A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro compartilhou em suas redes sociais um vídeo no qual a influenciadora bolsonarista Cris Mourão afirma que repórteres que cobriam a hospitalização do ex-presidente Jair Bolsonaro estariam desejando a morte dele. As imagens não mostraram, porém, nenhuma declaração dos jornalistas. Após a publicação do vídeo, profissionais de imprensa que foram reconhecidos receberam ataques e ameaças de morte.
No vídeo em questão, Cris Mourão filma os repórteres que estavam em frente ao hospital DF Star, em Brasília, onde Bolsonaro está internado. A influenciadora grita contra os comunicadores e insinua, sem provas, que eles estariam desejando a morte do ex-presidente. Mourão chega a filmar o crachá de uma assessora. No Instagram, Michelle Bolsonaro compartilhou o vídeo, com o texto: “Jornalistas reunidos desejando a morte de Bolsonaro e comemorando por ser sexta-feira 13”.
A filmagem acabou viralizando e repórteres que apareceram na gravação sofreram ataques e ameaças de morte. Ao menos dois deles registraram boletim de ocorrência após terem sido intimidados. Duas repórteres foram reconhecidas na rua e sofreram ameaças presenciais. Fotos de filhos e familiares dos jornalistas também foram usadas como intimidação. Além de Michelle, deputados aliados a Bolsonaro também compartilharam o vídeo.
No domingo (15/3), Cris Mourão publicou um vídeo em suas redes sociais sobre o ocorrido, e escreveu: “Minha intenção nunca é prejudicar ninguém, mas sim defender com unhas e dentes quem luta pela nossa nação”.
Entidades defensoras do jornalismo e da liberdade de imprensa, repudiaram o vídeo e as ameaças contra os repórteres. Em nota, a Federação Nacional de Jornalistas (Fenaj) e o Sindicato dos Jornalistas do Distrito Federal (SJPDF) escreveram que “é inadmissível que jornalistas, no pleno exercício de sua atividade profissional, sejam cercados e hostilizados na portaria de uma unidade de saúde. Mais grave ainda é o fato de que a violência física e verbal no local tenha sido amplificada por ataques virtuais coordenados. Essa exposição irresponsável resultou no vazamento de informações pessoais dos repórteres, que passaram a receber centenas de mensagens ofensivas e ameaças de morte em suas redes sociais”.
A Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) classificou o ocorrido como um “ataque direto à liberdade de imprensa e à democracia”, destacando que a ex-primeira-dama e parlamentares compartilharam o vídeo “sem qualquer verificação, disseminando mentiras e expondo profissionais de imprensa que estavam simplesmente exercendo seu trabalho. É inadmissível que parlamentares e figuras com espaço no debate público utilizem sua influência para orquestrar campanhas de difamação e incitar agressões contra profissionais de imprensa”.
Para a Associação Brasileira de Imprensa (ABI), “esse tipo de prática não ameaça apenas indivíduos, mas representa um ataque direto à liberdade de imprensa e ao direito da sociedade à informação. É inadmissível que figuras públicas utilizem sua influência para difundir conteúdo falso ou estimular campanhas de difamação contra jornalistas”.
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