Veruska Donato, ex-repórter da Globo, está processando a emissora supostas dívidas trabalhistas e assédios morais, que incluiriam cobranças relacionadas a padrões estéticos. Segundo informações da Folha de S.Paulo, esses episódios teriam feito a jornalista desenvolver um quadro de burnout, e de esgotamento físico e mental.

A reportagem da Folha teve acesso a um atestado médico de Veruska, de 2021, para uma licença de 60 dias para tratar transtornos emocionais ligados “às pressões do ambiente de trabalho”. Uma dessas pressões era justamente sobre a aparência dos repórteres, diz o processo.

Em e-mail de 2017, também anexado, a chefia do jornalismo da Globo pede que repórteres evitem tecidos apertados, pois “representam um perigo em potencial para o figurino.” O e-mail diz que malhas apertadas poderiam evidenciar detalhes como “um estômago mais avantajado, barriguinhas persistentes, especialmente nos tons mais claros”.

No processo, Veruska declarou que a pressão estética piorou conforme ela se aproximava dos 50 anos, e acusou a emissora de etarismo (discriminação em decorrência da idade). Segundo a jornalista, “qualquer flacidez, ruga ou gordura considerada ‘fora do lugar’ era alvo de críticas pelos chefes e no setor de figurino da emissora”.

“Portanto, a reclamante (Veruska) trabalhou nos últimos tempos em estado de grande tensão emocional e estresse crônico com a sensação de esgotamento físico e emocional”, diz o processo.

Ela está processando a Globo em R$ 13 milhões, que incluem os supostos assédios morais e dívidas trabalhistas. Veruska trabalhou de 2002 a 2019 como pessoa jurídica, mas tinha rotina semelhante a de uma profissional em regime de CLT. Por isso, pede que a emissora pague verbas trabalhistas, como 13º e FGTS, referentes aos 17 anos em que atuou como PJ. Além disso, em novembro de 2021 foi informada de sua demissão, o que não poderia ocorrer pois estava de licença médica.

Procurada pela reportagem da Folha, a Globo declarou que “não comenta ações judiciais em curso. O que pode assegurar é que não existe nenhuma orientação nesse sentido para nossos profissionais”. Os advogados da emissora não quiseram se pronunciar.

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