O repórter Sérgio Utsch, correspondente do SBT na Europa, recebeu ameaças de um soldado brasileiro que atua pelo exército ucraniano. Os ataques ocorreram após uma reportagem sobre um grupo de brasileiros que foram até a Ucrânia para lutar na guerra contra a Rússia e que estaria praticando tortura contra soldados.
A reportagem, feita em parceria com um jornalista americano do Kyiv Independent, publicação digital da Ucrânia, aborda a atuação do grupo Advanced, vinculado ao Exército ucraniano, que teriam implantado um grande sistema de tortura contra soldados e até assassinatos. O grupo tem em sua formação recrutas brasileiros. Uma das vítimas seria um brasileiro de 28 anos que morreu em dezembro do ano passado. O corpo dele foi encontrado com marcas de agressão. Autoridades ucranianas abriram uma investigação para apurar a atuação do grupo.
Alguns dias após a publicação da reportagem, um soldado brasileiro que atua no Advanced publicou nas redes sociais que está sendo vítima de uma “operação russa coordenada por emissoras brasileiras que são pró-Rússia”. Com teor agressivo, ele fez postagens divulgando os nomes e redes sociais dos dois jornalistas, acusando-os de serem “militantes comunistas de esquerda” e de terem sido pagos pelo governo da Rússia para produzir a reportagem. O combate afirmou que vai seguir “trabalhando dia e noite, fazendo o que puder para destruir a Federação Russa e todos os comunistas da Terra”.
Entidades defensoras da liberdade de imprensa repudiaram as ameaças. Para a Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji), “o teor agressivo das mensagens configura grave tentativa de ameaçar, intimidar e colocar em risco a segurança de jornalistas em razão de seu trabalho e não pode ser tolerado em nenhuma democracia”.
Ao Kyiv Independent, a Legião Internacional da Defesa de Inteligência da Ucrânia, braço de inteligência do Exército do país, declarou que está investigando o caso e que “não tolera casos de pressão a representantes da mídia, obstrução de atividades jornalísticas ou ameaças, que não se justificam nem pelo status militar ou pelas condições em tempo e guerra”.










