a partir das relações de aproximação e antagonismos entre jornalismo, cobertura política, ética e política partidária. Às 20h, na rua Conde Afonso Celso, 103, Jardim Botânico. Um pouco de história Em se tratando de Millôr, não poderia deixar de estar lá uma parte da Turma do Pasquim. O cartunista Jaguar, autor do rato Sig, símbolo do jornal, e o hoje crítico de cultura Sérgio Augusto, além de obras próprias, lançaram em 2006 uma coletânea dos melhores textos do Pasquim. Também os humoristas Hubert (ghost writer de Agamenon Mendes Pedreira) e Reinaldo, que depois se afirmaram no grupo Casseta & Planeta, e o cartunista Claudius, que hoje se dedica aos programas de educação popular. Algumas ausências possivelmente se justifiquem pelo racha ocorrido na equipe. Durante a ditadura, Hélio Fernandes, dono da Tribuna da Imprensa e irmão de Millôr, soube antecipadamente de uma operação para empastelar o Pasquim e prender os integrantes da redação. Alertado, Millôr fugiu, e assim, todos foram presos, menos ele. O tempo se encarregou de diluir a mágoa, e os antigos companheiros, mesmo que tivessem perdoado a falta de aviso, não se esqueceram. Mantiveram silêncio sobre o fato e, ao que se saiba, nunca comentaram isso em público. Mas daí a homenageá-lo, vai uma distância. No entanto, o episódio não empana o brilho de Millôr como autor, nem a merecida homenagem.