Por Carlos Motta, editor do Viva! Serra Negra, especial para o J&Cia

Carlos Motta

Mais de 100 ex-funcionários do Jornal de Jundiaí e da Rádio Difusora Jundiaí recorreram à Justiça do Trabalho para receber salários, verbas rescisórias e outros direitos trabalhistas, mas muitos continuam sem receber, mesmo depois der anos de tramitação dos processos. Em alguns casos, as ações já foram julgadas procedentes e estão na fase de execução.

A situação dos profissionais vem sendo relatada em uma série de entrevistas no jornal Jundiaí Agora (www.jundiaiagora.com.br), que revelam uma situação marcada por atrasos de salários, falta de pagamentos de direitos trabalhistas e dificuldades financeiras enfrentadas pelos antigos empregados.

Há casos de profissionais que precisaram recorrer à ajuda de familiares, vender patrimônio ou continuar trabalhando mesmo depois da aposentadoria.

Odilies Moro, por exemplo, tem 80 anos, foi dispensada em 2017 sem receber as verbas rescisórias e afirma que precisou vender o apartamento e o carro, além de continuar trabalhando como corretora de imóveis para complementar a renda.

Entre os ex-funcionários está também Marco Antônio Sapia, que trabalhou por cerca de 30 anos no grupo e chegou ao cargo de editor-chefe do Jornal de Jundiaí. Segundo seu relato, enfrentou pelo menos três meses sem receber salários durante o período em que os atrasos se agravaram. Sua ação trabalhista tramita há quase uma década. Sapia afirma que a demora tem impacto ainda maior diante dos problemas de saúde que enfrenta e das dificuldades financeiras decorrentes da falta do dinheiro que considera seu por direito.

Marco Antônio Sapia

Outro ponto que aparece nos depoimentos é a existência de patrimônio que poderia, em tese, contribuir para a quitação das dívidas. Entre os bens estão o terreno onde funciona a antena da Rádio Difusora, no bairro do Caxambu, e o imóvel da antiga sede do Jornal de Jundiaí, na Rua Baronesa do Japi. O terreno chegou a ser levado a leilão, mas não houve interessados. Já a antiga sede está inserida em um inventário e sua situação de copropriedade dificulta a venda para pagamento dos créditos trabalhistas.

Os ex-funcionários ouvidos apontam justamente a demora na transformação desses bens em recursos como uma das principais causas de frustração. Geraldo Dias Netto, que venceu uma ação para receber salários atrasados, afirma que o processo permanece sem resultado prático. Ele considera especialmente preocupante que pedidos de pesquisa de patrimônio ainda aguardem análise e teme que a situação se prolongue por muitos anos.

O repórter-fotográfico Rui Carlos da Silva, que trabalhou 17 anos no JJ, também ganhou a ação, mas ainda não recebeu os valores reconhecidos pela Justiça. Ao deixar a empresa, em 2019, enfrentou dificuldades financeiras e precisou inicialmente da ajuda de familiares. Para ele, mesmo a eventual venda dos imóveis pode não ser suficiente para quitar todos os créditos diante do número de processos existentes.

A mesma situação é relatada por André Luiz Denigres, que trabalhou durante 22 anos na área comercial do jornal. Sua ação foi julgada procedente e está há anos em fase de cumprimento de sentença. Ele afirma que a existência de imóveis que poderiam servir como garantia torna ainda mais difícil compreender por que os pagamentos não foram realizados.

Os depoimentos convergem em um ponto: para esses trabalhadores, ganhar uma ação judicial não significa necessariamente receber o dinheiro reconhecido como devido. A espera, que em alguns casos se aproxima de dez anos, é acompanhada pelo envelhecimento dos ex-funcionários, problemas de saúde, dificuldades financeiras e incerteza sobre quando – ou mesmo se – os créditos serão efetivamente pagos.

(N.daR.) – A versão impressa do Jornal de Jundiaí deixou de circular em 2017. Atualmente, o jornal mantém presença online no Portal JJ.

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