* Por Fernando Soares e Victor Félix
Jornalistas da IstoÉ Publicações, dona das marcas IstoÉ, Dinheiro, Gente, Motorshow, Planeta, Menu e Dinheiro Rural, entraram em greve nesta quinta-feira (14/5) por conta dos constantes atrasos nos pagamentos dos salários e benefícios.
O imbróglio acontece em meio aos escândalos envolvendo a Entre Investimentos e Participações, do empresário Antônio Carlos Freixo Junior. Dona da IstoÉ Publicações, a empresa foi apontada também nesta quinta-feira como intermediadora de repasses financeiros do Banco Master para a produção do filme Dark Horse, que retrata a campanha de Jair Bolsonaro à Presidência da República em 2018.

Segundo uma fonte ouvida por este Portal dos Jornalistas, por causa dos problemas judiciais enfrentados pelo empresário, seus bens e do Grupo Entre estão bloqueados, impossibilitando não apenas o pagamento aos funcionários, mas também de serviços básicos como o provedor de e-mail e a plataforma para publicação de conteúdo nos sites das publicações, que seguem sem atualizações desde a última segunda-feira (11/5). “Só temos acesso às redes sociais, mas sem poder publicar novas matérias”, informou um funcionário da editora que preferiu não se identificar.
Com isso, ainda que a greve não estivesse ocorrendo, os jornalistas estariam praticamente impedidos de trabalhar pela falta de estrutura básica. Na noite desta quinta-feira uma nova assembleia foi realizada para atualizar a situação. Durante o encontro, foi informado que o juiz responsável pelo caso estaria preparando uma liminar pra liberar ainda nesta sexta-feira (15/5) os pagamentos dos funcionários e o básico pra continuar as operações dos sites.
Em nota enviada a este Portal dos Jornalistas, a IstoÉ Publicações confirmou que “a intermitência nos pagamentos de funcionários e fornecedores da IstoÉ decorre do bloqueio judicial de parte dos bens e ativos financeiros do Grupo Entre, ao qual a empresa pertence. A medida impacta temporariamente a operação financeira da companhia e o cumprimento de compromissos com colaboradores e parceiros. O grupo mantém diálogo constante com as autoridades competentes para regularizar a situação o mais rapidamente possível e reafirma seu compromisso com profissionais, fornecedores e leitores, seguindo empenhado na busca por uma solução responsável e célere para o momento enfrentado”.
Sobre o caso
A Entre Investimentos foi, segundo o Intercept Brasil, utilizada para o repasse de R$ 61 milhões para financiar o filme Dark Horse. Desse valor, cerca de US$ 2 milhões (R$ 12, 2 milhões) foram destinados ao fundo Havengate Development Fund LP, registrado no Texas, nos Estados Unidos, e gerido por Paulo Calixto, advogado de imigração do ex-deputado federal, Eduardo Bolsonaro, irmão do senador Flavio Bolsonaro, pré-candidato à Presidência da República pelo PL.
A movimentação gerou suspeitas dentro da Polícia Federal, que agora investiga se o dinheiro teria sido destinado de fato à produção do filme ou se houve desvio de finalidade, sendo usado para custear a permanência de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos. O ex-deputado, vale lembrar, é considerado foragido pela Justiça brasileira.
Além do envolvimento com o filme sobre o ex-presidente, o jornal O Globo denunciou que outros repasses da Entre Investimentos, realizados entre julho de 2022 e dezembro de 2025, teriam sido destinados a empresas investigadas pela Polícia Federal por lavagem de dinheiro, participação em fraudes de combustíveis e até ligação com facções criminosas como o Primeiro Comando Capital (PCC) e a máfia italiana.
Em nota enviada ao jornal, o grupo informou que “realiza suas operações em conformidade com as normas e regulamentações aplicáveis ao setor financeiro”. “A empresa reforça seu compromisso com a integridade, a transparência e o cumprimento da legislação vigente, permanecendo à disposição das autoridades competentes sempre que necessário”, completa.









